sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

FERRABRÁS DE ALEXANDRIA


 Xilogravura de 1497 (Roman de Fierabras le Géant).
O texto mais antigo a fazer menção a Ferrabrás de Alexandria, o gigante sarraceno que saqueia Roma, levando as relíquias sagradas do Cristianismo, é uma antiga canção de gesta francesa, Fierabras, composta no século XII (c. 1170), com 6.200 versos alexandrinos. Ferrabrás, que tem impressionantes 4,6 metros de altura, acampado na Espanha com o exército de seu pai, o emir Balan (Almirante Balão na tradução portuguesa), desafia os paladinos de Carlos Magno para um combate singular, mas apenas Olivier de Vienne (Oliveiros), ferido numa batalha e ainda convalescente, aceita o desafio. Carlos Magno havia invadido a Espanha para recuperar as relíquias.

A Historia del Emperador Carlos Magno y de los Doce Pares de Francia, de Nicolás de Piamonte, escrita entre 1521 e 1525, conservou os episódios da batalha com Oliveiros, derrota e conversão ao cristianismo de Ferrabrás. Jerônimo Moreira de Carvalho, físico-mor do Algarve, traduziu esta obra para o português, sob o título História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França, publicada em Lisboa, em 1728, com incontáveis reimpressões. Este livro, de capital importância para a cultura popular brasileira, inspiradora das cavalhadas dramáticas, é uma espécie de síntese de toda a matéria carolíngia. Serviu de base também para dois romances de cordel, compostos em décimas setissílabas, A Batalha de Oliveiros com Ferrabrás e A Prisão de Oliveiros, do grande poeta Leandro Gomes de Barros.

Data de 1823 a ópera Fierrabras, de Franz Schubert, baseada em contos sobre a conversão do gigante sarraceno ao cristianismo.



terça-feira, 26 de novembro de 2019

Marco Haurélio ministrará cursos sobre Cordel na Casa Mário de Andrade



CURSO
PERSPECTIVAS DA LITERATURA POPULAR NO BRASIL - MÓDULO II
Com Marco Haurélio

Quintas-feiras,  28 de novembro e 5, 12 e 19 de dezembro, das 19h às 21h

| Vagas: 40* | Para realizar sua inscrição, clique aqui

No curso, os participantes terão oportunidade de conhecer a história e perspectivas da literatura popular no Brasil, com destaque para o conto popular em seu diálogo com a educação e sua presença na cena cultural brasileira.
Cronograma das atividades:


28/11 - Cordel: a poesia bárdica do Nordeste. Leandro Gomes de Barros, o grande desbravador;
05/12 - A gesta do gado e a epopeia do cangaço. O simbolismo do Pavão Misterioso;
12/12 - Rima e métrica no cordel. O cordel na sala de aula;
19/12 – Criando versos, fazendo história. A xilogravura popular.

Marco Haurélio é formado em Letras pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Escritor, editor e folclorista, tem vários livros publicados. Pesquisador das tradições populares, empreende, desde 2005, um trabalho de recolha, classificação e catalogação das manifestações da cultura espontânea. É autor de quase 50 livros, a maior parte voltada ao público infanto-juvenil, e já recebeu prêmios como o selo Cátedra-UNESCO, da PUC-Rio, o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e uma medalha de honra ao mérito do Institute for Heritage, de Sharjah (Emirados Árabes Unidos). Curador artístico da Mostra Encontro com o Cordel, ocorrida em agosto de 2018 no SESC 24 de Maio de Maio, em São Paulo, ministra aulas sobre a cultura popular brasileira e coordena um grupo de estudos sobre o conto popular na Casa Tombada. 

*Haverá emissão de certificado ao aluno que obtiver 75% de frequência na atividade.

Foto: Luiz Ávila

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

As origens do Halloween (por Sir James Frazer)


"Snap-Apple Night", quadro pintado pelo artista irlandês Daniel Maclise em 1833,  inspira-se em uma festa de Halloween de que ele participou em Blarney, na Irlanda, em 1832. 

As festas dos fogos na Europa


(Excerto)

Entre os antepassados pagãos dos povos europeus, a festa dos fogos mais generalizada e popular do ano era a grande comemoração da véspera do Solsticio de Verão, ou do dia do Solsticio, à qual correspondia a festa dos fogos do Solsticio de Inverno. Entre os povos celtas de Land's End, na Cornualha, por outro lado, as principais festas dos fogos eram as do 1.° de Maio ou de Beltane, e do Halloween. Essas duas datas marcam a época em que os pastores levam o gado para pastar e em que, com a aproximação do inverno, levam-no novamente de volta para os currais.A divisão celta do ano em duas metades marcadas pelo início de maio e pelo início de novembro data assim de urna época na qual os celtas eram principalmente um povo pastoril que, para sua subsistência, dependia de seus rebanhos, e na qual, por essa razão, as grandes épocas do ano eram os dias nos quais o gado partia de suas fazendas no princípio do verão e aqueles em que para elas voltava novamente no princípio do inverno. Mesmo na Europa central, distante da região hoje ocupada pelos celtas, uma divisão semelhante do ano pode ser claramente reconhecida pela grande popularidade tanto do 1.° de Maio e de sua véspera (a Noite de Walpurgis) como da festa de Todos os Santos, em princípios de novembro, que, sob um tênue disfarce cristão, oculta uma antiga festa pagã dos mortos. Podemos, portanto, conjeturar que, por toda parte na Europa, a divisão celeste do ano de acordo com os solstícios era precedida do que podemos chamar de uma divisão terrestre do ano de acordo com o início do verão e o início do inverno.

