quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Brasil marca presença no Fórum Internacional de Narradores de Sharjah (EAU)


Narrando em espanhol o conto O Príncipe Cavalinho,
traduzido para o árabe por Némer Salamúm.

A convite do Sharjah Institute for Heritage (Instituto para o Patrimônio), participei, do  18º  Sharjah International Narrator Forum, que ocorreu no início desta semana em Sharjah, uma das pérolas do Oriente Médio. O pequeno emirado, que erigiu a cultura como um dos seus grandes pilares, sediou o encontro que reuniu mais de uma centena de narradores e pesquisadores de tradição oral de vários países, incluindo o Brasil. Dr. Abdulziz Al Mussalan, presidente do Instituto, escritor poeta e estudioso das tradições milenares do povo árabe, foi o responsável pelo convite, ainda na Bienal do Livro de São Paulo, onde dividimos uma mesa, no Espaço de Sharjah, que tinha os contos folclóricas e a heranças árabes no Brasil como tema.

Oficina com Fábio Lisboa


No dia 25, no Centro de Convenções, no Espaço dedicado ao Forum, fiz uma breve e inesquecível participação. Uma honra que, por mais que eu busque, não conseguirei expressar em palavras, foi dividir o mesmo espaço com o genial Némer Salamún. Recontei em espanhol o conto popular O Príncipe Cavalinho (do livro Contos e Fábulas do Brasil), do ciclo do noivo animal, que ele, Némer, vertia imediatamente para o árabe, arrancando risos e aplausos da plateia composta majoritariamente por crianças. O encanto pelas histórias, velhas como a humanidade, afinal de contas, é universal.
 
Willo e Rafo Diaz, grandes narradores e divulgadores da tradição oral. 
Némer ainda traduziu contos narrados pelos parceiros latino-americanos, o colombiano William Arunategui (Willo) e o peruano Rafo Diaz. No período da manhã, a companheira Lucélia Borges ministrou uma oficina de isogravura para crianças e expôs algumas matrizes de xilogravura de seu acervo. O casal de amigos Fábio Lisboa e Bianca Tozzato ministraram uma oficina de confecção de brinquedos tradicionais feitos com papelão. Fábio participou ainda da abertura do evento, ao lado de outros narradores, saudando o sheik Sultan bin Muhammad Al-Qasimi, governante de Sharjah, grande incentivador das artes e das ciências, também ele um renomado intelectual, com formação em várias áreas do conhecimento.

Volto para casa muito feliz depois dessa breve estadia entre o povo do deserto, cuja herança cultural avançou pelo norte da África, chegou à Península Ibérica e, por meio de portugueses e espanhóis, alcançou a terra depois chama de América. No Brasil, a região Nordeste é a que melhor guardou o patrimônio imaterial do povo árabe e dos povos berberes, ainda hoje vivo em costumes e crenças, contos, lendas, autos populares e até mesmo em nossa poesia popular, mormente no cordel, repente e nos aboios dos vaqueiros.

Mais uma vez, minha gratidão a Sharjah, em especial ao dr. Abdulziz, a Aisha Alshams, diretora do Center for Heritage, incluindo toda a comissão organizadora que nos recebeu tão bem, comprovando a proverbial hospitalidade dos povos do Crescente.

Salam Aleikum!


Exposição de livros e folhetos


Wayqui César Villegas, mestre peruano. 


Era uma vez com mestre Némer Salamúm. 


Seres fantásticos do leste asiático. 

No Center for Heritage, encontrei esse 
"cavalo marinho" italiano.




Apresentando o cordel a Sherif Mahmoud Aly, representante do Egito


Némer Salamúm e Willo em bela dobradinha.




No Museu da Civilização Islâmica, um elo com a
"civilização do couro" do Nordeste


Oficina de isogravura para crianças, com Lucélia Borges
No Center for Heritage, com Magaly Quadros, 
do projeto Mala de Herança. 
Willo, Lucélia e Rafo Diaz nas ruas de Sharjah. 




quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Meus livros no PNLD Literário




Foi divulgado, no Diário Oficial da União, no dia 28 de agosto, o resultado do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD 2018 Literário). Cinco títulos de minha autoria foram aprovados no programa. 

