sábado, 13 de outubro de 2018

Entrevista a Assis Angelo


O BRASIL DAS ARÁBIAS


Marco Haurélio e Némer Salamún
Concedi, na última terça, uma entrevista ao jornalista Assis Angelo. O mote foi a minha recente incursão pelo Oriente Médio, no emirado de Sharjah, além das conexões culturais do Brasil com o mundo árabe. 

Marco Haurélio é um baiano nascido na roça. No sudoeste da Bahia. Ele plantou e, agora, está colhendo os frutos da cultura, da vida e da história. Fugindo à regra nordestina, das quebradas lá de longe, ele aprendeu o beabá desenvolvendo o intelecto. Intelecto é aquela coisinha, massa cinzenta, que carregamos no cérebro. E os seus pais, Valdi e Maria, fizeram tudo para lhe dar um canudo uma beca. E, assim, Marco Haurélio Fernandes Farias entrou na universidade m Caetité (BA) e, quatro depois, licenciado em Letras, fez sorrir seus pais. E o mundo abriu-se para Marco. Abriu-se, ele continua lutando apaixonadamente pela história do Brasil, pela cultura popular, pelas coisas da gente. Eu conheci muitas pessoas importantes da área da cultura popular como Luís da Câmara Cascudo ou Mário Souto Maior. Eu tenho certeza de que Cascudo e Souto Maior orgulhar-se-iam do Marco como eu.

Assis – Marco, você andou pelo mundo todo, ou quase. Você esteve ausente? Tá bom, eu sei onde você esteve, mas os leitores do blog não sabem. Diga. Onde você esteve ultimamente.

Marco – Estive em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, a convite do Institute for Heritage, ou melhor, do presidente desta importante instituição do Oriente Médio, o Dr. Abdulaziz Al-Mussalam.

A – E você foi o que lá, nesse lugar tão distante?

M – Fui contar histórias de nossa tradição oral num evento que acontece por lá há 18 anos, o International Narrator Forum, que reúne narradores e pesquisadores de várias partes do mundo.

A – O que se fez mais presente lá, a cultura popular ou a erudita? Ou as duas se juntaram?

– As duas estão tão mescladas que não dá para saber onde termina uma e começa a outra. Vi grupos de música tradicional, ouvi a voz do muezzin, convocando os fiéis para a mesquita, e lembrei do nosso vaqueiro na solidão dos ermos nordestinos. Li sobre lendas e mal-assombros muito próximos dos nossos mitos, como o camelo sem cabeça, em tudo semelhante à nossa mula-sem-cabeça. Vi, no Museu da Civilização Árabe, artigos em couro que lembravam a civilização do couro do Nordeste, evocada por Capistrano de Abreu. Confesso que me senti em casa.

A – Ao pisar o solo árabe, você lembrou-se de quê? Das Mil e Uma Noites?

M – As Mil e Uma Noites são a nossa principal referência cultural em termos de literatura, abrangendo a vastidão do mundo islâmico, que vai da Índia ao Marrocos. Lá, a arquitetura, os trajes, as saudações, a devoção remetiam aos velhos contos narrados por Xerazade, mas vai muito além disso. Há todo um caudal de tradições que dialogam com os nossos costumes, com o Brasil que, irresponsavelmente, estamos deixando morrer.

A – O real e o imaginário se confundem mais em Sharjah do que em outro lugar que você conhece?

– O trabalho de recolha e catalogação feito pelo Dr. Abdulaziz Al-Mussalam, entre os povos do deserto, revelou um mundo muito rico, em que as superstições, os seres fantásticos impregnam a vida cotidiana. Na capital, isso não está tão presente, mas, uma coisa é certa: Sharjah é um exemplo de país em que a modernidade e a tradição convivem em perfeita harmonia.

A – Estamos falando de cultura popular. Provocado, o que você viu no mundo árabe semelhante ao local em que você nasceu?

M – Muita coisa em comum. O fato de as mulheres usarem lenço no sertão é uma herança do mundo árabe. O medo de criaturas que habitam nas profundezas da caatinga, assombrando árvores como juazeiro, umbuzeiro e gameleira é parecida com uma lenda de lá, de uma tamareira assombrada. Lá, tem um camelo que leva embora as pessoas ruins num saco que traz entre os dentes, assim como nós temos o velho do saco ou velho do surrão. E, na música, embora não saiba nada de árabe, conversando com pessoas de lá, descobri que os temas eram quase sempre amorosos, líricos, e me lembrei de Teófilo Braga, etnógrafo português, que estudou as cantigas de amor portuguesas, as aravias, assim chamadas, pois tiveram origem entre os povos do deserto que conquistaram e deitaram raízes na Península Ibérica.

