segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Espaço do Cordel e do Repente é destaque na Bienal de São Paulo



Foram 10 dias de muito encantamento naquele que muitos consideraram o espaço mais aprazível desta edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O Espaço do Cordel e do Repente serviu àquilo que Vinicius de Moraes chamava de arte do encontro. Quando Lucinda Azevedo, presidente da Câmara Cearense do Livro, me convidou para fazer a curadoria artística, não imaginava o tamanho da responsabilidade. Divido com Arlene Holanda, Crispiniano Neto, Rouxinol do Rinaré, Delma, Zé e todos que ajudaram na construção do projeto e em sua realização, a alegria de ter feito parte de uma equipe que jamais desafinou.

Cordel, repente, xilogravura, coco, ciranda, narração de histórias, cantigas, parlendas, trava-línguas, cantoria, mamulengo, chula, samba de roda fizeram parte de um cardápio generosamente servido ao longo da feira. A justa homenagem a dois grandes nomes do cordel, o pesquisador Joseph Luyten e o poeta Antônio Teodoro dos Santos, que batizaram o prêmio concedido pela CCL a poetas e divulgadores da nossa arte, mostrou-se adequada, pois ambos residiam em São Paulo. Luyten, nascido na Holanda, estabelecido inicialmente no Recife, à rua Motocolombó, na mesma casa em que morou Leandro Gomes de Barros, a estrela mais fulgurante da constelação do cordel, foi um dos grandes pesquisadores do cordel. Teodoro, nascido em Jaguarari, na Bahia, migrou para São Paulo e ajudou a sedimentar o cordel na capital bandeirante, contribuindo sobremaneira com a editora Prelúdio (hoje Luzeiro).

Não podemos esquecer de Luís Antônio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, entidade que organiza a Bienal. Sem o seu aval, nada disso teria acontecido. E nem de José Xavier Cortez que, há muito tempo, reivindica a presença do cordel numa feira do porte da Bienal de São Paulo.

Aos meus amigos, companheiros de arte, reitero minha gratidão. Por muitas vezes, me vi debaixo do umbuzeiro que ficava nos fundos da casa em que nasci na Ponta da Serra, na Bahia, lendo a História de Juvenal e o Dragão e outros clássicos do cordel. É preciso sempre olhar para trás para dar um passo adiante. E, sem essa evocação da memória afetiva, o cordel será apenas um amontoado de rimas e mais nada.


Gratidão!

Apresentação de Paulo Araújo na abertura do Espaço do Cordel. 
José Santos e Jonas brincando de poesia. 
Jô Oliveira.
Genildo Costa e Paulo Araújo
Arlene Holanda dedica livro à pequena fã.
Mestres da cantoria: Sebastião Marinho e Geraldo Amancio.
Luciano Tasso e Lucinda Marques. 
Com o jovem multiartista Rafael Brito.
Xamgai e Lucinda Marques
Lucélia conta histórias.
Paiva Neves, Valdério Costa, Marco Haurélio e Leila Freitas.
Moreira de Acpiara, Stênio Diniz, Chico Pedrosa, Lucinda Marques, Dideus Sales,Bráulio Tavares,
Rafael Brito, Rouxinol do Rinaré, Lirinha, Crispiniano Neto, Paulo de Tarso e Paulo Araújo.
Agachados: Zé Lourenço, Sapiranga, Antônio Francisco, Marco Haurélio e Antônio Barreto. 
  
Lucélia Borges. 
Eraldo Miranda, Fábio Santos, Lucélia e este que vos escreve. 
Com Antonio Barreto, El Barretón. 
Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Cacá Lopes, Varneci Nascimento,
Arievaldo Viana, Crispiniano Neto e Rafael Brito.
José Walter Pires, Marco Haurélio, Antonio Barreto e Raissa.
Josué Campos, Costa Senna e Eugenio Leandro. 
Dois mestres: Chico Pedrosa e Bule-Bule. 
Rafael Brito e Luiz Carlos Bahia. 
Rosi, Paulo Araújo, Bule-Bule, Lucinda e Assis Angelo. 
Socorro Lira em apresentação memorável. 
Dideus Sales e Fátima Ferreira
Luiz Wilson, Pedro Monteiro, Paulo Viana e Marco Haurélio.

