domingo, 27 de setembro de 2020

A Morte das Livrarias



 

Por Ednilson Xavier[1] e Ednei Procópio[2]

 

Já se vão algumas décadas desde que Monteiro Lobato cunhou a célebre e memorável frase “Um país de faz com homens e livros!”.

Lobato iniciou uma carreira de editor quando comprou, em 1918, a Revista do Brasil para, logo em seguida, fundar a Companhia Editora Nacional. Não levou muito tempo para ele perceber que não havia muitos espaços no comércio para escoar toda sua própria produção literária, assim como toda produção brasileira.

Não podemos negar que houve um imenso esforço de pessoas, em um passado não muito distante, como a do próprio Lobato, de fazer do Brasil um país realmente de leitores, com grande número de livrarias espelhadas pelas diversas cidades, como acontece em diversos países, civilizados, que tem na Cultura e na Educação suas prioridades. Mas, infelizmente, a cada dia que passa, o que estamos presenciando em nosso país é esse sonho se desprendo de nossos ideais.

Muito de nós, atentos ao mercado livreiro, ficamos abismados, até um tanto quanto perplexos, quando um dos executivos da Amazon proferiu uma palestra, em 2012, para convidados na abertura da 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, afirmando que as livrarias físicas iam desaparecer, iriam morrer. Naquele momento, muitos de nós achamos uma aberração aquela afirmação, de certa forma, apocalíptica; pensamos que o executivo estava redondamente equivocado em sua declaração. Acreditávamos que o mercado literário e livreiro brasileiro era diferente, que era forte, consolidado, ético; com uma cadeia produtiva e distributiva muito bem definida.

Pois não é que, guardada às causas e seus efeitos, o executivo da gigante multinacional tinha razão:

Livrarias físicas morreram

Houve um equívoco talvez somente no período em que isso pudesse ocorrer. Pelos cálculos deles, as livrarias iriam desaparecer entre 2012 e 2017, ou seja, nos cinco anos após sua apresentação. Em 2020, não só as livrarias, principalmente as pequenas e medias, praticamente desapareceram como, bem antes disso, as editoras já haviam se rendido às amarras comerciais daquela gigante internacional.

Mas a gigante internacional, sabemos, tem nos livros apenas um atrativo para nutrir seus banco de dados e ganhar rios de dinheiro com a oferta de outros produtos e serviços que não tenham uma concorrência tão desleal quanto a que ela própria impõe ao livro. A Amazon encontrou no mercado editorial brasileiro, tanto quanto em outros países por onde passou antes e depois, um terreno fértil para sua exploração mercantilista.

Mas não encontramos uma concorrência predatória apenas nas gigantes estrangeiras. As pequenas e independentes livrarias de rua, desde sempre a ponta de frente desse mercado, já vinham enfrentando seus próprios fantasmas internos com as redes que tentavam copiar um modelo de negócios trazido de fora sem levar em conta nossas particularidades, insustentável para o mercado interno.

O que acompanhamos hoje, no Brasil, são algumas livrarias que ainda lutam bravamente, seguindo aquele incansável espírito quixotesco e idealista de acreditar até o último instante que tudo o que fazemos pelos livros vale a pena. E para essas livrarias nós temos que tirar o chapéu pelo ato de bravura, paixão pelos livros e por manter vivo aquele sonho de nutrir a população brasileira com conhecimento.

Temos acompanhado algumas iniciativas de ajuda que, do ponto de vista prático, embora tenha ajudado muitos negócios em particular, podemos considerar como paliativas no sentido de não só socorrerem essas livrarias, mas de mantê-las efetivamente vivas frente às demandas. A origem de todo o problema, porém, não é e não foi encarado com a coragem necessária. Além de toda a questão do custo da logística dos livros, da divisão dos percentuais sobre as vendas, nos esquecemos completamente da ética em nossas relações comerciais.

O mercado livreiro vem resistindo há muito tempo a um cenário de constantes crises, cíclicas, instaladas desde a época em que as livrarias ainda comercializavam livros didáticos e participavam ativamente de licitações públicas; quando as livrarias ainda eram, de fato, as grandes representantes do mercado editorial.

Ao longo dos anos, atravessamos uma crise atrás de outra e o número de livrarias veio diminuindo em cada uma delas. Sobressaíram somente redes maiores que, durante o período do último governo democrático, por exemplo, conseguiram financiamentos a juros justos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); ao mesmo tempo em que foram beneficiadas pelo próprio mercado editorial com condições comerciais diferenciadas e atrativas por parte das grandes editoras. Algumas poucas livrarias conseguiram aproveitar muito bem esses benefícios, enquanto outras naufragaram.


