terça-feira, 13 de maio de 2014

Tarde animada na Livraria NoveSete




Sábado, 10 de maio, na Livraria NoveSete, foram lançados dois títulos, A lenda do Batatão e MatintaPereira. O primeiro, de minha autoria, como todos os livros ambientados no sertão, traz reminiscências da infância e memórias sentimentais (que não são de João Miramar). O segundo, de José Santos, é ambientado na Amazônia e traz uma história de respeito à natureza e às tradições. Ambos ilustrados pelo mestre Jô Oliveira. 


Os dois textos foram recontados de forma muito criativa por Samuel Alvarenga, o Samuca.

Obrigado a todos que partilharam esse momento conosco, numa tarde fria, mas de muito calor humano na Vila Mariana. Obrigado a todos da SESI-SP Editora, em especial a valéria Eduardo, que nos acompanhou neste evento, e a Gislane, da NoveSete, a única livraria de São Paulo dedicada exclusivamente à literatura infantojuvenil.

José Santos, Laurinda Moraes, Lucélia 
e o autor do Batatão.
No café, com Cícero Pedro de Assis, Pedro Monteiro 
e Frei Varneci Nascimento.
Conversa com Selma Maria enquanto José Santos 
autografa o exemplar de Ricardo Girotto. 
 Com Ricardo Girotto.
 Com Varneci Nascimento.
 Com João Paulo Resplandes e Cícero Pedro de Assis.
 Contação com Samuca.
 Penélope Martins, Selma Maria e Lucélia.
Com o poeta maranhense João  Paulo Resplandes.
Gilmar Santana, inspirador do personagem Jumar 
do livro MatintaPereira.
Com Marciano Vasques e Daniel D'Andrea.
D. Pedro Ivo.
Com o escritor Lalau.
No café, com Lucélia e Dalvaci Santiago.

Fotos: Lucélia, Pedro Monteiro, Elaine Nascimento e Ricardo Girotto.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Lançamento na NoveSete



A MatintaPereira e o Batatão são personagens do folclore brasileiro, que resultam da convergência de mitos primitivos com crenças herdadas de Portugal e da África. A história da MatintaPereira, de José Santos, é ambientada no Pará. Já A Lenda do Batatão, de Marco Haurélio, está ligada à cultura nordestina e à crença em almas penadas. São criações autorais que têm como pano de fundo a rica cultura popular brasileira, recontadas em cordel e ilustradas pelo mestre Jô Oliveira. As duas obras trazem o selo da SESI-SP Edtora.

A contação ficará a cargo de Samuel Alvarenga, o Samuca.

Evento 'Boca do Céu' divulga lista de selecionados para as oficinas

Foto: Thiago Calazans
Com número recorde de inscritos para as suas oficinas, o Boca do Céu - Encontro Internacional de Contadores de Histórias, evento que será realizado em São Paulo, dos dias 12 a 18 de maio, apresenta as listas de aprovados em todas as oficinas. A atividade que coordenarei no Boca do Céu, Do conto ao cordel - o abraço da oralidade, que terá como palco a Oficina Cultural Oswald de Andrade, teve os seguintes selecionados:

Alexsandra Xavier do Egito
Ana Carolina da Costa Camin Fernandes
Anna Beatriz Piccolo
Cosme da Silva Messias
Cristiane Almeida
Dayane Gonçalves Carli Franca
Dayse Oliveira Barbosa
Elaine Cunha
Francisca Régea Coelho Dos Anjos
Francisco Ferraz Barth Pereira
Gil Braz
Greice dos Santos Aguiar
Isabela Maria Mendes de Souza
Isadora Rabelo Nunes
João Batista Alves de Santana
Jonas Worcman de Matos
Julia de Oliveira  Bastos
Ligia Regina Soares Silva
Luiz Carlos Prado de Oliveira
Mariana Moreira Guimarães
Mariana Sanhudo
Myriam Portes
Nyedja Gennari
Ozeny Ramos De Souza
Paulo Inácio De Araújo Coelho
Rosilda Figueiredo Magalhaes
Ruberney Santana Cordeiro
Sheila Barillari Luck De Castro E Souza
Tatiana Cristina Vasconcelos Maia
Zenaide Campos Farias