Segue a lista com seus respectivos códigos:


  • Peripécias da Raposa no Reino da Bicharada (SEI/LeYa). Ilustrações de Klévisson Viana  (cód. 1415L18601)
  • Mateus, Esse Boi é Seu (DCL/Farol). Ilustrações de Jô Oliveira  (cód. 0768L18602)
  • Bafafá na Arca de Noé (DCL/Universo dos Livros). Ilustrações de Anabella López  (cód. 0546L18601)
  • Lucíola em Cordel (Manole) Ilustrações de Luís Matuto  (cód. 0691L18601)
  • O Circo das Formas (Estrela Cultural). Ilustrações de Camila de Godoy  (cód. 0349L18601)
Nesta etapa, a escolha caberá às escolas públicas de todo o Brasil. 

Gratidão! 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Projeto Encontro com o Cordel encanta São Paulo


Braulio Tavares e Marco Haurélio



Socorro Lira e banda no show Meu interior urbano
Foram três dias de encantamento. O nosso projeto Encontro com o Cordel, abraçado pelo SESC 24 de Maio, teve grande presença de público e uma programação rica e variada. Recitais, shows, oficinas, bate-papos, mesas redondas, além da Feira de Cordel e Xilogravura, montada na área de convivência, apresentaram aos paulistanos as várias faces da Literatura de Cordel. Muita gente se reencontrou com os clássicos lidos ou ouvidos na infância e conheceu os novos artesãos e artesãs da poesia bárdica nordestina.
Assis Ângelo e Moreira de Acopiara
O espaço da Feira foi também um ambiente festivo, com muita conversa e interação entre os artistas e o público. Num 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, Braulio Tavares, o multiartista que todos nós aprendemos a admirar, inaugurou o evento com uma palestra sobre o nosso homenageado, o poeta paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e as muitas faces da literatura de cordel e seu diálogo com outras artes e gêneros, incluindo a ficção científica. Depois, Sebastião Marinho e Luzivan Matias, repentistas paraibanos estabelecidos em São Paulo, encantaram o público com modalidades do repente, a exemplo das sextilhas, do "boi da cajarana", do martelo alagoano e encerraram com o tradicional coqueiro da Bahia. Em seguida, entraram em cena Assis Angelo e Moreira de Acopiara, em bate-papo que batizei como Baião de Dois, homenageando o Cego Aderaldo, morto há 50 anos, e discorrendo sobre o cordel e sua secular história.  
Luzivan Matias e Sebastião Marinho
Lucélia Borges e os Contos rimados
Socorro Lira, a premiada cantora e poeta paraibana de Brejo do Cruz, fechou o primeiro dia do evento com chave de ouro, cantando joias de seu cancioneiro e outras canções de nomes históricos como Zé do Norte, que ela homenageou no premiado disco Lua Bonita, de 2012. No dia seguinte, com a concorrida oficina de xilogravura do mestre J. Borges e de seu filho Pablo Borges, iniciou-se mais uma bela jornada. A atividade Cordel-Show foi aberta por Aldy Carvalho, acompanhado pelo violão de Tony Marshall, e teve Costa Senna, além de  Maércio e Júbilo Jacobino como músicos acompanhantes, no encerramento. A Biblioteca, no 4º andar, recebeu Lucélia Borges e seus "Contos Rimados".Quase ao mesmo tempo, Klévisson Viana e Jô Oliveira abordaram a influência do cordel nas histórias em quadrinhos e vice-versa. Tivemos ainda o popular teatro de bonecos de Pernambuco, o Mamulengo, com mestre Valdeck de Garanhuns e Trio Tropeiros da Serra.Fechando a noite, mestre Bule Bule mostrou o que é que o baiano tem, com seu repertório de chulas, cocos, cirandas e sambas de roda, além de uma linda homenagem a Leandro Gomes de Barros, em que cantou trechos da História do Boi Misterioso. No teatro, enquanto isso, ocorria o show do pernambucano Siba, que se repetiu no dia seguinte
Bule Bule em noite memorável 

