sábado, 28 de setembro de 2013

Cordel no Projeto Literatura Viva


A Literatura de Cordel esteve presente no projeto Literatura Viva do SESI-SP. Entre os dias 16 e 20 de setembro estive nas cidades de Araçatuba, Penápolis, Guararapes, Mirandópolis e Andradina, em encontros com os alunos da rede SESI de seis unidades escolares. Foram momentos muito bons de surpresas e descobertas. Agradeço a acolhida de todas as administradoras escolares e demais funcionários, que prepararam da melhor forma as turmas para os encontros. Voltei, como disse Guimarães Rosa, “crescido de coração”.

Escola 281 (Araçatuba)

Escola 351  (Araçatuba)

 Escola 136 (Penápolis, manhã)

 Escola 136 (Penápolis, tarde)

 Escola 237 (Guararapes)

 Escola 323 (Mirandópolis)

Escola 025 (Andradina)

Mais uma vez obrigado a todos que deram suporte às nossas atividades. 


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Feira Nacional de Cordel no Memorial da América Latina


Dia 13 de Setembro, sexta – 19h
Biblioteca Latino-Americana
·         Abertura oficial da FENACORDEL
·         Palestra “O Cordel no fogo cruzado da cultura”
Profª Vilma Mota Quintela (UFBA)
Marco Haurélio 
·         Abertura da Exposição “Imagens e Tradição”
·         Show com Aldy Carvalho

Dia 14 de Setembro, sábado – 10h
Praça Cívica
Abertura da FENACORDEL
11h00 – Palhaço Gelatina
11h30 – Cordelista
12h00 – Exibição do Filme “Lampião, Rei do Cangaço”, Tenda do Circo Capadócia
12h00 – Palhaço Gelatina
12h30 – Cordelista
13h00 – Passagem de som
13h30 – Apresentação teatral “A saga de Berenice com seu boizinho encantado” (João Gomes de Sá), com Grupo Máscaras de Guaranésia
14h30 – Cordelista
15h00 – Exibição do Filme “A morte comanda o cangaço”, Tenda do Circo Capadócia
15h30 – Palhaço Gelatina
16h00 – Cordelista
16h30 – Show de Sapiranga e Convidados
“Homenagem a João do Vale”

Dia 15 de setembro, domingo – 10h
Praça Cívica
Abertura da Feira
11h00 – Show Canto & Corda
        12h00 – Cordelista
        12h30 – Show Ibys Maceioh
13h30 – Show Rabo de Saia
        14h30 – Cordelista
15h00 – Exibição do Filme “Corisco, o diabo loiro”, Tenda do Circo Capadócia

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O retorno de João Grilo

Personagem dos mais acarinhados pelos cordelistas, João Grilo vem sendo reinventado desde 1932, quando o pernambucano João Ferreira de Lima lançou o folheto de oito páginas Palhaçadas de João Grilo. Ampliado para 32 páginas por João Martins de Athayde ou por um poeta a seu serviço, e rebatizado como Proezas de João Grilo, tornou-se um clássico, a despeito de sua flagrante irregularidade. João Grilo não é criação de nenhum poeta de cordel e já figura nos contos populares de Portugal com este nome desde o século XIX. Mas, conforme demonstrei na abertura da Antologia do cordel brasileiro (Global Editora), na nota referente ao texto João Grilo, um presepeiro no palácio, de Pedro Monteiro, o “amarelinho” já figurava em uma obra popular italiana do século XVI, sob o nome de Maestro Grillo:

 “Personagem encontradiço nos contos populares portugueses, nas coleções de Consiglieri Pedroso (História de João Grilo) e Teófilo Braga (João Ratão ou Grilo), a menção mais antiga que conheço é da introdução do Pentamerone, de Giambattista Basile (1634-36). Basile nos fala de passagem de certo Maestro Grillo, protagonista de uma obra cômica, Opera nuova piacevole da ridere de um villano lauratore nomato Grillo, quale volse douentar medico, in rima istoriata (Veneza, 1519). Grillo, fingindo-se de médico, faz com que uma princesa sisuda ria pela primeira vez. Angelo de Gubernatis, na Mitologia zoológica, segundo Teófilo Braga, afirma: ‘Na Itália, quando se propõe um enigma para ser adivinhado, ajunta-se ordinariamente como conclusão as palavras – Indovinala, grillo! (adivinha, grilo)’.”Pois bem, o danado voltou às páginas dos folhetos em duas produções distintas. 

João Grilo, o amarelo que enganou a morte, do baiano Zeca Pereira, se atém mais às raízes populares do personagem, duelando com a “indesejada dos povos”, ao mesmo tempo em que passa a perna em usurários e pretensos espertalhões. Assim começa o cordel:

João Grilo, um personagem
Conhecido do leitor,
O amarelo franzino,
Quengo fino de valor.
O seu nome é conhecido
No Brasil e exterior.

