terça-feira, 1 de setembro de 2009

Caravana do Cordel homenageia Antônio Teodoro dos Santos



É o mundo do Cordel para todo mundo!”

A Caravana do Cordel, movimento criado por poetas populares nordestinos radicados em São Paulo, chega ao terceiro encontro prestando uma homenagem a um dos mais importantes cordelistas do Brasil. Antônio Teodoro dos Santos (1916-1981) foi o grande responsável pela consolidação da literatura de cordel em São Paulo, desde que publicou seu primeiro folheto pela editora Prelúdio (hoje Luzeiro) no início da década de 1950. É, com certeza, um dos campeões de vendas em todos os tempos, e o principal responsável pela consolidação de um parque editorial voltado para o cordel no Sudeste do Brasil. A homenagem, portanto, é mais do que merecida. No encontro, estará presente a filha do poeta, Maria Lúcia dos Santos, além de outros familiares e admiradores.



Na ocasião, serão lançados mais três cordéis, todos publicados pela editora Luzeiro: Encontro de Rui Barbosa com Castro Alves (de Antônio Teodoro); Homossexualidade: História e Luta (de Nando Poeta e Varneci Nascimento) e O Bandido da Luz vermelha (de Zé do Norte).

Presenças confirmadas de João Gomes de Sá, Varneci Nascimento, Cacá Lopes, Cleusa Santo, Benedita Delazari Nando Poeta, Costa Senna, Pedro Monteiro, Marco Haurélio e outros nomes da poesia popular escrita e cantada. Haverá, ainda, exposições de capas de folhetos e venda de CDs e cordéis de vários autores, estilos e épocas.



ESPAÇO CINECLUBISTA

RUA AUGUSTA – 1239

CENTRO – (METRÔ CONSOLAÇÃO)

05/09/2009 (SÁBADO) ÀS 19:00 h.

ENTRADA FRANCA

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Viagem ao Centro da Terra em Cordel é lançado pela Nova Alexandria



Mais um Clássico em Cordel é lançado pela Nova Alexandria
.
Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne, é o novo título da coleção Clássicos em Cordel, da editora Nova Alexandria. A cordelização desse importante romance de ficção científica foi feita pelo poeta cearense Costa Senna. As ilustrações são de Cristina Carnelós:

Abaixo, as primeiras estrofes deste que promete ser mais um sucesso dentro da vitoriosa Coleção:

Final de mil e oitocentos
Do ano sessenta e três,
Começava essa história,
Maio, era este o mês.
E esta vai acorrentar
A atenção de vocês.

Na velha Rua do Rei,
Casa número dezenove,
Em Hamburgo, na Alemanha,
A idéia se desenvolve
E, só no final do livro,
É que tudo se resolve.

Ao cientista Lidenbrock
Esta casa pertencia.
Este voltou apressado,
O porquê ninguém sabia.
Vamos tentar descobrir
O que meu tio sentia.

— Muito cedo pra jantar,
A boa Marta falou.
– Axel, se entenda com ele,
Veja o que o transtornou.
Aquela mulher amável
Assim me aconselhou.

Ele entrou no gabinete,
Gritou: — Axel, pode entrar!
Eu fiquei paralisado,
Sem jeito de caminhar.
Ele gritou novamente:
— Tenho algo a lhe mostrar!

Entrei, ele disse: — Veja
Que inestimável tesouro!
Com alegria falava:
— Isto vale mais que ouro!
Era um livro muito antigo,
Coberto com velho couro.

Meu tio, entre as funções
Que com orgulho exercia,
Era mestre em várias áreas
E em mineralogia
Era grande referência
Nos estudos que fazia.

(...)




Costa Senna é filho de Joaquim Raimundo da Costa e Raimunda Sena da Costa. Nasceu em Fortaleza, Ceará, no dia 30 de novembro de 1955.
Ingressou na arte no começo da década de 1980. Participou de várias manifestações culturais, atuando nas peças teatrais A noite seca, Deus lhe pague, Cigania e Luzidia. É um dos poetas pioneiros na utilização de temas ligados à educação na literatura de cordel. Publicou, entre outros, os seguintes folhetos:
Os atropelos do Português, É outra história, O doido, Carta a Jesus, Cordel da Matemática poética e a antologia Caminhos diversos – sob os signos do cordel.
Artista versátil, além de humorista, é cantor e compositor, tendo lançado os CD’s Moço das estrelas e Fábrica de Unir Versos (MPB) e Costa Senna em cena (poemas e humor). Em São Paulo, já se apresentou em inúmeras escolas e centros culturais divulgando o cordel e a cultura popular.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Adeus a JotaBarros



(xilogravura de Klévisson Viana)

É com grande pesar que comunico o falecimento do artista popular
nordestino JOTABARROS, no dia 11/08/2009.

