quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
10 Cordéis nota 10
Atenção! Tenho exemplares da caixinha de folhetos da coleção 10 Cordéis nota 10 (editora IMEPH) disponíveis para venda. São 10 títulos que cobrem quase 30 anos de caminhada poética:
O Herói da Montanha Negra
O Pobre que Trouxe a Sorte de Casar com uma Princesa
João Destemido e as Três Folhas da Serpente
A Briga do Major Ramiro com o Diabo
O Príncipe que Via Defeito em Tudo
Galopando o Cavalo Pensamento
A Idade do Diabo
Os Três Conselhos Sagrados
As Babuchas de Abu Kasem
História da Moura Torta
Para fazer seu pedido, clique aqui.
A caixa custa R$ 30,00 (frete incluso).
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Breve História da Literatura de Cordel (segunda edição)
Já está disponível, no site da Nova Alexandria, a nova edição do livro Breve História da Literatura de Cordel. Esta nova edição, revista e ampliada, traz, assim como a anterior, ilustração de capa de Jô Oliveira.
Abaixo, um trecho da Introdução ao livro, sugestivamente batizada
como Chegança:
Dobrada a esquina do século e do
milênio, a Literatura de Cordel do Brasil, contrariando previsões pessimistas,
continua viva. A resistência deste ramo da literatura popular tem motivado
inúmeras discussões no meio acadêmico, no qual os estudos sobre Cordel são
cada vez mais frequentes. Há várias editoras tradicionais ou instituições
imprimindo e comercializando folhetos populares e, a cada dia, mais e mais
títulos são lançados em várias mídias, que vão da reprodução por xerox até a
impressão em off-set. Verdade que, como em qualquer outro gênero literário,
qualidade e quantidade nem sempre caminham juntas. Mas, ao final, somente a
joeira do tempo dirá quem sobreviveu às novas possibilidades.
Desde a origem, quando circulou
em manuscritos ou em poemas preservados na memória de cantadores e contadores
de histórias, até o momento em que se iniciou a produção em larga escala por
iniciativa do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros, paraibano de Pombal que
migrou para cidades dos arredores do Recife, até fixar-se definitivamente na
capital pernambucana, o Cordel conheceu cumes e abismos, passou por
transformações e se adaptou aos novos tempos. Algumas características básicas
definidoras, como a preferência dos autores pelos versos em redondilha maior
(de sete sílabas poéticas), com predominância da sextilha, além de temáticas
que mesclam o regional ao universal, permanecem. Com Leandro, até hoje
considerado o maior poeta do gênero, no final do século XIX e nas duas
primeiras décadas do século XX, o Cordel atingiu o primeiro ápice. Não que este
poeta tenha sido o primeiro a imprimir e vender folhetos. Definitivamente não o
foi. Há registros de folhetos de autores portugueses e brasileiros que
circularam antes da alardeada e nunca comprovada data – 1893 – de publicação do
primeiro folheto de Leandro. A sua contribuição maior, para além da qualidade
de sua obra, foi a criação de uma atividade editorial regular, com o
estabelecimento de um modelo que seria imitado por todos os futuros editores,
fossem eles poetas ou não. Sua estratégia de publicar os romances e folhetos em
fatias, à maneira dos folhetins, mimetizando uma prática comum aos jornais do
século XIX, foi muito bem-sucedida, se levarmos em conta a formação de um
público fiel e ávido por novidades.
A editoração, a partir da década de 1920, com
a ascensão de João Martins de Athayde, outro paraibano radicado na Veneza
brasileira, chegou a um nível de profissionalismo tal que, para atender à
demanda de uma legião de leitores, eram impressos milhares de exemplares de um
único volume. Athayde, que trabalhava com os títulos de sua autoria e de outros
poetas, adquiridos por compra ou permuta (a popular conga), aperfeiçoou o
sistema de publicação e distribuição de Leandro, publicando os cordéis em
versões integrais ou, quando necessário, em dois ou mais volumes. De 1921 a
1949, embora enfrentando a concorrência do aguerrido poeta, editor e livreiro
paraibano Francisco das Chagas Batista, em suas aventuras em tipografias pelo
interior e, finalmente, na capital de sua terra natal, Athayde foi quase senhor
absoluto de seu ofício.