Seja como for, as duas grandes festas celtas comemoradas em 1.° de maio e 1.° de novembro ou, para sermos mais precisos, as vésperas desses dois dias assemelham-se muito no modo de celebração e nas superstições a elas associadas; pelo caráter arcaico de que ambas se revestem, traem uma origem remota e exclusivamente pagã. A festa do 1.° de Maio ou de Beltane, como os celtas a chamam, que servia para marcar o início do verão, já foi descrita. Resta-nos fazer uma descrição da festa correspondente do Hallowe'en, que anunciava a chegada do inverno. Das duas festas, o Halloween talvez fosse a mais importante, já que os celtas parecem ter datado o início do ano a partir dela, e não a partir da festa de Beltane. Na ilha de Man, um dos redutos em que a língua e o folclore celtas mais resistiram ao sítio dos invasores saxões, o 1.° de novembro (calendário antigo) era considerado como o dia do Ano-Novo, até épocas recentes. Assim, os mascarados de Man costumavam sair às ruas na festa de Hallowe'en (calendário antigo) cantando, na linguagem de Man, uma espécie de canção de Hogmanay (Ano-Novo) que começava assim:

"Hoje é a noite do Ano-Novo, Hogunnaa!" Um dos informantes de Sir John Rhys, um velho de setenta e sete anos da ilha de Man, "havia sido empregado de fazenda desde os dezesseis anos até os vinte e seis, com o mesmo patrão, perto de Regaby, na paróquia de Andreas, e lembra-se de que seu patrão e um vizinho próximo discutiram a expressão dia do Ano-Novo aplicada ao 1º de novembro e explicaram aos jovens que sempre fora assim antigamente. De fato, parecia-lhe bastante natural que assim fosse, já que todos os contratos de ocupação de terra terminam naquela época e todos os empregados começam o seu serviço também nessa época".

Não só entre os celtas, mas também por toda a Europa, o Hallowe'en, a noite que marca a transição do outono para o inverno, parece ter sido, antigamente, a época do ano em que as almas dos mortos revisitavam seus velhos lares para se aquecerem junto ao fogo e se reconfortarem com as homenagens que lhes eram prestadas, na cozinha e na sala, pelos seus afetuosos parentes. Talvez fosse natural ocorrer-lhes que a aproximação do inverno trazia as pobres almas famintas e trêmulas dos campos nus e das florestas sem folhas para o abrigo das casas e o calor de suas lareiras familiares.

Mas não eram apenas as almas dos mortos que deviam pairar, invisíveis, no dia "em que o outono ao inverno entrega o pálido ano". As bruxas então esmeravam-se em seus atos malignos, algumas cruzando os ares em suas vassouras, outras galopando pelas estradas montadas em gatos que, naquela noite, se transformavam em cavalos negros como o carvão. Também as fadas andavam à solta, e duendes de todos os tipos vagavam livremente.

Nas regiões celtas, o Hallowe'en parece ter sido a grande época do ano para se prever o futuro. Todos os tipos de adivinhações eram postos em prática naquela noite. Lemos que Dathi, rei da Irlanda no século V, estando no monte dos Druidas (Cnoc-nan-druad), no condado de Sligo, durante a festa de Halloween, mandou que seu druida lhe previsse o futuro, entre aquele dia e o próximo dia de Halloween. O druida passou a noite no alto de uma colina e, na manhã seguinte, fez uma previsão ao rei que se tornou realidade. No País de Gales a festa do Halloween era a mais estranha de todas as Teir Nos Ysbrydion, ou Três Noites dos Espíritos, quando o vento, "soprando sobre os pés dos cadáveres", levava suspiros às casas dos que deviam morrer naquele ano. Acreditava-se que, se, naquela noite, alguém saísse até uma encruzilhada e escutasse o vento, ficaria sabendo das coisas mais importantes que deveriam acontecer nos próximos doze meses.

O Solstício de Inverno, que os antigos fixavam erroneamente no dia 25 de dezembro, era celebrado na Antiguidade como o Aniversário do Sol, e luzes ou fogueiras festivas eram acesas nessa alegre ocasião. Nossa festa do Natal é apenas a continuação, sob um nome cristão, dessa velha festividade solar, pois as autoridades eclesiásticas julgaram conveniente, por volta do final do século III ou do princípio do século IV, transferir arbitrariamente a natividade de Cristo de 6 de janeiro para 25 de dezembro, com a finalidade de desviar para o seu Senhor o culto que os pagãos haviam dedicado até então ao Sol.