Omissão

 

Diante de todos os acontecimentos catastróficos ao mercado livreiro, as entidades mais representativas do livro foram omissas ao problema que as livrarias independentes estavam enfrentando. Muitos de nós, os livreiros em particular, sentimos um total desprezo em relação ao desmoronamento dos diversos pontos de vendas espalhadas por nosso país. E o resultado da falta de vontade e atitude das entidades mais representativas do livro nos trouxe como herança o enfraquecimento e o desaparecimento das livrarias de rua. Deixamos, assim, cada vez mais, a população totalmente desabastecida e com menor acesso a informação.

Não podemos deixar de levar em conta que esta realidade contribui com o aumento do abismo social que vivemos em nossa sociedade, aonde os livros considerados bons por sua qualidade literária, a cada dia, se torna produto para os privilegiados; fica para a plebe o que é literalmente despejado nos tradicionais saldões que imperavam em todas as bienais e feiras do livro. Aliás, abrindo um parêntesis, não podemos nos enganar: livros de saldões não são bons porque são economicamente acessíveis. Salvo raríssimas exceções, esses produtos não formam leitores. Nas ocasiões de certas feiras, ficávamos com a falsa impressão de que havíamos vendido muitos exemplaras e que aquele evento tinha sido um sucesso. Mas a formação do leitor que, mais tarde, seria o consumidor qualitativo dos livros, foi deixada de lado. O livro comprado por meio dos saldos, na maioria das vezes, é lido até a segunda página, de tão ruim que é. E o leitor merece livros de qualidade!

Mas voltando a questão da omissão das entidades representativas do livro, um problema em nosso ver gravíssimo é a falta de unidade dentro da própria cadeia criativa e produtiva. É visível, para nós que respiramos este mercado que cada entidade, ao buscar cuidar de um nicho, peca em visualizar e pensar soluções para o todo. Na Câmara Brasileira do Livro (CBL), por exemplo, a impressão que fica, e que talvez nem mesmo a entidade tenha a consciência disto, é que ela foca no mercado de editoras paulistas; o Sindicado Nacional de Editores e Livreiros (SNEL) está localizado no mercado carioca; a Associação Brasileira de Difusão do Livro ABDL, se restringe ao mercado porta a porta; a ABRELIVROS nos livros didáticos.

Entendemos que o foco num país gigante como o Brasil é importante, mas precisamos aprender a ver o todo, pois não somos ilhas isoladas, fazemos parte de um mercado que é um todo. O conceito de “agir localmente, mas pensar globalmente”, nunca fez tanto sentido.

Temos nesse cenário, as demais câmaras e entidades regionais que buscam, isoladamente, desenvolver ações e políticas dentro de seus próprios estados e regiões. Mas uma visão menos global, mais regional, nos traz um egocentrismo e desarmonia institucional que deveria enxergar exatamente os pequenos empreendimentos editoriais, mas que, ao mesmo tempo, não reflete nas pequenas e médias livrarias locais, que são juntamente o elo mais frágil do setor.

 

É um cenário de contradições!

 

Todo esse cenário, de cada um por si, infelizmente, contribui para que os pequenos e médios negócios, tão importantes para a nossa bibliodiverdidade literária, não consigam resistir a tanta confusão mercadológica. Uma prova dessa realidade foi a última Bienal do Livro de Alagoas, realizada em 2019, por sinal, muito bem organizada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), mas aonde não havia nenhum entidade do livro que apoiasse essa importante festa literária no Nordeste. Esse exemplo demonstra e é a prova de um verdadeiro descaso com alguns importantes eventos regionais.

Nessa grande batalha entre David contra Golias, não podemos deixar de reconhecer a disposição da Associação Nacional de Livraria (ANL), e outras entidades consideradas pequenas, mas com um alcance sem igual, pelos esforços em tornar o mercado minimamente ético ou, pelo menos, mais harmonioso.

Para além das várias tentativas de entendimento do mercado editorial, as últimas atitudes que podemos destacar da ANL foi o encaminhamento da lei do preço fixo no senado (PL 49 de 2015[3]). Um projeto belíssimo, totalmente pensado dentro dos limites da constitucionalidade e do livre mercado, que pretendia instituir uma política para a regulação que iria refletir não só nos preços dos livros, mas, na verdade, na sustentabilidade desse mercado por meio do rateio democrático dos descontos.

Mas em vez de apoiar um projeto que iria fortalecer o nosso negócio criando uma reserva comercial dentro de um cenário de concorrência global, por meio da discussão saudável, e da melhoria do plano de lei, algumas entidades, como a Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL ) e a própria ABRELIVROS, foram explicitamente contra o projeto; algumas delas, muitas vezes, sem fazer a lição de casa de buscar compreender que, diante das transformações tecnológicas e mercadológicas globais, estava claro que as livrarias não sobreviveriam.

