terça-feira, 28 de agosto de 2012

O fantasma que pede boleia

A Moça que Dançou Depois de Morta, folheto de J. Borges.


O Cordel Atemporal, orgulhosamente, publica um texto, enviado via Facebook, pelo pesquisador português e grande amigo José Joaquim Dias Marques, do Centro de Estudos Ataíde Oliveira, da Universidade do Algarve, Faro, Portugal:



Em lembrança da tua dupla atividade de grande coletor de literatura oral e de excelente cordelista [os interessados podem ver a tua página no FB], aqui te deixo uma versão duma CANTIGA NARRATIVA que recolhi da TRADIÇÃO ORAL, embora provenha de um folheto de CORDEL que, de tão famoso, acabou por entrar na oralidade.O curioso é que esse folheto é a versificação (feita por algum autor tradicionalista, talvez um dos cegos cantores que, de terra em terra, cantando e vendendo folhetos, percorriam Portugal, até à década de 70 do séc. XX) duma LENDA, em prosa, que existiu e continua a existir na tradição oral portuguesa e... na de meio mundo. Trata-se da famosíssima lenda conhecida em inglês com o título de _The Vanishing Hitchhiker_, a que se poderia chamar em português _O Fantasma que Pede Boleia/Carona_ 


A expansão desta lenda em todos os continentes mostra que ela é bem antiga, e, de facto, existe até uma sua versão, sueca, registada num manuscrito de 1602. E, tal como não é exclusiva (bem longe disso!!) da tradição portuguesa, também a sua transformação em canção não se fez só em Portugal. Aliás, no meu FB postei, em 10/7, uma canção "pop" norte-americana que consiste, também ela, na versificação de um texto desta lenda.

Aqui fica, pois, a versão da cantiga narrativa portuguesa, que recolhi a 22/1/2004 (e depois, novamente, a 8/7 do mesmo ano) de Filipa Faísca de Sousa, de 69 anos, da aldeia do Borno, freguesia de Querença, concelho de Loulé, distrito de Faro.

É mesmo para admirar
o que no Porto se passou:
uma morta a bailar
com o seu par a dançar
toda a noite ela dançou.

No baile até de madrugada,
aquela rapariga ali dançou,
de mãos e cara gelada,
quase sempre muito calada,
até que o baile terminou.

— São horas de me retirar,
a hora vai-se chegando.
(dizia para o seu par)
Não me posso demorar,
por mim estão esperando.

Saíram juntos para fora,
e um fresco vinha do rio.
— Sendo tarde, a esta hora,
levo a menina aonde mora,
neste caminho sombrio.

Que fresquinho, meu amor,
nos está a acompanhar.
— Não tem frio o senhor?
Pois eu não tenho calor,
tenho o corpo a arrepiar.

— Se a gabardine quer vestir,
empresto-a com todo o gosto.
— Obrigadinha — a sorrir.
Sem desconfiar, sem sentir
quem seria aquele rosto.

Logo que à porta chegava,
do rapaz se despedia,
e ela lhe perguntava
se a gabardine deixava,
para ir buscar no outro dia.

E assim se sucedeu.
Voltando no outro dia,
logo que à porta bateu,
uma mulher apareceu,
perguntando o que queria.

— Ontem à noite acompanhei
uma rapariga até aqui,
com quem no baile dancei,
e uma gabardine emprestei,
que ao pedido cedi.

— Na porta está enganado.
E disse-lhe o nome seu.
— O senhor está equivocado:
há tanto tempo passado
que essa rapariga morreu.

E o retrato lhe mostrou
da filha que lhe morreu.
E ele então confirmou
que era aquela com quem dançou,
era mesmo o retrato seu.

Foi ao cemitério e viu
a gabardine estendida.
Puxou-a, mas não saiu,
e umas mãos frias sentiu
daquela alma perdida.

Tenda de Cordel da Mostra Chapéu de Palha é destaque em São Paulo



Nos dias 25 e 26, a Literatura de Cordel teve como palco o Vale do Anhangabaú, como parte do evento que homenageou o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, no ano de seu centenário.

No palco principal, artistas como Dominguinhos e Elba Ramalho, relembraram os maiores sucessos do grande porta-voz do Nordeste.

Pela Tenda de Cordel passaram cordelistas, repentistas e músicos, sob a batuta dos produtores Sergio Silva e Telma Queiroz.

