terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cordel no Sítio do Picapau Amarelo

Cordel em debate: Moreira de Acopiara, Jô Oliveira e Marco Haurélio.
Mediação: Cristiane Cobra.

Este ano tive a honra de participar, pela primeira vez, do LIGAÇÃO – Literatura Infantojuvenil, Games e Artes em Ação, evento realizado na cidade de Taubaté, no Sítio do Picapau Amarelo, cenário da infância do escritor Monteiro Lobato. Participei, a convite de Cristiane Cobra, no dia 11, professora e pesquisadora da poesia popular, de uma mesa, Cordel em Debate, que contou ainda com o poeta Moreira de Acopiara e com o artista plástico Jô Oliveira.

Várias atividades culturais no Sítio, algumas delas com amigos queridos, como Penélope Martins, José Santos e Selma Maria, levaram às crianças histórias, poemas e canções, fechando com chave de ouro a Semana da Criança no berço do criador da Literatura Infantil Brasileira e grande incentivador da leitura.


Agradeço a Márcia Moura, Cristiane Cobra idealizadora do evento, Mariana Ribeiro e toda a equipe do LIGAÇÃO pelos momentos que guardarei no meu relicário de ouro. 

Com a escritora Penélope Martins.
Jô Oliveira, Penélope Martins, eu e Moreira.
Bate-papo durante o café da manhã.José Santos,
Moreira, eu, Selma Maria e Penélope.
Oficina de maracatu. No batuque, Penélope. Jô e Iskra de Oliveira.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Ariano Suassuna e as vozes do povo





A revista Ponto (SESI-SP Editora), de outubro, traz um artigo de minha autoria em homenagem a Ariano Suassuna. Traz, ainda, ilustrações do pernambucano Jô Oliveira. E, de quebra, uma pequena antologia com homenagens feitas a Ariano por poetas populares, como Klévisson Viana, Bule-Bule, Pedro Monteiro e Paulo de Tarso. 

O ponto de partida foi o artigo que escrevi para o blogue da Nova Alexandria  por ocasião da morte de Ariano. A presença do cordel na obra do grande dramaturgo, poeta e romancista foi o mote que escolhi por razões que, por óbvias, me esquivo de explicar. 

Para acessar a versão digital da revista,clique aqui


O pai assassinado se transfigura em rei na ilustração de Jô Oliveira.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Shakespeare em cordel




Publicado pela Amarylis, selo infantojuvenil da editora Manole, Rei Lear em cordel traz ilustrações de Jô Oliveira. A obra faz parte das comemorações dos 450 anos de nascimento de William Shakespeare. Já foi publicada pela mesma editora Sonhos de uma noite de verão, de Arievaldo Viana, e, em breve, sairá Muito barulho por nada, de José Santos. 

Abaixo, a apresentação, que tem a minha assinatura:

Entre a história e a lenda

O drama do rei que, já na idade madura, sofre as consequências trágicas de uma ação imprudente, rendeu uma das mais celebradas peças de William Skakespeare, Rei Lear.  Antes de figurar no bloco de tragédias do dramaturgo inglês, o tema já havia sido aproveitado em outras obras, a exemplo da Historia regum britaniae (História dos reis da Bretanha), do galês Godofredo de Monmouth, datada de 1147, e da Gesta romanorum, coletânea de contos e anedotas do século XIII. Nesta última, o imperador romano Teodósio é personagem de uma trama semelhante à concebida por Shakespeare. Na tradição oral brasileira, inclusive, há contos do “ciclo do Rei Lear”, a exemplo de O rei Andrada, publicado em 1885 nos Contos populares do Brasil, de Sílvio Romero.

Na obra de Shakespeare, o velho tema folclórico recebe um tratamento grandioso. Lear, o octogenário rei da Bretanha, resolve testar as três filhas, Goneril, Regane e Cordélia, com o fito de descobrir qual delas o ama mais. Às lisonjas das duas irmãs Cordélia responde que o ama do tanto que uma filha deve amar a seu pai. Nem mais nem menos. É deserdada pelo velho monarca, sendo depois desposada pelo rei da França, que se encontrava na corte bretã por ocasião do fatídico episódio. Paralelamente, a peça trata do drama do velho conde de Gloster, que, depois de banir seu filho Edgar, vítima de uma falsa acusação, sucumbe à ambição de outro filho, Edmundo, personagem malévolo, cujo destino está entrelaçado ao das filhas ingratas de Lear.