Sentimos como se estivéssemos fazendo o trabalho de formiguinhas, mas que, ao mesmo tempo, o formigueiro estivesse desabando. A ANL tentou, em sua convenção anual de 2016, instituir um “Manual de boas práticas do setor editorial e livreiro[4]”, um documento chancelado pela Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AEL), pela Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU), pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ ), pela Liga Brasileira de Editores (LIBRE) e CBL. Ou seja, o tempo todo nós estávamos tentando criar uma unidade mínima visível para o mercado editorial e livreiro.

Mas no mercado editorial brasileiro é fácil unir ideias, difícil é unir pessoas. E, diante de toda dissonância institucional, se instalou em nosso país uma terra de ninguém, onde manda quem pode, obedece quem tem juízo. Livrarias concorrendo com os próprios fornecedores, além de uma concentração de mercado nunca existente em nossa história desde quando Monteiro Lobato começou a vender livros em farmácias.


Um verdadeiro canibalismo contra os pequenos e médios negócios livreiros

Esse texto não é um desabafo, nem uma bronca. É o testemunho de quem respira os livros. Nas últimas duas décadas, nós erramos, nós erramos feio. E por essa razão as livrarias morreram. Apostamos que os grandes grupos editorias iriam fortalecer o mercado livreiro. Apostamos que, ao concentrar as nossas vendas nas grandes redes de livrarias, pudéssemos concorrer com a Amazon, antes dela com a Fnac, e nos esquecemos totalmente das pequenas e médias livrarias.

Se quiséssemos ter em suas prateleiras os mais vendidos e as novidades dos grandes grupos editoriais, nós as pequenas livrarias que procurássemos por um distribuidor que estivesse sensível à causa. Distribuidor que, por sua vez, passou também a fornecer diretamente para escolas, universidades e, principalmente, bibliotecas públicas. Restou para o livreiro local somente o papel de vitrine barata para best-sellers lá de fora.

Nós, os livreiros que tanto apostamos na bibliodiversidade que vinha de todas as pequenas, médias e grandes casas editoriais brasileiras; nós, que historicamente ajudamos a erguer as grandes casas editoriais, fomos obrigados a encurtar o nosso alcance literário tornando-o medíocre. Quantas vezes nós avisamos. Estava na cara que uma hora a corda da concorrência predatória praticada, de tanto esticada, ia estourar.

Juntemos a tudo isso a pandemia instalada na Saúde Pública, o pandemônio na presidência da República que não demonstra o mínimo interesse para com a Educação, muito menos para com a Cultura. Infelizmente chegamos ao fundo do poço. Às livrarias que ainda resistem a esse duro, cruel e desigual mundo do livro no Brasil, não restarão alternativas a não ser reinventarem seus negócios até com a venda de outros produtos que tenham uma concorrência, pelo menos dentro, dos limites da ética. É uma triste e tenebrosa realidade, mas é a deplorável situação que se encontra o mercado do livro no Brasil.

Um país se faz com homens e livros!” é um verdadeiro mantra para quem vive do livro; serve até de inspiração e fonte de energia para continuar gerindo os nossos negócios. Mas sejamos honestos, os livros, lá do final da frase, nós já temos, mas tentativas paliativas de reerguer o mercado não vai resolver a questão em nosso país. Agora, mais que nunca, o que precisamos é de homens de coragem. Coragem para criar um novo mercado, reestruturado por meio de uma nova política ética para todos os personagens do negócio do livro.

Mas, coragem, nós já sabemos, o mercado editorial já provou que não tem!



[1] Ednilson Xavier é livreiro e consultor literário. Ex-presidente da Associação Nacional de Livrarias (entre 2011 a 2015).

[2] Ednei Procópio é escritor e editor especialista em livros digitais, atualmente editora na Editora Dufaux.

sábado, 5 de setembro de 2020

Selo Altamente recomendável para A Lenda do Teatro de Sombras

 


A comemoração é em dobro. Além  de A Jornada Heroica de Maria (Melhoramentos), o livro A Lenda do Teatro de Sombras (Paulinas) também recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil na categoria Poesia. Com texto meu e preciosas ilustrações de Fernando Vilela, o livro conta a história do imperador chinês Wu-Ti e do mago Shao-Weng, que recebe a incumbência de trazer de volta do Reino da Sombras do soberano. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

'Jornada' altamente recomendável

 


O livro A Jornada Heroica de Maria, lançado pela Melhoramentos em 2019, recebeu mais uma importante distinção. Depois do selo Seleção Cátedra-Unesco, da PUC Rio, e de ser escolhido para compor o catálogo da Feira do Livro de Bolonha, Itália, a Jornada, agora recebe o selo Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Inspirado em contos da tradição oral brasileira, escrito em sextilhas de cordel e ilustrado com xilogravuras, por Lucélia Borges, a obra segue os parâmetros clássicos da poesia popular do Nordeste brasileiro.