A – A distância é um ponto de vista. Você encontrou na Arábia o Brasil, Marco?

M – Claro. O Brasil recebeu, dos povos de cultura islâmica, além de várias palavras incorporadas para sempre ao nosso vocabulário, crenças arraigadas na alma de nosso povo. O saci preso na garrafa com o fito de propiciar riqueza deriva do djin do folclore árabe, o gênio das lâmpada dos contos das Mil e Uma Noites. Outra ligação que merece ser ressaltada tem a ver com a culinária, principalmente a nordestina, carregada de tempero, saborosa como mais não pode ser. A história explica isso, pois, além de Portugal ter sido dominado pelos mouros, tempos depois, no período de expansão marítima, os nossos patrícios foram os primeiros povos do Ocidente a conquistar a região, usada como entreposto em suas viagens à Índia.

A – O que te fez aceitar um convite para ir para um lugar tão distante?

M – Na Bienal do Livro de São Paulo, por indicação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, participei de uma mesa redonda sobre contos folclóricos com o Dr. Abdulaziz, representante de Sharjah, país homenageado no evento. Dois dias depois, numa cerimônia reservada, recebi, das mãos do Dr. Addulaziz, uma medalha de honra por meu trabalho de pesquisa e salvaguarda da tradição oral brasileira. O convite foi feito nesse mesmo dia, 6 de agosto, uma segunda feira.

A – Marco, fala-se muito da mulher árabe. O que você viu por lá?
M – Lá, as mulheres ocupam cargos importantes, dirigindo entidades, na coordenação de importantes eventos. Lá estive com minha companheira Lucélia, também convidada pela organização do Forum, para ministrar uma oficina de xilogravura para crianças. Lá esteve ainda um casal de amigos, Fabio Lisboa e Bianca Tozato, também representando o Brasil. Sentimo-nos muito à vontade, como eu disse antes, estávamos em casa.

– Então, você se sentiu em casa. Temos muito a ver com o mundo árabe. E a Donzela Teodora, você a encontrou?

M – A Donzela Teodora, Simbad, Ali Babá estão presentes na fala cantada de nossos irmãos. A Donzela Teodora é a Douta Simpatia das Mil e Uma Noites, a mulher sábia que foi imortalizada em nosso cordel por Leandro Gomes de Barros e na voz de Elomar. Afinal de contas, o nosso Brasil, repositório de culturas, é também filho das Arábias. Salam Aleikum!
 
Oficina de xilogravura para crianças com Lucélia Borges


– Dá pra resumir tudo isso numa estrofe em decassílabo?

M – O Brasil, um país continental,
Traz na veia o sangue de mil povos,
Dos nativos e de outros bem mais novos,
Integrando o concerto universal.
Das Arábias herdou um cabedal,
Reunido ao cantar do lusitano,
Índio negro, francês, bantu, cigano,
Que atravessam minh’alma como açoites,
Como os contos das Mil e Uma Noites,
Que eu celebro em martelo alagoano.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Brasil marca presença no Fórum Internacional de Narradores de Sharjah (EAU)


"El Príncipe Caballito". Parceria com Némer Salamúm

A convite do Sharjah Institute for Heritage (Instituto para o Patrimônio), participei, do  18º  Sharjah International Narrator Forum, que ocorreu no início desta semana em Sharjah, uma das pérolas do Oriente Médio. O pequeno emirado, que erigiu a cultura como um dos seus grandes pilares, sediou o encontro que reuniu mais de uma centena de narradores e pesquisadores de tradição oral de vários países, incluindo o Brasil. Dr. Abdulziz Al Mussalan, presidente do Instituto, escritor poeta e estudioso das tradições milenares do povo árabe, foi o responsável pelo convite, ainda na Bienal do Livro de São Paulo, onde dividimos uma mesa, no Espaço de Sharjah, que tinha os contos folclóricas e a heranças árabes no Brasil como tema.

Oficina com Fábio Lisboa

No dia 25, no Centro de Convenções, no Espaço dedicado ao Forum, fiz uma breve e inesquecível participação. Uma honra que, por mais que eu busque, não conseguirei expressar em palavras, foi dividir o mesmo espaço com o genial Némer Salamún. Recontei em espanhol o conto popular O Príncipe Cavalinho (do livro Contos e Fábulas do Brasil), do ciclo do noivo animal, que ele, Némer, vertia imediatamente para o árabe, arrancando risos e aplausos da plateia composta majoritariamente por crianças. O encanto pelas histórias, velhas como a humanidade, afinal de contas, é universal.
 
