sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Carta a Papai Noel


Obra-prima do mestre LUIZ CAMPOS
Ilustração: Arievaldo Viana



Seu moço eu fui um garoto
Infeliz na minha infância
Que soube que fui criança
Mas pela boca dos ôto...
Só brinquei com gafanhoto
Que achava nos tabuleiro
Debaixo dos juazeiro
Com minhas vaca de osso
Essas catrevage, moço,
Que se arranja sem dinheiro.

Quando eu via um gurizim
Brincando de velocipe,
De caminhão e de jipe,
Bola, revólve ou carrim
Sentia dentro de mim
Desgosto que dava medo,
Ficava chupando o dedo
Chorando o resto do dia
Só pruque eu num pudia
Pegá naqueles brinquedo.

Mas preguntei certa vez
A uns fio dum dotô
Diga, fazendo um favô
Quem dá isso prá vocês?
Mim respondeu logo uns três
Isso aqui é os presente
Que a gente é inocente
Vai drumí às vezes nem nota
Aí Papai Noé bota
Perto do berço da gente.

Fiquei naquilo pensando
Inté o Natá chegá
E na Noite de Natá
Eu fui drumi me lembrando
Acordei, fiquei caçando,
Por onde eu tava deitado
Seu moço eu fui enganado
Que de presente o que tinha
Era de mijo uma pocinha
Que eu mesmo tinha botado.

Saí c'a bixiga preta
Caçando os amigo meu
Quando eles mostraram a eu
Caminhão, carro e carreta
Bola, revólver, corneta,
E trem elétrico, até
Boneca, máquina de pé,
Mas num brinquei, só fiz ver
E resolví escrever
Uma carta a Papai Noé.

“Papai Noé é pecado
Aos outros se matratá
Mas eu vou lê recramá
Um troço qui tá errado
Que aos fio do deputado
Você dá tanto carrin
Mas você é muito ruim
Que lá em casa num vai
Por certo num é meu pai
Qui num se lembra de mim.

Já tô certo que você
Só balança o povo seu
E um pobre que nem eu
Você vê, faz qui num vê
E se você vê, porque
Na minha casa num vem?
O rancho que a gente tem
É pequeno mas lhe cabe
Será que você num sabe
Qui pobre é gente também?

Você de roupa encarnada,
Colorida, Bonitinha,
Nunca reparou qui a minha
Já tá toda remendada
Seja mais meu camarada
Pr’eu num chamá-lo de ruim
Para o ano faça assim:
Dê menos aos fio dos rico
De cada um tire um tico
Traga um presente pra mim.


Meu endereço eu vou dá
De casa que eu moro nela
Moro naquela favela
Que você nunca foi lá
Mas quando você chegá
Qui avistá uma paioça
Cuberta cum lona grossa
E dois buracão bem grande
Uma porta veia de frande
Pode batê que é a nossa.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Marco Haurélio e Varneci Nascimento representarão Caravana do Cordel em Sorocaba


Foto: Varneci, Marco Haurélio e Helaydo Jean na Caravana do Cordel

Estarei, com Varneci Nascimento, nos dias 12 e 13 de dezembro, em Sorocaba (SP), na III Festa de Tradições Nordestinas. O convite partiu de Selma Araújo, presidente do Centro Cultural de Tradições Nordestinas. Levaremos um braço da caravana do Cordel, movimento cultural, que vem fazendo história em São Paulo.
Abaixo, o convite e a Programação.


III Festa das Tradições Nordestinas



Mais uma vez a Praça Frei Baraúna será palco da III Festa Anual em Comemoração ao Dia das Tradições Nordestinas.

A riqueza cultural do Nordeste estará ainda mais evidente este ano, pois, serão 24 horas de muita diversão. Entre os dias 12 e 13 de dezembro o público vai encontrar em Sorocaba um pedaço do Nordeste fora do Nordeste.

O CCTN – Centro Cultural de Tradições Nordestinas de Sorocaba e Região em parceria com a Secretaria da Cultura e Prefeitura Municipal de Sorocaba vem trazendo o que de melhor acontece no Nordeste.

Nesta festa nordestina não poderia faltar literatura de Cordel, repentistas, emboladores, trios pé-de-serra, mostras de arte popular, artesanato, grupos de dança como maculelê, samba de roda, capoeira, puxada de rede, teatro de mamulengos entre outras atrações.