Desde o seu nascimento
Fez o povo admirar,
Pois nasceu aos sete meses
Já sabendo caminhar,
Com dez dias conversava
E aprendeu a fuxicar.

Aos nove meses, o Grilo
Revelou sua esperteza,
Sabia ler e escrever
Com empolgante clareza,
 Admirando ao povo
De toda a redondeza.

Aos dez meses, já sabia
Decifrar uma charada,
Resolver qualquer questão,
Sem se embaraçar com nada,
Mesmo ser ir a escolas,
Sua mente era avançada.

Saiu de casa pequeno
Pra poder ganhar o mundo,
E cresceu trapaceando,
Seu saber era profundo,
Enganou até a morte
Quando estava moribundo.

Mas agora eu vou falar
Em algumas artimanhas   
Aprontadas pelo Grilo.
E, se as achares estranhas,
Com certeza não conheces
As espertezas tamanhas.

O folheto traz o selo da Tupynaquim Editora e já é candidato a clássico.


Sem fugir à marca distintiva do personagem, a esperteza, a dupla cearense de poetas, Arievaldo Viana e Pedro Paulo Paulino, parte de uma notícia verdadeira — a recomendação para que os esfomeados do planeta se alimentes de insetos — para mexer num vespeiro: o que falta a muitos abunda para poucos. O humor não encobre a intenção da dupla de tecer contra o sistema que permite tal descalabro críticas pertinentes:

Todos sabem que João Grilo
É o quengo mais completo.
Há muito tempo que João
Andava bastante quieto.
Mas agora ele voltou,
Depois que a ONU mandou
O povo comer inseto.

Já sabemos que a ONU,
Um tribunal soberano
Cuja sede está plantada
Lá no solo americano,
A fim de matar a fomo
Desse povo que não come,
Desenvolveu mais um plano.

No continente africano
A fome ainda campeia
Em muitos tribos, coitadas,
A situação é feia:
Têm brisa pra merendar,
Sobejos para amoçar,
Pastel de vento pra ceia.

Enquanto isso o Japão,
Por escassez de alimento
E, também, de certo modo,
Falta de discernimento,
De dinheiro fez aporte
E quer que o Brasil exporte
Carne de burro e jumento.

Até aí, nada novo,
O povo estava tranquilo.
Porém, depois que a ONU
Recomendou comer grilo,
João Grilo ficou passado,
Anda muito revoltado,
Só se ouve o seu estrilo.

Vale lembrar que a peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, da qual João Grilo é protagonista, também se escora no humor para denunciar as mazelas políticas e sociais de um Nordeste ainda dominado pelos coronéis e por um clero corrompido.

Nota: para adquirir esta e outras obras, entre em contato com a Tupynanquim Editora, pelo e-mail tupynanquim_editora@ibest.com.br.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Cordel volta em grande estilo à Cortez


Audálio Dantas, Moreira de Acopiara e Marco Haurélio


Foi mesmo uma tarde encantada na Cortez. Há muito tempo, muito tempo mesmo, o Cordel da Cortez não reunia um público tão eclético. Apresentaram-se no sarau lítero-musical Sapiranga Sá, Socorro Lira, Eufra Modesto, Aldy Carvalho. Cacá Lopes, Pedro Monteiro, Gracielma, Luiz Carlos Bahia, João Gomes de Sá, sob a coordenação de Moreira de Acopiara. E, de quebra, José Xavier Cortez, o anfitrião que acha que não é poeta, e mestre Audálio Dantas compartilharam a experiência de quem tem, e fez, muita história. Além de meu livro Artes do Caipora em cordel, o quinto pela Paulus, outros dois títulos foram apresentados ao público: Canudos e a saga de Antônio Conselheiro, de Moreira de Acopiara, da Duna Dueto, e um álbum de xilogravuras do mestre Jerônimo Soares. As fotos abaixo, mais do que as palavras, ajudarão a contar um pouco da história escrita nesta tarde do dia de são Bartolomeu (24 de agosto).
Mais um clique na plateia. À esquerda, JeosaFá Fernandez.