Willo e Rafo Diaz, grandes narradores e divulgadores da tradição oral. 
Némer ainda traduziu contos narrados pelos parceiros latino-americanos, o colombiano William Arunategui (Willo) e o peruano Rafo Diaz. No período da manhã, a companheira Lucélia Borges ministrou uma oficina de isogravura para crianças e expôs algumas matrizes de xilogravura de seu acervo. O casal de amigos Fábio Lisboa e Bianca Tozzato ministraram uma oficina de confecção de brinquedos tradicionais feitos com papelão. Fábio participou ainda da abertura do evento, ao lado de outros narradores, saudando o sheik Sultan bin Muhammad Al-Qasimi, governante de Sharjah, grande incentivador das artes e das ciências, também ele um renomado intelectual, com formação em várias áreas do conhecimento.

Volto para casa muito feliz depois dessa breve estadia entre o povo do deserto, cuja herança cultural avançou pelo norte da África, chegou à Península Ibérica e, por meio de portugueses e espanhóis, alcançou a terra depois chama de América. No Brasil, a região Nordeste é a que melhor guardou o patrimônio imaterial do povo árabe e dos povos berberes, ainda hoje vivo em costumes e crenças, contos, lendas, autos populares e até mesmo em nossa poesia popular, mormente no cordel, repente e nos aboios dos vaqueiros.

Mais uma vez, minha gratidão a Sharjah, em especial ao dr. Abdulziz, a Aisha Alshams, diretora do Center for Heritage, incluindo toda a comissão organizadora que nos recebeu tão bem, comprovando a proverbial hospitalidade dos povos do Crescente.

Salam Aleikum!


Exposição de livros e folhetos

Wayqui César Villegas, mestre peruano



No Center for Heritage, encontrei esse "cavalo marinho"


Apresentando o cordel a Sherif Mahmoud Aly, representante do Egito

Némer Salamúm e Willo em bela dobradinha.



No Museu da Civilização Islâmica, um elo com a
"civilização do couro" do Nordeste

Oficina de isogravura para crianças, com Lucélia Borges



quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Meus livros no PNLD Literário



Foi divulgado, no Diário Oficial da União, no dia 28 de agosto, o resultado do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD 2018 Literário). Cinco títulos de minha autoria foram aprovados no programa. 

Segue a lista com seus respectivos códigos:

  • Peripécias da Raposa no Reino da Bicharada (SEI/LeYa). Ilustrações de Klévisson Viana  (cód. 1415L18601)
  • Mateus, Esse Boi é Seu (DCL/Farol). Ilustrações de Jô Oliveira  (cód. 0768L18602)
  • Bafafá na Arca de Noé (DCL/Universo dos Livros). Ilustrações de Anabella López  (cód. 0546L18601)
  • Lucíola em Cordel (Manole) Ilustrações de Luís Matuto  (cód. 0691L18601)
  • O Circo das Formas (Estrela Cultural). Ilustrações de Camila de Godoy  (cód. 0349L18601)
Nesta etapa, a escolha caberá às escolas públicas de todo o Brasil. 

Gratidão! 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Projeto Encontro com o Cordel encanta São Paulo