Meus versos viajam muito

Em busca de inspiração:

Vão até reinos distantes,

Depois voltam pro sertão,

Trazendo as flores colhidas

No Jardim da Tradição.

 

Na história que ora conto,

De amor eu quero falar.

Quem caminha nesta senda

Um dia irá encontrar

A essência verdadeira

Que brota do caminhar.

 

Quem a ler até o fim

Verá a perseverança

Fazer brotar a semente

No canteiro da esperança,

Pois o amor verdadeiro

É mais forte que a vingança.

 

Xilogravura de Lucélia Borges
Xilogravura de Lucélia Borges.

Maria, a protagonista, como entrevê-se pelo título, precisa fazer uma jornada em busca de seu amado, o Príncipe do Reino do Limo Verde, que está entre a vida e a morte. Terá de ir ao reino do Sol, da Lua e do Vento e ainda enfrentará uma monstruosa serpente para salvar o amado e a si mesma.

Nosso agradecimento à Editora Melhoramentos pela edição primorosa e pela ampla divulgação da obra, adotada em vários colégios. 

Para adquirir o livro, clique AQUI. 


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Curso on-line sobre o lado obscuro dos contos de fadas

 


Conto de Fadas: Retorno ao País da Infância - com Marco Haurélio - 3º módulo - Casa Tombada

Sobre o curso

Muitos contos populares ao redor do mundo trazem histórias tenebrosas mostrando a face perversa do ser humano, desencadeando um círculo vicioso que só se romperá com o despertar da consciência, que implica desobedecer a uma ordem expressa por parte da pessoa oprimida, uma mulher, nos contos-tipo Barba Azul. Por outro lado, há um vasto ciclo de narrativas em que o demônio propõe um pacto ao homem que o invoca, por vezes involuntariamente, nas quais a alma deve ser oferecida em troca de riquezas. Há, ainda, os contos em que a Morte figura como um aliado, ainda que temporário, de um homem com quem estabelece relações de compadrio. São incontáveis, também, os contos em que alguém, geralmente uma pessoa jovem, precisa superar o medo para realizar uma tarefa tida como impossível. Contos como “Os três fios de cabelo do Diabo” ilustram bem esse bloco de histórias. Já a história “O jovem que queria saber o que é ter medo” subverte o pressuposto do conto de herói ao apresentar um protagonista que sai pelo mundo em busca de uma necessidade básica, que não pode, jamais, ser confundida com a covardia. Parece satirizar certo ideário medieval, que forja o arquétipo do cavaleiro sem medo, que se opõe à população acovardada, à qual deve defender. O medo, afinal de contas, nasce de nossa atitude defensiva ante aquilo que tememos ou não compreendemos. Temos medo, pois sabemos que, um dia, todos morreremos.


Encontro 1 (16/09): A câmara do Barba-Azul;

Encontro 2 (30/9): O conto do jovem que desconhecia o medo;

Encontro 3 (14/10): O ciclo do demônio logrado no folclore e no cordel

Encontro 4 (28/10): Ó Morte, tu que és tão forte

Encontro 5 (11/11): Noivas sobrenaturais: Yuki-Ona, Melusina e a Mãe d’Água

Encontro 6 (25/11): Os filhos do medo, a obra-prima de Ruth Guimarães


SUGESTÕES DE LEITURA


ALCOFORADO, Doralice. Belas e feras baianas. Salvador: SECULT, 2008.

AMARAL, Amadeu. Tradições populares. São Paulo: Hucitec, 1976. ARAUJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Tradução de Arlene Caetano. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

CALVINO, Ítalo. Fábulas italianas. Tradução de Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. Tradução de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Pensamento, 1989.

CARDIGOS, Isabel; CORREIA, Paulo. Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses (Com as versões análogas dos países lusófonos). CEAO da Universidade do Algarve / Edições Afrontamento: Portugal, 2015.

CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. 13. ed. São Paulo: Global, 2004.

COELHO, Adolfo. Contos populares portugueses. Portugal: Compendium, 1996.

FERREIRA, Jerusa Pires. Armadilhas da memória (conto e poesia popular). Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 1991.

FRANZ, Marie-Louise von. A sombra e o mal nos contos de fadas. Tradução de Maria Cristina Penteado Kujawski. São Paulo: Paulinas, 1985.