Na cristandade moderna, a antiga festa dos fogos do inverno parece sobreviver, ou ter sobrevivido até anos recentes, no velho costume da acha do Natal (Yule log), como era chamada na Inglaterra. O costume era conhecido na Europa, mas parece ter florescido especialmente na Inglaterra, na França e entre os eslavos do sul — pelo menos, as descrições mais completas nos vêm daí. A acha de Natal era a contrapartida, de inverno, da fogueira do Solsticio de Verão, acesa dentro de casa e não ao ar livre, devido ao frio e ao tempo inclemente da estação.

In: O Ramo de Ouro, edição de Mary Douglas, tradução de Valtensir Dutra. São Paulo: Círculo do  Livro, págs. 214-221.

Livro A Lenda do Teatro de Sombras, de Marco Haurélio e Fernando Vilela, é lançado pela Paulinas



Livro reconta a origem lendária do teatro de sombras chinês

Acaba de sair, pela Paulinas Editora, o livro A lenda do teatro de sombras, texto meu e ilustrações de Fernando Vilela. A história gira em torno do teatro de sombras da China, na dinastia Han (século II a.C.), que teria surgido durante o reinado do imperador  Wu’Ti (ou Wudi), por obra do mago Shao-weng, que, ameaçado pelo governante, precisa trazer de volta, do reino das sombras, Li, a bailarina favorita do governante, morta prematuramente. Optei por recontar a lenda em quadras, que casaram perfeitamente com as lindas ilustrações criadas pelo Fernando Vilela.

Escrevi, ainda, um texto complementar, que em parte reproduzo abaixo:

Há quem afirme que o teatro de sombras existe desde tempos imemoriais. É de se imaginar que, desde os tempos pré-históricos, depois da descoberta do fogo e do seu uso no cozimento dos alimentos e para espantar os animais predadores, os nossos ancestrais, constituindo os primeiros agrupamentos humanos, sentiram a necessidade de se comunicar. E isso se deu inicialmente pelo gesto, que antecede a palavra. Mas também por meio de desenhos e pinturas nas paredes das cavernas e em rochas, que nos dão pistas de como agia ou pensava o ser humano na longuíssima noite que chamamos de pré-história. Só podemos supor que, nos momentos em que se reuniam ao redor das fogueiras, com o auxílio das mãos ou de objetos rudimentares, contavam algumas histórias ou homenageavam seus antepassados através das sombras projetadas nas paredes das cavernas.

O teatro de sombras, como o conhecemos hoje, no entanto, deve ter se desenvolvido no sudeste da Ásia, em países como Indonésia Malásia, Camboja, Tailândia, mas, principalmente, na China e na Índia. Na China, país mais identificado a esta arte milenar, as silhuetas podem ser coloridas e, graças à habilidade do marionetista, executam movimentos complexos que incluem lutas, danças e até mesmo expressões faciais e cenas de batalhas. Na Índia, por muito tempo, temas ligados à religião e à moralidade predominaram nas representações locais do teatro de sombras. Na Turquia, o teatro de sombras é chamado Karagöz (“Olho Negro” em turco), nome que homenageia um herói cômico de grande popularidade.

E, agora, um trechinho do livro:

Certa vez ouvi contar
Uma história tão bonita:
De um imperador da China
E sua grande desdita.

O conto ainda nos fala
Que esse imperador famoso
Era protetor das artes,
Da dança um fã fervoroso.

Das bailarinas da corte
Uma chamava a atenção:
Li, que dançando lembrava
O pulsar do coração.


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O Abraço da Tradição: Cordel & Cultura Popular


Gênero: Bate-papo

Com: Marco Haurélio

Uma das mais antigas expressões culturais da humanidade, a arte de contar histórias aproxima pessoas e cria laços afetivos que dificilmente serão rompidos com o tempo. Os velhos contos populares, sementes da tradição, nascidos não se sabe onde, trazidos não se sabe por quem, vivem na memória coletiva e ganham pontos nas vozes dos narradores-guardiões. Os contos populares e a Literatura de Cordel, base do trabalho do escritor Marco Haurélio, serão o tema do bate-papo.

Marco Haurélio é hoje uma das principais referências de nossa literatura popular e um dos fundadores da Caravana do Cordel, movimento ativo na cena paulista. Formado em letras pela UNEB, viaja o país proferindo palestras e ministrando oficinas sobre o cordel e temas relativos à cultura popular brasileira.

Onde: Centro Cultural FIESP (Avenida Paulista, 1313)

Quando: Sábado, 19 de outubro, 15:30h. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Eros e Psiquê, de Fernando Pessoa

Siegfried e Brunnhilde, de Charles Ernest Butler (1909)



...E assim vedes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.

