quarta-feira, 30 de março de 2011

Lançamento: O Quilombo do Encantado



Reproduzo, com grande satisfação, o convite feito por meu colega de lira, Marcos Mairton, criador do blog Mundo Cordel, que lançará, em abril, o livro O Quilombo do Encantado.

Caros amigos,

Tenho a alegria de convidar todos vocês para mais uma noite de autógrafos do meu livro "O Quilombo do Encantado".

Será no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza, na Rua Maria Tomásia, 531, perto do Shopping Del Paseo, a partir das 19:30.

Os que já estiveram em eventos anteriores e quiserem comparecer novamente dar-me-ão (ô negócio bonito é uma mesóclise!) alegria em dobro!

Abraços.

Marcos Mairton

Lançamento na Livraria Cortez reunirá grandes representantes do cordel brasileiro



Publicada pela Global Editora, a obra Meus romances de cordel será lançada dia 9 de abril, sábado, a partir das 16h, na Livraria Cortez.

São aguardados no dia, companheiros da lira popular, que atuam na Caravana do Cordel, e autores de outras searas, como os amigos Mustafa Yazbek, Marciano Vasques, Regina Sormani e Roniwalter Jatobá.

Além de Aderaldo Luciano, atuantes em tantas áreas, que dispensa classificações.

Também deverão comparecer os amigos ilustradores Maurício Negro e Luciano Tasso, este último responsável pelas gravuras que enriqueceram sobremaneira a obra.

A novidade maior, no entanto, será a presença de dois amigos da terra de Iracema, aliás, dois nomes maiúsculos da história do cordel: Rouxinol do Rinaré e Klévisson Viana.

Estarão acompanhados do editor Flávio Martins, presidente da Câmara Cearense do Livro e diretor da Conhecimento Editora, de Fortaleza.

Outra presença mais do que confirmada é do repentista e cordelista Sebastião Marinho, que lançará em breve, pela Nova Alexandria, sua versão em cordel do clássico Romeu e Julieta.

Enfim, dia 9, a Livraria Cortez será mais uma vez o palco privilegiado da literatura de cordel brasileira, com a presença de alguns de seus maiores representantes.

P.S.: Na foto, apareço na Bienal de Fortaleza ao lado de lendas do cordel, como Bule-Bule e Azulão, além de Klévisson Viana, com sua companheira Dulce, e Rouxinol do Rinaré.

terça-feira, 29 de março de 2011

O outro lado da moeda



Tem tido ampla repercussão, especialemnte na Internet, a aprovação, pelo Ministério da Cultura, de um projeto da cantora Maria Bethânia. Quase sempre as opiniões são contrárias à decisão do Minc. Republico, então, uma visão destoante, não porque seja destoante, mas porque é sensata. Concordo com ela? Não, mas o saudável hábito de discordar, assim como o direito à crítica, deve ser divulgado. Afinal, a moeda tem três lados. Ou não? - como diria o irmão da artista em questão.

O mundo precisa SIM de poesia

Por Rogério Soares em seu blog Navegantes ao Mar



A cantora Maria Bethânia foi notícia em toda rede esta semana. Tudo por conta da informação de que ela conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captação de R$ 1,3 milhões para criar um blog intitulado “O Mundo Precisa de Poesia”. A iniciativa pretende postar diariamente um vídeo da cantora interpretando os grandes mestres da literatura. Imediatamente uma nuvem de poeira se ergueu, daqueles enfurecidos guardiãs do tesouro público protestando contra a ação da cantora.

Ao contrário destes acredito que 1,3 milhões é pouco, muito pouco mesmo para uma iniciativa que a meu ver é de utilidade publica. Toda e qualquer ação em favor do desenvolvimento da cultura, pelo menos daquela que seja digna de ser chamada assim, e são cada vez mais raras as ações nesse sentido, tem o meu apoio.

Maria Bethânia não receberá dinheiro diretamente do governo, mas via renúncia fiscal. Sei... calma lá esperem, essa é uma forma indireta de captar recursos públicos; não me creia mais tolo do que sou, explico meu ponto de vista.

Maria Bethânia quer dinheiro público para promover a poesia na sociedade, BRAVO! Sua ação provoca escândalo e revolta um grupo de intelectuais - nada mais brasileiro do que isso. Agora, ninguém se pergunta, nem questiona, até onde sei, os milhões de reais que saem dos caixas públicos para financiar os carnavais com músicas e atrações no mínimo duvidosas. Quantos milhões o governo da Bahia gasta com os trios elétricos para um número restrito de foliões festejarem, enquanto outros são espremidos pelas vergonhosas cordas, ironicamente seguradas por CORDEIROS. Quantos? Quanto o governo da Bahia renunciou para instalação da Ford por aqui?

