sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Mateus, esse boi é seu, de Marco Haurélio e Jô Oliveira, no Catálogo de Bolonha

Lançamento do livro Mateus, esse boi é seu, na Livraria da Vila, em junho de 2015.

Ótima notícia para "começar" 2016!
O nosso livro Mateus, esse boi é seu (DCL) foi selecionado para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha, Itália, publicado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Outros amigos queridos também estão por lá, o que significa que eu e mestre Jô Oliveira, que assina as ilustrações, estamos em boníssima companhia.

Outros livros de minha autoria já selecionados: A lenda do Saci-Pererê em cordel (Paulus, 2009), Contos folclóricos brasileiros (Paulus, 2010), Palmeirim de Inglaterra (FTD, 2012, com José Santos e Jô Oliveira), Literatura de cordel: do sertão à sala de aula (Paulus, 2013) e Quem conta história de dia cria rabo de cutia (Cortez, 2014). 

À editora de infantojuvenis  Vivian Pennafiel e à toda equipe DCL, nossa gratidão.

Eis a sinopse do livro publicada na página 53 no Catálogo:


"The story behind the traditional celebration of Bumba meu boi is portrayed in quatrains, which rhyming, leads the reader to the Northeast region. With little variations between the states region, in general, it is told that the best cowboy kills the boss’ ox to please a beautiful young lady. The cowboy regrets this and does everything he can to resurrect the animal that comes back to life after it’s given back the part people consider the most important. The tone of humor is strong and reveals itself also in the beautiful and colorful illustrations". (AF)

Para acessar o Catálogo, clique AQUI.  

Abaixo, para comemorar, uma sessão com a atriz e contadora de histórias Cristina Hentz (Tia Tina), no Canal Historinhas para Acordar. 



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

São Sebastião da Boa Vista

Festa de São Sebastião, no povoado de Boa Vista (Serra do Ramalho)

A Festa de São Sebastião é celebrada há muitos anos no povoado de Boa Vista, em Serra do Ramalho, Bahia. A imagem chega de Bom Jesus da Lapa, no balanço das águas do Velho Chico, e, em procissão, é levada pelas ruas do povoado ao som da banda da Marinha. Dia 20 de janeiro, à noite, ocorre a última celebração da novena em homenagem ao glorioso mártir.


Há algum tempo, no entanto, a festa vem sendo descaracterizada e, pior ainda, solapada, pela administração do município. Foi construído um palco para a realização de shows que reúnem o que há de pior no gênero forró de plástico. Assim como ocorreu com as festas juninas, o povo vai, aos poucos, perdendo o protagonismo, vendo maculada a sua identidade. Nem mesmo as celebrações são respeitadas pelos beócios que fazem questão de exibir, em alto e péssimo som, o seu mau gosto.

É preciso mobilizar o IPHAN na defesa de nossas mais caras tradições antes que estas desapareçam sob o peso esmagador da imbecilidade.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Um Romance Catingueiro


Uma cantiga de amigo? Um romance calcado nos modelos ibéricos? Uma cantata? Às vezes, é impossível delimitar uma obra poética, pois, por mais que nos prendamos à sua ambientação, ela traz em seu bojo uma série de referências e é, ao mesmo tempo, bastante original. É o caso de O Cavaleiro das Léguas, de Aldy Carvalho, cantador das barrancas do São Francisco. Nela se encerra o conceito de amor cortês, surgido na França no crepúsculo do século XI, presente em sagas como a de Tristão e Isolda, e que sobreviveu nos nossos romances clássicos de cordel.

No sem fim do São Francisco
No sertão, longe do mar
Estela guarda um segredo
Com senha de adivinhar.
Guarda-se, guarda um tesouro
Para aquele que vai chegar.

No reino da Pedra Grande
Enredada em pensamentos
Que ele vem, ele virá
Resgatá-la dos tomentos
Será sua prometida
Dona dos seus sentimentos.

(Donzela)
De onde vem o cavaleiro
De que terras faz chegada
Será mesmo quem espero 
Nos meus sonhos faz morada?

(Cavaleiro)
Venho vindo muitas léguas
Pra sentir teu coração
Se por mim também palpita,
Se é de vera ou ilusão.
Trago a minha espada nua
Para pôr em tua mão.