O sucesso da iniciativa pode ser conferido nas imagens abaixo:

Cacá Lopes, cantor, cordelista e folheteiro.
Com Costa Senna e o grande aboiador Zé de Zilda.
Fatel Barbosa, cheia de ginga e de graça.
Com Gregório Nicoló e Darlan Ferreira.
João Gomes de Sá em sua lida de menestrel.
Cleusa Santo botando banca.
Aldy Carvlho e seu "Preguiçoso".
Frei Varneci, João e Cacá Lopes.
Clô Peroni, Telma e Erick Silva.
Com Eufra Modesto, contador de causos.
Sapiranga da Bahia fotografado por Mazé "Gomes de Sá" Freitas.
Mazé, agora atuando como folheteira.
Genival Lacerda, Darlan, Fuba de Taperoá, Téo Azevedo e eu.
Fernanda Ortega, Socorro Lira e Pedro "Chicó" Monteiro.
Darlan com mestre Dominguinhos.
Moreira de Acopiara relembra o sertão que o viu nascer.
Vejam em que se inspiraram os idealizadores do palco Lua.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Clássico romance de cavalaria ganha versão luxuosa em cordel


A Literatura de Cordel, da forma como a conhecemos, nasceu no Nordeste, no final do século XIX. Basicamente obra de dois poetas nascidos no sertão paraibano, Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e Silvino Pirauá de Lima (1848-1913), o cordel tornou-se a leitura favorita, se não a única, de um grande número de leitores.

Estabelecidos no Recife, Leandro e Pirauá difundiram a poesia por todo o Nordeste, atingindo, ainda, outras regiões, como a Amazônia.  

Muitos foram os temas abordados pelo romanceiro nordestino: dos contos de encantamento às histórias de luta, passando pela epopeia do cangaço. Um tema não tão explorado, mas igualmente emblemático, é o romance de cavalaria. Até nisso há o pioneirismo de Leandro Gomes de Barros, que levou para o sertão a gesta de Carlos Magno, refundida em duas narrativas clássicas: A batalha de Oliveiros com Ferrabrás e A prisão de Oliveiros. A fonte remota dos dois cordéis é uma canção de gesta francesa do século XII, chamada de Fierabras. Com o tempo, o enredo original dessa composição medieval foi alterado sensivelmente, até transformar-se na História do imperador Carlos Magno e dos doze pares de França (também conhecida como Livro de Carlos Magno), tradução portuguesa feita por Jerônimo Moreira de Carvalho, em 1728, de um velho romance espanhol.

Romances de cavalaria, como o célebre Amadis de Gaula e Palmeirim de Inglaterra, ainda não haviam sido adaptados para o cordel brasileiro. O motivo? Foram escritos muito tempo depois de Ferrabrás, personagem que acabou sendo abraçado pela cultura popular e se tornou figura presente nas famosas cavalhadas ao lado de outras figuras lendárias, como o antagonista Oliveiros e o grande paladino dos franceses, o príncipe Roldão.

A novela Palmeirim de Inglaterra, de autoria do fidalgo português Francisco de Morais (c.1500-1572), igualmente célebre, foi lida e amada pelo povo, a ponto de Cervantes livrá-la do fogo que consumiu muitos outros romances, em cena célebre de Dom Quixote.

Foi a obra clássica de Francisco de Morais que José Santos e eu ousamos transpor para o cordel, com o auxílio luxuoso das ilustrações de Jô Oliveira. Aqui figuram personagens importantes, como Floriano do Deserto, Flérida, Dom Duardos, Miraguarda e o gigante Almourol e o próprio Palmeirim, chamados da Idade Média lendária e revividos em forma de cordel.

Sem dúvida, uma aventura.

Trechos do livro:

Os cavaleiros andantes
Contra o mal moviam guerra,
Por isso são conhecidos
Nos quatro cantos da Terra,
Como aquele a quem chamavam
De Palmeirim de Inglaterra.

Palmeirim era um guerreiro
Que nunca enjeitou contenda,
Mediu forças com gigantes
E seres de face horrenda,
Por isso acabou entrando
Para os domínios da lenda.

Com sua possante espada
E uma brilhante armadura,
Cheio de brio e coragem,
Companheiro da aventura,
Tinha no seu coração
Lugar também pra ternura.

Só que essa história precisa
Ser contada do começo,
Falando dos personagens,
Sem cometer tropeço.
Qualquer descuido que seja
Vira o cordel pelo avesso.