Na página do evento, as informações sobre os próximos passos:

Próximos passos

- Confirme sua presença até o dia 5 de maio, enviando um e-mail parainscricao@bocadoceu.com.br.
Se você não puder participar dos três dias de oficina, não confirme sua presença.
- Compareça 15 minutos antes na data de início da oficina para preencher a lista de presença e esteja dentro da sala até 5 minutos antes das 9h.
- Quem não confirmar até 5 de maio perde a vaga, que automaticamente será preenchida por alguém da lista de espera.
Lista de espera
Será publicada em 7 de maio.
Certificados

As oficinas têm carga horária total de nove horas, divididas em três dias de atividade. Portanto, só receberá certificado quem participar dos três dias de oficina.
Os certificados serão enviados por e-mail, até 30 dias após a realização da oficina.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Shakespeare: um mote para o cordel

Ilustração de Klévisson Viana para A Megera Domadade Marco Haurélio.

Por Marco Haurélio

Da monumental obra de William Shakespeare, a produção para o teatro é a vertente com que de imediato nos identificamos. São 38 peças, incluindo tragédias, comédias e dramas históricos, e 150 sonetos. O poder de influência do grande bardo inglês, nascido no dia 23 de abril de 1564, ou seja, há 450 anos, em Stratford-upon-Avon, é avassalador e de sua obra há tantos derivados — para o cinema, teatro, quadrinhos, artes plásticas e a própria literatura — que seria impossível um levantamento, mesmo que inexato.

Shakespeare foi um autor eminentemente popular em seu tempo, agradando, com suas peças, todos os estratos sociais. A aura de mito que ganhou ao longo do tempo fez com que, a partir do século XVII, sua existência fosse posta em dúvida. Especulações a respeito do verdadeiro autor das obras “de Shakespeare” apontavam o filósofo Francis Bacon e o dramaturgo Christopher Marlowe. Outra teoria aponta na direção de Edward de Vere, conde de Oxford, que teria abdicado da imortalidade literária para escapar às maquinações palacianas durante o glorioso e ao mesmo tempo tumultuado reinado de Elisabeth I. Há até um filme de 2011, a produção germano-estadunidense Anomymou, dirigida por Roland Emerich, que embarca na hipótese.

Teorias — conspiratórias ou não — à parte, o fato é que a obra monumental assinada por William Shakespeare mudou para sempre a face do teatro ocidental, até então dependente do modelo clássico ou do medieval, centrado na visão católica. O diálogo que sua obra estabelece com o que hoje chamamos de cultura popular, ao ampliar temas pescados na tradição oral de países como Itália (Romeu e Julieta), Dinamarca (Hamlet), Escócia (MacBeth) ou da proto-Inglaterra (Rei Lear), iluminou a literatura, e não só a da Inglaterra, fornecendo um modelo duradouro.

Para ler o texto completo, no blog da Nova Alexandria, clique AQUI.



segunda-feira, 21 de abril de 2014

Estrela do Céu (reza)

A "Maria Hermética dos Filósofos", da História da Magia, de Eliphas Levi.

Estrela do Céu, que criou o Senhor, que afugentou a peste da morte, que plantou o primeiro pai do gênero humano, esta mesma Estrela permita agora abrandar as más estrelas, cuja guerra mata o povo com ferida de morte cruel. 

Ó piedosíssima Estrela do Mar, livrai-nos da morte e da aflição e ouvi-nos, Senhor, já que Vosso Filho nada vos nega, antes vos honra. 

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Cristo.

Oremos: Deus de Amor, Deus de Perdão, Deus de Misericórdia!

Ó Senhor nosso, vós que vos compadecestes da morte e da aflição e dissestes ao anjo que feria: “Refere a tua mão por amor daquela estrela tão preciosa”. Jesus, salvai-nos, que em tão doces peitos mamastes, contrição dos meus pecados, consolo e auxílio da Vossa Divina Graça, para que possamos ser salvos de todas as pestes, moléstias, males e perigos que improvisam a morte de condenação eterna. 

