quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O QUE É QUE ME FALTA FAZER MAIS




GLOSA DE UM MOTE POPULAR


Tirei Jonas do bucho da baleia,
Também vi “Simão Mago” se lascar,
Vi Moisés duma pedra água tirar,
E Ulisses livrar-se da Sereia,
Com Sansão defendi a minha aldeia
Contra os tais filisteus, povos brutais,
Bebi água das fontes ancestrais,
Que abastecem a minha poesia,
É por isso que sou uma autarquia:
O que é que me falta fazer mais?
.

E o que é que me falta fazer mais
Se o que eu fiz até hoje ninguém faz?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Bibliografia




Bibliografia em cordel – Marco Haurélio

• Publicados pela Editora Luzeiro:

Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo
Os Três Conselhos Sagrados
História de Belisfronte, o Filho do Pescador
O Herói da Montanha Negra
A Idade do Diabo
História da Moura Torta
Nordeste – Terra de Bravos
Serra do Ramalho – um Brasil que o Brasil Precisa Conhecer
Romance do Príncipe do Reino do Limo Verde
A Briga do Major Ramiro com o Diabo
As Três Folhas da Serpente
O Cordel –  Sua História, Seus Valores (com João Gomes de Sá)
Florentino e Mariquinha no Tribunal do Destino



• Publicados pela Tupynanquim:

Galopando o Cavalo Pensamento
Traquinagens de João Grilo
A Maldição das Sandálias do Pão-Duro Abu Kasem
As Três Folhas da Serpente (reedição)
O Encontro de João Grilo com Pedro Malazarte

• Publicado pela Queima-Bucha:

Cem Anos da Xilogravura na Literatura de Cordel (com Arievaldo Viana)

• Cordéis sobre Raul Seixas
(publicados no livro Raul Seixas Dez Mil Anos à Frente)

O Arauto do Novo Aeon
As Novas Sementes de Sol
O Anel do Nibelungo
As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Todos

• Publicado pela Olho Dágua:

Jesus Brasileiro (com Costa Senna, esgotado)

• Infantis e infantojuvenis:

O Príncipe que Via Defeito em Tudo (Ed. Acatu)
A Lenda do Saci-Pererê (Ed. Paulus)
A Megera Domada (Ed. Nova Alexandria)
Traquinagens de João Grilo (Ed. Paulus)
Contos Folclóricos Brasileiros (Ed. Paulus)
As Babuchas de Abu Kasem (Conhecimento)
Os Três Porquinhos em Cordel (Nova Alexandria)
O Conde de Monte Cristo em Cordel (Nova Alexandria)
Contos e Fábulas do Brasil (Nova Alexandria)
A Roupa Nova do Rei ou O Encontro de João Grilo com Pedro Malazarte (Volta e Meia)
O Príncipe teiú e outros contos brasileiros (Aquariana)
Lá Detrás Daquela Serra (Peirópolis)
Lendas do Folclore Capixaba (Nova Alexandria)
A Saga de Beowulf (Aquariana)
Peripécias da Raposa no Reino da Bicharada (LeYa)
A Lenda do Batatão (SESI-SP Editora)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Morre Nicodemus Pessoa



O jornalista Nicodemus Pessoa faleceu no sábado, dia 22 de novembro, no Hospital do Rim, em São Paulo. Ele foi enterrado domingo no Mausoléu dos Jornalistas, no Cemitério São Paulo.

Aos 71 anos, Pessoinha, como era conhecido pelos amigos, já estava afastado das atividades profissionais desde o início deste ano. Ele trabalhou no Jornal do Brasil, Última Hora, Jornal da Tarde, revista Realidade e O Globo. Também foi assessor de grandes empresas, entre elas do Grupo Editorial Summus, entre 1996 e 1999.

Atualmente era colaborador da revista Caros Amigos e do site Intermídias.

No JT, Nicodemus foi pauteiro. Segundo Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band e parceiro de Pessoinha na criação do Jornal da Tarde, "talvez o pauteiro mais brilhante que eu tenha conhecido, com grande sensibilidade para as questões sociais". Na Caros Amigos, ele fazia uma página sobre a literatura de cordel.

