segunda-feira, 30 de abril de 2012

Loja de cordel na Internet

O Magazine Gibi, livraria virtual,  comercializa vários títulos da Literatura de Cordel, desde os clássicos até as produções contemporâneas. Abaixo, uma pequena amostra de títulos da Editora Luzeiro à venda neste precioso mercado virtual:



Para acessar, clique no link:  http://www.magazinegibi.com.br/index.php?cPath=217&page=1

Ariano Suassuna no 7º Simpósio de Educação da Paulus

O escritor paraibano Ariano Suassuna é um dos convidados do 7º Simpósio de Educação promovido pela Paulus Editora. A Palestra "Raízes Populares da Cultura Brasileira" integra uma programação eclética, que, este ano, traz como tema: "Educação, Comunicação e Cultura".

Abaixo, a programação completa:

8h30 às 10h - 1ª PALESTRA - PARA ALÉM DA SALA DE AULA - AS MÍDIAS
O Brasil é o país mais conectado do mundo: 86% dos usuários navegam, em média, cinco horas por mês em páginas virtuais. Somos os campeões em uso de redes sociais. No Twitter, os brasileiros só perdem para os holandeses. O cenário tem desafios e oportunidades igualmente gigantescos. A evolução dos meios de comunicação e dos modelos de educação pode ser sinérgica desde que o sistema oficial incorpore as novas formas, impostas por essas transformações, de se relacionar com a informação e produzir conhecimento.
PALESTRANTE
Paulo Markun nasceu em São Paulo, em 1952. Jornalista profissional desde 1971, já foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas. Por dez anos, apresentou o programa Roda Viva, da TV Cultura. Presidiu o Santacine, Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de Santa Catarina, onde vive desde 1998, e a Fundação Padre Anchieta, responsável pela gestão da TV Cultura, Univesp TV, Multicultura, Cultura Brasil e Cultura FM. Markun criou veículos de comunicação (Pasquim São Paulo, Imprensa, Radar, Deadline, Jornal do Norte), escreveu treze livros, dirigiu vários documentários e vídeos. No momento, trabalha como consultor da Unesco na reformulação da TV Escola do MEC. Também está concluindo “Brado Retumbante”, projeto multimídia que resgata a história da luta pela democracia. Prepara uma série de documentários sobre arquitetura para o SESC TV. Em razão de sua ampla experiência como jornalista e apresentador, Paulo Markun atua frequentemente como mediador e mestre de cerimônias.

10h30 às 12h - 2ª PALESTRA - RAÍZES POPULARES DA CULTURA BRASILEIRA
Apresentação que busca relacionar a identidade da cultura brasileira com suas matrizes indígena, portuguesa e africana pela música e dança. É isso o que pretende a aula-espetáculo ministrada pelo escritor Ariano Suassuna. Intitulada “Raízes Populares da Cultura Brasileira”, a palestra, além dos muitos  elementos iconográficos e musicais da estética armorial, mostra uma série de imagens referentes ao projeto “A Onça Malhada, a Favela e o Arraial”. Ele explica que coloca a onça malhada “como uma metáfora da nação, tão mesclada de cores e etnias”, para reafirmar a força e a variedade da cultura brasileira.
PALESTRANTE
Ariano Vilar Suassuna, membro das Academias Brasileira e Paraibana de Letras, nasceu no dia 16 de junho de 1927, no Palácio da Redenção, na cidade de Nossa Senhora das Neves, capital do estado da Paraíba.
O hábito e o prazer pela leitura foram desenvolvidos muito cedo, quando morava em Taperoá, onde viveu dos 6 aos 15 anos de idade. A partir da leitura de folhetos de cordel e clássicos como Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, Scaramouche, de Rafael Sabatini, e obras de outros autores (Euclydes da Cunha, Eça de Queiroz, Guerra Junqueira, Antero de Figueiredo e José Lins do Rego), o ato de ler significou um grande enriquecimento cultural e um verdadeiro deslumbramento em sua vida. Em 1947, escreve sua primeira peça de teatro, Uma Mulher Vestida de Sol. Inspirando-se no romanceiro popular nordestino em 1955, escreve o Auto da Compadecida, que em 1958 rende-lhe a Medalha de Ouro, pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Em 1971, publica o romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, obra na qual vinha se dedicando desde 1958.  