Eufra Modesto em ação
Ercília Simões Braga e Rosa Zuccherato,
da Editora Nova Alexandria
O contador de histórias Daniel D'Andrea e Luciano Tasso.
Com os conterrâneos Sapiranga Sá e Luiz Carlos Bahia.
Autografando o exemplar de Rosa Zuccherato.
Mary e José Alonço Fernandes, primo carnal de meu pai,
que conheci na Cortez.
Com Monalisa Lins, a pequena Ana Laura, Evelson e Fátima Morais.
Com o professor Rogério Soares.
 Cícero Pedro de Assis e Varneci Nascimento.
Moreira de Acopiara, Pedro Monteiro,
Marco Haurélio e Cícero Pedro de Assis.
Luiz Wilson, Ednilson Xavier, Eli, Lucélia,
Nireuda, Marco e Júlia.
Luciano autografa o exemplar de Margarete Oliveira.
Mazé Freitas, Lucélia e Socorro Lira.
Mais uma olhada na plateia.
Aldy Carvalho canta "Sina de cantador".
Andrey do Amaral, Pedro Monteiro,
Conceição Azevedo e Marco Haurélio.
"Sou poeta cantador/ das coisas da nossa gente" (João Gome de Sá).
Don Flávio "Wolverine" e Maurício Negro.

Mais flagrantes da plateia. À esquerda, JeosaFá Fernandez.
Com a leitora Patrícia Lau.
O ilustrador João Pinheiro e sua companheira Sirlene Barbosa.
À direita, Avelino Guedes.
Com a escritora Juliana Gobbe, de Atibaia.
Jerônimo Soares, Moreira e Marco Haurélio.
Performance de Luiz Carlos Bahia
Com o amigo Artur Nogueira,
consultor educacional da Paulus.
Luciano Tasso, Selma Maria, José Santos, Nireuda, Marco Haurélio e Lucélia.
Na plateia, Cacá Lopes, Luiz Carlos Bahia e Telma Queiroz. 

Fotos: Telma Queiroz, Lucélia Pardim, Pedro Monteiro, Angélica Feliciano e RogérioSoares.

Artes do Caipora em Cordel, da PAULUS, é lançado na Cortez Livraria
Por Angélica Feliciano

A semana de 19 a 24 deste mês foi especialmente dedicada à Literatura de Cordel, na Cortez Livraria, em São Paulo. Como disse Marco Haurélio, autor de Artes do Caipora em Cordel, lançado no sábado, 24, “uma tarde encantada”, foi o que os presentes na Expo-Cordel na Cortez puderam vivenciar.
Seguindo a tradição de promover a cultura popular a dar visibilidade á literatura de cordel, o evento contou com exposição fotográfica e de xilogravura, novidades editoriais sobre o tema, folhetos, lançamentos, além do sarau lítero-musical acompanhado de bebidas e comidas típicas do sertão nordestino.
No sábado, ultimo dia do evento, foi o lançamento de Artes do Caipora em Cordel, da PAULUS, escrito por Marco Haurélio. Além desta obra, também foram lançadas na mesma tarde: Canudos e a saga de Antônio Conselheiro – uma livre adaptação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, escrito por Moreira de Acopiara e lançado pela editora Duna Dueto, e o álbum de xilogravuras Na ponta da Agulha, de Jerônimo Soares que, segundo o falecido Jorge Amado, é “um dos mais notáveis gravadores populares do Brasil”.
Marco Haurélio já se aproxima da marca de trinta livros publicados e, destes, 90% é do gênero cordel. “Pretendo fazer outros com foco na cultura popular e vou continuar fuçando o baú da memória”, diz o autor que já tem novos projetos.
“Estou pesquisando para escrever um teórico sobre o conto popular: suas origens, abrangência, principais pesquisadores e obras mais relevantes. No campo da literatura infantojuvenil há alguns livros em preparação. Ainda este ano será lançado o livro Os 12 Trabalhos de Hércules (da Cortez Editora), que é uma espécie de releitura satírica, composta em várias modalidades poéticas, também ilustrado por Luciano Tasso”, completa.
O evento contou com grande número de pessoas, um público eclético que há 10 anos prestigia a festa. Audálio Dantas, diretor da revista “Negócios da Comunicação” e presidente da Comissão Nacional da Verdade dos Jornalistas, esteve presente.
“Esta é uma festa rara e única, que promove encontro e ligações fortes com a literatura de cordel. E como autor de projetos e da curadoria das exposições ‘100 Anos de Cordel’, realizado no SESC Pompéia, em 2001, é muito gratificante vivenciar este momento”. Dantas já escreveu mais de dez livros – o mais recente deles é “As Duas Guerras de Vlado Herzog”, publicado pela Civilização Brasileira em 2012.
Na tarde dedicada ao Cordel, apresentaram-se no sarau lítero-musical Sapiranga Sá, Socorro Lira, Eufra Modesto, Aldy Carvalho, Cacá Lopes, Pedro Monteiro, Gracielma, João Gomes de Sá, sob a coordenação de Moreira de Acopiara e o poeta José Xavier Cortez, anfitrião do evento.