FROBENIUS, Leo; FOX, Douglas C. A gênese africana. Tradução de Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo: Landy, 2005.

GOMES, Lindolfo. Contos populares brasileiros. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1965.

GUIMARÃES, Ruth. Calidoscópio: a saga de Pedro Malasartes. São José dos Campos: JAC Editora, 2006.

_____________. Os filhos do medo. Porto Alegre: Globo, 1950.

HAURÉLIO, Marco. Contos e fábulas do Brasil. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Nova Alexandria, 2011.

_____________. Contos folclóricos brasileiros. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Paulus, 2010.

_____________. O príncipe Teiú e outros contos brasileiros. São Paulo: Aquariana, 2012.

_____________, Wilson Marques. Contos e Lendas da Terra do Sol. São Paulo: Paulus, 2019.

_____________. Vozes da tradição. Colaboração: Lucélia Borges. Fortaleza: IMEPH, 2018.

KIRK, G. S. The nature of greek myths. EUA: Penguin Books, 1985.

LEEMING, David. Do Olimpo a Camelot. Um Panorama da Mitologia Europeia. Tradução de Vera Ribeiro. São Paulo: Zahar, 2004.

MEREGE, Ana Lúcia. Os contos de fada – origem, história e permanência no mundo moderno. São Paulo: Claridade, 2010.

NASCIMENTO, Bráulio do. Estudos sobre o conto popular. São Paulo: Terceira Margem, 2009.

PIMENTEL, Altimar. Estórias de Luzia Teresa (Três volumes). Brasília: Thesaurus, 1995.

PROPP, Vladimir. As raízes históricas do conto maravilhoso. 2. ed. Tradução de Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

ROMERO, Sílvio. Contos populares do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1985.

XIDIEH, Oswaldo Elias. Narrativas pias populares. São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros – USP, 1967.


Quem é o professor

marcohaurelio

Marco Haurélio, escritor, professor e divulgador da literatura de cordel, tem mais de 40 títulos publicados, a maior parte dedicada a este gênero que conheceu na infância, passada na Ponta da Serra, sertão baiano, onde nasceu. Vários de seus livros foram selecionados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para o Catálogo da Feira do Livro Bolonha. Finalista do Prêmio Jabuti, suas obras receberam distinções como o selo Altamente Recomendável, da FNLIJ, e o selo Seleção Cátedra-UNESCO (PUC-Rio). Em sua bibliografia destacam-se as obras Contos folclóricos brasileirosA lenda do Saci-PererêMeus romances de cordelLá detrás daquela serraO encontro da cidade criança com o sertão meninoTristão e Isolda em CordelA jornada heroica de Maria Contos e fábulas do Brasil. Ministra cursos sobre cordel e contos tradicionais em espaços os mais diversos.


Quando

Dias 16 e 30/09; 14 e 28/10; 11 e 25/11
Horário: das 19h às 21h

Todos os encontros são gravados, portanto é possível fazer a inscrição após o início do curso e ter acesso ao conteúdo anterior

Onde 

Online
As informações de acesso serão disponibilizadas por e-mail.

Público

Geral.

Turma

40 pessoas

Investimento

R$ 240,00
(10% de desconto para alunos dos módulos anteriores)
em até 4x sem juros ou
7% de desconto à vista pelo PagSeguro.

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Cordel e xilogravura: tesouros da cultura brasileira


 Sexta, 15h00, temos um encontro marcado! Participarei, com a companheira Lucélia Borges (@luborges_xilo), da feira do Livro de São Sebastião (FLISS), edição 2020, numa conversa mediada por Tereza Oliveira. Na pauta, o casamento do cordel com a xilogravura, dois tesouros da cultura brasileira.

Acesso: https://www.sympla.com.br/eventos?s=mpumalanga

Instituto Mpumalanga

terça-feira, 18 de agosto de 2020

FOLCLORE, A CIÊNCIA DA PSICOLOGIA COLETIVA

 