(Donzela)
Oh! Me diga o cavaleiro
Como foi que aqui chegou
E de mim, o que é que sabe
No meu reino, como entrou.

(Cavaleiro)
Vim no sussurro do vento
Sete estrelo foi meu guia
Pela vereda dos bodes
Que é estrada que alumia.

(Donzela)
Que batalhas enfrentaste
Pra merecer meu tesouro
O que tenho pra te dar
Vale mais que a prata e o ouro.

(Cavaleiro)
Todas que um cavaleiro
Por amor deve enfrentar
Foram tantas as batalhas
Que nem as posso contar.

(Donzela)
Se assim é pode passar
Eu serei a tua amada
Também contigo sonhava
Com a tua clara chegada.

(Donzela e Cavaleiro)
Foi o amor que nos uniu
Nada vai nos dividir,
E se a dor ou a tristeza
Um dia nos atingir
Estaremos sempre juntos
Até a luz se extinguir.

O Cavaleiro das Léguas (Romance catingueiro)
Aldy Carvalho

participação: Zélia Grajaú(voz)

Voz e violao: Aldy Carvalho
Violinos: Bá
Violoncelo: Stefanie Guida Muller
Flauta: Cléo Santos
Baixo acústico: Tapioca
Pandeirola: Valter Poli 

Fotos: Lenir Carvalho (exceto a do vaqueiro)
Xilogravuras: Regina Drozina

domingo, 6 de dezembro de 2015

Centenário de Ataíde Oliveira


Por José Joaquim Dias Marques

Passa este ano o centenário do falecimento de Ataíde Oliveira (Algoz, Silves, 2/10/1843 - Loulé, 26/10/1915), autor de grande importância enquanto historiador local e coletor de literatura oral.

Na segunda destas áreas, é de referir que Ataíde Oliveira é autor de três obras fundamentais:

1 - As Mouras Encantadas e os Encantamentos no Algarve (1898), o primeiro livro de lendas recolhidas da oralidade alguma vez publicado em Portugal.


2 - Contos Tradicionais do Algarve (1900), 2 volumes, a primeira coleção de contos recolhida no Algarve e uma das mais ricas de todo o Portugal.

3 - Romanceiro e Cancioneiro do Algarve (1905), no qual, além de republicar versões algarvias de romances já dadas à estampa por outros autores (nomeadamente Estácio da Veiga), publica muitas versões recolhidas por si próprio. As suas versões, ao contrário do que fizera Veiga (que retocara imenso os textos e inventara mesmo vários romances), são fiéis ao que os informantes lhe terão dito.
Este livro inclui também muitas canções, quadras soltas e orações tradicionais, constituindo a primeira obra onde se colige o cancioneiro e o oracioneiro algarvio.

A Câmara Municipal de Silves organizou neste final do ano um pequeno conjunto de comemorações, visando lembrar Ataíde Oliveira. No próximo sábado, na Junta de Freguesia de Algoz, às 15h30, o Eng. Luis Guerreiro e eu próprio iremos falar da obra deste ilustre estudioso.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

150 ANOS DO MESTRE MAIOR DO CORDEL

Leandro Gomes de Barros em linoleogravura de Jô Oliveira.

Hoje, 19 de novembro do Ano da Graça de 2015, é um dia especial para muita gente. Sim, é o Dia da Bandeira, cujo hino foi composto por Olavo Bilac. Mas é também o dia de Leandro Gomes de Barros, o bardo paraibano que desfraldou a bandeira do cordel por aqui, ajudando a construir o gênero poético brasileiro por excelência: o cordel. A partir das muitas matrizes e dos muitos matizes que dão forma à nossa cultura, desde os romances ibéricos à gesta medieval, passando pelos batuques das senzalas e pelos encantados da mata branca, refúgio dos barbatões e dos mistérios que a noite ora esconde ora revela, Leandro construiu uma teia poética que envolveu gentes e sentimentos, arte e afeto, vida e poesia.