Toda essa celeuma, acredito, vem do fato de que no Brasil dinheiro gasto com cultura, arte e poesia, é dinheiro desperdiçado, afinal poesia não serve para nada, não alimenta estômagos, nem abriga ninguém contra o frio ou as intempéries do tempo, não é mesmo? Esta é uma visão histórica que infelizmente ainda não conseguimos romper, por mais que sobrem esforços de alguns nessa frente.

Um país forte e respeitado é medido, dizia o escritor americano Henry Miller, pelo grau de importância que seu povo dar aos seus poetas. Em A Hora dos Assassinos, um ensaio sobre a obra de Arthur Rimbaud, Miller lembrou que o Egito foi grande enquanto respeitou, promoveu e incentivou os seus artistas, o mesmo ocorreu com a Grécia e a Itália. À medida que os artistas passaram a ser perseguido, estes países deixaram de ter a importância que tinham e declinaram, para nunca mais voltarem o serem o que um dia foram. Se ainda nos resta alguma memória desses povos, isso se deve - vocês hão de convir - aos seus artistas (escultores, pintores, arquitetos, e principalmente escritores) que pagaram, muitos deles, com a vida a ousadia de lembrarem aos homens a sua natureza menos nobre, as suas fraquezas, seus vícios e outras coisas imerecidas de um ser criado por um Deus todo poderoso.

Não me causa espécie está polêmica. Acho-a saudável. Não posso, porém, endossar as opiniões de quem acredita que dinheiro gasto com poesia seja desperdiçável, mesmo que esse dinheiro seja no valor mencionado. Estou consciente das emergências do país, mas também acredito que parte delas poderia ser sim contornada com os esfoços de artistas, intelectuais, educadores bem intencionados. Quem já contribuiu tanto com nossa cultura, pode contribuir ainda mais.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Liz Taylor e Catarina



A imprensa mundial informa: morreu, hoje (quarta, 22 de março), Elizabeth Taylor. A atriz britânica, duas vezes premiada com o Oscar, brilhou em muitos filmes. Um deles, Um lugar ao sol, de George Stevens, é o meu favorito. E de Chaplin também, conforme vim a saber mais tarde.

Bem, mas a postagem é por outro motivo. Quando pensei em verter para o cordel um clássico da literatura universal, não pensei muito e cravei A Megera Domada, de Shakespeare. Talvez o motivo principal nem tenha sido a peça em si, mas o filme de 1967, dirigido por Franco Zefirelli e estrelado por Liz Taylor e seu marido à época, Richard Burton.

Nos papéis de Petrucchio e Catarina, eles reviviam cenas muito próximas da realidade, o que rendeu atuações inesquecíveis. A cena do casamento, entre tantas, merece destaque. Foi a imagem desta cena que motivou-me a escrever estes versos para o livro A Megera Domada em Cordel:



















Depois disto, ele agarrou
A noiva pelo gargalo
E deu-lhe um beijo na boca,
Com escandaloso estalo,
Que a nobreza envergonhada
Se recusava a olhá-lo.

Fico, entre tantas, com essa imagem de Liz Taylor.

HOMENAGEM A PAULO NUNES BATISTA


Arievaldo entrevista Paulo Nunes Batista durante evento em Brasília

Autor: ARIEVALDO VIANA

É uma justa homenagem
Para um renomado artista
Escritor de nomeada
Inspirado cordelista
Lenda viva da poesia
O Paulo Nunes Batista.

Filho de Chagas Batista
Um famoso menestrel,
No universo das letras
Desempenha o seu papel
Levando sempre adiante
A bandeira do cordel.

É autor de vários livros
E centenas de folhetos
E compõe, com maestria
Acrósticos, glosas, sonetos
Transborda filosofia
Até mesmo em poemetos.

Um literato de fibra
Sob meu ponto de vista,
Espírito humanitário
Quem tem saber altruísta
Parabéns à Biblioteca
E ao PAULO NUNES BATISTA.

Ficou órfão muito cedo
Mas venceu este empecilho
Estava predestinado
A ser poeta de brilho
Quando criança ajudava
Manoel D’Almeida Filho.

Descende de um velho tronco
Da fina-flor repentista
Do qual brotaram Hugolino
E Agostinho Batista;*
Seu mano, o Sebastião
Também foi bom cordelista.

* Hugolino do Sabugi e Agostinho Nunes da Costa são ancestrais de Paulo Nunes Batista. Do grande poeta Agostinho Nunes da Costa (1797 – 1858), seu bisavô, ficou registrada essa bela estrofe onde fica evidente o desejo de liberdade que sempre alimentou essa família de poetas:

Nasci livre, Deus louvado
E até sem medo fui feito
Porque meu pai, com efeito,
Com minha mãe foi casado;
Também nunca fui pisado
Como terra ou capim
E se alguém pensar assim
É engano verdadeiro:
Olhe para si primeiro
Quem quiser falar de mim.