Seu pai era Dom Duardos,
Herdeiro do trono inglês,
Genro de outro Palmeirim,
Que também, por sua vez,
Gravou seu nome na história
Pelas proezas que fez.

Filho do bom rei Fradique,
Senhor da coroa inglesa,
Dom Duardos se casou
Com Flérida, uma princesa,
Que era rival de Afrodite
Quando se fala em beleza!

(...)

Aventuras como essas
Não veremos nunca mais,
Por qualquer ponto que seja
Das terras ocidentais.
Aplaudamos seu autor:
O Francisco de Morais.

Ao romance original
Este relato é fiel.
Marco Haurélio e José Santos,
Com louros de menestrel,
São agora Cavaleiros
Da Grã-Ordem do Cordel.

(...)


Dados da obra:
Cód FTD: 13406300
Disciplina: Literatura
Nível: Ensino Fundamental
A partir de: 5ª série / 6º ano
Recomendado: Público Juvenil
Temas abordados: Romance de cavalaria / Cavaleiros andantes / Histórias de lutas / Histórias de amores
Temas transversais: Ética / Meio ambiente / Pluralidade cultural
Gênero Literário: Cordel
ISBN: 9788532282781
Formato: 20,0 cm largura X 27,0 cm altura Páginas: 72

Para mais detalhes, vá ao sítio da FTD.

Marco Haurélio, José Santos e Jô Oliveira na Bienal do Livro  de São Paulo

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Palestra na Cortez: O Abraço da Tradição



Amigos, dia 23/08 – quinta-feira, estarei na Livraria Cortez, onde ministrarei a palestra “O abraço da tradição: cultura popular e cordel”.

Horário: 18 às 20 horas

Taxa de Inscrição: Gratuito 

Público-alvo: Público em geral

Sinopse: Atividade que visa apresentar a ponte entre o oral e o escrito, que desemboca neste grande oceano chamado Cultura. 

P.s.: a foto abaixo é de Margarete Barbosa, e foi tirada na abertura do Cordel da Cortez, dia 18.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Cordel da Cortez homenageia Luiz Gonzaga



No aniversário de 10 anos do projeto Cordel da Cortez, a Livraria Cortez (Rua Bartira 317 – Perdizes. São Paulo Tel.: 11 38737111) presta uma homenagem a Luiz Gonzaga. Entre os dias 18 e 25 de agosto estão programados eventos e oficinas gratuitas para públicos de todas as idades. A iniciativa conta com o apoio institucional do ILGB - Instituto Leandro Gomes de Barros, entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo promover a literatura de cordel, por meio de projetos de pesquisa, programas editoriais de folhetos, livros, revistas e jornais.

Confira alguns destaques da programação

Dia 18/08 – Sábado
Horário: 18 às 20 horas – Entrada Franca
Atividade: Sarau lítero-musical com sessão de autógrafos de diversos livros sobre o tema, lançados nos últimos meses.
Coordenação: ILGB – Instituto Leandro Gomes de Barros. Fundado recentemente, o ILGB foi idealizado e constituído a partir da ampla e profícua atuação cultural de poetas, escritores, editores, pesquisadores, educadores e divulgadores da literatura de cordel, realizando os mais diferentes projetos literários.
Sinopse: Apresentação de vários poetas e artistas engajados neste movimento. Entre eles: Assis Ângelo, Costa Senna, Erivaldo, Goimar Dantas, João Gomes de Sá, Varneci Nascimento, Marco Haurélio, Pedro Monteiro, Cacá Lopes, Moreira de Acopiara, Aldy carvalho, Pedro Monteiro, Sebastião Marinho, Andorinha, Luiz Wilson, Nando Poeta, Marcos Linhares, Wadeck de Guaranhuns, Nireuda Longobardi, Maíra Soares, Arievaldo Viana, Francorli, entre outros.

Lançamentos e sessão de autógrafos no Sarau
Título: Cordéis que educam e transformam
Autor: Costa Senna – Ilustrações: Erivaldo
Editora: Global
Título: Rei do Baião, O – Do Nordeste para o mundo
Autor: Arievaldo Viana – Ilustrações: Jô Oliveira
Editora: Planeta Jovem

Dias 20/08 – segunda-feira
Atividade: Vida e Obra de Luiz Gonzaga por Assis Ângelo
Horário: 19 às 20 hs
Coordenação: Assis Ângelo
Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)
Público Alvo: Público em geral
Sinopse: Bate-papo sobre a Vida e Obra de Luiz Gonzaga em comemoração ao seu centenário. Nesta atividade, Assis discorrerá sobre a obra e a importância de Luiz Gonzaga para a nossa cultura.
Sobre o Autor: Assis Ângelo é paraibano, jornalista, pesquisador e estudioso da cultura popular brasileira. Possui um dos maiores acervos de música popular do Brasil. Entre os vários títulos publicados, destacamos o “Dicionário Gonzagueano de A a Z”, uma verdadeira enciclopédia do maior sanfoneiro do país.