FAMÍLIA x INSTITUIÇÃO ESCOLAR: UMA PARCERIA NECESSÁRIA
A família é o primeiro espaço onde a criança adquire as primeiras aprendizagens para a vida. Nela, vivencia diferentes experiências que futuramente contribuirão para a formação de sua identidade, tal qual uma sementinha depositada no solo e regada pela água da chuva. É assim que ela crescerá, carregando sua história pelos próximos anos.
Quando retratamos este desabrochar, não podemos deixar de ressaltar a importância e o papel desempenhado pela instituição escolar, cada vez mais precocemente presente nas vidas dos nossos pequenos.
PALESTRANTE
Meire Bernadete Cunha, formada em Pedagogia, Orientação Educacional, Psicopedagogia e Supervisão Escolar, leciona para o Ensino Fundamental de escolas particulares desde 1987. Em 2004, ingressou na rede municipal de São Caetano do Sul, e em 2006 assumiu a coordenação pedagógica desse município, função que desenvolve atualmente na escola EME Professora Alcina Dantas Feijão.

O LÚDICO A SERVIÇO DA MATEMÁTICA: JOGOS E DESAFIOS
A oficina tem como objetivo construir novos caminhos para o ensino e a aprendizagem de Matemática, verdadeiro desafio para a mudança. O encontro está organizado para instigar reflexões acerca do ensino da Matemática na escola, oferecendo fundamentação teórica, atividades práticas com jogos e desafios que possam ser utilizados no contexto da sala de aula e planejamento de etapas necessárias para a realização do trabalho com conteúdos matemáticos.
PALESTRANTES
Maria da Penha Tessarini Rodrigues é pedagoga, pós-graduada em Gestão de Pessoas e Coordenação Pedagógica, coordenadora pedagógica na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (1º ao 5º ano).
Renata Medeiros de Góes Corujeira é pedagoga, pós-graduada em Gestão de Pessoas e Coordenação Pedagógica, coordenadora pedagógica na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (1º ao 5º ano).

OFICINA DE BRINCADEIRAS, HISTÓRIAS E MÚSICAS PARA EDUCADORES INFANTIS
Propiciar aos participantes a descoberta e a vivência do universo mágico que é trabalhar com músicas, brincadeiras e histórias na Educação Infantil. Exercendo atividades lúdicas, iremos despertar o ritmo, a expressão corporal, trabalhar com jogos, brincadeiras, contos de fadas e outras histórias feitas para incrementar o desenvolvimento da criança.
O conteúdo programático traz brincadeiras, jogos, dinâmicas, atividades lúdicas, contos de fadas, histórias da nossa infância, histórias para cantar e encantar, músicas infantis, cantigas de roda e expressão corporal.
PALESTRANTE
Fátima Chiapetta é pedagoga e psicopedagoga. Contando 29 anos de experiência do berçário à faculdade, atuou na coordenação pedagógica das escolas Pueri Domus e Universidade Metodista. Hoje é coordenadora pedagógica no Colégio Castro Alves.