Muitos outros nomes ajudaram a
definir os rumos da literatura de cordel nordestina, a exemplo de José Camelo
de Melo Resende, autor do Romance do Pavão Misterioso e de outros tantos
títulos de prestígio, e José Pacheco da Rocha, o brilhante autor de A chegada
de Lampião no Inferno, o mais memorável dos folhetos humorísticos, cuja
inspiração parece vir do teatro de mamulengos, por sua vivacidade despojada de
adornos e floreios. Outra geração, nascida no início do século passado, teve um
papel igualmente importante na consolidação do gênero, com a ampliação do
referencial temático, resultante das muitas diásporas sertanejas, e a
consequente evolução gráfica, a partir do desenvolvimento de uma atividade industrial
de impressão em São Paulo, depois da década de 1950. Destaca-se, então, a
editora Prelúdio, a princípio assessorada pelo baiano Antônio Teodoro dos
Santos e depois por Manoel D’Almeida Filho, rebatizada na década de 1970 como
Editora Luzeiro, responsável por uma revolução em termos comerciais, a ponto de
chocar com suas capas coloridas e edições bem cuidadas os pesquisadores
puristas ou “tradicionalistas”.
Para adquirir a obra, clique AQUI.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Cantando com o banjo na beira do mar
Antonio Nóbrega declama estrofe de Marco Haurélio
Mestre Antonio Nóbrega criou o mote do título e o Instituto Brincante promoveu um concurso em que o prêmio era um banjo. Não um banjo qualquer, mas um instrumento da estima do grande artista pernambucano. Escrevi duas estrofes em galope à beira-mar, e uma delas saiu vencedora do concurso.
É a que segue abaixo:
Voltamos ao tempo do arbítrio e da bala,
da bomba que fere, estilhaço que cega,
e do olho que enxerga, mas, mesmo assim, nega;
da boca que fala, mas hoje se cala.
Se cala com medo, pois quando se fala,
se planta a semente do novo pensar;
semente que grita, porque faz brotar
de novo a esperança, que foi violada.
Pela liberdade, contra a mão armada,
cantando com o banjo na beira do mar.
da bomba que fere, estilhaço que cega,
e do olho que enxerga, mas, mesmo assim, nega;
da boca que fala, mas hoje se cala.
Se cala com medo, pois quando se fala,
se planta a semente do novo pensar;
semente que grita, porque faz brotar
de novo a esperança, que foi violada.
Pela liberdade, contra a mão armada,
cantando com o banjo na beira do mar.
Atualização: Estive no domingo, 26 de novembro, no Instituto Brincante, a convite de Antônio Nóbrega, para pegar o prêmio. Aliás, o segundo prêmio foi conhecer pessoalmente este grande artista pernambucano, cantor, compositor, ator, poeta e dançarino. A tradução viva e pulsante do Movimento Armorial de Ariano Suassuna.
sábado, 19 de novembro de 2016
Romance de Iracema
| Lira e Nenzinha, duas mestras da cultura popular de Igaporã (BA). |
No dia 5 de maio,
O sol lá por trás dos galhos,
Parecia adivinhar...
Os passarinhos cantavam,
Muita gente até chorava:
Esta história eu vou contar.
Iracema namorava,
Mas nunca ela pensava
De um destino traiçoeiro.
Em palavras bem mesquinhas,
Achou que não lhe convinha
Seguir com Antônio Ribeiro.
Mas nunca ela pensava
De um destino traiçoeiro.
Em palavras bem mesquinhas,
Achou que não lhe convinha
Seguir com Antônio Ribeiro.
Antônio se aborreceu,
Um suspiro logo deu,
Não soltava a sua fala.
Ele fez uma promessa:
Prometeu cumprir depressa
Perseguindo pra matá-la.
Um suspiro logo deu,
Não soltava a sua fala.
