sábado, 21 de abril de 2012

Lançamento cearense da Antologia do Cordel Brasileiro


A Global Editora e a Livraria Cultura de Fortaleza convidam para o lançamento cearense do livro Antologia do Cordel Brasileiro. Estarão presentes os autores Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo e Klévisson Viana. 

Imperdível!!!

Data e Hora: Quinta-feira, 26 de abril, às 19h
Loja: Shopping Varanda Mall - Av. Dom Luís, 1010 - Meireles
Autor: Marco Haurélio (org.)
Editora: Global
Local: Auditório

quarta-feira, 21 de março de 2012

Antologia do cordel brasileiro no Correio Braziliense


Antologia de literatura de cordel mostra a vitalidade da poesia popular


Quando surgiram o rádio, a televisão e a internet, os teóricos anunciaram, em tom apocalíptico, o fim da literatura de folhetos popular. Mas acaba de chegar em livro uma preciosa Antologia do cordel brasileiro, selecionada e organizada por Marco Haurélio, que desmente a profecia e revela precisamente a vitalidade desse gênero na era da internet, com o surgimento de uma nova geração de cordelistas: “O poeta é o repórter/das antigas tradições/revelador de segredos/guardados por gênios bons/autor de dramas poéticos/em todas composições”, escreve o poeta Francisco Salles Arêda antecipando a preservação da arte popular.

A antologia vai do maravilhoso ao cômico, dos clássicos (Leandro Gomes de Barros, José Pacheco, Francisco Salles Arêda, Manoel Pereira Sobrinho) até aos contemporâneos (Arievaldo Vianna, Evaristo Geraldo da Silva, Klévisson Viana e Marco Haurélio): “Quem comprar este livrinho/Terá Deus por defensor —/E quem não comprar terá/O diabo por protetor!/Pra onde for se atrasa,/Finda parando na casa/Que parou o caçador!”, avisa José Pacheco em História do caçador que foi ao inferno.

Antologia do cordel brasileiro
De Marco Haurélio (organizador). Editora Global. Número de páginas: 256. Preço: R$ 37

Publicado originalmente no site do jornal Correio Braziliense.


terça-feira, 20 de março de 2012

Lançamento antológico


Pedro Monteiro, Flávio Martins, Ana Karenina e marco haurélio

Sábado, na Livraria da Villa, o cordel deu mais um passo a caminho da consolidação junto ao grande mercado editorial. O lançamento do livro Antologia do Cordel Brasileiro, além de muito concorrido, primou pelo público eclético, que incluiu jornalistas, professores, produtores culturais, escritores, poetas, além de leitores e incentivadores.

17 de março de 2012 foi, segundo Pedro Monteiro, autor de João Grilo, um presepeiro no palácio, um dos títulos antológicos, um dos dias mais importantes de sua vida. A culminância de um projeto cultural que envolve várias gerações da poesia popular brasileira e que, longe de querer abarcar a imensa produção neste gênero, aponta possíveis diretrizes para os produtores de cordel na atualidade: contemporaneidade que não nega a tradição.

Uma presença, dentre tantas, merece destaque: a do escritor e agente literário Andrey do Amaral, que veio de Brasília, acompanhado de sua esposa, Fernanda Carvalho, unicamente para prestigiar o evento.

Às 18:30, Eufra Modesto e Sebastião Marinho abrilhantaram o sarau e, apesar do tempo reduzido, apresentaram poemas de Chico Pedrosa e Zé Laurentino.

As imagens abaixo ajudam a contar um pouco dessa história.


Agradeço aos que foram, aos que queriam ir, mas não puderam, e aos que podiam ir, mas não quiseram.

P.s.: Assim que receber novas fotos, esta postagem será atualizada.