Domingo, 26, ocorreu a segunda parte da oficina de xilogravura e, ao meio-dia, Inimar dos Reis e João Batista Cidrão, filho de Patativa do Assaré, emocionaram o público com o espetáculo Pelejas de um Cantador. 
Visivelmente emocionado, João declamou poemas de seu pai, hoje clássicos da poesia brasileira. As vozes femininas da literatura de cordel ecoaram forte com Izabel Nascimento e Salete Maria, provando que a poesia popular precisa discutir temas contemporâneos, como a presença e a afirmação das mulheres, além de temáticas que, geralmente, são deixadas de lado pelos cordelistas tradicionalistas, como os direitos das minorias e a inclusão cultural e social. E o dia foi mesmo das mulheres, pois, na Biblioteca, Cleusa Santo e Auritha Tabajara, com Contos, lendas e cordéis, encantaram o público, com uma afinação impressionante. No espaço da Ginástica, mestre Antonio Nóbrega, com sua domingueira, convidou o público a dançar ao som de emboladas, frevos e maracatus. Ao final, foi visitar o espaço da Convivência, onde foi montada a exposição. 


Izabel Nascimento e Salete Maria: Cordel em cena. 
Outros artistas que abrilhantaram o evento, como expositores, foram: Paulo Dantas, Samuel de Monteiro, Pablo Borges, Cacá Lopes, Pedro Monteiro, Tin Tin, Gina, esposa de Bule Bule, Regina Drozina, Varneci Nascimento, Chico Feitosa, Ronnaldo Andrade, Nireuda Longobardi e João Gomes de Sá. Contamos ainda com visitantes ilustres, a exemplo do cantor e compositor baiano Gereba, dos poetas Josué Gonçalves e João Paulo Resplandes, da pesquisadora francesa Solenne Deringond e da pesquisadora a cantora Mari Ananias. 

A todos os artistas e, especialmente a Luciana Tavares Dias, do SESC 24 de Maio, entusiasta de primeira hora, que acolheu a nossa ideia e ajudou a dar a ela o formato que, ao final, se mostrou exitoso, nossa eterna gratidão. Estendemos os  agradecimentos à Delahousse Produções, que nos deu o suporte necessário, e a toda a equipe do SESC, especialmente a Luci e Marco, nossos anjos da guarda. 

O cordel está vivo e, mais do que vivo, forte! 


Oficina com mestre J. Borges
Ditinho da Congada e Bule Bule
Na Biblioteca, ao final da contação de Cleusa e Auritha
Domingueira com Antonio Nóbrega


Cordel e quadrinhos com Jô Oliveira e Klévisson Viana

Costa Senna e o Cordel-Show
Entregando o selo da Ação do Coração, idealizado por Alexandre Camilo,
ao mestre J. Borges


Pedro Monteiro, Bule Bule, Klévisson Viana e Marco Haurélio
Antonio Nóbrega, Marco Haurélio e Bule Bule 

Alexandre Camilo e J. Borges


terça-feira, 21 de agosto de 2018

Encontro com o Cordel


EM HOMENAGEM AO CORDELISTA LEANDRO GOMES DE BARROS, “ENCONTRO COM O CORDEL” ACONTECE NO
SESC 24 DE MAIO NO MÊS DE AGOSTO

Programação inclui atividades como feira, bate-papos e shows de Socorro Lira, Siba e Antônio Nóbrega


Na etapa final do mês de agosto, o Sesc 24 de Maio oferece ao público a oportunidade de vivenciar o Encontro Com o Cordel: Homenagem a Leandro Gomes de Barros, destaque no gênero. A atividade ocorre nos dias 24, 25 e 26 e conta com cursos, bate-papos, shows musicais, teatro, cantorias, além de uma feira com cordéis e xilogravuras. Com a curadoria do cordelista, pesquisador e escritor Marco Haurélio, em parceria com a esquipe do Sesc, há programações gratuitas e outras mediante compra de ingressos.