O JORNAL COMO PROPOSTA PEDAGÓGICA
A interface entre informação e educação; o complemento entre ambas; o cruzamento entre o discurso pedagógico e o discurso midiático; o estudo inter-relacional entre comunicação, educação e mídia; o papel da informação na construção da cidadania; os desafios para o educador.
PALESTRANTES
Wagner Barge Belmonte é doutorando em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui mestrado em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero (2011), especialização em Planejamento Estratégico em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (2006) e graduação em Jornalismo pela mesma universidade (1995). Atualmente, é professor na Faculdade PAULUS de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), na Universidade de Santo Amaro (Unisa) e editor do Band News TV.
Vanderlei Dias de Souza é jornalista, publicitário e radialista. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, atua há mais de 20 anos na área de comunicação, cultura e educação, planejando, elaborando e produzindo projetos e cursos. Coordenou a produção das Oficinas Culturais Oswald de Andrade, foi produtor de vídeos institucionais na TV dos Bancários, no Sindicato dos Bancários de SP, e produtor de eventos culturais na Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). Além disso, produziu programas na TV Bandeirantes, em São Paulo, participou do planejamento e da implantação da TV Senac-SP, coordenou as áreas de jornalismo, publicidade e cinema no Centro de Comunicação e Artes do Senac-SP e foi assessor de imprensa na Universidade Nove de Julho. Nos últimos cinco anos, coordenou o curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). É professor nos cursos de Jornalismo da UPM e da Faculdade PAULUS de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM).

MEIOS DE COMUNICAÇÃO: COMO TRABALHAR O SENSO CRÍTICO DOS ALUNOS
Hoje, mais do que espectadores, os jovens são, principalmente, produtores de informação. Experimentando as novas possibilidades tecnológicas, eles tomam para si a palavra e criam conteúdos a partir de seu cotidiano, de sua realidade. Nesse contexto, desenvolver-lhes o senso crítico passa por um processo no qual torna-se necessário pensar e trabalhar a relação que eles estabelecem com as novas tecnologias midiáticas — canais de manifestação de suas ideias, angústias, desejos. Como trabalhar o senso crítico frente a tal cenário? Quais as possibilidades trazidas pelas tecnologias digitais? Que experiências já existem? Aí estão algumas perguntas para abrirem a discussão.
PALESTRANTES
Fábio Alessandro Munhoz é mestre em Comunicação Social pela ECA-USP. Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo e é pesquisador do Centro de Pesquisa Atopos – CRP ECA-USP. É coautor dos projetos Áreas Vírus e Laje Acadêmica. Tem experiência na área de Comunicação e no Terceiro Setor.
Marcella Schneider Faria é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Fez intercâmbio acadêmico em Portugal, na Universidade Nova de Lisboa, no primeiro ano de mestrado. Possui graduação em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Santa Cecília. É pesquisadora do Centro de Pesquisa Atopos da ECA-USP e coordena, neste grupo, o intercâmbio acadêmico para a Universidade Nova de Lisboa. Organiza eventos acadêmicos e culturais, como o II Seminário Mídias Nativas e o seminário Mente, Tecnologia e Conectividade, com o professor Derrick De Kerkchove, entre outros. Atualmente, ministra a disciplina Comunicação e Multimídia na Faculdade PAULUS de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM) e é coordenadora de Comunicação do Programa Onda Limpa (Sabesp – Governo do Estado de São Paulo). Atua também em Educomunicação exercendo a função de educadora. Ministra oficinas culturais.