Luís da Câmara Cascudo, nosso mais importante folclorista






O que vem a ser mesmo o Folclore, esta “cultura do popular tornada normativa pela tradição”, segundo mestre Luís da Câmara Cascudo? Quem são os garimpeiros que foram a campo, coligiram, estudaram e, mais raramente, interpretaram, à luz de mais de uma doutrina, as sementes espargidas em muitos locais, desde o tempo em que se acreditava que a Terra tinha quatro cantos? Eles atendem por vários nomes e pertencem a uma Sociedade Internacional, sem sede definida e cujos estatutos, sempre renovados, atualizados, valem em qualquer tempo e lugar. Atendem pelos nomes de Jakob e Wilhelm Grimm, Aurélio M, Spinosa, Carmen Lyra, Teófilo Braga, Adolfo Coelho, Sílvio Romero, João Ribeiro, General Couto de Magalhães, Lindolfo Gomes, Consiglieri Pedroso, Leite de Vasconcelos, René Basset, Carolina Michaelis de Vasconcelos,  Paul Sebillot, Giuseppe Pitré, Ion Creanga, Aleksander Afanas’ev, Joseph Jakobs, João da Silva Campos, Leite de Vasconcelos, Stith Thompson, Luís da Câmara Cascudo, Raffaele Corso, Andrew lang, Aluísio de Almeida, Waldemar Iglésias Fernandez, Oswaldo Elias Xidieh, Altimar Pimentel, Carlos Rodrigues Brandão, Idália Farinho Custódio, Abdulaziz Al Mussalam, Maria Aliete Farinho Galhoz, Theo Brandão, Joaquim Ribeiro, Edil Costa, Daniel D’Andrea, Doralice Alcoforado, Oswaldo Meira Trigueiro, Paulo Correia, Francisco Assis de Souza Lima, Ruth Guimarães, José Joaquim Dias Marques, Bráulio do Nascimento, Isabel Cardigos etc. e tantos outros admiráveis guardiães do Jardim da Tradição!

William John Thoms, criador do termo "Folclore"

O termo Folclore (de folk, povo, e lore, saber, conhecimento), que abrange, além do patrimônio oral, tradições diversas vinculadas a usos, crenças e costumes, definidoras dos laços identitários que justificam a existência de povos e nações, surgiu nas páginas da revista londrina The Atheneum, no dia 22 de agosto de 1848. Empregou-a, pela primeira vez, sob o pseudônimo Ambrose Merton, o arqueólogo William John Thoms, bibliotecário da Câmara dos Lordes e reconhecido antiquário. O neologismo foi adotado pelos povos latinos, substituindo a palavra demologia. Os primeiros folcloristas concentraram esforços em recolher antigas tradições, frente ao risco iminente de desaparecimento. Peter Burke, em Cultura popular na Idade Moderna, relata essa “corrida do ouro” que desconcertou os humildes moradores de regiões até então pouco lembradas pelas elites econômicas e do pensamento: “Foi no final do século XVIII e início do século XIX, quando a cultura popular tradicional estava justamente começando a desaparecer que o ‘povo’ (o folk) se converteu num tema de interesse para os intelectuais europeus. Os artesãos e camponeses decerto ficaram surpresos ao ver suas casas invadidas por homens com roupas e pronúncias de classe média, que insistiam para que cantassem canções tradicionais ou contassem velhas histórias (2010, P. 26)”.

Doralice Alcoforado, coletora de contos e romances.

Houve, claro, nesses 182 anos que se seguiram à publicação do artigo de Thoms, muitas disputas em torno do objeto de estudo dessa ciência da psicologia coletiva, notáveis avanços, raros retrocessos, motivando polêmicas que extrapolaram a fileira daqueles que defendiam o Folclore como ciência autônoma mas não desirmanada de outras áreas do pensamento, notadamente a Etnografia, a Antropologia e a Sociologia, sem esquecer, obviamente, a História. Câmara Cascudo, citado no início desse texto, reconhece esse equilíbrio, entre a permanência e a mobilidade, com a prevalência, no campo das predileções coletivas, de manifestações que comportam certos rituais, quando afirma: “Nenhuma disciplina de investigação humana imobilizou-se nos limites impostos, quando de seu nascimento. Qualquer objeto que projete interesse humano, além de sua finalidade imediata, material e lógica, é folclórico”. (Dicionário do Folclore Brasileiro, p. 319). É de João Ribeiro, pioneiro nos estudos sistemáticos da matéria no Brasil, conquanto estivesse impregnado, para além da conta, das ideias da escola alemã de Folclore, talvez a melhor definição: “O Folclore é, pois, uma pesquisa da psicologia dos povos, das suas ideias e seus sentimentos comuns, do seu inconsciente feito e refeito secularmente e que constitui a fonte viva de onde saem os gênios e as individualidades de escol” (O Folclore, p. 29).

Ponta da Serra, Bahia.

Nascido numa localidade rural do interior baiano, acostumado desde cedo ao canto alegre dos acalantos e à melodia triste das “incelenças”, aos aboios e aos adjuntos, jamais imaginei que as procissões, corridas de argolinha, cavalhadas e festas de reis, além das histórias populares, cantigas e romances, vasto cortejo de tradições que conheci vivas e amadas, eram objeto de estudo para folcloristas e etnógrafos. Aquilo tudo, para mim, resumia-se em uma palavra: vida. Vida em plenitude.