O universo da literatura de cordel acompanha a história do Brasil desde a chegada das caravelas portuguesas. É justamente isso que explica a origem do nome dado a esse gênero literário, já que em Portugal os folhetos eram tradicionalmente expostos para venda pendurados em cordas, cordéis ou barbantes.

Em terras brasileiras, a tradição do barbante trazida pelos portugueses não se perpetuou, mas o estilo textual caiu no gosto popular. Foram mantidas características como a escrita na forma rimada e a origem em relatos orais, que posteriormente são impressos em folhetos. Alguns poemas são, ainda, ilustrados com xilogravuras.

Recitados de forma melodiosa e cadenciada, os versos do cordel são comumente acompanhados pelo som da música tocada em viola. Conhecido como parte da cultura nordestina brasileira, o gênero é também chamado de “folheto”.


2018 é o centenário de morte de um dos mais notáveis autores nacionais do estilo. Cordelista homenageado na programação, o paraibano Leandro Gomes de Barros é autor de clássicos como “O enterro do cachorro”, “A história do cavalo” e “O mal e o sofrimento”.

Em 1976, na crônica “O Poeta”, Carlos Drummond de Andrade chamou Leandro Gomes de Barros de “Príncipe dos Poetas”. O caráter popular de sua literatura somado ao vigoroso programa editorial de Barros levou a literatura de cordel às mais distantes regiões, graças a um bem-sucedido projeto de redistribuição.

A programação do ”Encontro com o Cordel: Homenagem a Leandro Gomes de Barros” envolve diversas ações dessa arte. Reúne, ainda, obras importantes da Literatura de Cordel e apresenta a função social desse importante gênero literário ao longo dos tempos, expondo a riqueza temática e a complexidade de suas rimas, além da sua influência nos vários segmentos artísticos, como cinema, teatro, músicas e novelas.

Confira a programação:

LITERATURA

Bate-Papo “Leandro Gomes de Barros e o cordel sem fronteiras” | Dia 24/8 (sexta, 14h)
Leandro Gomes de Barros e o cordel sem fronteiras. Com Braulio Tavares, que revisita as novelas de cavalaria, a gesta do gado e o romanceiro nordestino em seus variados ciclos temáticos. Duração: 90 minutos. Área de Convivência. Classificação etária: 14 anos. Grátis.

Prosa e Verso: Baião de Dois | Dia 24/8 (sexta, 17h30 às 18h30)
Com Assis Ângelo e Moreira de Acopiara. Mediação Marco Haurélio. Ao melhor estilo das conversas ao redor do fogo, os autores falarão de suas trajetórias e de como entraram em contato com a Literatura de Cordel e sobre o universo da cantoria. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Classificação etária: 14 anos. Grátis.

Intervenção | Dia 24/8 (sexta, 16h)
Cantoria com repente com Sebastião Marinho e Luzivan Mathias. As várias modalidades do repente nordestino. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Livre. Grátis.

Feira De Cordel e Xilogravura | Dias 25 e 26/8 (sábado, 11h às 20h30; domingo, 11h às 18h)
Com poetas, artistas gráficos e intervenção de artistas populares de várias searas. Área de Convivência (3º andar). Classificação etária: 12 anos. Grátis.

Cordel e Quadrinhos | Dia 25/8 (sábado, 15h) FALTA DESCRIÇÃO
Com Jô Oliveira e Klévisson Viana. O universo da gravura popular como inspiração para o cordel e as HQs. Duração: 60 minutos. Área de Convivência (3º andar). Classificação etária: 14 anos.

Cordel-show | Dia 25/8 (sábado, 12h)
Com Costa Senna e Aldy Carvalho. Repertório que tem por base a literatura de cordel e as modalidades do repente nordestino em poemas e cantigas. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência (3º andar). Livre. Grátis.

Cantoria: do folclore ao cordel | Dia 25/8 (sábado, 19h às 20h30)
Com Bule-Bule. Um dos grandes artistas populares do Brasil apresenta canções folclóricas e poemas musicados por ele, em gêneros como o coco, a embolada, o samba de roda e a chula. Duração: 90 minutos. Área de Convivência. Livre. Grátis.