Espaço do Cordel e do Repente é destaque na Bienal de São Paulo



Foram 10 dias de muito encantamento naquele que muitos consideraram o espaço mais aprazível desta edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O Espaço do Cordel e do Repente serviu àquilo que Vinicius de Moraes chamava de arte do encontro. Quando Lucinda Azevedo, presidente da Câmara Cearense do Livro, me convidou para fazer a curadoria artística, não imaginava o tamanho da responsabilidade. Divido com Arlene Holanda, Crispiniano Neto, Rouxinol do Rinaré, Delma, Zé e todos que ajudaram na construção do projeto e em sua realização, a alegria de ter feito parte de uma equipe que jamais desafinou.

Cordel, repente, xilogravura, coco, ciranda, narração de histórias, cantigas, parlendas, trava-línguas, cantoria, mamulengo, chula, samba de roda fizeram parte de um cardápio generosamente servido ao longo da feira. A justa homenagem a dois grandes nomes do cordel, o pesquisador Joseph Luyten e o poeta Antônio Teodoro dos Santos, que batizaram o prêmio concedido pela CCL a poetas e divulgadores da nossa arte, mostrou-se adequada, pois ambos residiam em São Paulo. Luyten, nascido na Holanda, estabelecido inicialmente no Recife, à rua Motocolombó, na mesma casa em que morou Leandro Gomes de Barros, a estrela mais fulgurante da constelação do cordel, foi um dos grandes pesquisadores do cordel. Teodoro, nascido em Jaguarari, na Bahia, migrou para São Paulo e ajudou a sedimentar o cordel na capital bandeirante, contribuindo sobremaneira com a editora Prelúdio (hoje Luzeiro).

Não podemos esquecer de Luís Antônio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, entidade que organiza a Bienal. Sem o seu aval, nada disso teria acontecido. E nem de José Xavier Cortez que, há muito tempo, reivindica a presença do cordel numa feira do porte da Bienal de São Paulo.

Aos meus amigos, companheiros de arte, reitero minha gratidão. Por muitas vezes, me vi debaixo do umbuzeiro que ficava nos fundos da casa em que nasci na Ponta da Serra, na Bahia, lendo a História de Juvenal e o Dragão e outros clássicos do cordel. É preciso sempre olhar para trás para dar um passo adiante. E, sem essa evocação da memória afetiva, o cordel será apenas um amontoado de rimas e mais nada.


Gratidão!

Apresentação de Paulo Araújo na abertura do Espaço do Cordel. 
José Santos e Jonas brincando de poesia. 
Jô Oliveira.
Genildo Costa e Paulo Araújo
Arlene Holanda dedica livro à pequena fã.
Mestres da cantoria: Sebastião Marinho e Geraldo Amancio.
Luciano Tasso e Lucinda Marques. 
Com o jovem multiartista Rafael Brito.
Xamgai e Lucinda Marques
Lucélia conta histórias.
Paiva Neves, Valdério Costa, Marco Haurélio e Leila Freitas.
Moreira de Acpiara, Stênio Diniz, Chico Pedrosa, Lucinda Marques, Dideus Sales,Bráulio Tavares,
Rafael Brito, Rouxinol do Rinaré, Lirinha, Crispiniano Neto, Paulo de Tarso e Paulo Araújo.
Agachados: Zé Lourenço, Sapiranga, Antônio Francisco, Marco Haurélio e Antônio Barreto. 
  
Lucélia Borges. 
Eraldo Miranda, Fábio Santos, Lucélia e este que vos escreve. 
Com Antonio Barreto, El Barretón. 
Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Cacá Lopes, Varneci Nascimento,
Arievaldo Viana, Crispiniano Neto e Rafael Brito.
José Walter Pires, Marco Haurélio, Antonio Barreto e Raissa.
Josué Campos, Costa Senna e Eugenio Leandro. 
Dois mestres: Chico Pedrosa e Bule-Bule. 
Rafael Brito e Luiz Carlos Bahia. 
Rosi, Paulo Araújo, Bule-Bule, Lucinda e Assis Angelo. 
Socorro Lira em apresentação memorável. 
Dideus Sales e Fátima Ferreira
Luiz Wilson, Pedro Monteiro, Paulo Viana e Marco Haurélio.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Clássico infantil ganha versão em cordel


Texto: Divulgação.