Voltemos ao Paulo Nunes, nosso homenageado:

Ainda na Era Vargas
Enfrentou a Ditadura
Ingressou no Partidão
Com alma sincera e pura
A arma que mais usou
Foi sua literatura.

Viveu no Rio de Janeiro
Aonde foi estudante
Porém a mão do destino
O lançou na vida errante
Até que chega em Goiás
Do seu Nordeste distante.

Comunista e agnóstico
E nesta louca ciranda
Paulo Nunes vai um dia
Num terreiro de Umbanda
Sua vida, nesse instante,
Recebe outra demanda.

Uma surra dos “caboclos”
Naquele dia levou
E por ver a coisa séria
Naquela seita ingressou
Mais tarde, o Espiritismo
De Allan Kardec abraçou.

Sobre seu ingresso na Umbanda e suas convicções políticas, assim se expressou o poeta:

Inimigo de tiranos
Tenho horror à hipocrisia
Para festejar a Vida
Troco a noite pelo dia.
O caboclo “Cachoeira”
É – nas Umbandas – meu guia...

O certo é que Paulo Nunes
Não levou a vida a esmo
Nem esqueceu o Nordeste,
Da rapadura e torresmo,
Vejamos umas estrofes
Do ABC para mim mesmo:

“Operário da caneta,
Já vivi só de escrever.
Poeta de profissão
Em Goiás pude viver
Dos folhetos que escrevia
Para nas praças vender.

Trovador: escrevo trovas,
Sonetos, sambas, canções,
Contos rimados, poemas,
Num mar de improvisações,
Tenho setenta folhetos
Com diversas edições.

Versejador, viajante,
Das estrelas do Repente:
Abro a boca, o verso nasce,
Como nasce água corrente,
Tenho feito alexandrinos
Em três minutos somente...”

O certo é que Paulo Nunes
É bamba na poesia
Em 2000 ele ingressou
Na goiana Academia
De Letras e se orgulha
Desse luminoso dia.

FIM

Fortaleza, 13 de março de 2011

Clique AQUI para ler histórica entrevista de Paulo Nunes Batista ao jornal A Nova Democracia.

terça-feira, 22 de março de 2011

Meus romances de cordel no Correio Popular, de Campinas



Vida longa ao cordel, matéria assinada por Bruno Ribeiro, primeira página do caderno Cultura/Variedades, na edição do Correio Popular, desta terça, 22 de março de 2011. Leia a íntegra abaixo:



Literatura de cordel ganha fôlego com novo lançamento



Folclorista baiano Marco Haurélio - que mora em São Paulo - acaba de lançar a obra Meus Romances de Cordel, pela Global Editora


22/03/2011 - 16h58 . Atualizada em 22/03/2011 - 17h36 

Bruno Ribeiro      Compartilhar  



Capa do mais recente livro de Marcos Haurélio, que é uma das principais referências da poesia popular nordestina
(Foto: Divulgação)

















Para a maior parte dos críticos literários e especialistas em cultura popular brasileira, a literatura de cordel vem perdendo sua força desde meados do século 20, quando o País passou por uma rápida industrialização. Eles não deixam de ter razão. Afinal, que sentido teria a poesia oral com a chegada do rádio e do cinema? A quem interessariam os rústicos folhetos regionalistas diante do avanço da imprensa? 


Seria um equívoco, porém, dizer que o cordel morreu. O livrinho artesanal de poesia naïf pode ter perdido a sua função de mídia em cidades antes isoladas, mas seguramente continua sendo uma das mais fortes representações culturais do Nordeste brasileiro e um verdadeiro símbolo da criatividade atribuída ao povo desta região.


O risco de extinção que ameaça certas manifestações artísticas regionais parece passar longe da literatura de cordel. E por uma razão muito simples: novos poetas estão sempre surgindo para tocar a tradição adiante. Um deles é o folclorista Marco Haurélio, de 37 anos, que acaba de lançar Meus Romances de Cordel (Global Editora, 192 págs., R$ 29,90).


Nascido em Ponta da Serra, na época município de Riacho de Santana, no sertão baiano, Marco Haurélio é hoje uma das principais referências da poesia popular nordestina. Em São Paulo, onde mora desde 1997, fundou a Caravana do Cordel — movimento ativo na cena paulista —, e intensificou a produção de folhetos, consumidos principalmente pela comunidade nordestina radicada na cidade.


Em sua nova obra, o autor resgata suas primeiras histórias escritas, muitas influenciadas pelo convívio com a avó paterna, dona de uma fabulosa memória. Ao todo são sete cordéis reunidos e publicados na íntegra. Os textos são acrescidos de xilogravuras do premiado ilustrador Luciano Tasso, responsável pela identidade visual do trabalho.


Meus Romances de Cordel celebra a profusão de tipos construídos pelo autor, incluindo desde os tradicionais heróis sertanejos marcados pela bravura até aqueles satirizados por sua ingenuidade. Para construir suas narrativas, Haurélio se inspirou tanto na leitura dos clássicos do gênero como em sua própria biografia de menino criado na caatinga.