Serão mais de 50 pratos típicos da culinária nordestina entre eles o sarapatel, a tradicional carne de sol, camarão, tapioca, queijos de coalho, doces, acarajés e outras iguarias da região.

Nas barracas estará a venda artesanatos, redes, rendas, bordados, roupas típicas, cerâmica, literatura de cordel, artes plásticas de artistas locais, regionais, estaduais e nacionais.

Haverá também a Caravana do Cordel com os poetas cordelistas Varneci Santos e Marco Haurélio, os cantadores de repente paraibanos Heleno Feitosa e Damião Cavalcante, os emboladores pernambucanos Raio de Sol e Flor de Lins, o teatro de mamulengos “Bendito os Beneditos” com o teatrólogo Sebastian Marques e a Academia Nacional de Capoeira mestre Falcon.

A Feira Nordestina é extremamente democrática, pois atrairá um público diversificado, tendo atrações para crianças, para a família, para quem só quer curtir a gastronomia, para os jovens amantes do forró moderno, para aqueles que não abrem mão do tradicional forró pé-de-serra ou mesmo para aqueles que se encantam com pequenas lembranças desta região tão rica em detalhes no nosso país.

A festa ou feira, se preferir, ficará concentrada na Praça Frei Baraúna, antigo Fórum Velho nos dias 12 e 13 de dezembro das 10:00h ás 22:00h. Naquele espaço e em seu entorno, estarão dispostas as tendas, o palco e a animação nordestina, retratando as diferentes manifestações culturais do nosso povo.

Não fique de fora desta festa! Faça parte de uma das manifestações mais ricas da essência da cultura brasileira. Até lá!


Selma Araújo

Presidente CCTN


Rua: Voluntários de Sorocaba, nº. 103 – Centro – Sorocaba – SP – CEP: 18035-290

Fone: (15) 2104.3544 – (15) 9744.9753 e-mails: cctnsorocaba@hotmail.com

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Luiz Wilson continua pintando o sete



O poeta, cantor, compositor e radialista Luiz Wilson, pernambucano de Sertânia, agitador e cutucador cultural, prepara mais uma novidade.

Membro do grupo Caravana do Cordel, apresentador do programa líder de audiência Pintando o Sete, na rádio Imprensa FM, Luiz, desta vez, descreevrá em cordel a saga do seu povo e do seu estado de origem, o grande Leão do Norte.

Deixemos o próprio Luiz dar o recado:

Amigos,

Vem aí o 1°ENCONTRO DOS PERNAMBUCANOS - em São Paulo
13 DE DEZEMBRO- 2009 - CLUBE CMTC- AV CRUZEIRO DO SUL, 808

Promoção e realização: MANO VEIO & MANO NOVO - com o apoio do nosso Programa PINTANDO O SETE -

Vejam matéria (entre outras) no Menu: NOTÍCIAS no meu SITE:
www.luizwilsonpintandoosete.com.br

"Após o grande sucesso
Do Encontro dos Baianos
Numa união histórica
Com todos os Paulistanos
Nova homenagem em cordel
Pra São Paulo, mãe fiel
E todos Pernambucanos"
(Luiz Wilson)

sábado, 14 de novembro de 2009

Caravana do Cordel homenageia o Dia do Cordelista



Xilogravura de Arievaldo

Caravana do Cordel é um projeto coletivo, construído por poetas populares nordestinos radicados em São Paulo. O grupo, formado por poetas, artistas plásticos, músicos e pesquisadores, vem alcançando grande sucesso em suas reuniões mensais no Espaço Cineclubista da Rua Augusta e nos eventos realizados em São Paulo e no entorno da capital, mantendo viva a tradição itinerante da poesia popular.
No dia 19 de novembro, que marca o 144º aniversário de nascimento de Leandro Gomes de Barros, maior expoente do gênero, a Caravana do Cordel preparou várias atividades para homenagear o patriarca da poesia popular brasileira. Dentre as atividades, uma mesa redonda discute a atual realidade da literatura de cordel, as vitórias e os embates a serem travados num campo em que o preconceito e o desconhecimento ainda são enormes. Outras atividades mostrarão a riqueza temática da literatura de cordel, confundida por leigos com a poesia matuta, ramo distinto da poesia popular. Haverá, também, exposições de gravuras e a já tradicional feira de cordel apoiada pela Editora Luzeiro.