Para Wagner Nabuco de Araújo, diretor-geral da Caros Amigos, Pessoinha era um jornalista que "cultuava o texto". "Os leitores liam seus textos com prazer. Nós e nossos leitores somos muito gratos pela participação dele", disse.Nascido em 2 de setembro de 1937, em Santa Rita, Paraíba, participou do movimento comunista por meio das ligas camponesas. Fugindo de perseguições, passou por Minas Gerais, Rio de Janeiro e acabou se fixando em São Paulo, cidade que ele adotou até a morte. Ele fazia questão de ensinar a cada motorista de táxi que conhecia (ele pensou em aprender a dirigir) quem eram os personagens que deram nome às ruas de São Paulo. Era fascinado pela história de cada bairro.

Nicodemus Pessoa costumava dizer que era um homem de muita sorte porque tinha um filho "que já veio pronto": Thiago Ferreira de Souza por quem dedicava irrestrito amor sempre correspondido principalmente quando lhe foi dado o direito de escolher o nome da neta. Raquel Nogueira Ferreira de Souza era também sua grande paixão.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Arievaldo entrevista João Firmino


Por Arievaldo Viana

Corria o ano de 1954... Aos 14 anos, o garoto João Firmino Cabral saiu de sua pequena Itabaiana e foi para Aracaju, onde encontrou-se com o poeta Manoel D'Almeida Filho, que, na companhia de dois outros folheteiros, cantava e vendia seus romances na feira próxima ao mercado. Munido de um alto-falante e um microfone, Manoel D'Almeida encantava a todos com sua pose de galã e a sua voz cadenciada e vibrante. O menino, que já era fascinado pela poesia popular, ficou embevecido. Esqueceu de fazer as compras que a mãe havia lhe ordenado e passou o dia inteiro na companhia dos poetas. Quando se deu conta, já eram quatro e meia da tarde e o último (e único) trem para Itabaiana já havia partido.

João Firmino começou a chorar desoladamente e foi socorrido por Manoel D'Almeida, que lhe ofereceu dormida e um prato de sopa para o jantar. O menino falou de seu grande amor pela Literatura de Cordel e disse que gostaria de se tornar um revendedor de folhetos. Manoel D'Almeida, vendo o interesse do garoto, confiou-lhe uma maleta com trezentos folhetos (trinta títulos diferentes) e Firmino seguiu para a feira de Itabaiana. Nascia ali um grande folheteiro que viria a se tornar, dois anos depois, um dos maiores poetas populares dessa geração.

Tive a honra de entrevistar João Firmino Cabral, por ocasião da VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, onde colhi estas e outras histórias do velho poeta, que é um verdadeiro arquivo vivo, guardião das histórias dos poetas do passado. Fui auxiliado nessa tarefa pelo poeta e pesquisador Marco Haurelio. Em breve irei transcrever essa entrevista para aproveitá-la em minhas pesquisas.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Imagens da Bienal do Livro do Ceará





Entre os dias 16 e 21 de novembro, estive, como convidado, na Bienal do Livro de Fortaleza, Ceará, onde ministrei a palestra Vida e Obra dos Mestres do Cordel, mediada pelo poeta e editor Klévisson Viana.
Na foto acima, estou ao lado do poeta sergipano João Firmino Cabral, do poeta cearense Arievaldo Viana e do editor Gustavo Luz, de Mossoró, RN.

Fotos 1 e 2: Nely Rosa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sala Cego Aderaldo na Bienal do Ceará