FILOSOFIA PARA JOVENS LEITORES: COMO ABORDAR ESSE TEMA?
A Filosofia, que a duras penas vem sendo acolhida nas matrizes curriculares dos adolescentes, ainda é vista sob o prisma do elitismo por muitos educadores e pela mídia. Experiências bem-sucedidas tanto no exterior quanto no Brasil mostram que a boa educação requer um modo de compreensão e interpretação do mundo tipicamente filosófico. As editoras já contam com materiais impressos e eletrônicos nascidos para ajudarem o trabalho dos docentes. Precisamos otimizar esses recursos se quisermos oferecer aos jovens uma educação de qualidade.
PALESTRANTES
Gustavo Rick Amaral é mestre pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP (2009). Atualmente, é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD – PUC-SP). Possui graduação em Comunicação Social pelo Instituto de Educação Superior de Brasília (2006). Desde 2008, participa do grupo de estudos Pesquisa Qualitativa e Semiótica Peirceana Qualisemeion, vinculado ao Centro Internacional de Estudos Peirceanos (CIEP), da PUC-SP. É professor na Faculdade PAULUS de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM).
Domingos Zamagna é mestre em Teologia (PUC-SP) com especialização em Ética (Universidade de Fribourg, Suíça), mestre em Ciências Bíblicas (Curso de Letras Orientais na USP e na Universidade Santo Tomás de Aquino, Roma, Itália). É bacharel em Comunicação Social – Jornalismo (PUC-SP) e bacharel e licenciado em Filosofia (PUC-SP). Revalidou diplomas obtidos no exterior cumprindo o Programa de Pós-Graduação do Departamento de História da FFLCH-USP. Obteve a equivalência ao mestrado em História Social. Atualmente, leciona na Faculdade PAULUS de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM).

sábado, 21 de abril de 2012

Lançamento cearense da Antologia do Cordel Brasileiro


A Global Editora e a Livraria Cultura de Fortaleza convidam para o lançamento cearense do livro Antologia do Cordel Brasileiro. Estarão presentes os autores Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo e Klévisson Viana. 

Imperdível!!!

Data e Hora: Quinta-feira, 26 de abril, às 19h
Loja: Shopping Varanda Mall - Av. Dom Luís, 1010 - Meireles
Autor: Marco Haurélio (org.)
Editora: Global
Local: Auditório

quarta-feira, 21 de março de 2012

Antologia do cordel brasileiro no Correio Braziliense


Antologia de literatura de cordel mostra a vitalidade da poesia popular


Quando surgiram o rádio, a televisão e a internet, os teóricos anunciaram, em tom apocalíptico, o fim da literatura de folhetos popular. Mas acaba de chegar em livro uma preciosa Antologia do cordel brasileiro, selecionada e organizada por Marco Haurélio, que desmente a profecia e revela precisamente a vitalidade desse gênero na era da internet, com o surgimento de uma nova geração de cordelistas: “O poeta é o repórter/das antigas tradições/revelador de segredos/guardados por gênios bons/autor de dramas poéticos/em todas composições”, escreve o poeta Francisco Salles Arêda antecipando a preservação da arte popular.

A antologia vai do maravilhoso ao cômico, dos clássicos (Leandro Gomes de Barros, José Pacheco, Francisco Salles Arêda, Manoel Pereira Sobrinho) até aos contemporâneos (Arievaldo Vianna, Evaristo Geraldo da Silva, Klévisson Viana e Marco Haurélio): “Quem comprar este livrinho/Terá Deus por defensor —/E quem não comprar terá/O diabo por protetor!/Pra onde for se atrasa,/Finda parando na casa/Que parou o caçador!”, avisa José Pacheco em História do caçador que foi ao inferno.

Antologia do cordel brasileiro
De Marco Haurélio (organizador). Editora Global. Número de páginas: 256. Preço: R$ 37

Publicado originalmente no site do jornal Correio Braziliense.


terça-feira, 20 de março de 2012

Lançamento antológico


Pedro Monteiro, Flávio Martins, Ana Karenina e marco haurélio

Sábado, na Livraria da Villa, o cordel deu mais um passo a caminho da consolidação junto ao grande mercado editorial. O lançamento do livro Antologia do Cordel Brasileiro, além de muito concorrido, primou pelo público eclético, que incluiu jornalistas, professores, produtores culturais, escritores, poetas, além de leitores e incentivadores.

17 de março de 2012 foi, segundo Pedro Monteiro, autor de João Grilo, um presepeiro no palácio, um dos títulos antológicos, um dos dias mais importantes de sua vida. A culminância de um projeto cultural que envolve várias gerações da poesia popular brasileira e que, longe de querer abarcar a imensa produção neste gênero, aponta possíveis diretrizes para os produtores de cordel na atualidade: contemporaneidade que não nega a tradição.