Devido à sua intensa produção e sua distribuição limitada, é praticamente impossível acompanhar todos os recentes lançamentos da literatura de cordel, o que faz da coletânea de Marco Haurélio quase uma compilação de textos inéditos. Um dos melhores causos do livro é História de Belisfronte, o Filho do Pescador. “Era o meu conto popular favorito. Conheci-o narrado por minha avó. Escrevi uma versão em cordel, em 2005, mas perdi o manuscrito e reescrevi a mesma história, conservando algumas estrofes já decoradas”, explica o autor.

sábado, 19 de março de 2011

O Soldado que foi para o Céu

Capa da edição portuguesa do folheto de cordel
João Soldado (em prosa)

Ia uma vez um soldado para casa com baixa; quando ao passar por uma ponte encontrou um pobre de pedir, que não tinha dinheiro para pagar a passagem e estava ali parado. Ora o soldado nunca tinha feito bem a ninguém; mas naquele instante teve pena do velhinho e carregou com ele às costas e passou a ponte. O soldado não pagou nada porque ia às costas do soldado. Logo que chegou ao outro lado, pôs o velho no chão, e ia despedir-se dele, quando o pobre lhe disse:

Camarada, peça alguma coisa, que o que eu quero é agradecer-lhe.

Ora o que lhe hei-de eu pedir?

Peça tudo o que quiser.

O soldado pediu: Que todas as vezes que disser: "Salta aqui à minha mochilinha!" nenhuma coisa deixe de obedecer à minha ordem. E que onde quer que eu assente ninguém me possa mandar levantar

O velho disse-lhe que estava concedido. Foi-se o soldado muito contente para casa e nunca mais trabalhou, e viveu bem, sem lhe faltar nada. Se queria pão, carne, vinho, dinheiro, dizia: "Salta aqui à minha mochilinha", e tinha logo tudo o que era preciso. Veio o tempo e o soldado estava para morrer; os Diabos vieram logo para lhe levarem a alma, mas o soldado viu-os e gritou: "Saltem aqui já à minha mochilinha!". Os Diabos não tiveram remédio senão obedecer; ele assim que os apanhou dentro da mochila mandou-a a casa do ferreiro para que lhe malhasse em cima até os deixar em estilhas. Por fim o soldado morreu, e como tinha passado sempre na má vida, foi parar ao Inferno. Os Diabos assim que o lá viram começaram a gritar:

Fecha portas e postigos, senão seremos aqui todos batidos.

E aferrolharam as portas, e o soldado não pôde entrar para lá; foi então bater ás portas do Céu. São Pedro assim que o viu, disse-lhe:

Vens enganado! Não entras cá. Não te lembras da má vida que levaste?

Responde-lhe o soldado:

Ó Senhor São Pedro! no Inferno não me quiseram. Eu agora para onde hei-de ir?

Arranja-te lá como puderes.

O soldado viu meia porta do Céu aberta, e pega no barrete e atira-o lá para dentro, e disse:

Ó Senhor São Pedro, deixe-me ir apanhar o barrete.

São Pedro deixou; mas o soldado assim que o viu dentro do portal, sentou-se logo na cadeira dele. São Pedro quis mandá-lo sair mas não pôde e foi dali à pressa queixar-se a Nosso Senhor, que lhe disse:

Deixa-o entrar Pedro, não tens outro remédio, porque assim lhe estava prometido.

E o soldado sempre ficou no Céu.

BRAGA, Teófilo, (...), Contos tradicionais do Povo Português I

NOTA: O conto do soldado que recebe o dom de prender qualquer coisa em seu bornal frequenta, além das páginas do cordel, a literatura folclórica de vários países. No Brasil é famosa a versão poética de Antônio Teodoro dos Santos, João Soldado, o Valente Praça que Meteu o Diabo num Saco

sexta-feira, 18 de março de 2011

João Soldado, um cordel atemporal



Antônio Teodoro dos Santos (1916-1981) teve a ventura de versar, ou seja, verter para a literatura de cordel, a história de João Soldado, o Valente Praça que Meteu o Diabo num Saco, conhecida de muitos estudiosos e dos irmãos Grimm, que a recolheram na Alemanha, há cerca de dois séculos. Há uma versão mais antiga, O Diabo e o Soldado, escrita por Firmino Teixeira do Amaral e publicada pela extinta Editora Guajarina, de Belém do Pará. A versão de Teodoro situa o soldado na Palestina, onde, futuramente, ele irá encontrar o próprio Jesus Cristo:


João Soldado se criou

Na terra da Palestina
Ficou órfão logo cedo
Foi bem triste a sua sina
Mas porém foi coroado
Por uma estrela divina.