(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)



Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


terça-feira, 8 de outubro de 2019

CAIXA CULTURAL FORTALEZA RECEBE A QUARTA EDIÇÃO DA FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO



Texto: Divulgação.

Evento reúne expoentes da autêntica Cultura Popular Brasileira e grandes personalidades da Literatura do Cordel


De 17 a 20 de outubro de 2019 a CAIXA Cultural Fortaleza recebe a IV Feira do Cordel Brasileiro, uma realização da AESTROFE – Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará. A feira traz lançamentos literários, exposição de obras raras, vendas de folhetos de cordel, livros, camisetas e CDs referenciais, além de shows, recitais, palestras, oficinas de xilogravura e de cordel.

Nesta edição, a IV Feira do Cordel Brasileiro é apadrinhada pelos mestres da cultura Chico Pedrosa e Bule-Bule, e presta homenagens a grandes nomes da cultura nordestina: Jackson do Pandeiro (centenário), João Melchíades Ferreira (sesquicentenário), Alberto Porfírio (in memoriam) e o comunicador Carneiro Portela.

O multiartista pernambucano Antônio Nóbrega, um dos expoentes do gênero literário e referências da cultura popular, ministra uma palestra ilustrada intitulada ‘Da quadrinha ao galope a beira mar’, no dia 18/10, às 14h. Entre as atrações do evento, estão ainda a xilogravadora Lucélia Borges, o ator e cordelista Edmilson Santini, a dupla de emboladores Marreco e Pinto Branco, o Trio Arupemba e CIA, os Tecelões Teatro com Bonecos, os cantadores Guilherme Nobre e Geraldo Amâncio Pereira, o humorista-cordelista Tranquilino Ripuxado, a xilogravurista Lucélia Borges e a repentista Fabiane Ribeiro. Para apresentar pesquisas temáticas, participam Gilmar de Carvalho, Alberto Perdigão, Vládia Lima, Ana Claudia Veras, Stélio Torquato, entre outros.  

Também marca presença o renomado ilustrador pernambucano Jô Oliveira, que assina o cartaz da feira. Mestre dos Quadrinhos pelo HQ-MIX (2004), Jô publicou diversas histórias em quadrinhos, tendo várias ilustrações e selos premiados, no Brasil e no exterior. A programação completa está disponível em https://www.facebook.com/FeiradoCordelBrasileiro

Serviço:

[Vivências] IV FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema
Data: De 17 a 20 de outubro de 2019
Horário: Quinta a sábado: 14 às 21h | Domingo: 14 às 19h
Entrada Franca
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Acesso para pessoas com deficiência
Paraciclo disponível no pátio interno
Informações gerais| Bilheteria da CAIXA Cultural Fortaleza: (85) 3453-2770
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

Atendimento à imprensa:
Isabelle Vieira - (85) 98871.4139 / vieira.aisabelle@gmail.com 
Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Fortaleza (CE):
www.caixa.gov.br/imprensa | @imprensaCAIXA
Acesse o site www.caixacultural.gov.br
Baixe o aplicativo “Caixa Cultural”



PROGRAMAÇÃO DA
IV FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
De 17 a 20 de outubro de 2019
na CAIXA Cultural Fortaleza
Mestre Bule-Bule da Bahia

DIA 17 (Quinta-feira)
Teatro: Jackson do Pandeiro
14h ABERTURA com a participação dos mestres do cordel e da cantoria | Declamação com Klévisson Viana (CE) e Aldanísio Paiva (CE), apresentação com Mestre Bule-Bule (BA), Jefferson Portela (RJ) e Zé Rodrigues (CE), César Barreto (CE) e do Grupo Cordel de Raiz, da EMEF Ernesto Gurgel Valente (Aquiraz/CE)
15h10 – Mesa "O CORDEL COMO OBJETO DE PESQUISA"
Com Gilmar de Carvalho (CE) ‘’Cordel Cearense’’, Vládia Lima (CE) ‘’Alberto Porfírio’’, Ana Claudia Veras (CE) ‘’Caldeirão’’ e Alberto Perdigão (CE) ‘’Jornalismo em Cordel’’
Mediação do professor e cordelista Stélio Torquato Lima (CE)

Lucélia Borges

Sala de Ensaio: José Pacheco
15h – Oficina de xilogravura com o mestre João Pedro de Juazeiro (CE) e Lucélia Borges (BA)

Sala Multiuso: Palco Alberto Porfírio
16h40 – Recital “AS MULHERES NO CORDEL” com Julie Oliveira (CE), Bia Lopes (CE) e Ivonete Morais (CE)
17h30 – Recital com Dideus Sales (CE)
18h – Repente ao som da viola com Fabiane Ribeiro (MA) e Guilherme Nobre (CE)                                                                    
19h – Show “CANTIGAS DO SERTÃO” com José Rodrigues (PE) e o Trio Cabeça de Fósforo (CE), participação especial do mestre Bule-Bule (BA.                                                                         
20h – Show “DE CANTIGAS E ROMANCES” com Eugênio Leandro (CE), participação especial de David Simplício (CE)