A história do principezinho que veio do espaço para ensinar valiosas lições a um aviador que aterrissou com o avião em pleno deserto do Saara, de autoria do francês Antoine de Saint-Exupéry, foi publicada originalmente em 1943. O autor, que era piloto e serviu às Forças Livres da França durante a Segunda Guerra Mundial, contou sua trajetória na infância e a maneira reducionista como muitos adultos enxergam as crianças. Traduzido em mais de 200 idiomas, O PEQUENO PRÍNCIPE já foi adaptado para cinema, quadrinhos e televisão. E agora ganha também uma encantadora versão em cordel, marcada pelas rimas e pelo ritmo bem marcado da poesia, o piloto conta tudo que aprendeu com o menino do asteroide. Inclusive sobre amar e sentir saudade.

CORDEL DO PEQUENO PRÍNCIPE, é o primeiro título da Coleção CORDEL NA ESTANTE.

Título: Cordel do Pequeno Príncipe
Autor: Stélio Torquato Lima
Ilustração: Maércio Siqueira
Coleção: CORDEL NA ESTANTE
ISBN: 989-85-293-0191-4
Formato fechado: 16 x 23
Nº de páginas: 56
Profundidade: 0,4  cm
Preço de capa: R$ 32,90


Stélio Torquato Lima, nasceu em 8 de outubro de 1966. É doutor em Letras pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB – e professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Ceará – UFC, onde também coordena o Grupo de Estudos Literatura Popular (GELP). Entre outras obras para o cordel, publicou: Primas em cordel (versão de 12 obras da literatura universal para o cordel); Iracema, (Adaptação do romance de José de Alencar); Lógikka, a Bruxinha Verde (Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel, organizado pelo Ministério da Cultura); O pastorzinho de nuvens (1º lugar Programa de Alfabetização na Idade Certa – PAIC, da Secretaria de Educação do Estado do Ceará) e Shakespeare em cordel (reunião de 11 peças do bardo inglês para o cordel, publicada em 2013).

Máercio Lopes de Figueirêdo Siqueira, nasceu em Santana do Cariri, no estado do Ceará, em 21 de novembro de 1977. É formado em Letras pela Universidade Regional do Cariri e concluiu Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba. É membro da Academia dos Cordelistas do Crato. Graças à literatura de cordel, faz xilogravura desde 1999, a princípio para ilustrar capas e folhetos e depois como forma de expressão artística.


domingo, 24 de julho de 2016

A história dentro da História

Thor com seu martelo Mjolnir. Ilustração de Klévisson Viana.

No romance O Cavaleiro de Prata, que irá ao prelo com o sel oda Editora de Cultura, as personagens contam histórias. E as histórias justificam a História. É o caso da luta da ordem com o caos, simbolizado nos combates recorrentes entre o deus nórdico Thor e os gigantes, que duram até o Ragnarok (o crepúsculo dos deuses). O excerto abaixo reproduzido traz a fala de um dos soldados do rei da montanha, inimigo mortal do príncipe Borg, o protagonista de nossa história:

Há uma lenda que diz
Que há muito tempo viveu
O gigante mais perverso
Que esse mundo conheceu,
Mas,  pelas mãos do deus Thor,
Esse monstro pereceu.

E, conforme a tradição,
Aquela fera esquisita,
Unindo-se a outros monstros,
De feição nada bonita,
Espalhou por toda a terra
A sua prole maldita.
 
Esses monstros miseráveis
Foram vencidos por Thor;
Mas, Odin, o pai do herói,
Como divindade-mor,
Intercedeu na matança
E sobreveio o pior.                                      

Odin achava que os homens
Deviam ser castigados
E assim esses monstros eram
Como flagelos mandados
Para punir os humanos
Pelos deuses condenados.

Resignado, o deus Thor
Interrompeu a matança.
Os monstros ficaram livres
Para a terrível vingança
Contra os homens, pois os deuses
Demônio nenhum alcança.

Atualização: o romance de cordel O Cavaleiro de Prata será lançado dia 24 de junho, às 15h, na Livraria Nove Sete (rua França Pinto, 97).
Odin. Gravura de Klévisson Viana.