Por todos os séculos, dos séculos, amém.



Nota: a versão aqui reproduzida, lembrada por meu pai, Valdi Fernandes Farias, é a mesma que minha avó, Luzia Josefina (1910-1983), rezava em ocasiões especiais, como convém a toda a reza forte. O professor José Joaquim Dias Marques, da Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, Faro, Portugal, localizou a versão em latim, composta em quadras (esquema ABAB) neste link, à página 378. Trata-se do Vetus hymnarium ecclesiasticum Hungariae (1893), de zsef Karóly Dankó. No Youtube, é possível ouvir-se o motete de J.M. Kraus (1756-1792), que traz a mesma versão em latim da oração que corre os sertões do Brasil. 


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Duas representações de Nossa Senhora da Piedade

IMAGEM Nº 1: Frei Cipriano da Cruz, Pietà,
cerca de 1685, Coimbra, Museu Machado de Castro
Por José Joaquim Dias Marques

Um dos modos mais interessantes de representar o Cristo morto é a chamada PIETÀ (em português, Nossa Senhora da Piedade), em que a Virgem surge com o filho morto no regaço.
A mãe que chora olhando o filho morto, que já não lhe cabe no colo, como quando era criança, e, pelo contrário, agora ultrapassa de modo tragicamente anormal os limites do regaço, talvez seja o ponto por onde esta representação toca na sensibilidade humana.
As figuras divinas humanizadas (sobretudo a mãe), representadas sofrendo o mesmo que quaisquer seres humanos, possibilitam uma identificação mais fácil com a divindade, que na Pietà deixa de ser um Deus distante, intangível, e se aproxima dos homens.
Esta humanização do divino é ainda mais nítida quando se tem em conta que a Pietà não representa nenhuma cena narrada nos evangelhos, pois nestes se não refere que Cristo, depois de baixado da cruz, tenha sido colocado no colo da mãe. Trata-se, pois, duma invenção moderna, mas de grande poder sugestivo.
As mais antigas pietàs conservadas são alemãs e datam de cerca 1320-1330. Inicialmente eram uma espécie de imagens temporárias, compostas por uma imagem de Nossa Senhora sentada, em cujo regaço se deitava uma imagem de Cristo que se retirava da cruz na Sexta-feira Santa. De notar que, de facto, em várias imagens de Cristo crucificado, o Cristo é “despregável” da cruz e tem braços articulados. Era essa mesma imagem de Cristo que, depois, se retirava do regaço da Virgem e era colocada num caixão, que se passeava na chamada procissão do Enterro do Senhor.
Na Pietà da igreja de Nossa Senhora da Ascensão (VER IMAGEM Nº 2), em Salmdorf, Munique, Alemanha (de cerca de 1340), pode-se observar bem que o Cristo é articulado.
À cena representada na Pietà está ligado o pequeno poema de origem medieval “O VOS OMNES” (ver o texto abaixo), que, sem dúvida pelo dramatismo da situação que evoca, foi posto em música por compositores de variadas épocas e lugares, até hoje.
Portanto, muito havia por onde escolher (por exemplo, a famosa versão de Tomás Luis de Victoria), mas decidi-me por uma versão bem moderna, dum compositor norte-americano nascido em 1983, BLAKE R. HENSON. É cantada pelo coro da escola secundária de Coronado, em Henderson, estado do Nevada, EUA, que me parece dá muito bem conta do recado.

Diz a letra:
“O vos omnes qui transitis per viam,
attendite et videte si est dolor similis sicut dolor meus”
(=Ó vós todos que passeis pelo caminho,
reparai e vede se há dor parecida à minha dor).


José Joaquim Dias Marques é doutorado em Literatura Oral pela Universidade do Algarve, onde é professor auxiliar. Desde 1980, tem-se dedicado à recolha e estudo da literatura oral portuguesa, sobretudo do romanceiro. Sobre este género tradicional publicou numerosos artigos e a ele dedicou a sua tese de doutoramento (A Génese do Romanceiro do Algarve de Estácio da Veiga, 2002). É co-autor (com Isabel Cardigos e Paulo Correia) do Catalogue of Portuguese Folktales (2006). 