 Dias 21/08 – terça-feira
Atividade: Oficina “CORDEL – Aprenda a fazer, fazendo”.
Horário: 18 às 19 horas
Coordenação: Moreira de Acopiara
Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)
Público Alvo: Público em geral
Sinopse: O universo que permeia a poesia popular é muito vasto e têm inúmeras possibilidades de aplicação. O cordel e o repente refletem a vida de um povo, do povo nordestino, do retirante, do migrante, do homem que vive ligado a terra, mesmo que, por força das consequências da vida, hoje vive afastado dela. Nesta oficina, o público participante terá noção de MÉTRICA, RIMA E ORAÇÃO, que é o tema abordado neste tipo de literatura.
Sobre o autor: Moreira de Acopiara é como Manoel Moreira Júnior assina seus trabalhos. Nasceu em Acopiara, sertão central do Ceará, em 1961, e escreveu seus primeiros versos aos treze anos, influenciado pelos mestres da literatura de cordel e pelos cantadores repentistas. Publicou mais de cem cordéis e vários livros. Gravou dois CDs e desde 2004 faz parte da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC).
Após a oficina, promoveremos um sarau poético com a presença dos “novos autores”.

Atividade: Oficina de Xilogravura
Horário: 18 às 19:30 horas
Coordenação: Mestre Jerônimo Soares
Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)
Público Alvo: Público em geral
Sinopse: Único xilógrafo que costura madeira, técnica desenvolvida por ele mesmo. Nesta atividade, esse artista paraibano, que tem em seu currículo, participação em encontros internacionais, além de uma citação de Jorge Amado, estará expondo ferramentas próprias que ele mesmo produz para a arte de esculpir a madeira.

Atividade: Mesa Redonda sobre a presença da xilogravura na literatura
Horário: 19:30 às 21 horas
Apresentação: Audálio Dantas, Nireuda e Jerônimo Soares
Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)
Público Alvo: Público em geral
Sinopse: Um bate-papo sobre a xilogravura e a sua influência na cultura popular brasileira

Dia 23/08 – quinta-feira
Atividade: Palestra “O abraço da tradição: cultura popular e cordel”
Horário: 18 às 20 horas
Coordenação: Marco Haurélio
Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)
Público Alvo: Público em geral
Sinopse: Atividade que visa apresentar a ponte entre o oral e o escrito, que desemboca neste grande oceano chamado Cultura.
Sobre o palestrante: Com vários livros e folhetos de cordel editados, profere palestras e ministra oficinas sobre a Literatura de Cordel e o Folclore Brasileiro. É um dos fundadores do ILGB – Instituto Leandro Gomes de Barros. Organizou, com Arievaldo Viana, a caixa 12 Contos de Cascudo em Cordel (Editora Queima-Bucha – RN), projeto que reúne adaptações de estórias recolhidas pelo saudoso folclorista potiguar, além de artigos e ensaios enfocando vários temas, com destaque para a cultura popular brasileira.

Dias 24/08 – sexta-feira
Atividade: Sarau líteromusical “Luiz Gonzaga na música e no cordel”
Horário: 19:30 às 20:30 horas
Coordenação: Cacá Lopes
Evento Gratuito
Público Alvo: Público em geral
Sinopse: Resultado de quase uma década gerando as quase 400 estrofes escritas em seis versos. Desde o nascimento na fazenda Caiçara, município de Exu, no sertão de Pernambuco, até a morte no Recife, passando pelas influências de dezenas de artistas brasileiros e homenagens póstumas, a impressionante trajetória do Rei do Baião ganha seu mais completo registro em cordel, Cacá Lopes cantará em verso e prosa Luiz Gonzaga.
Na ocasião, Cacá Lopes, lança o seu novo livro “Vida e Obra de Gonzagão – O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga” editado pela editora Ensinamento.
Sobre o Autor: José Edivaldo Lopes, em arte Cacá Lopes é autor do “Projeto Cultural Cordel nas Escolas”, que é apresentados nas instituições Estaduais e Municipais de São Paulo e tem como objetivo reconhecer a importância do Cordel enquanto patrimônio histórico e cultural do nosso povo e estimular a leitura folhetos de cordel e de livros adaptados na linguagem cordeliana junto a alunos, professores e a comunidade escolar.

