sexta-feira, 6 de junho de 2014

Bendito em louvor de Santo Antônio

























Socorre, Antônio, socorre,
Depressa, incontinenti,
Vai livrar seu pai da forca,
Que vai morrer inocente.

— Você fica aqui em Pádua,
Que eu vou lá em Portugal.
Vou livrar meu pai da forca,
Que sem culpa vai pagar.

Tenha, moço, a justiça,
Daí não consiga mais
E olhe que não é esse
 O homem que vós pensais.

Veja que não sou Justino
Nem também falando torto.
Vim aqui justificar
Pela boca de um morto.

Te alevanta, corpo morto,
Vem aqui justificar
Se esse homem te matou
Ou sem culpa vai pagar.

— Esse homem não me matou
Nem por mim ele pecou.
Na hora da minha morte,
Mas ante’ ele me ajudou.

— Ô meu padre Santo Antônio,
Vossa glória é de reis.
Sei que é o padre santo Antônio,
Vencedor de todas leis.

Ô meu padre santo Antônio,
Me diga onde foi morar.
Embora eu não lhe conheça,
Mas mando lhe visitar.

— Oh meu pai, eu sinto muito
De você desconhecido.
Eu sendo seu filho Antônio,
Que de vós eu fui nascido.

Eu me chamava Fernando,
Mudei meu nome pra Antônio
Pra livrar as criaturas
Da tentação do demônio.

Eu de vós não quero nada,
Só quero a vossa benção.
Que eu vou para a Itália
Terminar o meu sermão.

NotaSanto Antônio, segundo o relato tradicional, estava em Pádua, e teve de se deslocar até Lisboa para livrar seu pai, acusado de homicídio, da forca. A lenda descreve dois milagres: a bilocação, capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo; e a ressurreição do jovem assassinado, que inocentou o pai de Santo Antônio.

       A lenda está presente nesta quadra popular:

Santo Antônio é tão santo
Que livrou seu pai da morte
Bem podia Santo Antônio
dar-me uma bonita sorte

(Fernando de Castro Pires de Lima. Um milagre de Santo Antônio. Em LIRA, Marisa. Estudos de folclore luso-brasileiro).

Fonte: Seu Heliodoro (Dorão), já falecido.


Serra do Ramalho, Bahia.

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