João, então, resolve “assentar praça”. Contudo, a sua honestidade impede que faça carreira na polícia; a crítica é sutil e, infelizmente, atual:


O que é certo que João

Na vida não fez carreira
Somente por um motivo
De não pegar na chaleira
Até que saiu da praça
Limpo sem eira nem beira.


Após vinte e quatro anos de bons serviços, João recebe como soldo “uma farda/ quatro vinténs e um pão/ um capacete rasgado/ e um par de botinão”. Voltando para a casa, João tem um encontro que mudará, para sempre, a sua vida: dois mendigos lhe pedem uma esmola e recebem uma parte do pão; por mais três vezes eles aparecerão até que João lhes entregue “o último dinheiro”. Aí há a revelação:


Aqueles dois mendicantes

Eram São Pedro e Jesus
Quando andavam neste mundo
Trazendo a divina luz
Provando os bons corações
Com sua pesada cruz.


Em retribuição à boa ação, Jesus se mostra disposto a satisfazer qualquer pedido de João. São Pedro, então, instiga-o a pedir a salvação de sua alma, mas ele acaba fazendo outro pedido:


... Peço ao mestre que me dê

Uma força divinal
De tudo quanto eu mandar
Entre aqui no meu bornal.


O dilema de João Soldado – escolher entre a salvação e a possibilidade de gozo no plano material – está presente em outras adaptações pertencentes ao mesmo ciclo. A título de comparação analisemos algumas delas. Em Jesus e o homem do Surrão misterioso, de Manoel D’Almeida Filho, há o encontro da personagem principal, apelidado de Moleza, com os dois benfeitores de João Soldado. Almeida assim descreve os dois velhos (note a semelhança com a descrição de Teodoro):


Então aqueles dois velhos

Que falavam com Moleza,
Eram Jesus e São Pedro,
Dentro da sua grandeza,
Que sofriam pela terra
Para ajudar a pobreza.


À pergunta direta de Jesus, “- Quer riqueza ou salvação?”, Moleza não titubeia e responde talqualmente João Soldado:


Quero que neste surrão

Tudo que eu mandar entrar
Entre no mesmo momento
Sem fugir nem recusar,
Seja coisa viva ou morta,
Só saia quando eu mandar.


Já em O ferreiro das três idades, de Natanael de Lima, a personagem principal tem o nome de Pobreza, o que pode ser interpretado como uma personificação ou mesmo uma alegoria, pois a cadela do ferreiro chama-se Miséria. Pobreza, como João Soldado, é contemporâneo de Jesus, que, sabendo do estado de penúria em que vivia o ferreiro, vai visitá-lo. Pobreza o hospeda em sua casa, mas, como não possui uma cama sequer, Jesus dorme no chão. No outro dia, respondendo às queixas e pedidos de desculpas do ferreiro, o divino mestre assim se reporta:


... Pobreza,

É triste a tua missão!
Então pede-me três coisas,
Que darei de coração –
Diz-me se queres riqueza,
Vida longa e salvação.


Como os antecessores, Pobreza renega a salvação e a riqueza, mas fará três pedidos que serão cruciais, quando, num futuro embate com o Diabo, conseguirá as três idades a que o título alude. O primeiro pedido:


Pobreza disse: - Eu não quero

Essa tua salvação –
Quero é que quem se sentar
Aqui neste meu pilão
Só possa se levantar
Com minha autorização.


No segundo pedido, ele descarta a riqueza:


- Riqueza também não quero

Que me acostumei pedir –
Quero que naquele pau,
A pessoa que subir
Dele só possa descer
Quando eu mandá-lo sair!


Jesus então aconselha-o a pedir mais anos de vida, mas ele reluta novamente:


- Senhor, eu também não quero

Que aumente mais minha vida
– Quero é que quem penetrar
No meu quarto de dormida
Fique lá preso até quando
Eu der ordem de saída.


Em Jesus, São Pedro e o ferreiro rei dos jogadores, de Manoel Caboclo e Silva, há o mesmo motivo de hospedagem das duas personagens sagradas e o pagamento que, dada a escolha (“ser o rei dos jogadores/ ou ganhar a salvação”), levanta a mesma questão da eterna luta entre o espiritual e o material, o cósmico e o telúrico. O ferreiro, obviamente, preferirá ser o rei dos jogadores e se valerá deste dom para derrotar o Diabo.

Pois bem, agora que conhecemos os mesmos motivos – uma dádiva milagrosa – e tipo – o homem que troca a salvação pela possibilidade de se destacar entre os vivos – voltemos a João Soldado. Após conceder-lhe o dom, Jesus abençoa o soldado e segue para a Galileia. João, já na Judeia, passa em frente a um hotel (o anacronismo na literatura de cordel é fascinante), “Onde tinha um lombo frito”. É este o primeiro milagre, pois, assim que João o chama, o “lombo” vai parar no bornal. Em seguida, João atrai um grande pão numa “padaria/ dum sovino tubarão”. Para evitar confusões, de acordo com os mores nordestinos, o autor faz questão de explicar que a atitude do soldado nada tinha de ilícita:


João fartou-se de comer

no bornal misterioso
porém não era roubando
é porque foi caridoso
e tudo isso eram obras
do grande Deus poderoso.