Antônio Nóbrega

DIA 18 (Sexta-feira)
Teatro: Jackson do Pandeiro
14h20 – Aula-ilustrada “DA QUADRINHA AO GALOPE A BEIRA MAR” com Antônio Nóbrega (PE)

Sala Multiuso: Palco Alberto Porfírio
16h – Espetáculo “CHICO MAMULENGO CONTRA A COBRA CANINANA” com a Cia Tecelões Teatro com Bonecos (CE)
17h – Recital com Rafael Brito (CE), Evaristo Geraldo (CE), Ian Fermon (CE) e Esperantivo (PE)

Edmillson Santini

18h – Espetáculo “JACKSON, SOM DO PANDEIRO E A CHEGADA DE ARIANO SUASSUNA NO CÉU” com Edmilson Santini (RJ)
19h – Recital com Chico Pedrosa (PB), Arievaldo Viana (CE) Lucarocas (CE) e Aldanísio Paiva (CE)
20h – Cantoria de embolada com Marreco (CE) e Pinto Branco (CE)


 
Jô Oliveira

DIA 19 (Sábado)
Teatro: Jackson do Pandeiro
14h – Palestra ‘’A DIVERSIDADE NA ILUSTRAÇÃO DE FOLHETOS DE CORDEL” com o mestre Jô Oliveira (DF), Lucélia Borges (BA), Eduardo Azevedo (CE) e Cayman Moreira (CE)
Mediação: Arievaldo Vianna (CE)

Sala de Ensaio: José Pacheco
14h – Oficina “APRENDA A FAZER CORDEL” com Rouxinol do Rinaré (CE)

Sala Multiuso: Palco Alberto Porfírio
16h – Recital ‘’ANUNS E CORDÉIS”  com Breno de Holanda (PE) e Lançamento do livro
17h – Trio Arupemba (CE)
18h – Repente com Geraldo Amâncio (CE) e Zé Vicente (CE)
19h – Recital ‘’O PATATIVA QUE EU CONHECI’’ com Daniel Gonçalves (CE)
20h – Show ‘’CANTIGAS PRA BEM VIVER’’ com Paola Torres (CE) e lançamento dos livros “O RIO E A NUVEM” e “VAMOS FALAR SOBRE O CÂNCER?”

DIA 20 (Domingo)
Teatro: Jackson do Pandeiro
14h – Mesa “PEIXEIRAS AO ALTO: O FANTÁSTICO ARMORIAL NORDESTINO” com Rodrigo Passolargo (CE), Vinícius Rodrigues (CE) e Eduardo Macedo (CE)
Mediação: Paulo de Tarso (CE)

Café: Luiz Gonzaga
15h – Lançamento do Cordel “SUPERAÇÃO NA EDUCAÇÃO” de Maria de Lourdes Fernandes (CE)

Sala Multiuso: Palco Alberto Porfírio
15h30 – Show ‘’PIMENTINHA DO FORRÓ’’ com Cecília do Acordeon (CE)
16h20 – Show de humor e cordel com Tranquilino Ripuxado (CE)
17h20 – Cutuca a Burra

Pátio Externo
18h – Intervenção Artística com Pifarada Urbana (CE)
   

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Coletânea de contos populares será lançada na Casa Tombada




Vozes da tradição (editora IMEPH), livro que tem por base uma recolha no interior da Bahia e em Araxá (MG), será lançado sexta, dia 20 de setembro, a partir das 20:30h, na Casa Tombada, em Perdizes. Além de um bate-papo com os autores, Marco Haurélio e Lucélia Borges, haverá, ainda, uma roda de histórias. 

Para conhecer melhor o livro, o ideal é ler a breve apresentação, escrita por Marco Haurélio, reproduzida abaixo:

Quando os irmãos Jakob e Wilhelm Grimm registraram, em 1812, a literatura oral de seu país, a Alemanha, não faziam ideia do sucesso de sua iniciativa, em especial no tangente aos contos populares, a parte mais significativa de sua recolha. O fato é que, com o êxito alcançado pelos Contos da criança e do lar, outros pesquisadores europeus, impregnados do mesmo espírito romântico que moveu os alemães, foram a campo em busca de lendas, baladas, romances e das velhas histórias narradas ao pé do fogo, sementes espargidas e cultivadas no fértil solo da imaginação humana. Quando o termo folclore foi consignado em 1848, pelo inglês William John Thoms, sob o pseudônimo de Ambrose Merton, em artigo publicado na revista The Atheneum, o conto tradicional, irmão da lenda e filho do mito, já havia alcançado, em vários países, a merecida atenção de escritores e estudiosos.