Meu primeiro contato com sua obra se deu com a História de Juvenal e o Dragão, garimpado de uma gaveta de armário rústico na casa de minha avó Luzia, na Ponta da Serra, sertão carrascoso da Bahia. De tanto ler a saga de Juvenal que, auxiliado por três cachorros, Rompe-Ferro, Ventania e Provedor, vence um dragão devorador, aos sete anos já a sabia de cor, do primeiro (“Quem ler essa história toda”) ao último verso (“Voaram e se foram embora”). O que eu não entendia, na época, era como este poeta, desprezado pela obtusidade das igrejas literárias, estava tão vivo na mentalidade sertaneja.

O cachorro que guardava a casa de meus avós paternos chamava-se Provedor, homenagem clara a um dos auxiliares mágicos do herói Juvenal. O protagonista também é muito lembrado pelo povo, batizando muitos meninos dos sertões de vários estados. Um primo de minha mãe, casado com outra prima nossa, Lucivande, Renato, recebeu de meu pai o inusitado apelido de Conde Aragão, extraído do romance Os Sofrimentos de Alzira. A história de Alzira, vale lembrar, é uma versão da famosa Imperatriz Porcina, que já foi Crescência, Florência e Hildegarda, e está nas páginas do Tuti-Namé persa e no ciclo medieval dos Miracles de La Vierge. Juvenal, por outro lado, é a versão sertaneja de Perseu, de São Jorge e de Tristão. Leandro, como se vê por estes poucos exemplos, era um poeta universal.

Nascido a 19 de novembro de 1865, portanto há 150 anos, Leandro vive na memória afetiva de muitos leitores e nas páginas de centenas de cordéis, lidos e relidos até em outras artes, do teatro ao cinema, nos campos sem cerca do imaginário.

 
Selo comemorativo criado por Jô Oliveira.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Palestra sobre Cordel e Educação em Salvador




Sábado, dia 17 de outubro, das 10h às 13h, estarei na Paulus Livraria de Salvador, proferindo a palestra Literatura de Cordel - do Sertão à Sala de Aula, que faz parte do seminário Paulus Educação 2015


Serviço

O quê? 
Palestra Literatura de Cordel - do Serão à Sala de Aula

Quando?
Dia 17 de outubro, das 10h às 13h

Onde?
Auditório da PAULUS Livraria de Salvador

Rua Direita da Piedade, nº 20/22 – Piedade – Salvador-BA

Inscrições através do email salvador@paulus.com.br ou pelo telefone(71) 3321-0126 / 3321-4446

Evento gratuito. Vagas limitadas!
Público-alvo: Professores, educadores, bibliotecários, estudantes

das áreas de Letras e Pedagogia

terça-feira, 13 de outubro de 2015

III Jornada Literária do Vale do Paraíba

Bate-papo mediado por Heloísa Prieto: literatura indígena, cordel,
 literatura afro-brasileira e cultura popular
 

Participei, a convite de Daniel Munduruku, da III Jornada Literária do Vale Histórico, abrangendo as cidades de Lorena, Piquete e Guaratinguetá, realizada entre os dias 23 e 26 de setembro. A Jornada é promovida pelo Instituto Uka - Casa dos Saberes Ancestrais. O evento contou com as presenças de Heloísa Prieto, Rogério Andrade Barbosa, Cristino Wapichana, Roní Wasiry Guará, Tiago Hakiy, Valdeck de Garanhuns, Marco Haurélio, além do próprio Daniel, em diversas atividades, sempre com boa presença de público e muita interação.
 
Roni Wasiry, Tiago Hakiy, Rogério Andrade Barbosa,
Valdeck de Garanhuns e Daniel Munduruku.

Tiago Hakiy traz a poesia da floresta ao Vale Encantado.

Daniel, Cristino Wapichana e Zezinho.

Alunas da Escola Estadual Profª Leonor Guimarães, de Piquete, que, para minha surpresa,
 haviam encenado, ano passado, A Megera Domada em Cordel.

 

domingo, 4 de outubro de 2015

Saudação ao Velho Chico




















Meu rio de São Francisco,
Tu jamais irás morrer,
Pois o pranto de Iati

Não cessará de correr.

Mesmo maltratado nunca
Deixas teu povo na mão,
Levando a fertilidade
Para o sofrido sertão.

Voltes a ser o Opará
Ou o Rio dos Currais,
A fonte que saciou
A sede dos ancestrais.

Que a água que te alimenta
Brote de novo da fonte,
Dos olhos d’água e nos traga
Nova luz, novo horizonte.