Em seguida, João chega a uma fazenda “dum rico bem pabulento” onde pede aposento, o que lhe é negado. Contudo, o rico lhe aponta um velho sobrado assombrado por um fantasma. Lá, ele deparará com todo o tipo de visão. Por fim, a alma condenada aparece e começa a desmontar-se, sempre se dirigindo ao soldado: “Seu João, eu quero cair!”, despencando todas as partes do corpo, que depois se reúnem. Trata-se de uma alma penada que, graças à coragem de João Soldado, é salva do inferno. Há versões orais desta história em que não há nenhuma alma penada mas uma legião de diabos a quem João aprisiona no saco e espanca impiedosamente. Na adaptação de Teodoro, a alma, para purificar-se de seu pecado, a avareza, presenteia João com três caixões de moedas de ouro, enterrados na casa.

No Nordeste, são muito comuns as histórias de tesouros oferecidos aos vivos por almas penadas. O mesmo motivo se repete em outras obras de cordel como O príncipe João Sem-Medo e a princesa da Ilha dos Diamantes, de Francisco Sales de Areda, e O gigante Quebra-osso e o Castelo mal-assombrado, que Minelvino Francisco Silva adaptou de um conto popular em que, em algumas versões, o Bocage folclórico aparece como herói.

Por ter resgatado a alma das trevas, João enfrentará a ira de Lúcifer, que envia um subalterno, o “cão” Permanente, disfarçado em “chefe de cabaré” (outro anacronismo) para iludir João Soldado. Quando este faz o sinal da cruz, o “cão” se denuncia e João o convida a entrar no bornal. E, assim que ele entra, João...


Pegou a mão de pilão

Mandou no cabra sem pena
O cão velho estrebuchava
Igual a gota serena
João Soldado o machucou
Só Jesus viu esta cena.


Quando o cão é solto, ainda leva outra surra no Inferno. Agora é Lucifer, o próprio, quem vai buscar o soldado. Há um embate verbal interessante onde o Diabo se reafirma príncipe deste mundo, respondendo a João, que se diz “filho de Adão/ Imagem do Criador!...”.



Ora, disse Lucifer
Adão caiu de bandão
Foi iludido e comeu
Do fruto da perdição
Quem tem alma, carne e osso
Vivi preso em minha mão.



Quando João evoca Jesus como guia, a resposta do Diabo vem salpicada de fina ironia:


... É bem errado o teu guia;

Se todos o imitassem
O mundo não existia
Não havendo cruzamento
Também gente não havia...


Trava-se uma luta onde João “arrancou o chifre” do Diabo. Depois, com outra espadada, “arrancou o tornozelo”; esta cena explica, à maneira dos contos etiológicos, o porquê de o Demônio ser coxo. Após infligir uma queda ao oponente “que quasi quebra o focinho”, o Diabo, “o chefe de todo cão”, é obrigado a entrar no bornal, sendo espancado com um “cacete/ dos que se bate feijão”. A tentativa de “suborno”, visando à liberdade, é hilária. Disse o Diabo:


... João, me solta

Que eu te ensino uma maneira
De você ficar querido
De toda moça solteira
E se quizer as casadas
Elas caem quasi em cegueira.

Ensino como se ganha
Dinheiro na loteria;
Como se corta baralho;
Como se atrai freguesia;
Ensino curar doentes
Toda espécie de magia.


Na literatura de cordel, às vezes, o Diabo se porta como o adversário do Altíssimo, mas, no presente caso, ele é apenas um charlatão de feira. João, obviamente, recusa as ofertas e redobra a pisa, só libertando o demônio mediante intervenção divina, atendendo ao pedido de um anjo “figurado numa ave”. O autor prossegue narrando a estória à maneira dos autos medievais. João está com setenta anos, embora não conheça doença. Porém o inevitável, na caracterização da Morte, aparece. Faz-se necessário descrever este encontro, pois a narração ratifica a assertiva de Câmara Cascudo, ao estabelecer a diferença entre a Morte e o Diabo na psicologia popular. João Soldado, percebendo a proximidade da Morte,



... Sentiu um pavor
Sentiu o mundo rodando
E o céu de toda cor
Viu anjos lá na altura
Cantando ao pai criador.



A descrição da Morte não podia ser mais perfeita; apesar de personificada como uma entidade feminina, remete a Hell , a deusa dos mortos na mitologia nórdica, e a Tânatos, divindade masculina da Morte na mitologia grega:


Viu uma velha sisuda

Com grande foice no ombro
O nariz era um serrote
Cada olho era um rombo
Muito magra esfarrapada
E a boca era um assombro.