Antes, a novelística popular mereceu registros em recriações literárias, algumas em versos, como Os contos de Canterbury (1387), de Geoffrey Chaucer, e os lais de Maria de França, ainda no século XII. Em prosa, destacam-se as jornadas do Decameron (1348-53), de Giovanni Boccaccio, o livro do Conde Lucanor (1335), de D. Juan Manuel, Os contos e histórias de proveito e exemplo (1575), de Gonçalo Fernandes Trancoso, além do impressionante Pentamerone (1634-36), de Giambattista Basile, obra-prima do barroco italiano. Inspirado neste último, sem a mesma espontaneidade, Contos do tempo passado ou Contos da Mamãe Gansa (1697), de Charles Perrault, coletânea moralista celebrizada pelo tempo e contemplada com muitas reedições, levou à corte francesa as histórias da gente humilde, devidamente polidas e adaptadas ao gosto do (nobre) freguês.

Isso sem falar no conjunto de histórias prevalentemente maravilhosas provenientes do mundo árabe, o monumental livro das Mil e uma noites, traduzido e apresentado ao Ocidente pelo orientalista francês Antoine Galland, cujo primeiro volume foi publicado em 1704.

Coube a Adolfo Coelho a empresa de ser o desbravador desta seara em Portugal, com Contos populares portugueses, publicado em 1879. Foi seguido por Consiglieri Pedroso, autor de Portuguese folktales (1882), em edição inglesa, e por Teófilo Braga, com Contos tradicionais do povo português (1883). Igualmente relevante, a antologia de Contos tradicionais do Algarve, de Ataíde Oliveira, reuniu 400 contos do sul de Portugal, ampliando a área geográfica e as possibilidades de comparação e confronto.

No Brasil, a iniciativa pioneira coube a Silvio Romero, autor de Contos populares do Brasil (1885), publicado originalmente em Portugal, com organização e notas de Teófilo Braga. Antes, o estudo do geólogo canadense Charles Frederik Hartt, Os mitos amazônicos da tartaruga (1875), com o Jabuti, grande trickster dos contos indígenas, e a coletânea O selvagem (1876), do General Couto de Magalhães, apresentaram contos de origem indígena ou tradicionalizados entre os povos nativos da Amazônia. A coletânea de Sílvio Romero, no entanto, teve o mérito de ser abrangente, enfocando, além dos supostos contos indígenas, contos de origem africana e europeia. Há que se levar em conta o esforço do coletor, que se dispensou de um trabalho comparativo, privilegiando critérios antropológicos e raciais, em voga na época. E, por isso mesmo, incorreu em equívocos, como o de arrolar entre os contos africanos Doutor Botelho, história na qual um macaco aparece como auxiliar do herói de origem humilde, que, graças aos seus préstimos, acaba casando com uma princesa. Apenas esta breve descrição nos mostra ser esta, em linhas gerais, a hoje conhecidíssima história do Gato de botas, divulgada por Charles Perrault, na versão literária do século XVIII. A coletânea se reveste de grande importância, também, por abrir uma picada, inspirando, em diferentes épocas, outros pesquisadores das tradições populares.

Imprescindíveis são as obras de Lindolfo Gomes (Contos populares brasileiros, 1915), João da Silva Campos (Contos e fábulas populares da Bahia, 1928), Aluísio de Almeida (142 histórias brasileiras, 1951) e Luís da Câmara Cascudo (Contos tradicionais do Brasil, 1946). Mais recentemente, sobressaíram-se Ruth Guimarães, Waldemar Iglésias Fernandez, Oswaldo Elias Xidieh, Doralice Alcoforado, Bráulio do Nascimento, Altimar Pimentel e Edil Costa.

Ainda assim, são, lamentavelmente, raras as coletâneas de contos tradicionais brasileiros provenientes da fonte da memória. Raras diante das possibilidades oferecidas por um país de dimensões continentais, diverso na cultura e nas variantes linguísticas, nascidas das profundas desigualdades, reveladoras de nossas mazelas, mas também da resistência de povos de diferentes matrizes e matizes. O trabalho que empreendi, com a companheira Lucélia, supre em parte esta lacuna, preservando, sempre que possível, as marcas da oralidade, o estilo e a verve dos contadores, embora seja impossível reproduzir o gestual, as pantomimas e o momento em que os contos foram registrados.

Um exemplo: a excelente contadora Enedina Rodrigues de Sousa forneceu-nos as histórias de que se tornou guardiã numa noite de muito frio, fato raro na região onde mora, no quintal de sua casa, povoado de Palma, município de Serra do Ramalho, Bahia. O São Francisco, o rio de sua aldeia, era o cenário de fundo. Entre uma história e outra, ela cantou chulas e relembrou as debulhas de feijão do seu tempo de menina, ocasião em que as histórias eram contadas em jornadas que vincaram sua memória afetiva.