Pedro Monteiro, João Gomes de Sá, Adriana Ortiz e Marco Haurélio
Com o lendário jornalista Audálio Dantas, idealizador do evento Cem Anos de Cordel,
realizado em 2001, no SESC Pompeia
Com Andrey do Amaral e, ele, Pedro Ivo
Os autores e Claudionor, grande incentivador das Letras e da Arte
Em primeiro plano, à direita (só na foto!), o escritor Jeosafá Fernandez. No centro, o editor
José Xavier Cortez
Lucélia, a Dona Patroa, e Fernanda Carvalho, esposa de Andrey do Amaral.
No centro, o professor e jornalista João Batista Torres. À direita, o escritor
Mustafa Yazbek e a editora Myriam Chinalli


Com o professor e escritor Marciano Vasques

Ao centro, o Antônio Amaury Correa de Araújo, o Dr. Cangaço

Luiz Wilson, a voz do Nordeste no rádio paulista
Wanderson Nicoló, da Editora Luzeiro
Cícero Pedro de Assis (ao centro) e Neusa Borges (à esquerda

Joana Neiva, presença certa nas atividades que envolvem a poesia popular
Gregório Nicoló, o Comendador
Autografando o exemplar do professor Zé Maurício
 Francisco Degani e Pedro Monteiro
 
Os autores e Rosa Zuccherato, diretora da Nova Alexandria
Autografando o exemplar de Dom Ramon
O produtor cultural Antonio Clementin
Os autores e Gregório Basic, diretor do programa Provocações (TV Cultura)

terça-feira, 13 de março de 2012

Cordel de ontem e hoje



O jornal A Tarde, de Salvador, publicou, na última sexta-feira, uma matéria extensa sobre a Antologia do Cordel Brasileiro, assinada pelo jornalista Marcos Dias. A íntegra da matéria está na imagem acima. Abaixo, alguns trechos da entrevista que concedi ao jornalista, reproduzidos em parte na matéria:


Como ser baiano, do sertão, marcou sua aproximação com o cordel?
Nasci num lugar chamado Ponta da Serra, município de Riacho de Santana. Desde criança, ouvia minha avó paterna, D. Luzia, contando as histórias do nosso romanceiro de cordel. Também gostava de ouvir cantigas e acalantos, contos de encantamento e orações. Parafraseando o mestre Câmara Cascudo, eu diria que ela foi minha grande professora de folclore. Não tínhamos água encanada nem luz elétrica, mas, em compensação, o meu quintal era o mundo.

Preconceito e senso comum.
Em qualquer gênero literário, preconceitos são reproduzidos, de forma intencional ou velada. No cordel, atualmente, os poetas têm se manifestado abertamente contra preconceitos e estereótipos, especialmente no tocante ao gênero e à cor. É preciso, no entanto, tomar cuidado para não transformar o politicamente correto no “policiamento incorreto”.

O que pensa nos editais do Estado (Bahia) e MinC para cordelistas?
Na Bahia, havia um concurso nacional de literatura de cordel, de grande relevância. Hoje, não existe mais, o que é uma pena. No plano nacional, a boa surpresa foi o Prêmio mais Cultura do MinC. Uma bela iniciativa com graves equívocos no plano prático, em espacial no tangente à seleção de projetos. Um livro de minha autoria, O Conde Monte Cristo me Cordel, ad editora Nova Alexandria, foi premiado, mas nem por isso eu deixo de reconhecer os problemas, que, espero, na próxima edição, não se repitam.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Clássico do cordel apresenta analogia com história de Sansão






 
A História do Valente João Acaba-Mundo e a Serpente Negra, de Minelvino Francisco Silva, era, originalmente, um romance de 64 páginas. Quando foi relançado pela Editora Prelúdio, de São Paulo, o formato maior permitiu que a história fosse republicada em 32 páginas.
 
A história preserva vários elementos clássicos das histórias de encantamento: a força prodigiosa do herói, resultante de um fio de cabelo na perna, o que aproxima o conto original da história de Sansão; a execução de tarefas tidas como impossíveis, aproximando o herói de antecessores míticos, como Hércules e Teseu; a morte e ressurreição do herói, que remete aos antigos deuses da fertilidade e da vegetação, como Átis, Osíris e Adônis; e a proteção sobrenatural de Santo Antônio, padrinho de João Acaba-Mundo.