Braulio Tavares e Marco Haurélio



Socorro Lira e banda no show Meu interior urbano
Foram três dias de encantamento. O nosso projeto Encontro com o Cordel, abraçado pelo SESC 24 de Maio, teve grande presença de público e uma programação rica e variada. Recitais, shows, oficinas, bate-papos, mesas redondas, além da Feira de Cordel e Xilogravura, montada na área de convivência, apresentaram aos paulistanos as várias faces da Literatura de Cordel. Muita gente se reencontrou com os clássicos lidos ou ouvidos na infância e conheceu os novos artesãos e artesãs da poesia bárdica nordestina.
Assis Ângelo e Moreira de Acopiara
O espaço da Feira foi também um ambiente festivo, com muita conversa e interação entre os artistas e o público. Num 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, Braulio Tavares, o multiartista que todos nós aprendemos a admirar, inaugurou o evento com uma palestra sobre o nosso homenageado, o poeta paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e as muitas faces da literatura de cordel e seu diálogo com outras artes e gêneros, incluindo a ficção científica. Depois, Sebastião Marinho e Luzivan Matias, repentistas paraibanos estabelecidos em São Paulo, encantaram o público com modalidades do repente, a exemplo das sextilhas, do "boi da cajarana", do martelo alagoano e encerraram com o tradicional coqueiro da Bahia. Em seguida, entraram em cena Assis Angelo e Moreira de Acopiara, em bate-papo que batizei como Baião de Dois, homenageando o Cego Aderaldo, morto há 50 anos, e discorrendo sobre o cordel e sua secular história.  
Luzivan Matias e Sebastião Marinho
Lucélia Borges e os Contos rimados
Socorro Lira, a premiada cantora e poeta paraibana de Brejo do Cruz, fechou o primeiro dia do evento com chave de ouro, cantando joias de seu cancioneiro e outras canções de nomes históricos como Zé do Norte, que ela homenageou no premiado disco Lua Bonita, de 2012. No dia seguinte, com a concorrida oficina de xilogravura do mestre J. Borges e de seu filho Pablo Borges, iniciou-se mais uma bela jornada. A atividade Cordel-Show foi aberta por Aldy Carvalho, acompanhado pelo violão de Tony Marshall, e teve Costa Senna, além de  Maércio e Júbilo Jacobino como músicos acompanhantes, no encerramento. A Biblioteca, no 4º andar, recebeu Lucélia Borges e seus "Contos Rimados".Quase ao mesmo tempo, Klévisson Viana e Jô Oliveira abordaram a influência do cordel nas histórias em quadrinhos e vice-versa. Tivemos ainda o popular teatro de bonecos de Pernambuco, o Mamulengo, com mestre Valdeck de Garanhuns e Trio Tropeiros da Serra.Fechando a noite, mestre Bule Bule mostrou o que é que o baiano tem, com seu repertório de chulas, cocos, cirandas e sambas de roda, além de uma linda homenagem a Leandro Gomes de Barros, em que cantou trechos da História do Boi Misterioso. No teatro, enquanto isso, ocorria o show do pernambucano Siba, que se repetiu no dia seguinte
Bule Bule em noite memorável 

Domingo, 26, ocorreu a segunda parte da oficina de xilogravura e, ao meio-dia, Inimar dos Reis e João Batista Cidrão, filho de Patativa do Assaré, emocionaram o público com o espetáculo Pelejas de um Cantador. 
Visivelmente emocionado, João declamou poemas de seu pai, hoje clássicos da poesia brasileira. As vozes femininas da literatura de cordel ecoaram forte com Izabel Nascimento e Salete Maria, provando que a poesia popular precisa discutir temas contemporâneos, como a presença e a afirmação das mulheres, além de temáticas que, geralmente, são deixadas de lado pelos cordelistas tradicionalistas, como os direitos das minorias e a inclusão cultural e social. E o dia foi mesmo das mulheres, pois, na Biblioteca, Cleusa Santo e Auritha Tabajara, com Contos, lendas e cordéis, encantaram o público, com uma afinação impressionante. No espaço da Ginástica, mestre Antonio Nóbrega, com sua domingueira, convidou o público a dançar ao som de emboladas, frevos e maracatus. Ao final, foi visitar o espaço da Convivência, onde foi montada a exposição. 


Izabel Nascimento e Salete Maria: Cordel em cena. 
Outros artistas que abrilhantaram o evento, como expositores, foram: Paulo Dantas, Samuel de Monteiro, Pablo Borges, Cacá Lopes, Pedro Monteiro, Tin Tin, Gina, esposa de Bule Bule, Regina Drozina, Varneci Nascimento, Chico Feitosa, Ronnaldo Andrade, Nireuda Longobardi e João Gomes de Sá. Contamos ainda com visitantes ilustres, a exemplo do cantor e compositor baiano Gereba, dos poetas Josué Gonçalves e João Paulo Resplandes, da pesquisadora francesa Solenne Deringond e da pesquisadora a cantora Mari Ananias. 

A todos os artistas e, especialmente a Luciana Tavares Dias, do SESC 24 de Maio, entusiasta de primeira hora, que acolheu a nossa ideia e ajudou a dar a ela o formato que, ao final, se mostrou exitoso, nossa eterna gratidão. Estendemos os  agradecimentos à Delahousse Produções, que nos deu o suporte necessário, e a toda a equipe do SESC, especialmente a Luci e Marco, nossos anjos da guarda. 

O cordel está vivo e, mais do que vivo, forte! 