Aqui, saudoso, desejo
Parabéns pelo teu dia,
Vendo o tempo correr lento
“Sem a tua companhia”.


Nota: No dia 4 de outubro de 1501, o navegador italiano Américo Vespúcio "descobriu" a foz de um grande rio e, em homenagem ao santo do dia, batizou-o como São Francisco. Os povos nativos, no entanto, o conheciam por outro nome, o mais usual Opara (rio-mar). 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Jornada Literária do Vale Histórico reúne vários autores em Lorena



Da página do Instituto Uka, no Facebook.


A III Jornada Literária do Vale Histórico traz como tema ONDE NASCEM AS HISTÓRIAS?


A questão tema que propomos nasce da mais célebre pergunta que os leitores costumam fazer para os escritores que encontram: onde buscam inspiração para escrever as histórias que tanto as encantam? Uma pergunta aparentemente inocente, mas que esconde um mistério que sempre acompanha leitores de todo o mundo e que, no fundo, esconde também o mistério da criatividade humana. Ao colocarmos autores convidados em contato com estudantes que leram previamente suas obras, queremos reforçar o mistério que envolve leitores e escritores no próprio sentido da existência.
Além disso, o tema nos impulsiona a pensarmos as questões sempre latentes no trabalho educativo, sobretudo quando se pensa as temáticas indígenas e africanas. Afinal, nossos primeiros habitantes (os indígenas) acolheram povos visitantes (europeus e africanos) e com eles compuseram a linda melodia que é a brasilidade com a qual estamos todos devidamente marcados. Eis o motivo pelo qual priorizamos a presença de autores indígenas e autores que trabalham a temática afro-brasileira e os saberes populares em seus escritos. 

Nossa Jornada Literária será sempre a cerimônia festiva de nossa brasilidade que está muito presente no nosso Vale que foi palco de grandes eventos históricos e de grandes personagens da literatura nacional.

OBJETIVOS

A] Incentivar a leitura literária entre estudantes, educadores e público em geral;

B] Aproximar os autores e escritores de seu público leitor;

C] Criar oportunidade de interação entre os diferentes setores da sociedade que desenvolvem projetos de leitura entre crianças e jovens;

D] Colocar a região do Vale Histórico no circuito de feiras e eventos literários brasileiros;

E] Divulgar a literatura regional entre as crianças e jovens.
METODOLOGIA
Como nas edições anteriores propomos visitas dos convidados às escolas para conversas diretas com os leitores e rodas de conversas na parte da noite abertas para o público adulto em que se discutirão temas importantes para a formação da consciência crítica dos educadores e gestores.

CONVIDADOS

CRISTINO WAPICHANA

Escritor indígena. Autor de livros para crianças, músico e artista plástico.

DANIEL MUNDURUKU
Escritor indígena. Autor de 47 livros para crianças, jovens e educadores.

HELOISA PRIETO
Doutora em literatura francesa (USP), mestra em comunicação (PUC-SP), ela se divide entre escrever, traduzir, coordenar coleções e ministrar oficinas de criação literária para crianças e adolescentes na Universidade do Livro (Unesp). Já publicou mais de 50 livros.

MARCO HAURÉLIO
Poeta Popular, Editor e Folclorista. É autor de dezenas de livros para crianças e jovens sendo sua especialidade o Cordel.

MAURÍCIO NEGRO
Ilustrador, designer gráfico e escritor identificado com temas fantásticos, ancestrais, mitológicos, ambientais, étnicos ou ligados à diversidade cultural e artística brasileiras.

RONI WASIRY
Escritor indígena. Autor de uma dezena de livros para crianças. É professor, poeta e artista plástico. Reside no Amazonas.

ROGÉRIO ANDRADE BARBOSA
Professor, escritor, contador de histórias e ex-voluntário das Nações Unidas na Guiné-Bissau. Graduou-se em Letras na UFF (RJ) e fez Pós-Graduação em Literatura Infantil Brasileira na UFRJ. Trabalha na área de literatura Afro-Brasileira e programas de incentivo à leitura, proferindo palestras e dinamizando oficinas. É autor de mais de 90 obras para crianças e jovens.

TIAGO HAKIY
Escritor indígena. Autor de vários livros para crianças. Seu maior foco é a poesia onde tem se destacado e ganhado importantes elogios de crítica e de publico.