Ele fez uma promessa:
Prometeu cumprir depressa
Perseguindo pra matá-la.
O triste acontecimento
Que não teve salvamento
Às sete horas da manhã.
Aos trabalhos dirigia
Iracema nesse dia
Junto com suas irmãs.
Que não teve salvamento
Às sete horas da manhã.
Aos trabalhos dirigia
Iracema nesse dia
Junto com suas irmãs.
Na travessa da avenida
Foi o fim da sua vida,
Coitadinha! não sabia!
Iracema, já cansada,
No meio da encruzilhada
Tropeçava e já caía.
Foi o fim da sua vida,
Coitadinha! não sabia!
Iracema, já cansada,
No meio da encruzilhada
Tropeçava e já caía.
Ele lhe deu três facadas,
Sangue corre às enxurradas,
Travessando seu pulmão.
Antônio saiu contente,
Por ter matado a inocente
Na maior judiação.
Sangue corre às enxurradas,
Travessando seu pulmão.
Antônio saiu contente,
Por ter matado a inocente
Na maior judiação.
E, depois de ter matado,
Declarou o corpo de um lado
Na pavadeira do chão.
Antônio saiu calado
E logo foi agarrado,
Seguindo para a prisão.
Declarou o corpo de um lado
Na pavadeira do chão.
Antônio saiu calado
E logo foi agarrado,
Seguindo para a prisão.
Todo mundo arrodeava
E todo se recordava
Com a dor no coração
Ao ver a pobre coitada
Em sangue estava deitada
No meio da multidão.
E todo se recordava
Com a dor no coração
Ao ver a pobre coitada
Em sangue estava deitada
No meio da multidão.
Pra chegar em casa dela,
Parecia ser a mais bela
Das flores do seu jardim.
Os seus pais, com desespero,
Logo saem para o terreiro
Para ver seu triste fim.
Parecia ser a mais bela
Das flores do seu jardim.
Os seus pais, com desespero,
Logo saem para o terreiro
Para ver seu triste fim.
Ela, deitada e já fria,
O povo até invadia
Com suspiro e soluçante.
Não teve quem não chorasse
Ao beijar aquela face
Neste dia lagrimante.
O povo até invadia
Com suspiro e soluçante.
Não teve quem não chorasse
Ao beijar aquela face
Neste dia lagrimante.
Onde morreu a coitada
Todo mundo faz parada
Somente pra recordar.
Iracema foi-se embora,
Nesta terra já não mora,
Foi pra nunca mais voltar.
Todo mundo faz parada
Somente pra recordar.
Iracema foi-se embora,
Nesta terra já não mora,
Foi pra nunca mais voltar.
O dia do enterro dela,
Pelas ruas, na janela,
Chamava logo a atenção.
Vestida com lindo véu,
Já estava lá no céu,
Deixando recordação.
Pelas ruas, na janela,
Chamava logo a atenção.
Vestida com lindo véu,
Já estava lá no céu,
Deixando recordação.
Informantes: Lira e Nenzinha (Igaporã, Bahia)
NOTA: Este romance em versos composto em sextilhas (esquema AABCCB com rimas toantes e consoantes) é cantado pelas irmãs Lira e Nenzinha Amaral, de Igaporã (BA). Certamente, reproduz um fato real, o assassinato de uma inocente, que causou grande comoção, merecendo o registro de um poeta popular, cujo nome se perdeu. Lira e Nenzinha perderam a visão ainda meninas, conservando uma memória prodigiosa. Conhecem uma infinidade de romances, desde os ibéricos, com grande número de versões e variantes, aos romances trágicos brasileiros, categoria que inclui o exemplar acima reproduzido.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Esconjuros portugueses contra bruxas
Por: José Joaquim Dias Marques
![]() |
| Lionel Lindsay, A Bruxa, xilogravura, 1924. |
Como
em grande parte do mundo, a noite de Halloween tem-se vindo a tornar uma
tradição também em Portugal, e certas pessoas costumam aqui designá-la por
"noite das BRUXAS", numa curiosa adaptação terminológica da tradição
norte-americana (tradição essa de longínqua origem europeia, claro).
