Foi publicado, no apagar das luzes de 2015, o livro Cordéis para a vida inteira, pela editora Movimenta. Ilustrada em xilogravuras por Lucélia Borges, que entalhou inclusive os títulos dos folhetos, é uma obra que reúne sete títulos escritos em cerca de vinte anos de caminhada. Abaixo a breve apresentação, que dá uma ideia do conjunto da obra:
Quando se fala em cordel, a imagem que vem à cabeça de muita gente é a de um mandacaru florido ou um chapéu estrelado de cangaceiro. Esse reducionismo também faz com que muitos pensem que os temas mais recorrentes do cordel estejam relacionados unicamente ao Nordeste. Ocorre que, desde os primórdios da editoração do cordel no Nordeste, no início do século XX, o cordel sempre se recusou a obedecer a fronteiras estabelecidas. Essas produções pioneiras, que podem ser divididas em dois grandes blocos – um de temas perenes, ligados à tradição oral e à literatura em sentido mais amplo, e outro de temas históricos ou circunstanciais –, sempre fugiam à simplificação, mesclando, por vezes, o imaginário medieval aos dramas sertanejos. A maior parte dos textos que compõem a presente antologia está arrolada no primeiro bloco.
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| Peripécias da Raposa no Reino da Bicharada. Xilo de Lucélia Borges |
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| História do Urubu-Rei. Xilogravura de Lucélia Borges. |
Gênero cujas origens são imprecisas,
embora converse com as canções de gesta da Idade Média e a literatura popular
de Portugal, Espanha e França, influenciada ainda por todas as matrizes que
compõem o mosaico de nossa identidade, o cordel, como o conhecemos, alcançou o
seu ápice com o poeta pioneiro Leandro Gomes de Barros (1965-1918). Nascido no
sertão paraibano, mas estabelecido, desde a juventude em Pernambuco, este poeta
lançou as bases do cordel nordestino, fundindo sagas de cavaleiros com
histórias sertanejas, lidas até hoje. Leandro é a minha principal referência,
e, por isso, eu o homenageou no romance “O tribunal do destino”.
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| Muitos anos de poesia. Xilo de Lucélia Borges |
Folhetos que compõem a coletânea:
Peripécias da Raposa no reino da bicharada
O pobre que trouxe a sina de casar com uma princesa
História do Urubu-rei e da princesa que não mentia
Viva Deus e mais ninguém!
As babuchas de Abu Kasem
O tribunal do destino
Muitos anos de poesia
[*] Romance, no sentido original, era uma
composição em versos, mais longa que a maioria dos poemas, escrito em línguas
também chamadas de “romance” (derivadas do latim, a exemplo do português, do
espanhol ou do francês).




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