Apesar das dificuldades demandadas por uma iniciativa como esta, a recolha de contos de “primeiro grau” será sempre bem-vinda, especialmente por mostrar que, em pleno século XXI, as árvores do Jardim da Tradição ainda dão saborosos frutos. Este trabalho, como outros de minha lavra (Contos folclóricos Brasileiros e Contos e fábulas do Brasil), encontra-se classificado de acordo com o Catálogo Internacional do Conto Popular, o Sistema ATU. As principais referências vêm do monumental Catálogo dos contos tradicionais portugueses (com as versões análogas dos países lusófonos), de Isabel David Cardigos e Paulo Jorge Correia, com o qual, orgulhosamente, colaborei. O professor Paulo é responsável, ainda, pela classificação de boa parte dos contos deste volume.
Na presente coletânea, todos os informantes e os locais da recolha são identificados. A maior parte dos contos pertence ao gênero maravilhoso, menos encontradiço hoje, devido a uma estrutura mais complexa, resultante de sua assombrosa ancianidade. É o caso de Guimar e Guimarim, que pertence ao ciclo de histórias que têm origem no mito de Jasão e Medeia, no qual o herói, numa terra estrangeira, conta com o auxílio da filha do rei para realizar tarefas impossíveis.

Se a literatura dos antigos salvou do esquecimento os deuses e heróis, os contos de tradição oral, por outro lado, preservam episódios e estruturas arcaicas, informações sobre ritos e mitos, nos conectando a um tempo que, talvez, somente nos sonhos e nos domínios do inconsciente ousássemos perscrutar.



terça-feira, 3 de setembro de 2019

Conto de fadas em cordel será lançado na Bienal do Rio



Texto: Divulgação

O cordel infantojuvenil A Jornada Heroica de Maria (texto de Marco Haurélio, xilogravuras de Lucélia Borges) será lançado amanhã, no espaço Pela Estrada Afora, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. O livro marca a estreia de Marco Haurélio, que já se aproxima dos 50 livros publicados, na editora Melhoramentos. Escrita em 2005, concebida originalmente como um folheto, a história ganhou novo tratamento e passou por algumas adaptações, adequando-se ao público leitor a que se destina. Ainda assim, mantém o encanto característico de narrativas poéticas que trazem como substrato os contos de tradição popular. Estudioso do folclore brasileiro, coletor de centenas de contos tradicionais, Marco Haurélio, escreveu à guisa de posfácio um texto esclarecedor que lança luzes sobre as origens e os motivos constituintes do conto que ele recria em cordel:
 
O início da jornada. Xilogravura de Lucélia Borges.
"Um dos contos populares mais difundidos, a história do príncipe encantado em pássaro frequenta as páginas de quase todas as antologias de histórias tradicionais, incluindo Verde Prato, do clássico O Conto dos Contos, de Giambattista Basile (1634). Câmara Cascudo, em nota à versão colhida em Sergipe por Sílvio Romero, O Papagaio do Limo Verde, elenca os elementos característicos da história: “a transformação do príncipe depois do banho noturno, a ação das invejosas, a viagem da amada, vestido de bronze, sete pares de sapatos de ferro etc., a hospedagem na casa do Sol, da Lua, do Vento, dos pássaros etc., os presentes mágicos, a moléstia do príncipe, o curativo a troco do objeto raro, reconhecimento, identificação e desfecho”.

No Catálogo Internacional do Conto Popular, a história é classificada como ATU 432 (O Príncipe Pássaro). Outras versões brasileiras: O Papagaio Real (Contos Tradicionais do Brasil, de Câmara Cascudo); O Príncipe Papagaio (Lendas e fábulas do Brasil, de Ruth Guimarães); O Verdelim (narrado por Djanira Feitosa, Contos e Lendas da Terra do Sol, de Marco Haurélio e Wilson Marques) e O Passarinho do Limo Verde (Estórias de Luzia Teresa, de Altimar Pimentel). Em Portugal, encontramos O Príncipe das Palmas Verdes (Contos Populares Portugueses, de Adolfo Coelho); A Paraboinha de Ouro (Contos Populares do Povo Português, de Teófilo Braga) etc. Na Sicília, Giuseppe Pitré recolheu, no terceiro quartel do século XIX, Li Palli Magichi (As Bolas Mágicas)."


A casa do Sol. Xilogravura de Lucélia Borges

Trechos selecionados


Meus versos viajam muito
Em busca de inspiração:
Vão até reinos distantes,
Depois voltam pro sertão,
Trazendo as flores colhidas
No Jardim da Tradição.

Na história que ora conto,
De amor eu quero falar.
Quem caminha nesta senda
Um dia irá encontrar
A essência verdadeira
Que brota do caminhar.

Quem a ler até o fim
Verá a perseverança
Fazer brotar a semente
No canteiro da esperança,
Pois o amor verdadeiro
É mais forte que a vingança.

(...)

Maria fez-se andarilha
Por causa do dissabor,
Arrastou por muitas terras
A mais lancinante dor,
A todo o mundo indagando
Acerca do seu amor.