Contação de histórias “Contos Rimados”| Dia 25/8 (sábado, 14h30)
Com Lucélia Borges. Um passeio pelo universo mágico da tradição oral. Duração: 1h. Biblioteca. Livre. Grátis.

Pelejas de um Cantador: homenagem a Patativa do Assaré | Dia 26/8 (domingo, 12h)
Com Inimar dos Reis e João Batista Cidrão. Roda de versos, repentes, com emboladas, desafios de viola e declamação de poemas de Patativa do Assaré. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Livre.

Cordel em cena | Dia 26/8 (domingo, 14h)
Com Izabel Nascimento e Salete Maria. Um encontro poético que mostra que a literatura de cordel não é indiferente às grandes questões e dilemas da contemporaneidade. Duração: 60 minutos. Área de Convivência. Classificação etária: 12 anos. Grátis.

Contos, lendas e cordéis | Dia 26/8 (domingo, 15h)
Com Cleusa Santo e Auritha Tabajara. Um passeio pelo mundo encantado da tradição oral e do cordel, com histórias do povo Tabajara, contos de encantamento e cordéis infantis. Duração: 60 minutos. Biblioteca. Livre. Grátis.

CURSOS

Xilogravura Popular | Dias 25 e 26/8 (sábado e domingo, das 10h)
Com J. Borges. Breve história da xilogravura e de suas principais técnicas. Cada participante será orientado a produzir sua própria matriz de xilogravura e seu processo de impressão. Duração: 6h. Sala 2 das Oficinas. Classificação etária: 14 anos. R$12, R$25 e R$50.

TEATRO

Teatro De Mamulengo | 25/8 (sábado, às 17h)
Com Mestre Valdeck de Garanhuns. O espetáculo conta a história da origem do cordel e de seu desenvolvimento no Nordeste brasileiro. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Livre. Grátis.

MÚSICA

Socorro Lira no show “Meu Interior Urbano”
Repertório inspirado na literatura de cordel, nos cantos de trabalho e nas vozes femininas da poesia brasileira.
Dia: 24/8 (sexta, às 19h)
Local: Varanda da Convivência
Duração: 90 minutos.
Classificação etária: Livre.
Grátis.

Siba no show "De baile solto"
Interpretando seu CD "De baile solto", Siba desfia um repertório que se situa na região fronteiriça entre a música e a poesia.
Dias: 25 e 26/8 (sábado, às 21h; domingo, às 18h)
Local: Teatro
Duração: 90 minutos.
Classificação etária: 12 anos
Ingressos: R$50, R$25 e R$15.

Antônio Nóbrega no show “Domingueira”
Misto de festa, baile e show, o repertório apresenta uma viagem aos ritmos brasileiros.
Dia: 26/8 (domingo, às 16h)
Local: Ginástica
Duração: 90 minutos.
Classificação etária: Livre.
Grátis.


Serviço:
ENCONTRO COM O CORDEL: HOMENAGEM A LEANDRO GOMES DE BARROS
Dias: 24, 25 e 26 de agosto (sexta, sábado e domingo)
Horário, local, ingressos, duração e classificação etária: checar programação específica.

SESC 24 DE MAIO
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo
Fone: (11) 3350-6300

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Terça a sábado, das 9h às 21h.
Domingos e feriados, das 9h às 18h.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Obrigado, Sharjah!



Sábado, 4 de outubro, no Espaço do Emirado de Sharjah, convidado de honra da 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, participei de um painel com o Professor Abdulaziz Al-Musallam, Presidente do Sharjah Institute for Heritage (Instituto para o Patrimônio de Sharjah), grande referência nos estudos sobre os contos folclóricos no mundo árabe. A conversa, mediada por Marwa al Aqrobi, presidente do UAE Board on Books for Young People (UAEBBY), girou em torno das narrativas com versões comuns aos nossos países. E, assim como no Brasil, com dezenas de versões registradas de "Maria Borralheira" (ATU 510A), também em Sharjah, um conto de magia similar à Cinderela aparece com especial destaque na tradição oral.