Não falta sequer a invocação à Divina Musa, que os romancistas do cordel herdaram de seus antecessores: os poetas épicos:

Vinde a mim, deusas poéticas
Inspirai-me de verdade;
Trazei-me a divina Musa,
Por ordem da divindade
Para contar uma história
De luta e de falsidade.

Verdade, honra e firmeza
Jesus Cristo abençoou;
Vileza, inveja e orgulho
Ele amaldiçoou;
A traição e falsidade
Foi Judas que as praticou. 
 
O conto em que se baseia este romance foi recolhido por Sílvio Romero e consta da obra Contos Populares do Brasil, publicada em 1885, com o título A Mãe Falsa ao Filho. Na Literatura de Cordel, há outra versão do conto no romance A Mãe Falsa Filho e os Dramas do Gigante Misterioso, publicada pela Tipografia Luzeiro do Norte, do Recife, dirigida por João José da Silva.

Este romance monumental, reeditado pela Luzeiro, com novo projeto gráfico em que as belíssimas ilustrações de Matheus são preservadas, é um dos títulos mais conhecidos do catálogo da editora paulistana e a obra-prima do saudoso Minelvino.
 
Nota do blog: Para comprar, vá ao site da Luzeiro, clicando aqui.

 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Lançamento: Antologia do Cordel Brasileiro


Sábado, 17 de março, todos estão convidados para o lançamento do livro Antologia do Cordel Brasileiro (Global Editora). O evento, que contará com um sarau, ocorrerá na  Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, 915. Além de mim, autor-organizador, o livro será autografado por Pedro Monteiro, autor de João Grilo, um presepeiro no palácio, romance picaresco que integra  a antologia. 
Abaixo, o release assinado pelo jornalista Guilherme Loureiro:


ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO

Organização de Marco Haurélio

Um passeio pelo que de melhor foi – e é – feito por grandes
cordelistas brasileiros é o que se oferece neste livro        


A Global Editora, mantendo seu firme propósito de publicar temas ligados à brasilidade, leva a literatura de cordel mais uma vez às livrarias. Sob a organização do poeta, cordelista e pesquisador da cultura popular brasileira Marco Haurélio, Antologia do cordel brasileiro chega ao catálogo da editora.
          Para os envolvidos e estudiosos do assunto, são notórias a dúvida e as discussões acerca da origem do cordel. De onde veio? Como surgiu? Quando foi seu início? O que se sabe com segurança é que a literatura de cordel é uma arte cada vez mais presente e manifestada nas feiras e praças não só do Nordeste como também em outras regiões do Brasil.
          Marco Haurélio coligiu os textos desta antologia de maneira que o resultado mostrasse ao leitor quanto está apurada a literatura de cordel no Brasil. Os textos que compõem a coletânea são assinados por cordelistas de diferentes gerações. A obra é totalmente ilustrada com xilogravuras de Erivaldo, um dos nomes mais representativos dessa arte e o responsável por mais de uma centena de ilustrações em livros e folhetos de cordel.
          Como não poderia deixar de ser, Leandro Gomes de Barros, considerado por muitos o pioneiro deste gênero, abre o livro com o cordel “O soldado jogador”. Também estão presentes na Antologia do cordel brasileiro histórias de José Pacheco, Manoel D’Almeida Filho, Antônio Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda e Manoel Pereira Sobrinho. A força da atual geração de cordelistas é verificada nos textos de Pedro Monteiro,  Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo da Silva e Klévisson Viana, entre outros.
Nesta obra, o leitor terá acesso a um conjunto variado de cordéis, desde aqueles inspirados no conto maravilhoso, ou conto de fadas, como outros em que predominam mitos da Grécia Antiga e até alguns que deitam raízes nas histórias de animais.
Marco Haurélio chama a atenção do leitor para a importância desta antologia por ser a primeira a apresentar autores de todas as gerações do cordel no Brasil: “Os poetas contemporâneos, em especial, quase sempre são deixados de lado pelos estudiosos, que se embaraçam na busca pelas origens do cordel, ou se perdem no labirinto de obviedades dos que confundem este gênero com a poesia matuta ou com o canto improvisado dos repentistas”.
Diferente do que muitos pensam, a literatura de cordel está cada vez mais viva e, nos últimos anos, tem ultrapassado a fronteira dos folhetos e dos livros. Prova disso é a sua presença marcante em diferentes manifestações artísticas. Em 2011, a telenovela Cordel Encantado, veiculada pela Rede Globo, obteve índices consideráveis de audiência. Neste ano de 2012, no Carnaval do Rio de Janeiro, a tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, representada pelas cores vermelho e branco, levará à Marquês de Sapucaí o tema “Cordel Branco e Encarnado”.
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Sobre o organizador: Marco Haurélio, poeta popular baiano, professor, folclorista e editor, é um dos nomes de maior destaque na literatura de cordel da atualidade. Ministra oficinas e palestras sobre cordel e cultura popular em todo o Brasil. É autor de vários livros para adultos e crianças. Pela Global Editora, publicou Meus romances de cordel, uma coletânea de suas melhores composições.