Tendo
em mente essa nova (?) designação, de noite das bruxas, vou transcrever alguns
ESCONJUROS (subgênero das orações tradicionais que inclui os textos destinados
a afastar o mal) contra as BRUXAS, recolhidos por duas antigas alunas minhas da
disciplina de Literatura Oral da Universidade do Algarve:
-1-
Informante:
Fernanda Teresa Fernandes, 74 anos. Tem a 4ª classe.
Natural de
Alfarrobeira, freguesia de S. Clemente, concelho de Loulé, distrito de Faro.
Mora em Quarteira, concelho de Loulé.
Esconjuro
recolhido nas Baceladas, freguesia de Quarteira, concelho de Loulé, distrito de
Faro, em 24/4/2011, por Elisabete Andrade Reis.
Este
esconjuro diz-se quando, na rua, se encontra alguém que se suspeita que é bruxa
e nos pode deitar mau-olhado. A informante explica que o aprendeu com uma
vizinha, em Quarteira.
A folha do alho
tem três porras.
Tu és o Diabo
que para mim olhas.
Ainda agora Nosso Senhor Jesus Cristo me viu.
Quero que tu vás para a puta que te pariu!
-
2 -
Outro
esconjuro com o mesmo objetivo, da mesma informante, Fernanda Teresa Fernandes,
recolhido também por Elisabete Andrade Reis, na mesma data do anterior:
Bruxa refinada,
Não tenho nada
para te dar,
Senão o leite da Virgem
Ou o pão do altar.
- 3 -
Informante:
Catarina Rosária, 85 anos. Foi trabalhadora rural. Analfabeta.
Natural de
Algunha, freguesia de S. Barnabé, concelho de Almodôvar, distrito de Beja.
Recolhido em Várzea da Mão, concelho de Loulé, distrito de
Faro, a 21/12/2002, por Elisabete Andrade Reis.
Este esconjuro
recitava-se quando uma pessoa se cruzava com alguém que tinha fama de bruxa.
Repetiam-se estas palavras até se estar a uma distância considerável da bruxa.
Enquanto se dizia este esconjuro, colocava-se o polegar entre o dedo indicador
e o dedo médio, segundo mostrou a informante, por gestos. A informante aprendeu
este esconjuro com a tia e a avó.
Figas real!
Tu és de ferro,
E eu de aço.
Tu és bruxa,
E eu te embaço.
- 4 -
Informante:
Maria Rosa Guerreiro, 62 anos. Natural de Alte, concelho de Loulé, distrito de
Faro. É costureira. Sabe escrever e ler, mas muito pouco.
Recitava-se
quando uma pessoa se cruzava com outra que tinha fama de bruxa. A informante
aprendeu com o avô e já ensinou à filha.
Quando se diz
este esconjuro, a pessoa deve colocar o polegar entre o dedo indicador e o dedo
do meio (segundo mostra a informante, por gestos) e só parar quando a bruxa se
afastou.
Recolhido em Várzea da Mão, concelho de Loulé, distrito de
Faro, a 21/12/2002, por Elisabete Andrade Reis.
Tu és de ferro
E eu sou de aço.
Tu és bruxa
E eu te embaço!
-
5 -
Informante:
Lucília Maria Cabrita dos Santos, 54 anos. Natural de Castro Marim, concelho de
Castro Marim, distrito de Faro. Foi aí que aprendeu este esconjuro, com as
amigas, quando era adolescente.
Recolhido em
Olhão, a 28/12/2004, por Cláudia Sofia Cabrita dos Santos.
Como se poderá ver, a funcionalidade desta versão é afastar o
Diabo e não as bruxas. No entanto, o texto pertence sem dúvida ao mesmo
esconjuro das versões nºs 3 e 4.
Tu és ferro e eu
sou aço.