Depois da atividade, o Professor Abdulaziz, gentilmente, nos acompanhou até o Espaço do Cordel e Repente, no momento em que Socorro Lira lançava o seu livro A Língua que a Gente Fala (IMEPH). Também esteve conosco Aisha Rashid ALhesan Alshamsi, diretora do Arab Heritage Center.

E, na segunda, 6 de agosto, fui convidado, junto ao escritor e contador de histórias Fábio Lisboa, para uma reunião no Espaço de Sharjah. A proverbial hospitalidade árabe, que nós, nordestinos, herdamos, manifestou-se mais uma vez.  E também a generosidade, pois, ao final, para minha surpresa, recebi das mãos do Dr. Abdul Aziz Al Musallam, uma medalha de honra ao mérito. Tal premiação deve-se ao meu trabalho de recolha, catalogação, salvaguarda e publicação de contos de tradição oral em nosso país. 

Agradeço ao Dr. Abdul Aziz, grande referência nos estudos do folclore de seu país, de quem partiu o convite, a Ali Al Shemmari, membro do UAEBBY, e à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), na pessoa de Beth Serra, que mediou os contatos por ocasião da montagem do painel sobre Contos Folclóricos do Brasil e do Mundo Árabe.

A todos, minha eterna (e terna) gratidão.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

O Lobisomem, um Mito Universal

Ataque de um lobisomem em xilogravura de Lucas Cranach o Velho, 1512.

Uma historieta, contada à luz da fogueira ou da lamparina, nos serões noturnos do Brasil interior por quase cinco séculos, fala sobre dois companheiros que viajam à luz da lua, quando um deles cria um pretexto para se ausentar; logo em seguida, o que ficara na estrada é atacada por um animal enorme, da parecência de cachorro, embora mais feroz e ameaçador. O sujeito, apesar do medo e do desespero, consegue ferir o atacante, decepando-lhe uma das orelhas. Espera em vão pelo amigo até decidir continuar a viagem. Dias depois, vai à casa de um parente do desaparecido e descobre que ele está muito mal de saúde. Vai até o quarto onde o outro convalesce e constata que lhe falta uma orelha.
O lobisomem, assombração conhecida em todo o Brasil, não faltando, inclusive, testemunhas oculares, gente que se viu cara a fuça com o bicho, corre o mundo com versões e variantes que encheriam muitas páginas. Gustavo Barroso, no livro O sertão e o mundo, reproduz uma versão cearense da história acima, e, citando Léon Wieger, autor de Folk-lore chinoise (Folclore chinês), resume a lenda de Kiang-Tcheu, velho camponês que, depois de curar-se de uma moléstia, desaparece sem deixar vestígios. Um lenhador que adentra a floresta é acossado por um enorme lobo, mas escapa subindo a uma árvore, mesmo tendo sua calça abocanhada pelo animal, ao qual fere com sua machadinha. No outro dia, seguindo o rastro de sangue vai ter à casa do camponês e o encontra ferido na cabeça com pedaços de suas calças entre os dentes.
Mestre Câmara Cascudo consigna a universalidade do mito. Sua presença maléfica se encontra nas páginas de Plínio, o Velho, Heródoto, Petrônio, Ovídio e Petrônio. Este último, no capítulo LXII do Satyricon, nos conta a história de Niceros que, em companhia de um soldado, deambulava à noite sob a lua da lua cheia. Quando passavam por um cemitério, o soldado livra-se das roupas, urinando sobre elas, enquanto conjura os astros, transformando-se em lobo e fugindo em seguida através da mata. Niceros chega à casa de Melissa de Tarento, que lhe conta uma história estranha e aterrorizante: um lobo atacara seu rebanho e fugira, depois de ser ferido no pescoço por um escravo. No outro dia, Niceros encontra o companheiro de jornada ferido na nuca. Era, com efeito, um licantropo.
Amparada no medo ancestral dos predadores, dos quais o lobo, animal totêmico, parece ser exemplo notório, a origem da crença em lobisomens é motivo de muita controvérsia. Licaon, rei da Arcádia, foi transformado em lobo por Zeus, por haver infringido as regras da hospitalidade. A Arcádia era a terra dos pastores e do poeta Evandro, que, segundo a tradição, levou a festa das Lupercais para Roma. Havia, por outro lado, um culto ao Zeus-Licaeus, identificado ao Baal fenício, igualmente um deus da tempestade. Licaon deve ter sido um herói civilizador que reelaborações posteriores do mito transformaram num rei impenitente. Na Roma do tempo de Augusto, cujo herói epônimo fora amamentado por uma loba, Virgílio releu a lenda sob o viés da metamorfose punitiva.