Uma presença, dentre tantas, merece destaque: a do escritor e agente literário Andrey do Amaral, que veio de Brasília, acompanhado de sua esposa, Fernanda Carvalho, unicamente para prestigiar o evento.

Às 18:30, Eufra Modesto e Sebastião Marinho abrilhantaram o sarau e, apesar do tempo reduzido, apresentaram poemas de Chico Pedrosa e Zé Laurentino.

As imagens abaixo ajudam a contar um pouco dessa história.


Agradeço aos que foram, aos que queriam ir, mas não puderam, e aos que podiam ir, mas não quiseram.

P.s.: Assim que receber novas fotos, esta postagem será atualizada.

Pedro Monteiro, João Gomes de Sá, Adriana Ortiz e Marco Haurélio
Com o lendário jornalista Audálio Dantas, idealizador do evento Cem Anos de Cordel,
realizado em 2001, no SESC Pompeia
Com Andrey do Amaral e, ele, Pedro Ivo
Os autores e Claudionor, grande incentivador das Letras e da Arte
Em primeiro plano, à direita (só na foto!), o escritor Jeosafá Fernandez. No centro, o editor
José Xavier Cortez
Lucélia, a Dona Patroa, e Fernanda Carvalho, esposa de Andrey do Amaral.
No centro, o professor e jornalista João Batista Torres. À direita, o escritor
Mustafa Yazbek e a editora Myriam Chinalli


Com o professor e escritor Marciano Vasques

Ao centro, o Antônio Amaury Correa de Araújo, o Dr. Cangaço

Luiz Wilson, a voz do Nordeste no rádio paulista
Wanderson Nicoló, da Editora Luzeiro
Cícero Pedro de Assis (ao centro) e Neusa Borges (à esquerda

Joana Neiva, presença certa nas atividades que envolvem a poesia popular
Gregório Nicoló, o Comendador
Autografando o exemplar do professor Zé Maurício
 Francisco Degani e Pedro Monteiro
 
Os autores e Rosa Zuccherato, diretora da Nova Alexandria
Autografando o exemplar de Dom Ramon
O produtor cultural Antonio Clementin
Os autores e Gregório Basic, diretor do programa Provocações (TV Cultura)

terça-feira, 13 de março de 2012

Cordel de ontem e hoje



O jornal A Tarde, de Salvador, publicou, na última sexta-feira, uma matéria extensa sobre a Antologia do Cordel Brasileiro, assinada pelo jornalista Marcos Dias. A íntegra da matéria está na imagem acima. Abaixo, alguns trechos da entrevista que concedi ao jornalista, reproduzidos em parte na matéria:


Como ser baiano, do sertão, marcou sua aproximação com o cordel?
Nasci num lugar chamado Ponta da Serra, município de Riacho de Santana. Desde criança, ouvia minha avó paterna, D. Luzia, contando as histórias do nosso romanceiro de cordel. Também gostava de ouvir cantigas e acalantos, contos de encantamento e orações. Parafraseando o mestre Câmara Cascudo, eu diria que ela foi minha grande professora de folclore. Não tínhamos água encanada nem luz elétrica, mas, em compensação, o meu quintal era o mundo.

Preconceito e senso comum.
Em qualquer gênero literário, preconceitos são reproduzidos, de forma intencional ou velada. No cordel, atualmente, os poetas têm se manifestado abertamente contra preconceitos e estereótipos, especialmente no tocante ao gênero e à cor. É preciso, no entanto, tomar cuidado para não transformar o politicamente correto no “policiamento incorreto”.