Imagens: 1. Luís da Câmara Cascudo. 2. William John Thoms. 3. Doralice Alcoforado. 4. Ponta da Serra (Bahia). 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

1001 Histórias do Ceará

 

Um livro valioso, mas pouco conhecido e divulgado nos meios em que se estuda a tradição oral no Brasil é 1001 Histórias do Ceará – Contos Populares. Escrito por Fabiano dos Santos, atual secretário de Cultura do Ceará e parceria com a antropóloga Andréa Havt Bindá, a obra, publicada em 2006, reúne, salvo engano, 28 contos tradicionais coletados no estado do Ceará e publicadas com o selo da Secretaria de Cultura do Estado. Os locais da recolha e a região a que pertencem aparecem ao lado do nome dos informantes, 21, sendo 14 homens e sete mulheres.

Entre os contos coletados, lemos “O rei que tinha chifres  (ATU 782 : O príncipe com orelhas de burro), versão cabocla do episódio jocoso envolvendo o mítico rei Midas; Os Três Conselhos da Sorte (ATU 910B : Os bons conselhos do patrão) e “O Filho Pródigo” (ATU 935 : O regresso do Filho Pródigo), que imagino ser a única versão documentada no Brasil da parábola bíblica. Encontramos ainda histórias que foram popularizadas pelo cordel, mas têm origem na tradição, caso de Melancia e Coco Verde (ATU 885A : A falsa morta) e o Romance do Floriano (ATU 513A Seis companheiros vão correr mundo), parte em prosa parte em verso, por se tratar de uma versão incompleta do clássico cordel Vitória de Floriano e a Negra Feiticeira, de Manoel D’Almeida Filho. O acróstico ALMEIDA, inclusive, aparece na íntegra ao final da história. Este é o senão da coletânea e, numa reedição, deverá constar uma nota remetendo ao autor do cordel e, se possível, um estudo comparativo sobre a versão tradicionalizada, em parte mutilada.

Mas o livro tem outras pérolas, como o conto Encontro com a Morte (ATU 332 : A Morte madrinha), muito bem narrado e transcrito, e O rei que não acreditava em Deus (Marzolph *930D : O anel do rei), tradicionalíssima história divulgada nas “Cantigas de Santa Maria”, do rei D. Alfonso o Sábio, no século XI, mas conhecida desde a Antiguidade em seu episódio mais importante, o do anel perdido  que reaparece no ventre de um peixe, na lenda do Anel de Polícrates, imortalizada por Heródoto.

Ah! E eu ia me esquecendo: o livro é ilustrado pelo craque Rafael Limaverde.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Lançamento!



Nesta quinta, 13 de agosto, às 20h00, serão lançados quatro folhetos de cordel, todos com o selo da Rouxinol do Rinaré Edições, de Fortaleza (CE):

A Lenda da Loira do Banheiro (reedição). Parceria com João Gomes de Sá. Xilogravura de Lucélia Borges.

O Tostão da Discórdia. Parceria com Pedro Monteiro. Capa: Eduardo Azevedo.


Marúsia e a Maldição do Vampiro. Capa: Eduardo Azevedo.


Balada de Pero e Isabel. Xilogravura de Lucélia Borges.

O evento será via Instagram, no perfil @rouxinoldorinare e terá mediação de Julie Oliveira (Ganesha Produções).

domingo, 9 de agosto de 2020

Bença, Painho (crônica para o Dia dos Pais)


Ninguém nasce no sertão à toa. Não é lição, nem frase de efeito. É constatação. Hoje, quando revisito a casa onde nasci, na Ponta da Serra, no semiárido baiano, onde caatinga e cerrado se abraçam, sou invadido por uma sensação estranha de vazio e de plenitude. A casa amarela, construída por meu bisavô, major Ramiro José de Farias, na década de 1920, é a única ainda de pé no que antes fora um casario. Um belo casario. Meu pai, Valdi, vendeu a propriedade em 1986, quando nos mudamos para Serra do Ramalho, muitas léguas além, nas barranceiras do rio São Francisco. Ficaram para trás, além da casinha de adobe, a igreja, também erguida por meu bisavô, e o umbuzeiro do quintal, que foi meu gabinete de leitura quando, enfim, comecei a decifrar, muito por conta própria, mas, principalmente, pelas leituras dos cordéis, o mundo da escrita. Ficou para trás a casa de meus avós paternos, Luzia e Joaquim, ela minha grande professora, contadora de histórias extraordinárias, Sherazade das noites sem fim do sertão de minha infância. Hoje, entre os escombros da casa, pastam as reses do atual proprietário.

