quinta-feira, 30 de abril de 2026

"Cordéis para a vida inteira"


Foi publicado, no apagar das luzes de 2015, o livro Cordéis para a vida inteira, pela editora Movimenta. Ilustrada em xilogravuras por Lucélia Borges, que entalhou inclusive os títulos dos folhetos, é uma obra que reúne sete títulos escritos em cerca de vinte anos de caminhada. Abaixo a breve apresentação, que dá uma ideia do conjunto da obra:

Quando se fala em cordel, a imagem que vem à cabeça de muita gente é a de um mandacaru florido ou um chapéu estrelado de cangaceiro. Esse reducionismo também faz com que muitos pensem que os temas mais recorrentes do cordel estejam relacionados unicamente ao Nordeste. Ocorre que, desde os primórdios da editoração do cordel no Nordeste, no início do século XX, o cordel sempre se recusou a obedecer a fronteiras estabelecidas. Essas produções pioneiras, que podem ser divididas em dois grandes blocos – um de temas perenes, ligados à tradição oral e à literatura em sentido mais amplo, e outro de temas históricos ou circunstanciais –, sempre fugiam à simplificação, mesclando, por vezes, o imaginário medieval aos dramas sertanejos. A maior parte dos textos que compõem a presente antologia está arrolada no primeiro bloco.

Peripécias da Raposa no Reino da Bicharada. Xilo de Lucélia Borges

Este livro reúne sete histórias contadas em cordel (uma fábula, cinco romances[*] e um poema autobiográfico). Reúne textos escritos ao longo de quase vinte anos, indo da literatura infantil ao romance sobrenatural, passando pelas histórias de Trancoso, além de uma adaptação de um conto das Mil e uma noites. A literatura de cordel, com sua vasta temática, está, portanto, bem representada nesta antologia que conta um pouco de minha jornada poética em diálogo sempre aberto com a tradição oral e os clássicos da literatura. Começo com “Peripécias da raposa no reino da bicharada”, uma fábula graciosa que adverte sobre os perigos da imprudência, e finalizo com “Muitos anos de poesia”, poema no qual revisito os meus anos de formação, tendo por cenário a Ponta da Serra, na Bahia, onde, desde cedo, entrei em contato com a literatura de cordel e os contos de tradição oral.

História do Urubu-Rei. Xilogravura de Lucélia Borges.

Gênero cujas origens são imprecisas, embora converse com as canções de gesta da Idade Média e a literatura popular de Portugal, Espanha e França, influenciada ainda por todas as matrizes que compõem o mosaico de nossa identidade, o cordel, como o conhecemos, alcançou o seu ápice com o poeta pioneiro Leandro Gomes de Barros (1965-1918). Nascido no sertão paraibano, mas estabelecido, desde a juventude em Pernambuco, este poeta lançou as bases do cordel nordestino, fundindo sagas de cavaleiros com histórias sertanejas, lidas até hoje. Leandro é a minha principal referência, e, por isso, eu o homenageou no romance “O tribunal do destino”.

Muitos anos de poesia. Xilo de Lucélia Borges

A xilogravura, ilustração que se tornou a mais característica do cordel, longe de ser a única, graças ao protagonismo de artistas como José Francisco Borges, o J. Borges (1937-2024), José Costa Leite (1927-2021) e Stênio Diniz, foi a técnica escolhida para adornar as histórias. Entalhadas por Lucélia Borges, companheira de vida e de arte, as imagens nos ajudam a percorrer bosques fechados, reinos distantes e a nos familiarizar com cenários e personagens desse fascinante caleidoscópico que une tradição oral e escrita, patrimônio cultural e imaterial do povo brasileiro.

Folhetos que compõem a coletânea:

Peripécias da Raposa no reino da bicharada

O pobre que trouxe a sina de casar com uma princesa

História do Urubu-rei e da princesa que não mentia

Viva Deus e mais ninguém!

As babuchas de Abu Kasem

O tribunal do destino

Muitos anos de poesia



[*] Romance, no sentido original, era uma composição em versos, mais longa que a maioria dos poemas, escrito em línguas também chamadas de “romance” (derivadas do latim, a exemplo do português, do espanhol ou do francês).

Para acessar o site da Movimenta e adquirir o livro, clique AQUI. 

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