Da peça para o cordel

Autor acostumado a trabalhar com temas oriundos da cultura popular, é possível que Shakespeare não estranhasse a recriação de sua memorável peça em cordel A adaptação preserva os pontos essenciais do texto original, aqui retrabalhado em sextilhas (estrofes de seis versos), que dão conta dos personagens mais importantes, sem abrir mão do ritmo característico da poesia popular:

Na terra onde o bem floresce
Logo a maldade se assanha,
Como na presente história
Em que a lisonja e a manha
Causaram a derrocada
De um grande rei da Bretanha.
Para dar voz ao bobo, personagem que funciona na trama como uma espécie de consciência do rei destronado, e que procura atenuar-lhe o desespero com improvisos e brincadeiras, foi usada, de forma inusitada, outra modalidade da poesia popular, o martelo agalopado.[1] O recurso aproxima o bobo — que, diga-se de passagem, era uma espécie de menestrel, com sua filosofia de vida simples, mas de sabedoria profunda — do repentista nordestino, herdeiro dos trovadores e cantores populares da Idade Média:

Sei que um carro não pode ir adiante
Dos cavalos, pois não é natural.
Por lisonjas, cedeste para o mal,
E quem amas agora está distante.
Se vivias num trono de brilhante,
Hoje até as migalhas são negadas,
Elogios tornados caçoadas
São o prêmio da tua insensatez,
Tua luz converteu-se em palidez,
Tuas glórias te foram confiscadas.

Com nova roupagem, descobrimos que as lições da história que vamos ler, mesmo com a grande distância no tempo e no espaço, são válidas para os dias de hoje, em que não desapareceram a ingratidão e a ganância. A leitura do cordel também é um convite a conhecer — ou revisitar, para os que já leram — a tragédia de Shakespeare, adaptada algumas vezes para o cinema, a exemplo da produção japonesa Ran, filmada em 1985 por Akira Kurosawa. Ambientado no Japão medieval e protagonizado por um senhor feudal que divide o seu trono entre os três filhos (de acordo com a tradição patriarcal do país), excluindo depois o caçula, por sua sinceridade, o filme comprova a universalidade do tema, já antigo em 1605, data de sua provável redação por William Shakespeare.






[1] Composto de dez versos, com a sílaba tônica caindo sempre na terceira, sexta e décima sílabas, o martelo é um dos gêneros mais cantados pelos repentistas nordestinos.

Morre João Paraibano, o menestrel do sertão


Dentre os poetas repentistas, ninguém cantou o sertão melhor que João Paraibano. Estrofes que tratavam de seca, fartura, da fauna e da flora caatingueiras correm na boca dos poetas populares, imortalizando, ainda em vida, o seu criador, João Pereira da Luz, nascido há 62 anos em Princesa Isabel, mas estabelecido há muito em Afogados da Ingazeira (PE). Como exemplo, transcrevo esta maravilhosa sextilha:

Coruja dá gargalhada
Na casa que não tem dono.
A borboleta azulada,
Da cor de um papel carbono,
Faz ventilador das asas
Pra rosa pegar no sono.

Vítima de um atropelamento por motocicleta, quando atravessava uma das ruas do centro da cidade em que vivia, o poeta estava internado havia mais de 20 dias. Hoje, 2 de setembro, à madrugada, seu coração parou de bater. O óbito ocorreu no hospital Alpha, em Recife, para onde foi transferido para tratar um coágulo. A causa-mortis do grande poeta foi infecção generalizada. 


Conheci-o em 2007, em São Paulo, ocasião em que entreguei-lhe um exemplar do livro Foi voando nas asas das Asa-Branca que Gonzaga escreveu a sua história (Luzeiro). Ele e vários expoentes do repente e do cordel glosaram o mote que dá título à obra, de minha autoria.  Os versos de João Paraibano, feitos de improviso, foram anotados por Assis Angelo.