Título:                    ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO
Organização:          MARCO HAURÉLIO
Editor:                   Gustavo Henrique Tuna
Páginas:                 256
Preço:                    R$ 37,00                                                                                  
Público-alvo:          Público em geral, sobretudo estudiosos e pesquisadores da cultura popular
   


Guilherme Loureiro
Assessor de Imprensa
Global Editora / Editora Gaia / Gaudi Editorial
Rua Pirapitingui, 111 – Liberdade
01508-020 – São Paulo – SP
Tels.: 11-3382-5802 ou 11 3277-7999 ramal 209


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

De volta à Casa dos Cordéis




MARCO HAURÉLIO

palestra:

Os novos horizontes da poesia de cordel
em 11/03 (dom) 11h

Cursou Letras na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus VI - Caetité. Coordena, atualmente, pela editora Nova Alexandria, a Coleção Clássicos em Cordel, pela qual lançou A Megera Domada (versão da peça clássica de William Shakespeare).[1] Para a mesma coleção adaptou O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, uma das obras ganhadoras do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010, do Ministério da Cultura, na categoria Produção (livros e CDs). Com vários livros e folhetos de cordel editados, profere palestras e ministra oficinas sobre a Literatura de Cordel e o Folclore Brasileiro. É um dos fundadores do grupo Caravana do Cordel, presença marcante na cena cultural paulistana. Representou o Brasil, ao lado de Antônio Barreto e Edilene Matos, no Encontro Internacional de Poetas, ocorrido em Assunción, Paraguai, em 2010. Vários de seus livros foram selecionados por programas de governo, como o PNBE, do governo federal, Apoio ao Saber, do Estado de São Paulo, Minha Biblioteca da prefeitura paulistana, Leitura para a Cidadania (Paulus Editora) e para composição do acervo da Biblioteca Nacional.



Como chegar?


A Casa dos cordeis fica na Av. Torres Tibagy, 90 - Gopouva - Guarulhos - SP.
clique para ampliarComo chegar:

Para quem vem de Guarulhos deve se dirigir ao cruzamento da Av. Emilio Ribas com a Av. Humberto de Alencar Castelo Branco.

Para quem vem de São Paulo vindo pela Via Dutra, quando chegar ao Shopping Internacional, deve entrar na Av. Guarulhos (sentido Guarulhos), para em seguida acessar a Av. Humberto de Alencar Castelo Branco (sentido Vila Galvão), e seguir até o cruzamento com a Av. Emilio Ribas.

Referências:  1 - Está a 50m do cruzamento da Av. Emilio Ribas com a Av. Humberto de Alencar Castelo Branco. 2 - Está a 60m do SAAE de Gopouva. 3 - É vizinho do LIQUIGÁS de Gopouva.