Na sequência, uma imagem digna do Apocalipse: o cavaleiro pálido:


Tinha asas sobre as costas

Os dentes bem volteados
Riscava o céu com as unhas
Fazia relampejados
Pegava o sol e a lua
Tragava de dois bocados.


A reação de João Soldado mostra-se patética:


João quase fica nervoso

Nesse momento atual
Logo apressou-se rezando
Fazendo o pelo-sinal
Disse ele: Minha velha
Entre aqui no meu bornal.


Inapelavelmente, a Morte o conduz ao Inferno, aonde ele chega fazendo estragos, ferindo “dois irmãos”, que guardavam o local. Lúcifer, logicamente, não o acolhe e a “santa mulher” o escolta ao Purgatório, que ele confunde com o inferno. Lá “Vomitou toda a cachaça/ Inguiou leite materno/ Queimou as cascas dos olhos/ Por ver os ‘usos moderno’.” Só depois de purgar os pecados é que a Morte deixa-o no céu, na fila das almas. Ao tentar cortar a fila João é agredido por Sansão, que descontou nele a raiva que tinha de Dalila e é advertido por São Gabriel, “que ali era o regente”. Logo após surgem dois santos, cujas atribuições pré-cristãs o autor faz questão de descrever:
(...)

Santa Bárbara já zangada

Rosnou no peito um trovão
Lá se vinha São Miguel
Com a balança na mão.


Em Anúbis, Câmara Cascudo discute a sobrevivência de crenças originárias no antigo Egito, como a Psicostasia, a pesagem da alma, realizada no tribunal presidido por Osíris, por Anúbis, o deus psicopompo9 , ancestral do São Miguel do catolicismo popular. Não é por acaso que Teodoro insere estas figuras no cenário post-mortem por onde vagueia a alma de João Soldado.

No céu, João reencontra São Pedro, que o impede de entrar na glória sem o julgamento. Estranhamente, o santo que acompanhava Jesus quando este lhe concedeu a dádiva milagrosa, não o reconhece e o incita a provar se realmente o tal bornal era milagroso:


Abriu João o seu bornal

E mandou São Pedro entrar
Ele dentro da capanga
O recurso foi gritar
Dizendo: - Me solta João
Pois é certo o teu lugar!


A recompensa não tarda:


Ele alegre desatou

O seu bendito bornal;
São Pedro lhe deu o trono
No reino celestial
João Soldado hoje é santo
Foi grande o seu ideal.


Partindo do ponto de vista do poeta que versa a estória popular, é perceptível a existência de um esquema que estabelece não apenas a oposição entre dois mundos – o espiritual e o material, como foi dito – mas também entre a virtude e o vício, sendo o último finalmente derrotado. O que pode gerar certa confusão, pois os autores de cordel, independentemente de gênero ou tema que abracem, sempre pontuam as suas narrações com comentários que explicam como ao final das estórias, os bons são recompensados e os maus punidos. João Soldado, assim, não é uma estória de exemplo, embora haja certa aproximação temática: ele é recompensado por Jesus por sua caridade; com o dom recebido, se apossa do pão “dum sovino tubarão” ; depois, graças à sua coragem, liberta uma alma penada, cujo crime em vida foi a avareza. E por aí vai. O triunfo da virtude cristã sobre a avareza, um dos sete pecados capitais, é ressaltado nos dois últimos versos da penúltima estrofe (“Ninguém perde quando dá/ Do pouco que tem na mão”.) e no acróstico final (invertido):


Ornando a vida de glória

Imitemos João Soldado
Nas alturas está Deus
Olhando pra todo lado
Tomba o casquinha avarento,
Navega em mar opulento
Aquele que é denodado.


Os irmãos Grimm recolheram muitos contos em que a bondade do herói é recompensada por anões e outros seres do folclore europeu. João Soldado é, portanto, um conto de convergência, amalgamando tradições pagãs e cristãs, sendo o motivo da recompensa também comum nas histórias árabes. O motivo da punição pela falta de hospitalidade está presente na lenda grega de Licaon, transformado em lobo por ter negado abrigo a Zeus, travestido em peregrino. Dos irmãos Grimm, temos o conto Folgazão, em que a dádiva provém de São Pedro, disfarçado em mendigo. Folgazão é igualmente soldado e, da mesma forma, recebe como soldo “um pão e quatro vinténs” que divide com o santo, que será seu companheiro de viagem e a quem burlará com a mochila mágica, quando tentar entrar no céu.


Antônio Teodoro, o Poeta Garimpeiro, autor do clássico João Soldado

Para adquirir o romance de João Soldado, entre em contato com a Editora Luzeiro, clicando AQUI

Meus Romances de Cordel, 9 de abril na Cortez



Sábado, 9 de abril, com a presença de vários amigos cordelistas, será lançado na Livraria Cortez o livro Meus romances de cordel. Apresentado pela Professora Vilma Mota Quintela, a obra reúne sete trabalhos escritos ao longo de vinte anos de labuta poética. São eles: O Herói da Montanha Negra, História de Belisfronte, o Filho do Pescador, Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo, Os Três Conselhos Sagrados, Briga do Major Ramiro com o Diabo, História da Moura Torta e Galopando o Cavalo Pensamento.