O cordelista e xilógrafo, natural de Glória do Goitá, foi um dos maiores expoentes da nossa Literatura de Cordel.

João Antonio Barros é autor, entre inúmeras obras, do clássico Lampião e Maria Bonita no Paraiso tentados por Satanás (Luzeiro Editora).

Sobre o seu falecimento, Fabiana Menezes, admiradora do poeta assim se expressou:

"Conheci o J.Barros dando uma palestra no Instituto de Artes da Unesp na disciplina de Folclore, em 1994.
Eu já gostava muito de gravura e cordel, e conhecê-lo foi muito especial.
Pouco tempo depois tive a felicidade de saber que eu trabalhava com um filho dele, Gustavo.
Hoje, J.Barros despede-se de nós, mas sua obra continuará referência para todos admiradores dessa arte."

Vida longa ao nome e a obra do nosso Jotinha.

À Ana Kelly, sua filha, e a todos os seus familiares os nossos mais sinceros sentimentos.

Vai poeta Jota Barros
Cantar na Mansão Celeste...
Parte, mas deixa com a gente
A sua arte inconteste
Pois você foi grande ícone
Da cultura do Nordeste.

Postado por Klévisson Viana em seu fotolog.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Presença de Raulzito no Cordel



O poeta popular e pesquisador Marco Haurélio concedeu uma entrevista ao jornalista Marcos Zibordi, da revista Caros Amigos, na edição especial que homenageia Raul Seixas.

Marco apontou influência da poesia popular na obra de Raulzito e, ao mesmo tempo, inventariou os cordéis inspirados na obra do cantor e compositor baiano.

A Caros Amigos Especial já está nas bancas.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pedro Monteiro estreia na Literatura de Cordel


O poeta, ator teatral e agitador cultural Pedro Monteiro estreou com o pé direito na Literatura de Cordel, com o precioso folheto Chicó, o Menino das Cem Mentiras.

Pedro foi buscar inspiração nos contos populares para compor a célebre figura do mentiroso presente em todas as literaturas de todas as épocas.

E me concedeu a honra de ilustrar o seu livrinho, o seu arrecife de estreia:

Meu estimado leitor,
Peço aqui vossa atenção
Pra falar dum Coronel,
Um homem sem coração,
Que se rende a um menino,
Como segue a narração:

O Coronel atendia
Por nome de Nicanor,
Era um sujeito perverso
Do coração sem amor,
Que oprimia e matava
O povo trabalhador.

Aos berros ele dizia,
Batendo forte no peito,
Que o desígnio da morte
Era o seu maior feito,
E só quem ele queria
À vida tinha direito.

Do jovem ao ancião,
No chicote ele tratava,
E quando ouvia um não,
A sua ira aumentava,
Mesmo que fosse mulher,
Sem piedade a matava.

Como todos têm seu dia,
O Nicanor teve o dele.
Estando preocupado
Com um assunto que ele
Preferia nem lembrar
Para não se sujar nele.

Buscando descontração,
Mandou rodar a notícia,
Prometendo pagar bem
Pra quem, com muita perícia,
Fosse lhe contar lorotas,
Que não tivesse malícia

(...)



O folheto Chicó, o Menino das Cem Mentiras será lançado no dia 1º de Agosto, no Espaço Cineclubista da Rua Augusta, 1239, durante a segunda reunião da Caravana do Cordel.

Bem-vindo, Pedro!

sábado, 25 de julho de 2009

Antônio Teodoro dos Santos - uma história para ser contada



Todos sabem  ou deveriam saber  que Antônio Teodoro dos Santos, o Poeta Garimpeiro, foi o grande desbravador da Literatura de Cordel em São Paulo. Portanto, se hoje conseguimos falar com mais propriedade sobre cordel em espaços diversos, em parte devemos a ele essa abertura.