I CONGRESSO BRASILEIRO DE POETAS CORDELISTAS, EDITORES E FOLHETEIROS
16 DE NOVEMBRO CENTRO DE CONVENÇÕES DO CEARÁ
• SALA CEGO ADERALDO (HALL BLOCO B) 09:00h ÀS 22:00h
– FEIRA DE CORDEL 14:00h às 18:00
I CONGRESSO BRASILEIRO DE POETAS CORDELISTAS, EDITORES E FOLHETEIROS 14:00h
- SESSÃO SOLENE DE ABERTURA COM MESTRE AZULÃO 14:50h -
Mesa: A ATUAL SITUAÇÃO DA LITERATURA DE CORDEL, SUAS CONQUISTAS E PRINCIPAIS OBSTÁCULOS PARA SUA DIFUSÃO NA ATUALIDADE
ASSIS ÂNGELO (São Paulo - SP)
JOÃO FIRMINO CABRAL (Aracaju -SE)
LUCAROCAS CECORDEL (Fortaleza - CE)
VIDAL SANTOS ABC (Brasil)
Mediação: MARCO HAURÉLIO (São Paulo - SP)
16:00h - Mesa: O CORDEL NA SALA DE AULA
ARIEVALDO VIANA Projeto Acorda Cordel ABLC (Canindé -CE)
GUAIPUAN VIEIRA CECORDEL (Fortaleza-CE)
MESTRE AZULÃO (Rio de Janeiro -RJ)
PARDAL CECORDEL (Fortaleza-CE)
MESTRE BULE-BULE (Salvador -BA)
Mediação: ROUXINOL DO RINARÉ SOCIARTE AESTROFE (Maracanaú-CE)
17:20h - Mesa:
NOVAS PERSPECTIVA PARA A LITERATURA DE CORDEL
FLÁVIO MARTINS Editora IMEPH (Brasil)
MARCO HAURÉLIO Editora Nova Alexandria (São Paulo - SP)
ZÉ MARIA DE FORTALEZA AESTROFE (Fortaleza-CE)
Mediação: KLÉVISSON VIANA (Brasil)
18:00h - APRESENTAÇÃO DOS POETAS
MESTRE BULE-BULE (Salvador - BA)
FRANCISCO MELCHÍADES ARAUJO (Maracanaú-CE)
KLÉVISSON VIANA AESTROFE (Fortaleza-CE)
SERGIO SEVERO (Fortaleza-CE)
18:30h – ENCERRAMENTO 19:00h ÀS 20:30h –
LANÇAMENTOS NA SALA CEGO ADERALDO:
- A Lei Maria da Penha – Mestre Alberto Porfírio (Fortaleza –CE)
- História de Rosa Alice e o velho Gondim – Mestre Alberto Porfírio (Fortaleza –CE)
- Peleja de Mestre Azulão com Bezerra do Ceará – (Rio de Janeiro – RJ)
- O Arranca-rabo de Yoko Ono com Maria Bonita – Sávio Pinheiro – (Várzea Alegre-CE)
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SALA CEGO ADERALDO
Klévisson Viana cordelista-curador
.
A Sala Cego Aderaldo
Valoriza a tradição,
Nela homenageamos
Nosso Homero do Sertão.
Aderaldo mesmo cego
Foi um homem de visão.
.
Nesta sala o povo encontra
Uma feira de cordel
A produção dos poetas
Impressa sobre o papel
Mostra representativa
Dos versos do menestrel.
.
Sobre a vida de Aderaldo
Se olharmos de relance,
Desses folhetos de feira
Daria um belo romance,
A Bienal rememora
Seus versos de longo alcance.
.
Tocava bem a rabeca
Era invencível no pinho,
Criou dezenas de filhos
Adotivos, com carinho.
Por graça de São Francisco
Fez da lira o seu caminho.
.
Uma mala de folhetos
Levava sempre consigo,
Fora do embate dos versos
Era um fraternal amigo,
Em toda parte que ia
Tinha platéia e abrigo.
.
O nosso Alberto Porfírio
E o grande Mestre Azulão
Cantaram com Aderaldo
E guardam no coração
Alguns momentos sublimes
Em tempos que longe vão.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Lançamento em São Paulo






Fotos do lançamento do cordel infantil O Príncipe que via defeito em tudo (ed. Acatu), lançado domingo, 9/11, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos.
Agradeço aos que lá estiveram, especialmente às crianças, a quem este livro primeiramente se dirige.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

LANÇAMENTO

Livro: O PRÍNCIPE QUE VIA DEFEITO EM TUDO
Autor: Marco Haurélio
Editora: Acatu
Local: Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos - Av. Nações Unidas, 4777 - São Paulo/SP

Sobre o título: Neste domingo, Marco Haurélio estará na Livraria Cultura para autografar o livro ‘O príncipe que via defeito em tudo’, que conta a divertida história do arrogante Ivan, que com sua mania de criticar tudo e todos, acaba provocando uma guerra com o reino vizinho, do temível rei Oscar. Perseguido pelos guerreiros turcos, Ivan se vê em apuros, sem chances de escapar. E agora? Para contar a história, o cordelista e estudioso do folclore Marco Haurélio combina a magia dos contos tradicionais à linguagem de cordel. As belíssimas ilustrações são da artista plástica Nireuda Longobardi.