Transcrevo suas duas glosas, que, por sinal, tratam da inevitabilidade da morte, em tributo à sua iluminada passagem pela Terra:

O rei morto da cova não se alui,
Mas o nome do rei está vivendo.
Foi um rei sem coroa merecendo
A coroa melhor que um rei possui.
Meditei no Museu, depois que fui,
Que a vida do homem é ilusória.
Deus não compra assinando promissória,
O portão do sepulcro não tem tranca.
Foi voando nas asas da Asa Branca
Que Gonzaga escreveu a sua história.

Foi Gonzaga cantor e sanfoneiro,
Respeitou exigindo seu respeito,
Resgatou o baião, plantou no peito
Pra depois semear no mundo inteiro.
Ao soltar o suspiro derradeiro,
Encerrou a sua última trajetória.
Todo homem dá mão pra palmatória,
Quando a vida tropeça, o corpo manca.
Foi voando nas asas da Asa Branca
Que Gonzaga escreveu a sua história.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Cultura popular na Capital Federal


Nos dias 29 e 30 de agosto, desembarquei na Capital Federal para participar de duas atividades. A convite de Nyedja Gennari, professora e contadora de histórias, assisti à sua performance no Terraço Shopping de Brasília, no último sábado do mês do Folclore. Na oportunidade, Nyedja contou algumas histórias selecionadas de dois livros meus, Contos folclóricos brasileiros (Paulus) e O Urubu-Rei e outros contos do Brasil (Volta e Meia). O público-alvo, composto em sua maioria de filhos dos frequentadores do espaço, se divertiu com os contos da tradição oral, em espacial com a versão sertaneja de A festa no céu.


Participei, ainda, a convite de Andrey do Amaral, do projeto Mostra de Literatura, que, nesta edição homenageia o “poetinha” Vinicius de Moraes. O projeto é apoiado pelo Governo do Distrito Federal e patrocinado pelo FAC (Fundo de Apoio à Cultura). 


Aproveitando a passagem, concedi entrevista a Maurício Melo Junior, que comanda, pela TV Senado, o programa Leitura. Falamos, como era de se esperar, de cordel e cultura popular. Maurício é grande conhecedor e admirador da poesia popular e, por isso, a conversa fluiu com absoluta naturalidade.



De tudo isso, ficou uma certeza: em breve, espero voltar a Brasília para abraçar os amigos e (com)partilhar momentos tão bons quanto os vividos no último fim de semana.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Agenda na Bienal de São Paulo


Amanhã, dia 27, às 11h, estarei no estande da SME, para uma conversa risonha e franca sobre a poesia que se esconde "Lá detrás daquela serra". E como um assunto puxa o outro, falarei sobre cultura popular brasileira, cordel e o que mais couber no balaio. 

Desde já, agradecido à Editora Peirópolis pelo convite.




E, no mesmo dia, às 15, no estande da editora DSOP, será lançado o livro Brasil 12 × 12 Alemanha. Abaixo, o texto de divulgação publicado na fan-page da editora no Facebook: 

A Editora DSOP apresentará ao público na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo "Brasil 12 × 12 Alemanha", obra que promove um encontro entre 12 dos mais importantes nomes da literatura infantil brasileira e 12 dos mais interessantes ilustradores alemães da atualidade. Com organização de Hedi Gnädinger. O livro tem apoio cultural do Instituto Goethe, que traz o ilustrador Matze Doebele para o lançamento, no dia 27 de agosto, às 15h, no estande da casa editorial no evento.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Um dia para não se esquecer na Cortez



Sábado, a partir das 11h, foi descerrada a cortina do último dia de atividades do Cordel da Cortez, em sua nona edição. E o dia começou com o lançamento de mais um livro pela Cortez Editora, Quem conta história de dia cria rabo de cutiaescrito por mim e ilustrado por Claudia Cascarelli. Com boa presença de público e contações a cargo de Monalisa Lins, Penélope Martins (rimou!), num momento, e de Valdeck de Garanhuns, fechando a atividade, foi uma boa oportunidade para rever muitos amigos e conhecer outros tantos (ver fotos abaixo).

À tarde, a partir das 16h, o evento recomeçou com intervenções poéticas e musicais, além da reprise da contação do Teatro de Gaia sobre o meu livro Os 12 trabalhos de Hércules, também da Cortez, para um grande e atento público. E teve mais: lançamentos de Moreira De Acopiara (A Divina Comédia em cordel), pela Editora Nova Alexandria, de Juliana Gobbe (a bela coletânea de poemas Óculos de marfim) além de Ôxe! - Dicionário de Palavras e Expressões Usadas no Seridó Oriental, dos autores Adelson Aprígio e Maria Maria. 