Expediente: De Segunda a sexta-feira: das 13:00h às 19:00h. Aos sábados: das 10:00h às 18:00h

Informações: Tel: 11 9780.0958 e_mail: casadoscordeis@gmail.com

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Lançamento: O Preço da Liberdade, de Rouxinol do Rinaré



Recebi, há alguns dias, exemplares do livro O Preço da Liberdade, escrito por Rouxinol do Rinaré, ilustrado por Kazane e editado pelo IMEPH, de Fortaleza. Um primor em termos gráficos e editoriais, o livro foi assim apresentado por mim:


O PREÇO DA LIBERDADE - de Rouxinol do Rinaré


A publicação de O preço da liberdade, originalmente lançado em folheto com o título A história dum filho errante e as preces de uma mãe, faz justiça a um dos maiores valores do cordel contemporâneo, Rouxinol do Rinaré. A história de queda e redenção narrada por Rouxinol e dirigida ao público juvenil alerta sobre o perigo que ronda aqueles que, em busca da liberdade, acabam se submetendo ao vício e à degradação.
Alberto Felício, o protagonista, é um jovem que vive num lar modesto, mas sem preocupações, sob a proteção de pais amorosos. De uma hora para outra, sem entender os valores dos pais, Alberto sucumbe ao alcoolismo e, tomado por estranho impulso, decide abandonar o lar em direção ao estrangeiro. Lá, gasta o que resta de suas economias de forma dissoluta e termina na mendicância. Um sonho premonitório, no entanto, o faz repensar a maneira como vivera até então.
O drama de Alberto parece ter como ancestral a lenda de Roberto do Diabo, personagem do folclore europeu que forneceu matéria para um romance de cordel atribuído a Leandro Gomes de Barros. Há, porém, uma sutil diferença: na tenebrosa lenda Roberto concebido a partir de um pedido blasfemo de sua mãe, comete todos os excessos possíveis, como pilhagens, roubos e assassinatos sem conta. Alberto, por outro lado, mesmo imaginando fazer mal apenas a si mesmo, acaba com a tranquilidade dos pais. Unem os dois personagens, no entanto, a busca de redenção e a purificação por meio da fé. Há, ainda, uma notável similaridade com a parábola do filho pródigo, uma das mais belas do Evangelho de São Lucas.
O preço da liberdade é, por tudo o que foi exposto, um romance de exemplo, sem se pretender moralizante. E um dos melhores textos de Antônio Carlos da Silva, que, sob o nome de guerra Rouxinol do Rinaré, escreve mais um belo capítulo na história da literatura de cordel.

Marco Haurélio
Cordelista e pesquisador da
Cultura Popular Brasileira


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Global lança antologia de cordel

Capa da Antologia do Cordel Brasileiro, lançamento da Global, com ilustrações de Erivaldo
Acabo de receber dos amigos Gustavo Tuna (editor) e Guilherme Loureiro (assessor de imprensa), da Global Editora, a boa-nova do mês de fevereiro, no dia de Iemanjá: acaba de ser lançada a Antologia do Cordel Brasileiro, a mais abrangente do gênero, por reunir autores de várias gerações, incluindo a atual, quase sempre esquecida pelos compendiadores. A iniciativa foi possível com o apoio da Editora Luzeiro, dirigida por Gregório Nicoló, detentora dos direitos de oito dos dezesseis títulos que integram a obra. Abaixo parte da apresentação feita para o livro:

A literatura de cordel brasileira, desde os fins do século XIX, vem apresentando uma vasta produção com títulos de excepcional qualidade, é um formidável legado do Nordeste à cultura nacional. Não bastassem os grandes autores, os romances consagrados pela predileção popular e o interesse de estudiosos e artistas de outras searas, o romanceiro nordestino surpreende, não pelo que já foi catalogado ou debatido, mas, principalmente, pelo que ainda pode oferecer. É o que prova esta antologia em que o espaço de mais de um século separa o primeiro título selecionado, O soldado jogador, de Leandro Gomes de Barros, do último, As três folhas da serpente, do autor deste introito e organizador do presente florilégio, Marco Haurélio.