O que pensa nos editais do Estado (Bahia) e MinC para cordelistas?
Na Bahia, havia um concurso nacional de literatura de cordel, de grande relevância. Hoje, não existe mais, o que é uma pena. No plano nacional, a boa surpresa foi o Prêmio mais Cultura do MinC. Uma bela iniciativa com graves equívocos no plano prático, em espacial no tangente à seleção de projetos. Um livro de minha autoria, O Conde Monte Cristo me Cordel, ad editora Nova Alexandria, foi premiado, mas nem por isso eu deixo de reconhecer os problemas, que, espero, na próxima edição, não se repitam.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Clássico do cordel apresenta analogia com história de Sansão






 
A História do Valente João Acaba-Mundo e a Serpente Negra, de Minelvino Francisco Silva, era, originalmente, um romance de 64 páginas. Quando foi relançado pela Editora Prelúdio, de São Paulo, o formato maior permitiu que a história fosse republicada em 32 páginas.
 
A história preserva vários elementos clássicos das histórias de encantamento: a força prodigiosa do herói, resultante de um fio de cabelo na perna, o que aproxima o conto original da história de Sansão; a execução de tarefas tidas como impossíveis, aproximando o herói de antecessores míticos, como Hércules e Teseu; a morte e ressurreição do herói, que remete aos antigos deuses da fertilidade e da vegetação, como Átis, Osíris e Adônis; e a proteção sobrenatural de Santo Antônio, padrinho de João Acaba-Mundo.

Não falta sequer a invocação à Divina Musa, que os romancistas do cordel herdaram de seus antecessores: os poetas épicos:

Vinde a mim, deusas poéticas
Inspirai-me de verdade;
Trazei-me a divina Musa,
Por ordem da divindade
Para contar uma história
De luta e de falsidade.

Verdade, honra e firmeza
Jesus Cristo abençoou;
Vileza, inveja e orgulho
Ele amaldiçoou;
A traição e falsidade
Foi Judas que as praticou. 
 
O conto em que se baseia este romance foi recolhido por Sílvio Romero e consta da obra Contos Populares do Brasil, publicada em 1885, com o título A Mãe Falsa ao Filho. Na Literatura de Cordel, há outra versão do conto no romance A Mãe Falsa Filho e os Dramas do Gigante Misterioso, publicada pela Tipografia Luzeiro do Norte, do Recife, dirigida por João José da Silva.

Este romance monumental, reeditado pela Luzeiro, com novo projeto gráfico em que as belíssimas ilustrações de Matheus são preservadas, é um dos títulos mais conhecidos do catálogo da editora paulistana e a obra-prima do saudoso Minelvino.
 
Nota do blog: Para comprar, vá ao site da Luzeiro, clicando aqui.

 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Lançamento: Antologia do Cordel Brasileiro


Sábado, 17 de março, todos estão convidados para o lançamento do livro Antologia do Cordel Brasileiro (Global Editora). O evento, que contará com um sarau, ocorrerá na  Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, 915. Além de mim, autor-organizador, o livro será autografado por Pedro Monteiro, autor de João Grilo, um presepeiro no palácio, romance picaresco que integra  a antologia. 
Abaixo, o release assinado pelo jornalista Guilherme Loureiro:


ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO

Organização de Marco Haurélio

Um passeio pelo que de melhor foi – e é – feito por grandes
cordelistas brasileiros é o que se oferece neste livro        