Oficina com mestre J. Borges
Ditinho da Congada e Bule Bule
Na Biblioteca, ao final da contação de Cleusa e Auritha
Domingueira com Antonio Nóbrega


Cordel e quadrinhos com Jô Oliveira e Klévisson Viana

Costa Senna e o Cordel-Show
Entregando o selo da Ação do Coração, idealizado por Alexandre Camilo,
ao mestre J. Borges


Pedro Monteiro, Bule Bule, Klévisson Viana e Marco Haurélio
Antonio Nóbrega, Marco Haurélio e Bule Bule 

Alexandre Camilo e J. Borges


terça-feira, 21 de agosto de 2018

Encontro com o Cordel


EM HOMENAGEM AO CORDELISTA LEANDRO GOMES DE BARROS, “ENCONTRO COM O CORDEL” ACONTECE NO
SESC 24 DE MAIO NO MÊS DE AGOSTO

Programação inclui atividades como feira, bate-papos e shows de Socorro Lira, Siba e Antônio Nóbrega


Na etapa final do mês de agosto, o Sesc 24 de Maio oferece ao público a oportunidade de vivenciar o Encontro Com o Cordel: Homenagem a Leandro Gomes de Barros, destaque no gênero. A atividade ocorre nos dias 24, 25 e 26 e conta com cursos, bate-papos, shows musicais, teatro, cantorias, além de uma feira com cordéis e xilogravuras. Com a curadoria do cordelista, pesquisador e escritor Marco Haurélio, em parceria com a esquipe do Sesc, há programações gratuitas e outras mediante compra de ingressos.

O universo da literatura de cordel acompanha a história do Brasil desde a chegada das caravelas portuguesas. É justamente isso que explica a origem do nome dado a esse gênero literário, já que em Portugal os folhetos eram tradicionalmente expostos para venda pendurados em cordas, cordéis ou barbantes.

Em terras brasileiras, a tradição do barbante trazida pelos portugueses não se perpetuou, mas o estilo textual caiu no gosto popular. Foram mantidas características como a escrita na forma rimada e a origem em relatos orais, que posteriormente são impressos em folhetos. Alguns poemas são, ainda, ilustrados com xilogravuras.

Recitados de forma melodiosa e cadenciada, os versos do cordel são comumente acompanhados pelo som da música tocada em viola. Conhecido como parte da cultura nordestina brasileira, o gênero é também chamado de “folheto”.


2018 é o centenário de morte de um dos mais notáveis autores nacionais do estilo. Cordelista homenageado na programação, o paraibano Leandro Gomes de Barros é autor de clássicos como “O enterro do cachorro”, “A história do cavalo” e “O mal e o sofrimento”.

Em 1976, na crônica “O Poeta”, Carlos Drummond de Andrade chamou Leandro Gomes de Barros de “Príncipe dos Poetas”. O caráter popular de sua literatura somado ao vigoroso programa editorial de Barros levou a literatura de cordel às mais distantes regiões, graças a um bem-sucedido projeto de redistribuição.

A programação do ”Encontro com o Cordel: Homenagem a Leandro Gomes de Barros” envolve diversas ações dessa arte. Reúne, ainda, obras importantes da Literatura de Cordel e apresenta a função social desse importante gênero literário ao longo dos tempos, expondo a riqueza temática e a complexidade de suas rimas, além da sua influência nos vários segmentos artísticos, como cinema, teatro, músicas e novelas.

Confira a programação:

LITERATURA

Bate-Papo “Leandro Gomes de Barros e o cordel sem fronteiras” | Dia 24/8 (sexta, 14h)
Leandro Gomes de Barros e o cordel sem fronteiras. Com Braulio Tavares, que revisita as novelas de cavalaria, a gesta do gado e o romanceiro nordestino em seus variados ciclos temáticos. Duração: 90 minutos. Área de Convivência. Classificação etária: 14 anos. Grátis.

Prosa e Verso: Baião de Dois | Dia 24/8 (sexta, 17h30 às 18h30)
Com Assis Ângelo e Moreira de Acopiara. Mediação Marco Haurélio. Ao melhor estilo das conversas ao redor do fogo, os autores falarão de suas trajetórias e de como entraram em contato com a Literatura de Cordel e sobre o universo da cantoria. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Classificação etária: 14 anos. Grátis.

Intervenção | Dia 24/8 (sexta, 16h)
Cantoria com repente com Sebastião Marinho e Luzivan Mathias. As várias modalidades do repente nordestino. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Livre. Grátis.