Dias 25/08 – sábado
Encerramento do VIII Cordel da Cortez – Cultura Popular na Escola
Atividade: CONTAÇÕES NA CORTEZ ESPECIAL “Cordel da Festa no Céu”
Horário: das 11 às 11h40 horas
Apresentação: Cia Rodamoinhos
Evento Gratuito
Público Alvo: Para a criançada
Sinopse: Com o principal objetivo de estimular a leitura e a imaginação das crianças, através dos contos, despertando nelas a necessidade da preservação de valores como o respeito à amizade, o espírito de coletividade e cooperação, o Contações na Cortez — destinado a crianças a partir de 4 anos, é realizado todos os sábado na Livraria Cortez.

Atividade: Lançamento acompanhado de um SARAU POÉTICO do livro “O que é cultura popular?” de autoria do poeta Moreira do Acopiara - Cortez Editora.
Horário: 12 às 14 horas
Apresentação: Moreira de Acopiara
Evento Gratuito
Público Alvo: Público em geral
Sinopse: Em cordel o autor explica o que faz parte da cultura popular e sua importância para a preservação do folclore e da memória nacional.

Atividade: Lançamento acompanhado de um sarau poético do livro “Cores em Cordel” da prosadora e poetisa Magu – Maria Augusta de Medeiros, editado pela Editora Formato.
Horário: das 16 às 18 horas
Apresentação: Maria Augusta de Nedeiros – Magu
Sinopse: As cores são presentes infinitos oferecidos ao nosso olhar. Entretanto, é o dom da palavra que permite dar a cada cor um nome. E é o dom da palavra iluminada pela poesia que faz com que as cores ganhem alma e significado tão certeiros, que podemos enxergá-las, mesmo sem vê-las, apenas com os olhos do coração.

Evento Gratuito
Público Alvo: Público em geral

Principais livros lançados no VIII Cordel da Cortez:
Título: O que é cultura popular?
Autor: Moreira do Acopiara
Editora: Cortez Editora
Título: Cordel no Cotidiano Escolar
Autores: Helder Pinheiro e Ana Cristina Marinho
Editora: Cortez Editora
Título: Cordéis que educam e transformam
Autor: Costa Senna – Ilustrações: Erivaldo
Editora: Global
Título: Cores em Cordel
Autora: Maria Augusta de Medeiros – Magu
Editora: Formato
Título: Colcha de Retalhos - Cordel
Autor: Moreira de Acopiara – Xilogravura: Erivaldo Ferreira
Editora: Melhoramentos
Título: Vida e obra de Gonzagão - O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga
Autor: Cacá Lopes
Editora: Ensinamento
No aniversário de 10 anos do projeto Cordel da Cortez, a Livraria Cortez (Rua Bartira 317 – Perdizes. São Paulo Tel.: 11 38737111) presta uma homenagem a Luiz Gonzaga. Entre os dias 18 e 25 de agosto estão programados eventos e oficinas gratuitas para públicos de todas as idades. A iniciativa conta com o apoio institucional do ILGB - Instituto Leandro Gomes de Barros, entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo promover a literatura de cordel, por meio de projetos de pesquisa, programas editoriais de folhetos, livros, revistas e jornais.
Fonte: Publish News

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sugestão de leitura para o mês do Folclore


No mês do folclore, sugiro a leitura de O noivo defunto e outros contos de mal-assombro (Claridade), livro que reúne oito narrativas colhidas da tradição oral.

SINOPSE
Histórias de assombração são muito comuns no interior do Brasil. Este livro reúne oito contos deste gênero recolhidos por Marco Haurélio, cordelista e estudioso do folclore brasileiro. Algumas narrativas assustam, a exemplo de O noivo defunto e A mendiga; outras, apesar dos elementos sobrenaturais, são bem divertidas, como O corcunda e o zambeta. Em todas, porém, prevalece um traço marcante: a reunião de crenças de origens diversas, preservadas pela memória popular e transmitidas por incontáveis gerações.

Para comprar, clique AQUI.