A Global Editora, mantendo seu firme propósito de publicar temas ligados à brasilidade, leva a literatura de cordel mais uma vez às livrarias. Sob a organização do poeta, cordelista e pesquisador da cultura popular brasileira Marco Haurélio, Antologia do cordel brasileiro chega ao catálogo da editora.
          Para os envolvidos e estudiosos do assunto, são notórias a dúvida e as discussões acerca da origem do cordel. De onde veio? Como surgiu? Quando foi seu início? O que se sabe com segurança é que a literatura de cordel é uma arte cada vez mais presente e manifestada nas feiras e praças não só do Nordeste como também em outras regiões do Brasil.
          Marco Haurélio coligiu os textos desta antologia de maneira que o resultado mostrasse ao leitor quanto está apurada a literatura de cordel no Brasil. Os textos que compõem a coletânea são assinados por cordelistas de diferentes gerações. A obra é totalmente ilustrada com xilogravuras de Erivaldo, um dos nomes mais representativos dessa arte e o responsável por mais de uma centena de ilustrações em livros e folhetos de cordel.
          Como não poderia deixar de ser, Leandro Gomes de Barros, considerado por muitos o pioneiro deste gênero, abre o livro com o cordel “O soldado jogador”. Também estão presentes na Antologia do cordel brasileiro histórias de José Pacheco, Manoel D’Almeida Filho, Antônio Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda e Manoel Pereira Sobrinho. A força da atual geração de cordelistas é verificada nos textos de Pedro Monteiro,  Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo da Silva e Klévisson Viana, entre outros.
Nesta obra, o leitor terá acesso a um conjunto variado de cordéis, desde aqueles inspirados no conto maravilhoso, ou conto de fadas, como outros em que predominam mitos da Grécia Antiga e até alguns que deitam raízes nas histórias de animais.
Marco Haurélio chama a atenção do leitor para a importância desta antologia por ser a primeira a apresentar autores de todas as gerações do cordel no Brasil: “Os poetas contemporâneos, em especial, quase sempre são deixados de lado pelos estudiosos, que se embaraçam na busca pelas origens do cordel, ou se perdem no labirinto de obviedades dos que confundem este gênero com a poesia matuta ou com o canto improvisado dos repentistas”.
Diferente do que muitos pensam, a literatura de cordel está cada vez mais viva e, nos últimos anos, tem ultrapassado a fronteira dos folhetos e dos livros. Prova disso é a sua presença marcante em diferentes manifestações artísticas. Em 2011, a telenovela Cordel Encantado, veiculada pela Rede Globo, obteve índices consideráveis de audiência. Neste ano de 2012, no Carnaval do Rio de Janeiro, a tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, representada pelas cores vermelho e branco, levará à Marquês de Sapucaí o tema “Cordel Branco e Encarnado”.
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Sobre o organizador: Marco Haurélio, poeta popular baiano, professor, folclorista e editor, é um dos nomes de maior destaque na literatura de cordel da atualidade. Ministra oficinas e palestras sobre cordel e cultura popular em todo o Brasil. É autor de vários livros para adultos e crianças. Pela Global Editora, publicou Meus romances de cordel, uma coletânea de suas melhores composições.

Título:                    ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO
Organização:          MARCO HAURÉLIO
Editor:                   Gustavo Henrique Tuna
Páginas:                 256
Preço:                    R$ 37,00                                                                                  
Público-alvo:          Público em geral, sobretudo estudiosos e pesquisadores da cultura popular
   


Guilherme Loureiro
Assessor de Imprensa
Global Editora / Editora Gaia / Gaudi Editorial
Rua Pirapitingui, 111 – Liberdade
01508-020 – São Paulo – SP
Tels.: 11-3382-5802 ou 11 3277-7999 ramal 209


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

De volta à Casa dos Cordéis




MARCO HAURÉLIO

palestra:

Os novos horizontes da poesia de cordel
em 11/03 (dom) 11h

Cursou Letras na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus VI - Caetité. Coordena, atualmente, pela editora Nova Alexandria, a Coleção Clássicos em Cordel, pela qual lançou A Megera Domada (versão da peça clássica de William Shakespeare).[1] Para a mesma coleção adaptou O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, uma das obras ganhadoras do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010, do Ministério da Cultura, na categoria Produção (livros e CDs). Com vários livros e folhetos de cordel editados, profere palestras e ministra oficinas sobre a Literatura de Cordel e o Folclore Brasileiro. É um dos fundadores do grupo Caravana do Cordel, presença marcante na cena cultural paulistana. Representou o Brasil, ao lado de Antônio Barreto e Edilene Matos, no Encontro Internacional de Poetas, ocorrido em Assunción, Paraguai, em 2010. Vários de seus livros foram selecionados por programas de governo, como o PNBE, do governo federal, Apoio ao Saber, do Estado de São Paulo, Minha Biblioteca da prefeitura paulistana, Leitura para a Cidadania (Paulus Editora) e para composição do acervo da Biblioteca Nacional.