Foge, Diabo, que te embaraço.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Espaço do Cordel e do Repente é destaque na Bienal de São Paulo
Foram 10 dias de muito
encantamento naquele que muitos consideraram o espaço mais aprazível desta
edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O Espaço do Cordel e do
Repente serviu àquilo que Vinicius de Moraes chamava de arte do encontro. Quando
Lucinda Azevedo, presidente da Câmara Cearense do Livro, me convidou para fazer
a curadoria artística, não imaginava o tamanho da responsabilidade. Divido com
Arlene Holanda, Crispiniano Neto, Rouxinol do Rinaré, Delma, Zé e todos que
ajudaram na construção do projeto e em sua realização, a alegria de ter feito
parte de uma equipe que jamais desafinou.
Cordel, repente, xilogravura,
coco, ciranda, narração de histórias, cantigas, parlendas, trava-línguas,
cantoria, mamulengo, chula, samba de roda fizeram parte de um cardápio
generosamente servido ao longo da feira. A justa homenagem a dois grandes nomes
do cordel, o pesquisador Joseph Luyten e o poeta Antônio Teodoro dos Santos,
que batizaram o prêmio concedido pela CCL a poetas e divulgadores da nossa
arte, mostrou-se adequada, pois ambos residiam em São Paulo. Luyten, nascido na
Holanda, estabelecido inicialmente no Recife, à rua Motocolombó, na mesma casa
em que morou Leandro Gomes de Barros, a estrela mais fulgurante da constelação
do cordel, foi um dos grandes pesquisadores do cordel. Teodoro, nascido em
Jaguarari, na Bahia, migrou para São Paulo e ajudou a sedimentar o cordel na
capital bandeirante, contribuindo sobremaneira com a editora Prelúdio (hoje
Luzeiro).
Não podemos esquecer de Luís
Antônio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, entidade que organiza
a Bienal. Sem o seu aval, nada disso teria acontecido. E nem de José Xavier
Cortez que, há muito tempo, reivindica a presença do cordel numa feira do porte
da Bienal de São Paulo.
Aos meus amigos, companheiros de
arte, reitero minha gratidão. Por muitas vezes, me vi debaixo do umbuzeiro que
ficava nos fundos da casa em que nasci na Ponta da Serra, na Bahia, lendo a
História de Juvenal e o Dragão e outros clássicos do cordel. É preciso sempre
olhar para trás para dar um passo adiante. E, sem essa evocação da memória
afetiva, o cordel será apenas um amontoado de rimas e mais nada.
Gratidão!
![]() |
| Apresentação de Paulo Araújo na abertura do Espaço do Cordel. |
![]() |
| José Santos e Jonas brincando de poesia. |
![]() |
| Jô Oliveira. |
![]() |
| Genildo Costa e Paulo Araújo |
![]() |
| Arlene Holanda dedica livro à pequena fã. |
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| Mestres da cantoria: Sebastião Marinho e Geraldo Amancio. |
![]() |
| Luciano Tasso e Lucinda Marques. |
![]() |
| Com o jovem multiartista Rafael Brito. |
![]() |
| Xamgai e Lucinda Marques |
![]() |
| Lucélia conta histórias. |
| Paiva Neves, Valdério Costa, Marco Haurélio e Leila Freitas. |
| Lucélia Borges. |
| Eraldo Miranda, Fábio Santos, Lucélia e este que vos escreve. |
| Com Antonio Barreto, El Barretón. |
![]() |
| Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Cacá Lopes, Varneci Nascimento, Arievaldo Viana, Crispiniano Neto e Rafael Brito. |
![]() |
| José Walter Pires, Marco Haurélio, Antonio Barreto e Raissa. |
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| Josué Campos, Costa Senna e Eugenio Leandro. |
![]() |
| Dois mestres: Chico Pedrosa e Bule-Bule. |
![]() |
| Rafael Brito e Luiz Carlos Bahia. |
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| Rosi, Paulo Araújo, Bule-Bule, Lucinda e Assis Angelo. |
![]() |
| Socorro Lira em apresentação memorável. |
![]() |
| Dideus Sales e Fátima Ferreira |
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| Luiz Wilson, Pedro Monteiro, Paulo Viana e Marco Haurélio. |
Espaço do Cordel e do Repente é destaque na Bienal de São Paulo
Foram 10 dias de muito
encantamento naquele que muitos consideraram o espaço mais aprazível desta
edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O Espaço do Cordel e do
Repente serviu àquilo que Vinicius de Moraes chamava de arte do encontro. Quando
Lucinda Azevedo, presidente da Câmara Cearense do Livro, me convidou para fazer
a curadoria artística, não imaginava o tamanho da responsabilidade. Divido com
Arlene Holanda, Crispiniano Neto, Rouxinol do Rinaré, Delma, Zé e todos que
ajudaram na construção do projeto e em sua realização, a alegria de ter feito
parte de uma equipe que jamais desafinou.
