domingo, 4 de novembro de 2018

O adeus a Santa Helena



O cordelista paraibano, ou paraibense, como ele gostava de dizer, Raimundo Luiz do Nascimento, o Raimundo Santa Helena, personagem de destaque na história da literatura popular em versos, morreu ontem, 3 de novembro, aos 92 anos. Deixa uma obra monumental, um acervo gigantesco e uma série de realizações em prol de sua coletividade. A ele dediquei o seguinte trecho em meu livro Breve História da Literatura de Cordel:

"O combativo poeta popular paraibano Raimundo Santa Helena, nascido em 1926 e batizado Raimundo Luiz do Nascimento, começou a publicar seus folhetos relativamente tarde – em 1978. Contudo, seu espírito levou-o a empreender verdadeiras cruzadas em defesa da Literatura de Cordel. Ousou, inclusive, questionar o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, do MEC, que, num verbete específico, definia Cordel como “literatura de pouca ou nenhuma qualidade”. Esta visão depreciativa vem desde os tempos em que o português Caldas Aulete fixou o termo no Dicionário Contemporâneo, de 1881. O Dicionário Escolar, portanto, apenas endossava um absurdo repetido por mais de um século. Foi esta a razão do protesto de Santa Helena, apoiado por Carlos Drummond de Andrade, que numa crônica publicada no Jornal do Brasil, a 21.08.1982, recomendou: “A expressão ‘de cordel’ não é mais pejorativa. Não custa ao MEC rever, em edição futura, o verbete desatualizado”.

Por esta e outras, inclusive por sua luta em favor das eleições diretas, em 1984, Raimundo de Santa Helena é um nome maiúsculo do Cordel em sua face urbana."

Para saber mais sobre o poeta, leia sua biografia na página Paraíba Criativa.

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