Feira De Cordel e Xilogravura | Dias 25 e 26/8 (sábado, 11h às 20h30; domingo, 11h às 18h)
Com poetas, artistas gráficos e intervenção de artistas populares de várias searas. Área de Convivência (3º andar). Classificação etária: 12 anos. Grátis.

Cordel e Quadrinhos | Dia 25/8 (sábado, 15h) FALTA DESCRIÇÃO
Com Jô Oliveira e Klévisson Viana. O universo da gravura popular como inspiração para o cordel e as HQs. Duração: 60 minutos. Área de Convivência (3º andar). Classificação etária: 14 anos.

Cordel-show | Dia 25/8 (sábado, 12h)
Com Costa Senna e Aldy Carvalho. Repertório que tem por base a literatura de cordel e as modalidades do repente nordestino em poemas e cantigas. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência (3º andar). Livre. Grátis.

Cantoria: do folclore ao cordel | Dia 25/8 (sábado, 19h às 20h30)
Com Bule-Bule. Um dos grandes artistas populares do Brasil apresenta canções folclóricas e poemas musicados por ele, em gêneros como o coco, a embolada, o samba de roda e a chula. Duração: 90 minutos. Área de Convivência. Livre. Grátis.

Contação de histórias “Contos Rimados”| Dia 25/8 (sábado, 14h30)
Com Lucélia Borges. Um passeio pelo universo mágico da tradição oral. Duração: 1h. Biblioteca. Livre. Grátis.

Pelejas de um Cantador: homenagem a Patativa do Assaré | Dia 26/8 (domingo, 12h)
Com Inimar dos Reis e João Batista Cidrão. Roda de versos, repentes, com emboladas, desafios de viola e declamação de poemas de Patativa do Assaré. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Livre.

Cordel em cena | Dia 26/8 (domingo, 14h)
Com Izabel Nascimento e Salete Maria. Um encontro poético que mostra que a literatura de cordel não é indiferente às grandes questões e dilemas da contemporaneidade. Duração: 60 minutos. Área de Convivência. Classificação etária: 12 anos. Grátis.

Contos, lendas e cordéis | Dia 26/8 (domingo, 15h)
Com Cleusa Santo e Auritha Tabajara. Um passeio pelo mundo encantado da tradição oral e do cordel, com histórias do povo Tabajara, contos de encantamento e cordéis infantis. Duração: 60 minutos. Biblioteca. Livre. Grátis.

CURSOS

Xilogravura Popular | Dias 25 e 26/8 (sábado e domingo, das 10h)
Com J. Borges. Breve história da xilogravura e de suas principais técnicas. Cada participante será orientado a produzir sua própria matriz de xilogravura e seu processo de impressão. Duração: 6h. Sala 2 das Oficinas. Classificação etária: 14 anos. R$12, R$25 e R$50.

TEATRO

Teatro De Mamulengo | 25/8 (sábado, às 17h)
Com Mestre Valdeck de Garanhuns. O espetáculo conta a história da origem do cordel e de seu desenvolvimento no Nordeste brasileiro. Duração: 60 minutos. Varanda da Convivência. Livre. Grátis.

MÚSICA

Socorro Lira no show “Meu Interior Urbano”
Repertório inspirado na literatura de cordel, nos cantos de trabalho e nas vozes femininas da poesia brasileira.
Dia: 24/8 (sexta, às 19h)
Local: Varanda da Convivência
Duração: 90 minutos.
Classificação etária: Livre.
Grátis.

Siba no show "De baile solto"
Interpretando seu CD "De baile solto", Siba desfia um repertório que se situa na região fronteiriça entre a música e a poesia.
Dias: 25 e 26/8 (sábado, às 21h; domingo, às 18h)
Local: Teatro
Duração: 90 minutos.
Classificação etária: 12 anos
Ingressos: R$50, R$25 e R$15.

Antônio Nóbrega no show “Domingueira”
Misto de festa, baile e show, o repertório apresenta uma viagem aos ritmos brasileiros.
Dia: 26/8 (domingo, às 16h)
Local: Ginástica
Duração: 90 minutos.
Classificação etária: Livre.
Grátis.


Serviço:
ENCONTRO COM O CORDEL: HOMENAGEM A LEANDRO GOMES DE BARROS
Dias: 24, 25 e 26 de agosto (sexta, sábado e domingo)
Horário, local, ingressos, duração e classificação etária: checar programação específica.

SESC 24 DE MAIO
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo
Fone: (11) 3350-6300

Horário de funcionamento da unidade
Terça a sábado, das 9h às 21h.
Domingos e feriados, das 9h às 18h.

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