Cordel, repente, xilogravura,
coco, ciranda, narração de histórias, cantigas, parlendas, trava-línguas,
cantoria, mamulengo, chula, samba de roda fizeram parte de um cardápio
generosamente servido ao longo da feira. A justa homenagem a dois grandes nomes
do cordel, o pesquisador Joseph Luyten e o poeta Antônio Teodoro dos Santos,
que batizaram o prêmio concedido pela CCL a poetas e divulgadores da nossa
arte, mostrou-se adequada, pois ambos residiam em São Paulo. Luyten, nascido na
Holanda, estabelecido inicialmente no Recife, à rua Motocolombó, na mesma casa
em que morou Leandro Gomes de Barros, a estrela mais fulgurante da constelação
do cordel, foi um dos grandes pesquisadores do cordel. Teodoro, nascido em
Jaguarari, na Bahia, migrou para São Paulo e ajudou a sedimentar o cordel na
capital bandeirante, contribuindo sobremaneira com a editora Prelúdio (hoje
Luzeiro).
Não podemos esquecer de Luís
Antônio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, entidade que organiza
a Bienal. Sem o seu aval, nada disso teria acontecido. E nem de José Xavier
Cortez que, há muito tempo, reivindica a presença do cordel numa feira do porte
da Bienal de São Paulo.
Aos meus amigos, companheiros de
arte, reitero minha gratidão. Por muitas vezes, me vi debaixo do umbuzeiro que
ficava nos fundos da casa em que nasci na Ponta da Serra, na Bahia, lendo a
História de Juvenal e o Dragão e outros clássicos do cordel. É preciso sempre
olhar para trás para dar um passo adiante. E, sem essa evocação da memória
afetiva, o cordel será apenas um amontoado de rimas e mais nada.
Gratidão!
![]() |
| Apresentação de Paulo Araújo na abertura do Espaço do Cordel. |
![]() |
| José Santos e Jonas brincando de poesia. |
![]() |
| Jô Oliveira. |
![]() |
| Genildo Costa e Paulo Araújo |
![]() |
| Arlene Holanda dedica livro à pequena fã. |
![]() |
| Mestres da cantoria: Sebastião Marinho e Geraldo Amancio. |
![]() |
| Luciano Tasso e Lucinda Marques. |
![]() |
| Com o jovem multiartista Rafael Brito. |
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| Xamgai e Lucinda Marques |
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| Lucélia conta histórias. |
| Paiva Neves, Valdério Costa, Marco Haurélio e Leila Freitas. |
| Lucélia Borges. |
| Eraldo Miranda, Fábio Santos, Lucélia e este que vos escreve. |
| Com Antonio Barreto, El Barretón. |
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| Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Cacá Lopes, Varneci Nascimento, Arievaldo Viana, Crispiniano Neto e Rafael Brito. |
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| José Walter Pires, Marco Haurélio, Antonio Barreto e Raissa. |
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| Josué Campos, Costa Senna e Eugenio Leandro. |
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| Dois mestres: Chico Pedrosa e Bule-Bule. |
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| Rafael Brito e Luiz Carlos Bahia. |
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| Rosi, Paulo Araújo, Bule-Bule, Lucinda e Assis Angelo. |
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| Socorro Lira em apresentação memorável. |
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| Dideus Sales e Fátima Ferreira |
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| Luiz Wilson, Pedro Monteiro, Paulo Viana e Marco Haurélio. |
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