http://www.shoppingvilla-lobos.com.br/eventos/2008/livrariaCultura/livraria.asp

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Mais dois folhetos para a lista


A Editora Tupynanquim, de Fortaleza, lançou mais dois folhetos de minha lavra:
Traquinagens de João Grilo, baseado num conto popular recolhido por Sílvio Romero, e A Maldição das Sandálias do Pão-Duro Abu Kasem, recriado a partir do conto As Babuchas de Abu Kasem, de uma das muitas e variadas edições das Mil e Uma Noites.
.
Eis um trecho do Traquinagens de João Grilo:
.
As tradições culturais
Do Brasil são variadas,
Sementes de poesia
No nosso solo plantadas,
Na alma do nosso povo
Totalmente enraizadas.

Dentre estas tradições,
Se inclui a literatura
De folhetos – ou cordel,
Jóia da nossa cultura,
Que o Nordeste brasileiro
Elevou a toda altura.

No cordel, um personagem
Inaugurou novo estilo,
No folheto intitulado
As Proezas de João Grilo.
É o esperto amarelinho
Que jamais deu um vacilo.

Quem não conhece João Grilo,
Um menino do sertão,
Personagem que hoje é
Famoso em toda a nação?
Pequeno, amarelo, frágil,
Eis o retrato de João.

Desde muito pequenino
O nosso Grilo era esperto,
Tão esperto que fazia
O errado ficar certo,
O bonito virar feio
E o longe tornar-se perto.

Sua esperteza era tanta
Que outro igual não nasceu.
No sertão da Paraíba,
Onde o menino cresceu,
Coronéis e cangaceiros –
João Grilo a todos venceu.
.
(...)
.
E um excerto do Abu Kasem
.
Eu vou contar uma história
Para velhos e meninos,
Que chegou ao nosso tempo
Através dos peregrinos,
Dos guerreiros do Islã,
Pastores e beduínos.

O cenário deste conto
É a velha Bagdá,
A portentosa cidade
Dos seguidores de Allah.
Que o poeta em seu verso
Pra sempre celebrará..

Em Bagdá residia
O sovina Abu Kasem,
Um mercador poderoso,
Mais rico que Pedro Cem.
E em toda vida jamais
Deu uma esmola a ninguém.

Nas ruas por onde andava,
Sempre escutava pilhéria,
Pois as suas vestes eram
O retrato da miséria,
Mas encarava os gracejos
Com expressão sempre séria.

As babuchas que calçava
Estavam tão remendadas,
Que, por onde ele passasse,
Escutava as caçoadas.
Mas cerrava os seus ouvidos
A todas as gargalhadas.

Babucha é uma chinela
De origem oriental.
Até Camões a descreve
Em sua obra colossal,
Mas nesse conto fantástico
Ela é o emblema do mal.

Mas, voltemos a falar
No famoso personagem,
Rico entre os potentados,
Com sua soberba imagem,
Sem perceber que o tesouro
Não passa duma miragem.
.
(...)
.
Os dois folhetos integram o catálogo da Tupynanquim: http://fotolog.terra.com.br/tupynanquimeditora2071 e podem ser aquiridos através do e-mail: tupynanquim_editora@ibest.com.br

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Cordel no Nossa Língua



KLÉVISSON VIANA É ENTREVISTADO NO PROGRAMA DO PROFESSOR PASQUALE

O programa NOSSA LÍNGUA, apresentado na TV CULTURA (para todo o Brasil) pelo Professor Pasquale Cipro Neto, será exibido nesta quinta-feira, dia 30 de outubro, e traz como principal entrevistado o cordelista, cartunista e xilogravador cearense Klévisson Viana falando da sua adaptação do clássico ‘Os Miseráveis’ para Literatura de Cordel. A obra foi lançada pela editora paulista Nova Alexandria como primeiro volume da coleção ‘Clássicos em Cordel’ e foi aprovado para PNBE (programa nacional da biblioteca escolar) juntamente com outros dois livros da mesma coleção. São eles ‘A Megera Domada’ de Marco Haurélio e ‘O Corcunda de Notre-Dame’ de João Gomes de Sá. Não perca!!! Programa “Nossa Língua” – com o Professor Pasquale Data: 30/10 (Quinta-Feira) Horário: 20h00 Reprise: 02h00 de 04/11 (madrugada de Segunda-Feira para Terça- Feira)