Alencar nas rimas do cordel


A coleção ALENCAR NAS RIMAS DO CORDEL é composta de oito adaptações em cordel de romances do escritor cearense José de Alencar (1829-1877), selecionados entre os títulos mais relevantes de sua produção literária. Levando em conta a diversidade de temáticas, foram escolhidos três romances indianistas, três urbanos/de costumes e dois regionalistas. Oito cordelistas de reconhecimento notório no meio literário foram selecionados para assinar as versões:

Títulos da Coleção
Adaptadores
Iracema
Stélio Torquato
O Guarani
Fernando Paixão
Ubirajara
Godofredo
Lucíola
Marco Haurélio
A Viuvinha
Rouxinol do Rinaré
Senhora
Gadelha do cordel
O Sertanejo
Evaristo Geraldo
O Tronco do Ipê
Arievaldo Viana

José de Alencar é um dos escritores cearenses de maior relevância no cenário nacional. Considerado por muito analistas como o fundador de uma literatura nacional, suas obras podem ser classificadas dentro de quatro tendências: indianistas, urbanas/de costumes, regionais e históricas. Um dos primeiros a explorar temáticas brasileiras como a fauna, a flora, o elemento indígena, a obra de Alencar foi decisiva para criar uma feição nacionalista nas letras, valorizando a língua portuguesa e a cultura brasileira. A obra de José de Alencar oferece subsídios para entendimento da formação da sociedade brasileira, sobretudo em relação ao elemento indígena e suas relações com o colonizador. É importante, porém, fazer uma leitura crítica, considerado a época em que as obras foram escritas e as interpretações da historiografia atual para os contextos expostos.

O cordel teve, ao longo do tempo, estreita ligação com obras literárias em prosa. Desde o século XIX, histórias europeias e orientais vêm sendo adaptadas em verso por poetas nordestinos, constituindo-se no primeiro ciclo temático do cordel.  A adaptação de romances em cordel facilita o acesso a obras da literatura erudita, sendo extremamente oportuna sua utilização na sala de aula e em projetos de leitura. Além de atrair o leitor, por se utilizar de uma forma de expressão já conhecida e apreciada, constituem-se em um estimulo a para uma leitura posterior da obra original. Em relação ao romance brasileiro, um dos primeiros adaptados para o cordel foi Iracema, pelo poeta Alfredo Pessoa, em 1927. O livreto alcançou grande popularidade, sendo responsável por difundir a obra de Alencar em um circuito de leitores oriundos da zona rural, com pouco grau de instrução formal. Inspirado nessa experiência pioneira, esta coleção objetiva a difusão da obra do escritor, da literatura de cordel, bem como os estudos críticos relacionados aos contextos históricos e sociais.
Notas: 1. A coleção ALENCAR NAS RIMAS DO CORDEL integra o catálogo  do ARMAZÉM DA CULTURA.
2. Trecho da adaptação de Lucíola, escrita por mim especialmente para a coleção:


Quando o amor faz pousada
No coração dos amantes
Provoca grandes mudanças,
Causa dores lancinantes,
E quem ama tem certeza:
“Nada será como antes”.

A história aqui narrada,
Que relata um caso sério,
Fala de um drama pungente,
Envolvido num mistério,
Foi passado no Brasil
Inda no tempo do Império.

Foi no século XIX,
Cinquenta e cinco era o ano,
Em que Paulo Silva, um jovem
Do torrão pernambucano,
Foi ao Rio de janeiro,
Sem ter medo nem engano.

Mas vamos dar voz a Paulo,
Pois é o protagonista,
E os fatos aqui narrados,
Sob seu ponto de vista,
Serão aceitos porque
Não são invenção de artista:

Leitores, meu nome é Paulo,
Pernambucano de Olinda,
Vim ao Rio de Janeiro,
Essa cidade tão linda,
Sem imaginar que aqui
Ficaria na berlinda.

Na capital federal
Quis construir minha história.
Com um amigo de infância,
O Sá, de boa memória,
Eu fui, todo prazenteiro,
Pra ver a festa da Glória.

Ali, naquele momento,
Vi ante mim desfilar
Brancos, negros e mulatos,
Gente de todo lugar,
Desde o banqueiro ao mendigo,
Banhados pelo luar.

A lua vinha assomando
Pelas montanhas fronteiras,
Quando notei que passava,
No meio das rezadeiras,
Uma moça tão bonita
Quanto as deusas estrangeiras.

(...)