O sarau lítero-musical, coordenado por Moreira de Acopiara, contou com as vozes e os talento de Luiz Carlos Bahia, Téo Azevedo, João Batista Cidrão (filho de Patativa do Assaré), Anísio Clementino, Luiz Wilson e Djanira Feitosa. Contou ainda com o improviso de Sebastião Marinho e de Mocinha da Passira, além da participação do jornalista e poeta José Nêumanne Pinto.



Obrigado a toda a equipe da Livraria Cortez, especialmente ao comandante Ednilson Xavier. Obrigado, Valdeck, meu irmão querido, Penélope e Monalisa, minhas parceiras e irmãs, por abrilhantarem a culminância de mais um projeto

Abaixo, imagens do lançamento:

Penélope Martins conta e encanta na manhã-tarde da Cortez.
Com o amigo Wagner Miranda.
Ednilson Xavier abre oficialmente o evento.
Claudia Cascarelli e Lucíola Moraes, da editora Duna Dueto.
Nas boas companhias de Duda Albuquerque, Claudia Cascarelli,
Penélope Martins e Marco Antonio Godoy.
Claudia Cascarelli e o consagrado cordelista João Gomes de Sa´.
Ju Montal e seu pequeno Pedro.
Luciana Gandelman, João Gomes de Sá,
Valdeck de Garanhuns e o autor do livro.
Com o amigo cordelista Pedro Monteiro.
Mestre Valdeck de Garanhuns em performance inspirada.
Autografando o exemplar do grande brasileiro
Audálio Dantas e de sua filha Mariana.
Pedro Ivo, meu garoto-propaganda.
Com a amiga Marli Azevedo.
Com o professor Sergio Bairon, da USP. e sua linda prole.
 Audálio Dantas, Pedro Monteiro e Moreira de Acopiara.
Com o escritor Marciano Vasques e o mestre Valdeck.
Oswaldo Alvarenga e José Santos, amigos e parceiros.
Conversa animada com a amiga escritora Selma Maria.
Claudinha autografa para leitores mirins.
Valdeck em ação.
Com Nireuda Longobardi, Valdeck, Claudia e Regina Drosina.
Autografando o exemplar do amigo Luiz Carlos.
O casal Evelson Freitas e  Monalisa Lins
(que folheia o meu livro Contos folclóricos brasileiros)
 com Júlia Xavier.
Contação com Monalisa e Evelson.
Com a amiga Margarete Barbosa.


Para ver as fotos da abertura no sábado 9, vá à página do Barulho de Água, que fez bela cobertura da atividade. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Lançamento na Cortez terá contação com Valdeck de Garanhuns

Lançamento!
Sábado, 16 de agosto, a partir das 11h, será lançado, na Livraria Cortez, o livro Quem conta história de dia cria rabo de cutia, de minha autoria, ilustrado por Claudia Cascarelli. O lançamento abre o último dia do tradicional evento Cordel da Cortez e, além da culinária do Nordeste, terá o mestre do teatro de mamulengo Valdeck de Garanhuns como anfitrião e, claro, contador de histórias.
Mestre Valdeck de Garanhuns
Publicado pela Cortez Editora, Quem conta história de dia cria rabo de cutia é uma celebração da infância, da arte de contar (e ouvir) histórias e dos laços familiares. Escrito em quadras, a história brinca com a antiga superstição e faz uma rápida incursão pelo mundo fantástico das narrativas orais e da literatura de cordel.















De vez em quando retorno
No tempo, sem retornar.
Quero dizer que viajo,
Mas não saio do lugar.

Nessas viagens que faço,
Entro no trem da saudade,
Que corre sempre ao contrário
Dos trens da grande cidade.

A viagem dura pouco,
Pois, apesar da distância,
O pensamento conduz
Para a Estação da Infância.

E, assim que chego, me vejo
Correndo livre nos campos,
Onde a noite é governada
Pela luz dos pirilampos.

O quê?
Lançamento do livro  Quem conta história de dia cria rabo de cutia

Quando?
Sábado, 16 de agosto, às 11h.

Onde?

Livraria Cortez, rua Monte Alegre, 1074 (Perdizes).