Téo Azevedo concorrerá ao Prêmio da Música Brasileira

Recebi, do amigo Cláudio Rogério Guimarães, via e-mail, a notícia abaixo, que mostra, mais uma vez, a competência e o profissionalismo do produtor Téo Azevedo.
Divulgação

Valdo & Vael indicados ao Prêmio da Música Brasileira (Música Regional)

Antônio Carlos de Souza Gomes (Valdo – 13/06/1962) e Eurípedes José de Souza Gomes (Vael – 09/08/1965), filhos do casal Eurípedes de Souza Gomes e Ana de Souza, nasceram na região de Oncinha, distrito de Bocaiuva, Norte de Minas Gerais. Com os pais e mais seis irmãos, batalharam duro no serviço roceiro. Todos eles nasceram com o dom musical herdado do pai, que foi folião de Reis.

O primeiro passo no segmento artístico aconteceu em 1982, quando os dois irmãos fizeram uma dupla sertaneja chamada “Carlinhos & Zezinho”.

Ainda em 1982, em Montes Claros-MG, a dupla participou do Festival Realejo, promovido pela Associação dos Repentistas e Poetas Populares do Norte de Minas. Na oportunidade, Téo Azevedo e o compositor Josecé Alves Santos tiveram a ideia de fazer uma coletânea só com artistas norte-mineiros. O vinil se chamava “Cantigas do Norte de Minas”, produzido por Téo para o selo Tradições Matutas, de São Paulo. A dupla “Carlinhos & Zezinho” cantou a faixa “Vaqueiro São-franciscano” e se saíram muito bem.

Em 1983, foram convidados a entrar no Terno de Folia de Reis de Alto Belo pelo mestre da época, Téo Azevedo.

Em 1984, o mais velho da dupla, Valdo, tornou-se o mestre do Terno da Folia de Reis de Alto Belo devido a seu grande conhecimento musical e religioso numa folia de Reis. A festa, que acontece anualmente no segundo fim de semana de janeiro, é a mais importante do Brasil nesse segmento. Ao criar a festa, Téo conseguiu juntar a religião católica com a cultura popular, um evento que no decorrer dos anos acabou tornando-se um encontro de todas as vertentes culturais do Brasil.

De 2013 para cá, a organização da festa está sob a batuta do mestre Valdo.

- Catálogo fonográfico da dupla Valdo & Vael:

01 – “Meu Grande Sonho” (Independente - Vinil)
02 – “Minha Decisão” (Independente - Vinil)
03 – “Forró Sertanejo” (Gravadora Pequizeiro - Cd)
04 – “Canto do Povo” (Independente - Cd)
05 – “Valdo & Vael Acústico” (Independente - Cd)
06 – “Quero Ver Alegria” (Independente - Cd)
07 – “Brasil com “S” (Allegretto - Cd)



A dupla tem uma formação de música autêntica de raiz, mas canta várias correntes da música sertaneja, devido aos muitos anos de experiência em barzinhos, boates, praças públicas, circos,programas de rádio e televisão, feiras agropecuárias e em diversas apresentações em parceria com Téo e Rodrigo Azevedo.

O recurso vocal da dupla é de impressionar. Só mesmo quem já ouviu é que sabe o real valor destas duas vozes.

Dos sete trabalhos fonográficos da dupla, cinco foram produzidos por Téo Azevedo, que foi quem descobriu e lançou a dupla em disco.

Finalmente um trabalho de música regional que se vem fazendo há muitos anos começa a gerar frutos. Primeiro com o Grammy Latino conquistado por Téo Azevedo em 2013, prêmio ao qual concorreu com dois álbuns na categoria Música de Raiz,“Salve Gonzagão – 100 Anos”, vencedor, e “Sob o Olhar Januarense”.

Agora Téo foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira 2014 com dois trabalhos: “Meu Deus, que país é esse”, Caju & Castanha, e “Brasil com “S”, com a dupla Valdo & Vael. A entrega da premiação será dia 14 de maio de 2014, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Esta premiação em nível nacional substituiu aos antigos Prêmio Sharp da Música Brasileira e Prêmio Tim.