 Prova irrefutável do vigor deste gênero literário, sempre a contrariar as previsões mais pessimistas.Leandro Gomes de Barros (18651918), Silvino Pirauá de Lima (1848  1913), João Martins de Athayde (1880-1959), João Melquíades Ferreira da Silva (1869 1933), José Galdino da Silva Duda (1866-1931) e José Camelo de Melo Resende (1885-1964), pioneiros do cordel nordestino, ainda são lidos e admirados neste século XXI, em que a cultura do descartável, ditada pelos modismos, impõe regra. O folheto de feira chegou mesmo a receber extremaunção por parte de alguns pesquisadores e jornalistas, no início da década de 1980. As perspectivas, na época, realmente não eram boas: escasseavamse os bons autores (romancistas) e toda uma geração de poetas havia envelhecido. Mas o surgimento de uma nova safra de bons valores, que culminou com a criação da editora Tupynanquim, de Fortaleza, trouxe novas luzes, àquele momento, ao entenebrecido horizonte da poesia popular. Alguns destes nomes integram a presente coletânea. São poetas que mantêm um vínculo com a poesia tradicional, ao mesmo tempo em que estão antenados com as novas possibilidades. Esse é o cordel atemporal, sustentado por duas colunas – a tradição e a contemporaneidade.

(...)

Títulos e autores que integram a Antologia do Cordel Brasilleiro:

O Soldado jogador, de Leandro Gomes de Barros

História do caçador que foi ao inferno, de José Pacheco

A guerra dos passarinhos, de Manoel D´Almeida Filho

A Sereia do Mar Negro, de Antônio Teodoro dos Santos

Os três irmãos caçadores e o macaco da montanha, de Francisco Sales Arêda

No tempo em que os bichos falavam, de Manoel Pereira Sobrinho

O valente Felisberto e o Reino dos Encantos, de Severino Borges Silva

O feiticeiro do Reino do Monte branco, de  Minelvino Francisco Silva

João sem Destino no Reino dos Enforcados, de Antônio Alves da Silva

João Grilo, um presepeiro no palácio, de Pedro Monteiro

O reino da Torre de Ouro, de Rouxinol do Rinaré


O conde mendigo E a Princesa orgulhosa, de Evaristo Geraldo da Silva

Pedro Malasartes e o urubu adivinhão, de Klévisson Viana

As três folhas da serpente, de Marco Haurélio

Mais informações: www.globaleditora.com.br

Xilogravura de Erivaldo para o cordel As três folhas da serpente.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Saudade



Na imagem acima, aparece a Ponta da Serra, vista do Alto do Cemitério. Ao fundo, a igreja de Senhor dos Passos, construída pelo Major Ramiro, e a casa onde nasci e passei os primeiros anos de minha vida. Mais ao fundo, a Serra Geral do sudoeste baiano. 

A casa da minha avó Luzia – minha grande professora de Folclore – e outra de um tio, que já conheci abandonada, não existem mais. Hoje o gado pasta entre as suas ruínas. O meu tempo era dividido com tarefas como “panhar” água na cacimba e levar o gado para beber água no tanque da estrada. E, raras vezes, “ralear” o algodão. O tempo restante eu passava sob os umbuzeiros, na casa de Madrinha Nenzinha, esperando ela cortar um naco de rapadura ou lendo os muitos folhetos de cordel que meu pai guardava e os que ele trazia, todo sábado, da feira do Bom Jesus da Lapa, onde ia vender requeijão, cachaça, tijolo e manteiga. Ou escutando Padrinho José declamar o ABC da Fazenda Formosa e o ABC dos Revoltosos. Brincávamos – eu, meus irmãos e primos – no altar da igreja, da qual meu pai tinha a chave, sem achar que isso se constituía num sacrilégio.

Quase tudo se foi. Ficou o cordel, gravado no papel e na minha alma. Ficaram as histórias de Trancoso, garimpadas do patrimônio imemorial, que vozes sábias guardaram e eu transformei em livros. E ficou a saudade, esta companheira de todas as horas dos poetas.