A obra traz o selo da Global Editora.

Livraria Cortez (São Paulo)
Rua Bartira, 317 - Perdizes (ao lado da PUC-SP)
05009-000 - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3873-7111 - Fax: (11) 3875-4949

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Auto da Compadecida e a literatura de cordel


Foi num folheto de gracejo que Ariano Suassuna encontrou o personagem-símbolo de sua dramaturgia. As Proezas de João Grilo (ver trecho abaixo), história escrita em 1932 por João Ferreira de Lima, trazia como protagonista o célebre amarelinho oriundo dos contos populares portugueses, que, no processo de aculturação, ganhou características idênticas às de outro famoso espertalhão de origem ibérica: Pedro Malazarte. Esse mesmo João Grilo será reaproveitado no Auto da Compadecida, transformado em filme em 2000 por Guel Arraes, com Mateus Nachtergaele (João Grilo) e Selton Melo (Chicó) nos papéis principais.

João Grilo foi um cristão
que nasceu antes do dia,
criou-se sem formosura
mas tinha sabedoria,
e morreu depois da hora
pelas artes que fazia.

(...)

Na noite que João nasceu,
houve um eclipse na lua,
e detonou um vulcão,
que ainda continua.
Naquela noite correu
um lobisomem na rua.

(...)



Entretanto, a Compadecida se baseia em três folhetos distintos, dois deles escritos por Leandro Gomes de Barros. O primeiro é O Cavalo que Defecava Dinheiro, que mostra como um finório consegue lograr um duque invejoso convencendo-o de que um cavalo é realmente capaz de obrar (sem trocadilho) o prodígio do título. Obviamente quem assistiu à peça ou à uma de suas versões para o cinema, sabe que o cavalo foi transmutado num gato, por motivos mais que compreensíveis. O outro poema de Leandro reaproveitado por Suassuna é O Dinheiro (O Testamento do Cachorro), onde aparecem as figuras do padre e do bispo. A autoria de Leandro é inquestionável, embora a origem dos motivos que compõem a estória seja mais difícil de rastrear. O próprio Ariano reconhece essa dificuldade quando afirma: “- a história do testamento do cachorro, que aparece no Auto da Compadecida, é um conto popular de origem moura e passado, com os árabes, do Norte da África para a Península Ibérica, de onde emigrou para o Nordeste”.

Além destes dois poemas de caráter marcadamente cômico, o Auto propriamente dito – a última parte – tem por base o folheto O Castigo da Soberba, de autoria desconhecida, embrora alguns atribuam-na a Silvino Pirauá de Lima. A história tem a marcante presença do imaginário medieval que impregna a obra de Gil Vicente, outra evidente fonte de Suassuna. Maria (Nossa Senhora) é a advogada. Jesus o Juiz, e o Diabo o acusador. É a Nossa Senhora – a “advogada nossa” da oração Salve Rainha – que a alma recorre, em vista da iminente condenação. Evocada em nome de seu bendito filho, ela responde à súplica da alma. No final, após ouvir acusação e defesa, Jesus – no folheto também chamado Manuel – decide pela salvação da alma. O Diabo (Cão), vencido, chama os seus comandados. A estrofe abaixo reproduzida, com a última fala do tinhoso, está bem próxima do desfecho do Auto da Compadecida:

Vamos todos nós embora
Que o causo não é o primeiro,
E o pior é que também
Não será o derradeiro...
Home que a mulher domina
Não pode ser justiceiro.

Os três folhetos, diga-se de passagem, foram coligidos por Leonardo Mota no livro Violeiros do Norte. Indiretamente, este pesquisador cearense, ao reunir as três obras em seu precioso estudo, apontou o caminho que Ariano Suassuna deveria seguir, mesmo apoiando-se em outras tradições populares – especialmente o Bumba-meu-boi, onde os personagens Mateus e Bastião cumprem um papel semelhante ao de João Grilo e Chicó na Compadecida.





João Grilo marcou presença em outros folhetos de cordel, com destaque para O Professor Sabe-Tudo e as Respostas de João Grilo (de Klévisson Viana), A Professora Indecente e as Respostas de João Grilo (de Arievaldo Viana, João Grilo, um presepeiro no palácio (de Pedro Monteiro) e Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo (de Marco Haurélio). O sucesso do Auto da Compadecida no cinema parece ter motivado o diretor Moacyr Góes a filmar O Homem que desafiou o Diabo (2007), baseado no livro As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro, que, por sua vez, parte de folhetos de cordel do ciclo do Demônio Logrado.