Programação

19h - Mesa redonda: Cordel: conquistas e desafios
Debatedores: Moreira de Acopiara e Marco Haurélio – Mediação: Pedro Monteiro
20h - Palestra: Leandro Gomes de Barros: desbravador do Cordel, ministrada por Aderaldo Luciano, Doutor em Letras pela UFRJ.
21h – Sarau poético com membros e apoiadores da Caravana do Cordel
21:30 h – Apresentações musicais de Cacá Lopes, Costa Senna, Jackson Ricarte, Luiz Wilson e convidados.

Serviço

O quê? Dia do Cordelista: homenagem a Leandro Gomes de Barros
Quando? Dia 19, às 19h
Onde? 282 - São Paulo SP - Fone: 3350-6000
Entrada franca

domingo, 8 de novembro de 2009

Caravana do Cordel: homenagem a Leandro Gomes de Barros

A Caravana do Cordel está consolidada. No encontro do dia 7 último, alunos de três faculdades estiveram presentes, demonstrando o interesse que a poesia popular desperta no meio acadêmico.

O encontro foi marcado pela espontaneidade, pois, como foi enfatizado por João Gomes de Sá, tratava-se de um ensaio para o dia 19 de novembro, Dia do Cordelista.

O próximo encontro será na sede da APEOESP, na Praça da República. Este dia, a Caravana receberá o professor, doutor em Letras, Aderaldo Luciano, que ministrará uma palestra falando sobre o cordel e o seu maior expoente, Leandro Gomes de Barros.

Se o ensaio foi o que foi, imagine a festa do dia 19!


Banca de folhetos.


Marcos Linhares e frei Varneci Nascimento.


Professora Fátima, sempre presente aos eventos da Caravana.


Eufra Modesto, o diretor Diogo e Pedro Monteiro.


Parte do público que abrilhantou o evento.


Cícero Pedro de Assis e Marco Haurélio.


Alguns artistas presentes na reunião da Caravana: Aldy Carvalho, Jackson Ricarte, Pedro Monteiro, João Gomes de Sá, Cacá Lopes, Nando Poeta e Marco Haurélio.


Bárbara, filha da parceira Fátima, lê o livro infatil O Menino Lê, de André Salles Coelho, que narra, de forma poética, a infância de Leandro.


Eufra Modesto, mais uma vez deu um show de simpatia e talento.


Cleusa Santo.


Jackson Ricarte, grande violeiro.


Josué Araújo, poeta e contista.

sábado, 7 de novembro de 2009

Relembranças da Bahia 3

 
Com o folheteiro Antônio Rufino, filho adotivo
 de Minelvino Francisco Silva, em Bom Jesus da Lapa


   
O morro sagrado de Bom Jesus da Lapa.

   
Cruzeiro que fica em frente à Igreja da Ponta da Serra.

   
Porteira do curral da Ponta da Serra.

Antônio Rufino e sua banca de cordéis no alto do morro da Lapa. 

   
Cemitério da família Farias, na Ponta da Serra,
 construído pelo Major Ramiro.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Caravana do Cordel Homenageia Leandro Gomes de Barros


Imagem: xilo de Arievaldo Viana

Dia 7, na Rua Augusta, 1239 – Espaço Cineclubista, às 19:00 h, a Caravana do Cordel, que completa um ano este mês, homenageará o poeta maior da Literatura de Cordel, Leandro Gomes de Barros.

19 de novembro, Dia Nacional do Cordelista (data de nascimento de Leandro) haverá novo encontro, desta vez com a participação do Doutor em Letras, Aderaldo Luciano.

Abaixo, um dos artigos que escrevi enfocando o nosso grande farol:


Guerra Junqueiro e Cancão de Fogo

Por: Marco Haurélio

A literatura de cordel no Brasil conheceu cumes e abismos, para, passado mais de um século de seu surgimento, firmar-se como uma das mais importantes manifestações culturais de nossa terra. Por conta dos registros escassos e das pesquisas incipientes, é impossível se apontar o marco inicial, a obra pioneira, embora não falte quem indique a História de Zezinho e Mariquinha, do paraibano Silvino Pirauá de Lima (1848-1913), como um dos primeiros folhetos impressos no Brasil. Mas a difusão da literatura de cordel deve muito a Leandro Gomes de Barros (1865-1918), paraibano de Pombal, que, ao migrar para o Recife, transformou a capital pernambucana no maior centro difusor da literatura popular em verso do Nordeste.



