Mostrando postagens com marcador Aldy Carvalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aldy Carvalho. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de dezembro de 2015

Um Romance Catingueiro


Uma cantiga de amigo? Um romance calcado nos modelos ibéricos? Uma cantata? Às vezes, é impossível delimitar uma obra poética, pois, por mais que nos prendamos à sua ambientação, ela traz em seu bojo uma série de referências e é, ao mesmo tempo, bastante original. É o caso de O Cavaleiro das Léguas, de Aldy Carvalho, cantador das barrancas do São Francisco. Nela se encerra o conceito de amor cortês, surgido na França no crepúsculo do século XI, presente em sagas como a de Tristão e Isolda, e que sobreviveu nos nossos romances clássicos de cordel.

No sem fim do São Francisco
No sertão, longe do mar
Estela guarda um segredo
Com senha de adivinhar.
Guarda-se, guarda um tesouro
Para aquele que vai chegar.

No reino da Pedra Grande
Enredada em pensamentos
Que ele vem, ele virá
Resgatá-la dos tomentos
Será sua prometida
Dona dos seus sentimentos.

(Donzela)
De onde vem o cavaleiro
De que terras faz chegada
Será mesmo quem espero 
Nos meus sonhos faz morada?

(Cavaleiro)
Venho vindo muitas léguas
Pra sentir teu coração
Se por mim também palpita,
Se é de vera ou ilusão.
Trago a minha espada nua
Para pôr em tua mão.

(Donzela)
Oh! Me diga o cavaleiro
Como foi que aqui chegou
E de mim, o que é que sabe
No meu reino, como entrou.

(Cavaleiro)
Vim no sussurro do vento
Sete estrelo foi meu guia
Pela vereda dos bodes
Que é estrada que alumia.

(Donzela)
Que batalhas enfrentaste
Pra merecer meu tesouro
O que tenho pra te dar
Vale mais que a prata e o ouro.

(Cavaleiro)
Todas que um cavaleiro
Por amor deve enfrentar
Foram tantas as batalhas
Que nem as posso contar.

(Donzela)
Se assim é pode passar
Eu serei a tua amada
Também contigo sonhava
Com a tua clara chegada.

(Donzela e Cavaleiro)
Foi o amor que nos uniu
Nada vai nos dividir,
E se a dor ou a tristeza
Um dia nos atingir
Estaremos sempre juntos
Até a luz se extinguir.

O Cavaleiro das Léguas (Romance catingueiro)
Aldy Carvalho

participação: Zélia Grajaú(voz)

Voz e violao: Aldy Carvalho
Violinos: Bá
Violoncelo: Stefanie Guida Muller
Flauta: Cléo Santos
Baixo acústico: Tapioca
Pandeirola: Valter Poli 

Fotos: Lenir Carvalho (exceto a do vaqueiro)
Xilogravuras: Regina Drozina

domingo, 20 de junho de 2010

o canto que brota da terra



Aldy Carvalho é um grande artista brasileiro que merece ser conhecido.

O sítio Festivais do Brasil traz um resumo interessante da carreira deste cantador extraordinário.


Cantor, compositor, poeta e violonista, beradeiro do Sertão (Petrolina -PE), das barrancas do Rio São Francisco.

"Tive os primeiros contatos com a música através do de meu pai, João Joaquim de Carvalho, compositor, que me despertou o gosto pelo universo popular: a prosa, a poesia, a música e o teatro. Informações importantes na minha formação e posterior influência na criação do meu trabalho de compositor e cantor, povoado de xotes, baiões, toadas, martelos, emboladas, modinhas, sagas e fábulas. Um ajuntado de cantigas e imagens, o lirismo do Sertão, das léguas que andei"

Aldy Carvalho mescla e condensa, de maneira particular, o seu universo de origem, o nordeste. A paisagem nordestina em canções não estereotipadas, resulta um interessante diálogo entre o Sertão, que mistura as mazelas euclidianas, o colorido sonoro de Guimarães Rosa, a alegria farsesca de Ariano Suassuna e o meio urbano, cujo eixo é a temática universalisante de Manuel Bandeira.

Neste contexto, apresenta seu trabalho. "Buscando resgatar os nossos valores culturais releio trabalhos de compositores como Vital Farias, Elomar Figueira Melo e Geraldo Azevedo."

Aldy estudou canto, técnica vocal e leitura rítmica com a prof. Regina de Bôer (SP) e Violão, erudito e popular com o professor e amigo, Luis Carlos dos Santos: violonista, concertista, compositor, arranjador e cantor.

Residindo em São Paulo, Aldy tem divulgado seu trabalho em:

Casas de Cultura; Centros culturais como Centro Cultural SP; Biblioteca Mário de Andrade; Anfiteatro da Universidade de São Paulo; Projeto FUNARTE –SP (Sala Guiomar Novaes); Projeto FUNDARPE –PE; Teatro de Santa Isabel em Recife PE; São João em Petrolina – PE dentre outros. Programas de rádios e TVs, tais como: Som Brasil(TV Globo); Viola Minha Viola (TV Cultura); Empório Brasileiro (SBT); Sergio Reis e Luiz Vieira(TV Bandeirantes); Tão Brasil (All TV -TV via Internet); Espaços alternativos, anfiteatros de faculdades, comunidades de bairro; Projeto FUNARTE -SP, gravado pela TV Cultura -SP e exibido em toda rede de TVs educativas do Brasil além de várias apresentações pelo Nordeste e interior paulista, além de participar de festivais pelo Brasil.

Tem um CD gravado "REDEMOINHO", com arranjos de Vicente de Paula Salvia (Viché) e participações especiais de Dominguinhos do Acordeon, do violoncelista Kubala, do flautista Toninho Carrasqueira, do percussionista Papete, do percussionista e parceiro Nildo Freitas, dentre outros. Músicas gravadas pelos cantores Déo Lopes, Maciel Melo, Humberto Barbosa, Marisa Serrano e participação especial no CD Espelho D'água de Décio Marques e parcerias com o cantor Humberto Barbosa e com o multiartista, Valdeck de Garanhuns.

Recebeu elogiosas críticas da imprensa paulista e de outras regiões do país. ( "... É um trabalho diferente do chamado forró, quase sempre vulgar e barulhento demais. Seu canto é sereno, sua voz é limpa, bonita, melodiosa, agradável..."Dirceu Soares-Jornal da Tarde-SP).

"... Sua voz tem timbre original. Seus versos são inspirados, seu jeito natural... é hora de se falar direto ao coração, os bons poetas sabem disso." (Júlio Lerner - Jornalista, produtor e apresentador de programas de rádio e TV de São Paulo)

“Uma das coisas lamentáveis no mundo artístico é que artistas de valor, que fazem os maiores sacrifícios para chegarem ao disco, tenham seus trabalhos esquecidos na batalha da divulgação.Aldy Carvalho é autor de todas as faixas... Todos são temas bem brasileiros das coisas simples que coloca numa forma enternecedora dentro de arranjos perfeitos para a excelente formação que arregimentou,” ( Aramis Millarch – Jornal Estado do Paraná).