terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O adeus de Antônio Américo


O poeta e a viola, sua companheira por muitos anos.
Foto disponível em: Patos TV.
O blog Acorda Cordel, mantido pelo poeta Arievaldo Viana, noticiou, há duas semanas, a partida do poeta cordelista e cantador Antônio Américo de Medeiros, a 21 de janeiro. Nascido em São João do Sabugi (RN) e radicado em Patos (PB), era também editor e folheteiro. 

Suas obras mais conhecidas são O fracassado ataque de Lampião a Mossoró, História da Cruz da Menina, Lampião e sua história contada toda em cordel e A moça que mais sofreu na Paraíba do Norte. As duas últimas foram lançadas pela Luzeiro de São Paulo. Era uma enciclopédia da poesia popular. Durante o tempo em que fiquei à frente do editorial da Luzeiro, conversei muitas vezes com ele, por telefone, e dele ouvi muitas histórias, como a que envolve a estrofe reproduzida abaixo, publicada no livro Breve história da literatura de cordel (Claridade, 2010), e que teria sido cantada por cego Aderaldo em encontro com ninguém menos que Virgulino Ferreira da Silva, o temível Lampião:

É esta a primeira vez
Que canto pra lampião,
A maior autoridade
Que há em todo o sertão,
Fazendo medo a tenente,
Alferes e capitão.

Uma vez, pedi que ele apontasse um texto de sua predileção, e ele, sem titubear, apontou: A princesa Rosamunda e a morte do gigante, de José Pacheco. "Apesar de ter um erro de rima, é uma história muito bonita e bem contada". 


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