VALDECK DE GARANHUNS
Artista polivalente faz de sua arte um instrumento de divulgação da cultura brasileira. Grande conhecedor da cultura popular do Brasil, tem participado de mostras e festivais em todo território brasileiro e no exterior.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Cordel do Fliaraxá 2015




Quando chegou o convite
Do Festival Literário
De Araxá, pensei comigo:
“Vai ser extraordinário!”
E, de fato, foi marcante
Para o meu itinerário.

Os escritores presentes
Com muita propriedade
Mostraram-nos a importância
Da bibliodiversidade,
Fazendo o Fliaraxá
Ser sucesso de verdade.

Este festival que teve
Afonso Borges à frente,
Em sua quarta edição,
Pra mim foi surpreendente,
Graças ao brilho e ao empenho
De uma equipe competente.

Lembranças de muita gente:
De Rufato, Xico Sá.
Gonçalo M. Tavares
Veio do lado de lá
Compartilhar seu talento
Com o povo de Araxá.

De Marina Colasanti
E de Mary Del Priore,
Há tantas boas lembranças
Que, por mais que as rememore,
Guardarei num relicário
As prosas sobre o folclore.

Das atividades feitas
Com mestre Jô Oliveira,
Das histórias de Lucrécia,
Narradora, cantadeira,
Que tem na voz e nos gestos
A alma luso-brasileira.

Das rodas de poesia,
Oficinas de cordel,
Os clowns do grupo Fratelo,
A mão de Salatiel
Dedilhando o violão,
Saudando o Tamanduel.

Paulo Netho, alma criança,
De coração generoso,
Com seu baú de parlendas
E seu dom maravilhoso,
Convidando a um passeio
Nos domínios de Trancoso.

E do amigo José Santos,
O que poderei falar?
Vendo-o incorporar um clown,
No palco sempre a brincar,
Lembrou-me dos grandes mestres
Da cultura popular.

Do grande Ailton Krenak,
Sabedoria ancestral,
De Pasquale Cipro Neto,
Celso Adolfo, genial,
Cantando o Sertão de Rosa,
O Sertão Universal.

Leo Cunha, grande escritor,
Alma sensível, criança,
Carlos Herculano Lopes,
Com porte de rei da França,
Acendem com verve e viço
O pavio da esperança.

Como não lembrar também
Ricardo Barros e Elis,
Partilhando a experiência
Do ler, que é força motriz
Em nome do bom combate,
Exemplo para o país.

Ver de Maurício de Sousa
Caírem lágrimas sinceras
É pensar que ainda estamos
Em uma época de esperas,
Mas já preparando o pólen
De futuras primaveras.

Ouvi Nélida Piñon,
Nos corredores do hotel.
De modo franco e gentil,
Elogiar o cordel,
Falando da coleção
Que doou para Cantel.

José Otávio e Pedro
Pintando linda aquarela.
Sempre com terno sorriso,
Tati com a Manuela
Comprovando que esta vida,
Apesar de tudo, é bela.

Ao final inda encontrei
Seu Sebastião Carreiro,
Um catador de papel,
Um humilde brasileiro,
Das flores da tradição
O mais fiel jardineiro.

Tantos nomes, tanta história
Um cordel jamais abarca,
Não dá para citar todos,
Com nossa memória parca,
Porém deixo a gratidão
Como selo, timbre e marca.

Afonso Borges, receba
O meu sincero obrigado.
Difundir literatura
É um trabalho pesado,
Mas o porvir saberá
Reconhecer seu legado.

Marco Haurélio

Com Jô Oliveira em mesa mediada por Carlos Herculano Lopes.
Leo Cunha, Mary Del Priore e Marina Colasanti.
O menino Arthur com a nova aquisição: Os 12 Trabalhos de Hércules.
Ailton Krenak e Ricardo Barros em uma prosa animada.
Jô Oliveira fala de seus 40 anos de arte na Fliaraxá.
Depoimento de José Santos.
Com os mestres das HQs nacionais: Maurício de Sousa e Jô Oliveira.
Seu Tião Carreiro, grande contador de histórias.
Créditos: fotos de Jackson Romanelli, Rubens Weil e Marco Haurélio.