O disco de Valdo & Vael “Brasil com “S”é um autêntico trabalho da verdadeira música caipira brasileira, com temas e melodias inteiramente dentro do gênero e com acompanhamento de acordo com o que pede a produção. Ou seja, dois violões, duas violas, um baixo, um acordeom e uma leve percussão. Com exceção das faixas“Laço de Saudade”, de Vael e Paulo Queiroga, e “Amo-te muito”, de João Chaves, o restante do repertório é de autoria de Téo Azevedo com alguns parceiros, como Capitão Furtado, Braúna, Tony Gomide, Chicão Pereira e Sidnaldo Ezarchi.

É um disco que não pode faltar na coleção de quem gosta da música genuinamente brasileira de raiz.

Contato Valdo & Vael:(38) 9817-7099. Email: valdoevael@yahoo.com.br .
Gravadora Allegretto: (11) 3313-2040. Email: allegretto@allegretto.art.br.
Produtor: Téo Azevedo (38) 9999-9109 / (11) 99900-8141.


Téo Azevedo tem 70 anos de idade, 50 de produção. Tem mais de 3000 mil trabalhos produzidos e cerca de 2500 músicas gravadas, das quais mais da metade se perdeu no tempo. Possui em torno de 700 músicas cadastradas no ECAD. Téo já escreveu mais ou menos 1000 histórias da literatura de cordel. Tem por volta de 30 trabalhos como intérprete, 10 livros sobre cultura popular, é cantador, violeiro, poeta, repentista e contador de causos.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Cordel na rede agora no Blog da Nova Alexandria



Em 2007, colaborei com a extinta revista eletrônica Music News, por meio da coluna Cordel na Rede. Depois, criei um blog com este nome, mas parei de atualizá-lo para me dedicar mais a este espaço, o Cordel Atemporal. Pois bem, agora retomei o projeto Cordel na Rede, desta vez em uma coluna semanal, no Blog da Nova Alexandria. A primeira postagem, abaixo reproduzida, vem em ritmo de martelo agalopado:


CHEGANÇA

Peço agora aos leitores do cordel
Um minuto somente de atenção,
Porque nossa poesia do sertão
Já cruzou as barreiras do papel.
Hoje em dia o moderno menestrel
Na Internet também está ligado,
Com o mundo ele está conectado
Pra compor uma nova rapsódia.
Que tem drama, comédia e tem paródia
Nos dez pés de martelo agalopado.

Para ler o texto na íntegra, clique AQUI.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tarde antológica para um livro mitológico




Hoje, na Livraria Cortez, em grande estilo, foi lançado o livro Os 12 Trabalhos de Hércules, em parceria com o ilustrador Luciano Tasso. O livro é um divisor de águas em minha carreira, e o evento, de certa forma, ajudou a reafirmar o rito de passagem feito ano passado. O lançamento coincide com a celebração dos 10 anos de publicação de LIJ pela Cortez, e marca a minha estreia nesta importante casa editorial.

Um grande e eclético público abrilhantou o evento. O grupo Teatro de Gaia, com Alexandre Acquiste e Sabrina Carvalho, que fez a edição do Contações na Cortez com o nosso livro, foi impagável. Agradeço a todos que compartilharam esse momento. À Livraria Cortez, a primeira a divulgar e comercializar o cordel em São Paulo, e ao editor Amir Piedade, que deu o "imprimatur" para a nossa incursão pelo terreno da mitologia, a minha sincera gratidão!

Evoé!