Leandro foi, além de grande empreendedor, um estupendo poeta. 91 anos após sua morte, ainda é considerado o maior poeta popular brasileiro de todos os tempos. Ninguém legou tantos clássicos à posteridade. Do épico ao satírico, do lírico ao dramático, nada escapava à sua pena arguta, à sua verve incomparável. Sua impagável criação, o presepeiro Cancão de Fogo, é uma espécie de Lazzarillo de Tormes sertanejo. Livre pensador, crítico impiedoso das instituições e dos vícios de seu tempo, Leandro fez de Cancão um porta-voz dos menos favorecidos, que recorrem à astúcia para sobrepujar os opressores. E que, mesmo depois de morto, conseguiu enganar o juiz, o padre e o escrivão, personificações dos vícios da plutocracia.

Assim, a viúva do quenguista explica aos dois primeiros o porquê de o moribundo havê-los convocado para que o assistissem em seus derradeiros momentos:

Ele chamou os senhores
Quando estava aqui prostrado
Porque queria imitar
O Cristo crucificado:
Queria morrer também
Com um ladrão de cada lado.



Este episódio também aparece numa anedota referente ao poeta português Guerra Junqueiro (1850-1923), famoso por ter composto vários libelos declaradamente anticlericais, como o poema O melro que integra o livro A velhice do Padre Eterno, publicado em 1885. Moribundo, o poeta teria sido visitado por um padre e um juiz. Há variantes. Obviamente, trata-se de um motivo mais antigo, que ganhou novas roupagens no anedotário português e na obra impagável de Leandro Gomes de Barros. Mudam-se os personagens, conservam-se as funções e comprova-se a universalidade da poesia popular.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Entrevista ao Portal Paulus

Entrevista com Marco Haurélio

28 de Outubro de 2009

Marco Haurélio nasceu na Ponta Serra, município de Riacho de Santana, sertão da Bahia, em 1974. É considerado um dos grandes nomes da literatura de cordel e tem vários títulos escritos neste gênero poético. Pesquisador das tradições populares, reuniu variadas histórias da nossa tradição oral no livro Contos folclóricos brasileiros (PAULUS).

Como surgiu a ideia de escrever o livro?

O Saci é um personagem que fascina crianças e adultos. Ainda hoje existem relatos de pessoas que o avistaram em alguma localidade rural. Há tempos eu queria escrever algo sobre o personagem, mas não queria ficar apenas na descrição de suas características ou de suas peraltices. Daí, pesquisei em vários livros e ouvi alguns relatos da “aparição” do personagem. Recriei-o a partir de várias fontes, todas elas de tradição popular.

O que você espera passar para as crianças com esta obra?

As crianças encontrarão no personagem deste livro uma figura simpática, mas que não foge de sua função de atazanar as pessoas. Não quis fugir às suas características, mas também busquei evitar cair no lugar-comum. É um livro infantil que agradará também outros públicos, pois se preocupa, antes de mais nada, em contar uma história.

Fale um pouco sobre a literatura de cordel no Brasil e seu interesse por esse estilo.

Não há, em nenhum outro país, uma literatura popular com o mesmo vigor daquela praticada no Brasil. E o cordel, gênero da poesia popular, é o maior responsável por essa honraria. Entrei em contato com o cordel ainda criança, na Ponta da Serra, localidade rural do sertão baiano, no município de Riacho de Santana. Quem me apresentou à literatura de cordel foi minha avó paterna, Luzia Josefina. Ela era também grande contadora de histórias. Num armário antigo, na sala, estava o baú do tesouro: uma gaveta na qual ela guardava os folhetos e romances de cordel. Aos seis anos eu já sabia o que queria. Com essa idade, tentei escrever o primeiro cordel. Aos oito eu já fazia ABCs (cordéis mnemônicos que seguem a ordem do alfabeto), poemas diversos e vários romances de cordel, espalhados por muitos cadernos que guardo como um tesouro.

Qual outro personagem do folclore você escreveria um livro e por quê?

Acho Cobra Norato uma das mais belas lendas, por misturar as tradições indígenas com as crenças europeias. Também escreveria sobre uma lenda urbana, A Moça do Cemitério, que tem forte apelo junto aos jovens, apesar de sua temática ser muito antiga.

Na sua opinião, o que as crianças mais gostam na história do Saci?