Dito isso, é preciso reconsiderar algumas coisas: Teodoro, nascido em 1916, bateu às portas da recém fundada Editora Prelúdio no início dos anos 1950. Lá, se instalou e produziu centenas de folhetos, alguns ainda republicados e com público cativo, casos de João Soldado e Lampião, o Rei do Cangaço. É autor, também, de Vida e Tragédia do Presidente Getúlio Vargas, que vendeu, num mês, a impressionante marca de 280 mil exemplares e chamou a atenção de pesquisadores como Raymond Cantel e Orígenes Lessa.

Teodoro teve um poema musicado pela maior dupla caipira de todos os tempos, Tonico e Tinoco, o que foi possível pela aproximação que havia entre a música do interior de são Paulo e a poesia popular do Nordeste, na editora Prelúdio. Era, segundo os que o conheceram, um tipo engraçado de um bom humor a toda prova.

O tempo passou e veio a parte mais triste da história: a bebida. Apesar de inúmeros sucessos e do dinheiro ganho nos tempos áureos do cordel em São Paulo, foi, pouco a pouco, se afastando e sendo afastado da Prelúdio. Mesmo assim, emplacou sucessos, como o circunstancial A conquista da Lua, de 1969.

Em 1972, ensaiou a volta: de paletó, gravata e com um caderno embaixo do braço, procurou o diretor da prelúdio, Arlindo Pinto de Souza. O caderno continha aquela que ele considerava sua obra definitiva: Os gafanhotos do fim do mundo, um poema apocalíptico tão ao gosto dos bons poetas e do público. Na editora, no bairro do Brás, foi recebido friamente. Arlindo, que devia tanto a Teodoro, sequer se dignou a olhar o conteúdo do caderninho.

De volta à casa humilde onde morava com a esposa e seis filhos, Teodoro trancou-se no quarto e chorou. Chorou e chorou. A partir daquele dia, não foi mais o mesmo. Vivia em estado depressivo e bebia cada vez mais. Acreditava ouvir vozes. Numa ocasião, foi internado à força, num hospital em Santo André, onde ficou dois meses.

Viveu os últimos dias de sua vida em Senhor do Bonfim, na Bahia. Faleceu em 23/10/1981, perto da sua cidade natal (Jaguarari-BA), onde estava residindo desde 1979, segundo informação de sua filha, Maria Lúcia dos Santos, que vive em Poá, Grande São Paulo. Teodoro morreu sem encontrar a pedra preciosa que buscara durante toda a existência, para aliviar a penúria em que viveu boa parte da vida.

Mal sabia ele que havia encontrado uma joia ainda mais rara, a POESIA, que lhe conferiu o que foi negado a muitos autores de vida abastada: a imortalidade literária.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Chegada de Michael Jackson no Portão Celestial




Autores: João Gomes de Sá e Klévisson Viana

Poeta tem sinal verde
Pra voar com liberdade
Andar no tempo, sonhar,
Falar da realidade,
Fazer o leitor sorrir,
Contar ‘causo’, divertir
Chorar ou sentir saudade.

De sábado para domingo,
Eu fui dormir sossegado:
Sonhei que estava voando
Em um maquinismo alado,
Tudo que vi registrei
E ao despertar encontrei
Pena e papel do meu lado.

Eu sonhei que o rei do pop,
Logo após bater as botas,
Foi direto para o céu,
Fazendo muitas marmotas,
Cantando muito agitado
Feliz, tinha se livrado
De dívida, banco e agiotas.

Acordei bastante eufórico,
Sentei na rede e então
Pensei em Deus, respirei,
Fiz uma meditação:
Limpei a mente confusa
Foi quando eu vi minha musa
Me trazendo a inspiração.

Um pássaro veio cantando,
Logo ao surgir da aurora,
Cada detalhe do sonho
Eu recordei sem demora,
E como bom menestrel
Peguei a pena e o papel
E escrevi na mesma hora:

Michael Jackson lá no céu
Chegou bastante apressado,
Dizendo para São Pedro:
- Estou demais atrasado
Eu quero até me esconder
Porque não pude fazer
O que tinha programado!

Tinha uma agenda de shows
Com lotação esgotada,
Para pagar uma dívida
Há muito tempo atrasada,
Mas eu confesso, não sei,
Porque logo me livrei
Daquela vida agitada!