Com o grande brasileiro Audálio Dantas.
Élia Azevedo e Oswaldo Maulicino.
Luciano Tasso, Moreira de Acopiara e Flavião "Wolverine".
Luciano Tasso, Sérgio Maciel e Dulce Seabra.
Com Margarete, Ivanilson e Luciano Tasso.
Com Claudionor Teles e Luciano Tasso.
Público assiste atento à apresentação dos atores
Alexandre Acquiste e Sabrina carvalho.
Entres os presentes, o mestre Ditinho da Congada
e a ativista cultural Neusa Borges (dir.) .
Com Nireuda Longobardi e Luciano Tasso.
Luciano autografa o exemplar do casal Monalisa e Evelson
e da pequena Ana Laura.
Mestre Aldy Carvalho observa o seu exemplar momentaneamente
 em poder de Luciano Tasso.
Apresentação do grupo Teatro de Gaia
sob o olhar do grande Maurício Negro.
Minha querida amiga Margarete Barbosa.
Luciano Tasso, sua esposa Clarice Chieppe e Luiz Carlos.
A escritora e blogueira Juliana Gobbe.
Reencontro com a amiga dos livros Andrea Régis.
Com a amiga escritora e roteirista Edmara Barbosa.
Luciano, encarnando o Hades,  e o pequeno grande Matheus.
Com Miguel Barros (e Homer Simpson).
Com a pequena Luisa, filha de Valéria Cordero.
Autografando o exemplar de Cícero Pedro de Assis.
O anfitrião Ednilson Xavier dá o alerta geral para o início da contação.
Com o campeão João Gomes de Sá.
Maria José Freitas, a Zeza do Campeão.
Ibys Maceioh, Luiz Carlos Bahia, João Gomes de Sá e Pedro Monteiro.
Minha ex-professora de Inglês na UNEB, Eliana Carvalho,
em fase final de doutoramento na PUC, prestigiou o nosso lançamento.
Marciano Vasques.
O editor Renato Coelho, do blog Passarinho.
Aldy das Barrancas.
Com o amigo Salvador Soares.
Ladeado por Telma Monteiro, mãe do ator Eriberto Leão,
e por seu companheiro Celso.

Com a escritora Goimar Dantas.











domingo, 6 de abril de 2014

Cordelistas homenageiam José Wilker


A inesperada morte do ator José Wilker, aos 66 anos, gerou comoção nacional e não passou em branco no universo do cordel. Fazendo as vezes de jornalistas, como seus colegas do passado, mas usando a Internet como meio de divulgação, os poetas populares relembraram a vida e a obra do celebrado ator cearense. Do conterrâneo Klévisson Viana são os versos abaixo:

Nossa vida aqui na terra
Parece com a lamparina
Tem um pavio que é igual
A sua jornada ou sina
Mas o querosene dela
Ninguém sabe onde termina.

Também pode ser um filme
De longa ou média metragem
O roteiro é um mistério
Fotografia e montagem
Ou mais simples como um curta
Se for bem breve a viagem.

Eu estava de passagem
Na cidade de Natal
Onde fui apresentar
Para o público um recital
Quando alguém falou Zé Wilker
Partiu para o plano astral.

Nesse momento eu parei
Sem querer acreditar
Solicitei para um moço
Para melhor me informar
Ele ligando a TV
Pude logo confirmar.

Foi Zé Wilker apaixonado
Pela a arte que fazia
Amou diversas mulheres
Fez da vida uma poesia
Mas sua paixão mais forte
Foi sempre a dramaturgia.

O filho de Juazeiro
Que tanto nos orgulhou
Não vive mais nesse plano
Partiu mas aqui deixou
A sua arte que é viva
No público que cativou.

Padre Cícero era do Crato
Mas fundou o Juazeiro
José Wilker nasceu lá
E mostrou pra o mundo inteiro
Que Juazeiro não tem
Só penitente e romeiro.

Jô Soares falou dele
Bastante emocionado
O grande Lima Duarte
Também deu o seu recado
De respeito pelo astro
Sua arte e seu legado.

Partiu enquanto dormia
Aos 66 de idade
Para amigos e colegas
Seguiu deixando saudade
E a sua família chora
A triste realidade.

Ceará está de luto
Sofre o Brasil por inteiro
Com a partida tão súbita
Que não tava no roteiro
Do nosso ator José Wilker
O filho de Juazeiro.

(...)


O poeta potiguar Marciano Medeiros registrou a notícia no cordel O nobre ator José Wilker partiu deixando saudade:


O nobre ator José Wilker 
Partiu deixando saudade,
Foi ter encontro com Deus
No plano da eternidade,
Deixando muitas lembranças
Que são flores de esperanças,
Para toda mocidade.