Como chegar?


A Casa dos cordeis fica na Av. Torres Tibagy, 90 - Gopouva - Guarulhos - SP.
clique para ampliarComo chegar:

Para quem vem de Guarulhos deve se dirigir ao cruzamento da Av. Emilio Ribas com a Av. Humberto de Alencar Castelo Branco.

Para quem vem de São Paulo vindo pela Via Dutra, quando chegar ao Shopping Internacional, deve entrar na Av. Guarulhos (sentido Guarulhos), para em seguida acessar a Av. Humberto de Alencar Castelo Branco (sentido Vila Galvão), e seguir até o cruzamento com a Av. Emilio Ribas.

Referências:  1 - Está a 50m do cruzamento da Av. Emilio Ribas com a Av. Humberto de Alencar Castelo Branco. 2 - Está a 60m do SAAE de Gopouva. 3 - É vizinho do LIQUIGÁS de Gopouva.




Expediente: De Segunda a sexta-feira: das 13:00h às 19:00h. Aos sábados: das 10:00h às 18:00h

Informações: Tel: 11 9780.0958 e_mail: casadoscordeis@gmail.com

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Lançamento: O Preço da Liberdade, de Rouxinol do Rinaré



Recebi, há alguns dias, exemplares do livro O Preço da Liberdade, escrito por Rouxinol do Rinaré, ilustrado por Kazane e editado pelo IMEPH, de Fortaleza. Um primor em termos gráficos e editoriais, o livro foi assim apresentado por mim:


O PREÇO DA LIBERDADE - de Rouxinol do Rinaré


A publicação de O preço da liberdade, originalmente lançado em folheto com o título A história dum filho errante e as preces de uma mãe, faz justiça a um dos maiores valores do cordel contemporâneo, Rouxinol do Rinaré. A história de queda e redenção narrada por Rouxinol e dirigida ao público juvenil alerta sobre o perigo que ronda aqueles que, em busca da liberdade, acabam se submetendo ao vício e à degradação.
Alberto Felício, o protagonista, é um jovem que vive num lar modesto, mas sem preocupações, sob a proteção de pais amorosos. De uma hora para outra, sem entender os valores dos pais, Alberto sucumbe ao alcoolismo e, tomado por estranho impulso, decide abandonar o lar em direção ao estrangeiro. Lá, gasta o que resta de suas economias de forma dissoluta e termina na mendicância. Um sonho premonitório, no entanto, o faz repensar a maneira como vivera até então.
O drama de Alberto parece ter como ancestral a lenda de Roberto do Diabo, personagem do folclore europeu que forneceu matéria para um romance de cordel atribuído a Leandro Gomes de Barros. Há, porém, uma sutil diferença: na tenebrosa lenda Roberto concebido a partir de um pedido blasfemo de sua mãe, comete todos os excessos possíveis, como pilhagens, roubos e assassinatos sem conta. Alberto, por outro lado, mesmo imaginando fazer mal apenas a si mesmo, acaba com a tranquilidade dos pais. Unem os dois personagens, no entanto, a busca de redenção e a purificação por meio da fé. Há, ainda, uma notável similaridade com a parábola do filho pródigo, uma das mais belas do Evangelho de São Lucas.
O preço da liberdade é, por tudo o que foi exposto, um romance de exemplo, sem se pretender moralizante. E um dos melhores textos de Antônio Carlos da Silva, que, sob o nome de guerra Rouxinol do Rinaré, escreve mais um belo capítulo na história da literatura de cordel.

Marco Haurélio
Cordelista e pesquisador da
Cultura Popular Brasileira