A besta de Gevaudan, que entre 1764 e 1767, assombrou a França sob Luís XV, matando em torno de cem pessoas, seria um loup-garou.
Há mais de uma explicação para a metamorfose lupina, mas as suspeitas recaem, quase sempre, sobre os sujeitos amarelos e pálidos, que, nas noites de quinta para sexta-feira, procuram um local onde os animais costumam espojar-se e, depois de despirem-se, viram as roupas ao avesso e vestem-nas, começando a rolar sobre o bosteiro. Depois, transformados, vão correr fado, visitando sete cemitérios e sete vilas, devorando rebanhos, pequenas criações e até crianças. Os “escolhidos” são os filhos de compadre com comadre, sobrinho com afilhada, o sétimo filho “homem”, o filho nascido depois de sete filhas etc.
Câmara Cascudo descreve, com sua peculiar prosa poética, a sina do lobisomem sertanejo:
“Até o terceiro cantar do galo, o lobisomem galopa e rincha, berra e foge, espalhando terror. Ataca os caminhantes solitários para sugar-lhes o sangue. Vendo duas pessoas, esconde-se. Picando-o à faca, “quebram” o fado por aquela noite. É vulnerável a tiro. Some-se ouvindo o canto do galo. O galo, em todas as histórias e lendas sertanejas, é o libertador do medo, o vencedor das trevas, augúrio do Sol, arauto do dia longínquo. Não há fantasma ou alma penada que resista a seu canto sonoro.”
No livro Contos e lendas da Terra do Sol, escrito em parceria com Wilson Marques, coligimos uma lenda sobrenatural com o temível lobisomem. Na literatura de cordel, por incrível que pareça, não há muitos títulos enfocando o tema. De cabeça, me vêm quatro histórias: O lubzhomem do mar, de Luís da Costa Pinheiro, que Câmara Cascudo incluiu em Geografia dos mitos brasileiros; O lobisomem encantado, de Manoel d’Almeida Filho, da coleção Luzeiro, e O lobisomem da Avenida São João, de Costa Senna, um resumo do romance em prosa do mesmo autor, e A Malassombrada peleja de Pedro Tatu com o Lobisomem, de Klévisson Viana. Por outro lado, temos um autor do gênero, Victor Alvim, que assumiu, sem medo nem culpa, a acunha Lobisomem. O lobisomem, como totem ou tabu, vive na boca do povo e na verve de nossos aedos.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Do Folclore ao Cordel



Da página do Centro Cultural Fiesp.

Com Marco Haurélio

L - Livre para todos os públicos

Viaje pelo Brasil por meio da rica literatura de cordel!

Conhecido por suas lendas, mitos e contos populares, o folclore brasileiro abriga a essência da nossa formação como povo. Como um legado de uma geração para outra, a tradição oral do país chamou a atenção de estudiosos como Sílvio Romero e Luís da Câmara Cascudo.  A literatura de cordel é uma delas, grande propagadora de lendas e contos populares que foram além do Nordeste e alcançaram todo o Brasil.

A Lenda do Batatão é um desses livros que bebem na fonte da tradição. Autor de mais de 40 livros, maior parte voltada à cultura popular, Marco Haurélio propõe nesse encontro uma viagem pelo território brasileiro profundo, enquanto conta como se dá o processo criativo e outras etapas do livro.


CENTRO CULTURAL FIESP
Sala do Educativo
Av. Paulista, 1.313

(Em frente à estação Trianon-Masp do metrô)