Eu queria dançar mais
Sabe o senhor, não empaco,
Gostava de requebrar,
Pois eu sou bom nesse taco
Dançando eu faço munganga,
Às vezes visto uma tanga
Para prender o meu saco!

...

As estrofes acima foram escritas assim que as televisões do mundo inteiro anunciaram a morte do rei do pop.

Vale ressaltar que o folheto de cordel, de autoria de João Gomes e Klévisson Viana, mantém o bom gosto acima de tudo.

Um personagem da cultura de massas envolvido num episódio típico dos autos tradicionais como só a literatura de folhetos do Nordeste pode mostrar.

Imperdível.

domingo, 5 de julho de 2009

Caravana do Cordel é lançada oficialmente em São Paulo












Baseado no lema "Um mundo de cordel para todo o mundo", de João Gomes de Sá, a Caravana do Cordel foi lançada oficialmente, com ótima presença de público, apresentação de artistas (cordel, música e aboio) e feira popular.

No evento foram lançados três folhetos editados pela Luzeiro: O Cordel do Trava Língua, de Cacá Lopes, Lampião e seu Escudo Invisível, de Costa Senna, e Delicadezas do Mundi, de Fábio Freire.

Outros artistas e incentivadores da poesia popular também marcaram presença: João Gomes de Sá (mestre de cerimônia), Eufraudísio, Evânio, Frei Varneci Nascimento, Banda UnirVersos (Ornela e Júbilo), Marco Haurélio, Pedro Monteiro, Cícero Pedro de Assis, Jocélio Amaro, Cleusa Santo, Helaydo Jean, Gregório Nicoló (diretor da Luzeiro), Lucélia, Sann Mendes, Benedita Delazzari, Nando Poeta, o aboiador Zé de Zilda e os professores Elydio Santos e Marta Silva.

Sem apoio institucional nem nota na imprensa, o evento foi um sucesso e confirmou a máxima cantada por Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer".

O próximo encontro já está marcado: sábado, 1º de agosto, a partir das 19 h, no Espaço Cineclubista, na Rua Augusta, 1239.

Aproveito para agradecer a direção do Espaço Cineclubista e às pessoas que marcaram presença no evento.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Caravana do Cordel inaugura espaço em São Paulo


Caravana reúne o melhor da poesia popular de São Paulo.

A Caravana do Cordel é um projeto coletivo, construído por poetas populares nordestinos radicados em São Paulo. A Caravana busca reforçar o valor itinerante da poesia popular em suas múltiplas manifestações. Integram o movimento cordelistas, repentistas, xilógrafos, músicos, pesquisadores e entusiastas da poesia popular.

Na inauguração do Espaço que todo mês receberá a Caravana, três lançamentos de folhetos de cordel marcarão o evento: Lampião e Seu Escudo Invisível, de Costa Senna (Luzeiro, 32 p., R$ 5,00), Delicadezas do Mundo, de Fábio Freire (Luzeiro, 32 p., R$ 5,00) e O Cordel do Trava-Língua, de Cacá Lopes (Luzeiro, 16 p., R$ 3,00).

Presenças confirmadas de João Gomes de Sá, Varneci Nascimento, Cleusa Santo, Nando Poeta, Sebastião Marinho, Zé de Zilda, Banda Universos, Emídio Santana, Pedro Monteiro, Marco Haurélio e outros nomes da poesia popular escrita e cantada. Haverá espaço ainda para exposições de matrizes de xilogravuras, capas de folhetos e venda de CDs e cordéis de vários autores, estilos e épocas.

CINE CLUBE
RUA AUGUSTA – 1239
CENTRO – (METRÔ CONSOLAÇÃO)
04/07/2009 (SÁBADO) ÀS 19:00 h
ENTRADA FRANCA

terça-feira, 30 de junho de 2009

Raul Seixas na Literatura de Cordel







A arte só é arte quando permite a reciprocidade.

Raul Seixas foi influenciado pela literatura de cordel e influencia, por tabela, os poetas do gênero.

Como Costa Senna que, no milênio passado, escreveu alguns folhetos enfocando o Maluco Beleza, a exemplo de "Raul Seixas não Morreu".

Outros autores que seguem a mesma seara: Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Otávio Menezes, Elizeu Paulino, Guaipuan Vieira, Marco Haurélio, Antônio Carlos Oliveira Barreto etc.