DADOS DO LIVRO

Título: A JORNADA HEROICA DE MARIA
ISBN: 9788506086438
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 17 x 24
Páginas: 72
Ano de edição: 2019
Edição: 1ª

domingo, 1 de setembro de 2019

Marco Haurélio será patrono da Feira do Livro de Morro Reuter (RS)



No dia 27 de agosto, eu estive em dupla jornada pelo Rio Grande do Sul. Pela manhã proferi uma palestra, O Abraço da Tradição, no Seminário Paulus de Educação (um dia antes, estive em Caxias do Sul, ainda no Seminário Paulus, em companhia do escritor Gabriel Perissé). No início da noite, acompanhado da consultora da Paulus em Porto Alegre, Adriana Bittencourt, segui para Morro Reuter, para participar do lançamento oficial da 26ª Feira do Livro. Em volta do obelisco que resume a vocação de Morro Reuter como cidade leitora, e no chalé dos Heylmann, fui anunciado, pela prefeita Carla Chamorro, como patrono da feira do livro deste ano. Além disso, revi muita gente querida, como Mírian Torres, Alana Schuck, Janice Jung e Carmem Ramminger, educadoras e grandes promotoras da leitura.

Tudo começou, de verdade, em 2018, quando a feira teve por patrono o grande ser humano e excepcional escritor Fabio Monteiro. Sendo o sertão o tema do evento, recebi dele o generoso convite. Em 2019, o tema, que é "Memória, cultura e identidade", já reverbera nas escolas em projetos que, certamente, trarão grandes resultados.

Abaixo, a notícia veiculada na página da Prefeitura de Morro Reuter:

A 26ª Feira do Livro de Morro Reuter, que será de 7 a 10 de novembro, terá como patrono o poeta e folclorista baiano Marco Haurélio. A apresentação foi feita na noite de ontem (27/8), em solenidade que reuniu os professores de todas as escolas de Morro Reuter, e iniciou com um abraço ao Obelisco de Livros, que em outubro completa 15 anos e representa todo o trabalho de incentivo à leitura, feito em Morro Reuter. A apresentação foi realizada pela Secretaria de Educação e Cultura, com apoio do Sicredi.
A noite foi dividida em dois momentos: no primeiro, junto ao Obelisco de Livros, a prefeita Carla Chamorro e a secretária de Educação e Cultura, Juliana Zimmer, receberam todos os professores e lembraram no aniversário do monumento. A prefeita Carla chamou o grupo de professores que participou das mobilizações pela construção do Obelisco, desde 2002,  relembrou a batalha para construí-lo com doações, e leu o nome das 54 famílias e empresas que contribuíram para que a cidade tenha seu monumento representativo de algo pelo que tanto preza: a leitura. Em seguida foi dado um abraço simbólico no Obelisco, momento em que os professores o iluminaram com as lanternas dos celulares.

Em seguida todos foram recebidos no chalé dos Heylmann, onde o patrono Marco Haurélio falou sobre a honra em receber o convite, disse que ficou encantado pela cidade durante a edição da feira em 2018, e contou um pouco sobre a sua trajetória. Também enfatizou sobre a cultura regional e colocou-se à disposição dos professores, para os trabalhos de preparação para a feira, junto às escolas. Após, as diretoras de cada escola receberam um kit de livros do autor, para trabalharem com seus estudantes, em sala de aula.  A noite também contou com o lançamento do Concurso de Narrativas, cujo regulamento será lançado na próxima semana.


SOBRE O PATRONO: Baiano de Riacho de Santana, Marco Haurélio é poeta popular, editor e folclorista. Em cordel, tem vários títulos editados, dentre os quais: ‘Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo’; ‘História da Moura Torta’ e ‘Os Três Conselhos Sagrados’. É autor, também, dos livros infantis ‘A Lenda do Saci-Pererê’, ‘Traquinagens de João Grilo’, ‘O Príncipe que Via defeito em Tudo’, ‘Lendas do Folclore Capixaba’, ‘As Babuchas de Abu Kasem’ , ‘A Megera Domada’ (recriado em cordel a partir do original de William Shakespeare) e ‘O Conde de Monte Cristo’ (versão poética do romance de Alexandre Dumas), os dois últimos para a coleção Clássicos em Cordel, da Nova Alexandria, onde atuou como editor. Profere palestras e ministra oficinas sobre Cordel e Folclore em vários estados brasileiros. Atuou como consultor da telenovela Velho Chico (Rede Globo).
Foi curador e idealizador do projeto ‘Encontro com o Cordel’, que em agosto de 2018 reuniu cordelistas, gravadores, músicos e pesquisadores em São Paulo. Foi, ainda, com Arlene Holanda, curador do Espaço do Cordel e do Repente, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Em setembro de 2018, esteve em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, a convite do Institute for Heritage, presidido pelo Dr. Abdulaziz Al-Mussalam, de quem recebeu uma medalha de honra ao mérito por seu trabalho de pesquisa e difusão no campo das tradições populares.




Fotos: Jornal O Diário da Encosta da Serra

Atualização: A 26ª Feira do Livro de Morro Reuter ocorrerá entre os dias 21 e 24 de novembro.