E por que a sensação de vazio e de plenitude da qual falei há pouco? Talvez pela impossibilidade de recompor, mesmo na memória, tantas sensações, cheiros, sabores, vozes, cantos, choros, rezas, risos, vida jorrando de lábios e olhos. Ofício de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da comunidade, rezado nas sentinelas e no dia da Santa, 8 de dezembro. A voz de Tio Dão, João Farias, se sobressaindo às demais, nas rezas ao pé do cruzeiro. Os ramos de Tio Maçu espantando a doença, o mau olhado, afugentando a peste. Madrinha Nenzinha, na moldura da janela de sua casinhola, à espera de alguém que lhe pedisse rapadura. Cachorro latindo, adivinhando assombração. Mas a lembrança que vincou mais forte é, sem dúvida, a de meu pai retornando todo o sábado, da feira de Bom Jesus da Lapa, aonde ia vender tijolos (doces feitos em tachos) e requeijão. A cada retorno ele trazia, sem falta, dois folhetos de cordel, que eram lidos no dia seguinte, com a presença de toda a família. A sua coleção, herdada de minha avó, já passava de uma centena. Os novos “moradores” disputavam com os mais velhos a minha predileção.

Não era incomum, ainda, ele cantar para eu dormir. Cantiga de adormecer menino pode ser assustadora, engraçada ou melancólica. Minha mãe, Maria, repetia, sempre, “o sapo cururu/ na beira do rio,/ quando o sapo canta/ é porque tem frio”. E ele respondia com um acalanto triste e bonito ao mesmo tempo. Aprendera-o com sua mãe. Falava de um passarinho que, por perder o amor, sucumbe à tristeza. A quadrinha final, com melodia dolente, era esta:

Passarinho, se eu pudesse
não te enterrava no chão:
mandava abrir sua cova
dentro do meu coração.

Hoje, quando retorno à Bahia, ainda peço para os meus pais fazerem uma roda de versos. E eles o fazem, abrindo as janelas das relembranças. O passado é um terço cujas contas são as memórias. De tempos idos. Sementes de primaveras que ainda florirão.

Marco Haurélio

Crônica publicada na revista Páginas Abertas, da Paulus Editora.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

Literatura oral do Brasil e de Portugal




Texto: Divulgação. 

O programa Leituras de Mundo (amanhã, dia 28/07 às 17h do Brasil e 21h em Portugal) trará um encontro com: Marco Haurélio e Paulo Correia! Autores e investigadores do conto tradicional, eles apresentarão as suas leituras de mundo em nosso canal youtube Escola de Narradores Online - a não perder! Saiba mais sobre os nossos convidados:

Paulo Correia: Antropólogo, mestre em Literatura Portuguesa, investigador, folclorista e professor da Universidade do Algarve em Faro, antes de enveredar pela investigação dos contos e das lendas, trabalhou como técnico de eletrónica especializado em instrumentos musicais dos 15 aos 25 anos, foi sonoplasta do grupo de teatro universitário Sincera, onde traduziu uma peça e escreveu sobre a obra Rei Lear de W. Shakespeare. Também fez parte do Cineclube de Faro, onde apresentava filmes oralmente e escrevia textos para os livrinhos que acompanhavam os ciclos de cinema. Publicou um livro sobre a história do cinema no Algarve (2007), dezenas de artigos científicos e colaborou como catalogador em diversas publicações. Desde 1996, é membro do CEAO (Centro de Estudos Ataíde Oliveira) da UAlg, unidade de investigação que se dedica ao estudo interdisciplinar da Literatura Oral Tradicional e membro colaborador do IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional) da FCSH Universidade Nova de Lisboa, desde 2017.

Marco Haurélio: Escritor, professor, folclorista e divulgador da literatura de cordel, tem mais de 40 títulos publicados, a maior parte dedicada a este gênero que conheceu na infância, passada na Ponta da Serra, sertão baiano, onde nasceu. Vários de seus livros foram selecionados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha, Itália. Finalista do Prêmio Jabuti, seus livros receberam distinções como o selo Altamente Recomendável, da FNLIJ, e o selo Seleção Cátedra-UNESCO (PUC-Rio). Em sua bibliografia destacam-se as obras Contos folclóricos brasileiros, A lenda do Saci-Pererê, Meus romances de cordel, Lá detrás daquela serra, O encontro da cidade criança com o sertão menino, Tristão e Isolda em Cordel, A jornada heroica de Maria, Vozes da Tradição e Contos e fábulas do Brasil (a primeira e a última obra contam com a colaboração do pesquisador português Paulo Correia). Ministra cursos sobre cordel e contos tradicionais em espaços diversos como a Casa Tombada em São Paulo e a Escola de Narradores Online (turmas Brasil e Portugal).