Era muito inteligente
Por filmes tinha paixão,
Interpretou Juscelino
Com bastante exatidão,
Divulgando sua imagem
Deixou bonita mensagem,
Cativando a multidão.

No cinema interpretou
O Antônio Conselheiro,
Mas antes deu vez e voz
Ao bravo Roque Santeiro
Que com viúva Porcina
Viveu paixão peregrina,
Mostrada no estrangeiro.

Menciono aqui chorando
Este sublime papel,
Do personagem marcante
Juntamente ao coronel,
Fizeram audiência alta
Roque e Sinhôzinho Malta,
Numa batalha cruel.

Eu assistia feliz
Essa novela marcante,
Numa TV preto e branco
Tinha frequencia constante,
Cada capítulo esperava:
O outro quando chegava,
Era muito interessante.

Seu sorriso inconfundível
Deixa lembrança singela,
Fazendo nossa memória
Pintar bonita aquarela,
Pois o tempo não destrói
Nem o coração corrói,
Seu brilhantismo na tela.

Natural do Juazeiro
Hoje sua terra chora,
Lembrando do garotinho
Que ali viveu outrora,
Sonhando timidamente;
E depois de adolescente:
A sua vida melhora.

Nosso povo brasileiro
Lamenta profundamente,
Pois com sessenta e seis anos
O grande ator deixa a gente
Por causa do coração,
Fonte de muita emoção
Deixou a vida inclemente.


O baiano radicado Brasília Gustavo Dourado também deixou sua contribuição:

José Wilker foi embora:
Um ator "felomenal"...
Teve grande Amor à Vida:
Um personagem central...
Destaque na televisão:
Quintessência teatral...

Nasceu em Juazeiro do Norte:
Cearense, nordestino...
Em 1946:
Começou o seu destino...
Foi locutor de rádio:
Um intérprete cristalino...

Do Ceará foi-se jovem:
Para o Rio de Janeiro...
Sociologia na PUC:
O teatro vem primeiro...
Deixou a faculdade:
Pra atuar no tabuleiro...

Presença em 51 filmes:
Foi crítico e diretor...
Gostava da narrativa:
Era apresentador...
Em dezenas de novelas:
Destacou-se como ator...

Gabriela, de Jorge Amado:
Foi Vadinho sedutor...
Em filmes de Cacá Diegues:
Bye Bye, Brasil, um primor...
Conquistou vários prêmios:
Molière de Melhor Ator...

Atuou em Xica da Silva:
Foi JK no cinema...
Como Antônio Conselheiro:
Em Canudos, um dilema...
José Wilker com maestria:
Fez da vida um poema...

Roque Santeiro impecável...
Com a viúva Porcina...
Muitos amores na vida:
Amou sua Guilhermina...
Dias Gomes dissecou:
Com atuação cristalina...

Viveu o doutor Hérbet:
Novela Amor à Vida...
Trama de Walcyr Carrasco:
Em sua longa avenida...
Rodrigo, em Anjo Mau:
Foi fecunda a sua lida...

Bicheiro Giovanni Improtta:
Em Senhora do Destino...
Fez Tenório Cavalcanti:
E o Coronel Jesuíno...
Ator de alta qualidade:
Tinha alma de menino...

Sai de Baixo, A Falecida:
Era mestre no humor...
Um craque na narrativa:
Do Oscar, apresentador...
Wilker foi magistral:
Um fenômeno como ator...

Deixo aqui na poesia:
Minha singela homenagem...
Ao grandioso ator:
Que segue a sua viagem:
Pelas sendas do destino:
Além da Terceira Margem... 

O inesquecível intérprete de Roque Santeiro, protagonista da novela homônima de Dias Gomes, levada ao ar pela Rede Globo em 1985 e 1986, realmente fez por merecer todas as homenagens. Por sinal, nesta novela, que evidenciou a literatura de cordel, numa das cenas mais marcantes, o personagem de Wilker descobre, lendo folhetos populares, que se tornara um mito para os habitantes da cidade de Asa Branca, que imaginavam que ele morrera heroicamente. O cordel, ironicamente, cruza novamente o caminho de Wilker agora que ele se tornou saudade.