O Saci é um personagem que tem DNA africano, indígena e europeu. Entretanto tudo aconteceu espontaneamente, sem interferência consciente. As suas peraltices remetem aos seres do folclore europeu, como duendes e leprechauns. A única perna faz lembrar a lenda do ciápode, um ser mitológico. O gorro também é europeu. A cor e o cachimbo são referências africanas. Em alguns lugares, como no nordeste, ele é retratado como a ave peitica. Acredito que essa mistura facilita a rápida identificação, pois aproxima o personagem de culturas aparentemente tão distintas. Outra coisa a considerar é a peraltice, tão própria das crianças. Embora o Saci exagere em algumas brincadeiras, as crianças acabam se identificando com esse lado traquinas do personagem.

Entrevista concedida à assessoria de imprensa da Paulus — 21/10/2009


A história do saci
26 de Outubro de 2009
No dia 31 de outubro é comemorado o “Dia do Saci”, essa figurinha inusitada e divertida do folclore brasileiro, que agora é protagonista do novo livro de Marco Haurélio, A Lenda do Saci-Pererê em cordel, lançamento da PAULUS.

Com toda a magia da literatura de cordel, o autor conta que o Saci foi abandonado, mas, felizmente, foi encontrado por um casal que sentiu muita pena da criança magra e desprezada. Como se não bastasse, ela tinha uma perna só.

Era um menino faceiro,
tinha olhos gateados
e a expressão que é própria
dos meninos levados,
mas nos bebês estes traços
às vezes não são notados.

Saci foi crescendo e aprendendo tudo rapidamente… mas após o seu batizado ele sumiu, retornando à fazenda onde cresceu, depois de muito tempo, para fazer o que ele mais gostava: algazarras! Amassar panelas, misturar açúcar com farinha na mesma vasilha e assustar os animais são alguns exemplos de suas travessuras prediletas. Depois de muito aprontar, descobriu-se que os poderes do Saci estão concentrados em seu inseparável gorro vermelho, que se for arrancado… adeus, algazarras!

Com linguagem criativa e um colorido contagiante nas ilustrações, a obra tem como objetivo preservar o mito do Saci, contado de geração para geração, além de servir como instrumento para promover, entre crianças e jovens, o interesse pela cultura e pelas raízes do nosso país.

A Lenda do Saci-Pererê em cordel pertence à renomada coleção Mistura Brasileira, cuja proposta é recontar histórias que construíram a identidade do Brasil, como Chico Rei, de Renato Lima, Foi quando a Família Real chegou…, de Lúcia Fidalgo, A terra sem males – Mito Guarani, de Jakson de Alencar, entre outros.



Marco Haurélio nasceu na Ponta Serra, município de Riacho de Santana, sertão da Bahia, em 1974. É considerado um dos grandes nomes da literatura de cordel e tem vários títulos escritos neste gênero poético. Pesquisador das tradições populares, reuniu variadas histórias da nossa tradição oral no livro Contos folclóricos brasileiros (PAULUS).


Elma nasceu em Recife e hoje mora em João Pessoa. Quando criança, costumava ir à escola onde sua mãe trabalhava e lá passava horas observando o carinho que ela dedicava ao ensinar crianças especiais. Há quatro anos vem ilustrando para crianças e mostrando um universo que ela aprendeu quando sua mãe, uma professora “especial”, começou a mostrar e ensinar-lhe o mundo das letras e cores.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Relembranças da Bahia 2


Luzia Josefina (1910-1982) e Joaquim José de Farias (1907-1981), meus avós paternos.


Lucélia na encosta do morro sagrado do Bom Jesus da Lapa.


Chimango, bolo de tapioca, muito apreciado na região da Serra Geral (entre Riacho de Santana e Brumado)


"Juazeiro, juazeiro,/ onde anda o meu amor?", cantou o rei Luiz Gonzaga. Este "pé de juá" é de Bom Jesus da Lapa, do sítio de Dr. Renério Magalhães.


Isaulite Fernandes Farias, Tia Lili, personagem importante do livro Contos Folclóricos Brasileiros, que sairá pela Paulus.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Relembranças da Bahia


Lucélia clicou esse pé de fedegoso. Serve para duas coisas: beber na cachaça, à qual é adicionado um foguinho; e tirar manha de menino. Provei suas duas "utilidades".


Se a canoa não virar. Às margens do Velho Chico, no povoado de Palma, Serra do Ramalho.


Na Ponta da Serra, cenário de minha infância sertaneja. A igreja, ao fundo, foi construída por meu bisavô, Major Ramiro Faria, que está sepultado em seu interior.


Dona Jesuína Pereira Magalhães, 95 anos, patrimônio cultural de Igaporã e grande contadora de histórias.


Com Pedro Ivo na Igreja do Bom Jesus da Lapa