sábado, 5 de maio de 2018



A  edição nº 77 da revista Literatura: Conhecimento Prático (Escala), disponível nas bancas de todo o país, traz um artigo de autoria da companheira Lucélia Borges (capa) sobre Ariano Suassuna e o Brasil Real. O texto passeia pela romancista e dramaturgo paraibano, alicerçada na cultura popular brasileira. Desde o Romance da Pedra do reino, cujos capítulos são chamados folhetos, em homenagem ao cordel, passando pelas peças premiadas, como O santo e a porca, A farsa da boa preguiça e Auto da Compadecida, a persona artística de Ariano vai muito além das aulas-espetáculo, que o tornaram conhecido de muita gente. 

Para a mesma edição escrevi um artigo (uma quase matéria) sobre o cordel na contemporaneidade, com foco em alguns autores e editores independentes. Também presto uma homenagem a Leandro Gomes de Barros (1865-1918), a quem batizo de "poeta-ponte",  no centenário de sua morte. 

Para acessar a página da revista, clique AQUI

sexta-feira, 30 de março de 2018

Bendito em louvor a Senhor dos Passos

Imagem de Senhor dos Passos. Igreja de Nossa Senhora da Conceição,
Ponta da Serra (Igaporã, Bahia)



Bom Jesus Senhor dos Passos,
Venha ver com alegria,
Venha ver contar os passos
Do Senhor que voz trazia.

O Senhor que voz trazia
Era filho da Virgem Pura:
Andava vertendo sangue
Pela rua da amargura.

Por favor, você me ajuda,
Senhor, eu ajudarei.
O madeiro é tão pesado
E eu não sei se eu levarei.

Eu não sei se eu levarei
Com tamanha crueldade,
Cada passada que dava,
Caía, e se ajoelhava.

Caía e se ajoelhava
Sem poder se levantar.
Quando ia levantar,
Gota de sangue suava.

A lançada que vos deu
São Longuinho com sua mão
Trespassou Jesus no peito
E Maria no coração.

Ofereço este bendito
Pra o Senhor que está na cruz
Em tenção de Senhor dos Passos
E o coração de Jesus.





















Informante: Isaulite Fernandes Farias (Tia Lili), 80 anos. Nascida e criada na Ponta da Serra, zona rural de Riacho de Santana (hoje Igaporã), Bahia, onde a devoção a Senhor dos Passos, co-padroeiro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, movia multidões, principalmente às quintas e sextas da Semana Santa.


quarta-feira, 21 de março de 2018

Convite: Cordel no Memorial



A importância da literatura de cordel vai muito além do volume de folhetos produzido em mais de um século de existência. O seu reaproveitamento em outras manifestações artísticas, as releituras e apropriações feitas por poetas de outras searas, são indicadores de sua presença na cena cultural brasileira. Imaginemos o cinema novo, sem as inovações narrativas de Glauber Rocha, que chegou a compor um cordel, cantado por Sergio Ricardo, no clássico Deus e o diabo na terra do sol e inseriu trechos de A chegada de Lampião no inferno, no experimental O dragão da maldade contra o santo guerreiro. A luta pela preservação da identidade, ante a opressão da cultura de massas, é a metáfora do belo filme de João Batista de Andrade, O homem que virou suco, protagonizado por José Dumont, que encarna um poeta popular. 

Nota: Trecho do capítulo O Cordel na cena Cultural Brasileira. in: Literatura de Cordel: do sertão à sala de aula (Paulus, 2013). 

Serviço: O Cordel na cena Cultural Brasileira
Local: Memorial da América Latina (Biblioteca Victor Civita
Data: 24 de março (sábado), 17h. 

terça-feira, 13 de março de 2018

Festa do Cordel no Memorial da América Latina


Banda de Pífanos “Fulô da Chica Boa” é uma das novidades desse ano
O cordel, manifestação popular presente em várias vertentes da cultura brasileira – está na literatura, nos quadrinhos, no cinema e na música – faz sua festa anual no Memorial da América Latina com vasta programação que será aberta ao público no dia 17 de março e traz como grande atração a Banda de Pífanos “Fulô da Chica Boa”, de Maceió.
A Feira do Cordel e da Cultura Popular tem agenda diária até o sábado seguinte, 24, na Biblioteca Latino-Americana, onde também haverá exposição com as mais recentes publicações de cordel na área editorial. A exposição fica aberta ao público até o dia 1º de abril.
Seguindo o mesmo padrão de organização desde que foi realizado pela primeira vez no Memorial, o evento abrange o que há de mais expressivo das tendências e linguagens do cordel, adaptando-as para o contexto atual da realidade brasileira.
A programação contempla atrações e atividades para iniciados ou simplesmente interessados pela narrativa do cordel em todas as suas imersões pela cultura popular oral, escrita e visual. Assim, as temáticas estão presentes nos saraus litero-musicais, na contação de histórias e causos, apresentações teatrais, no desafio de repentistas, na exposição de xilogravura e em palestras que atualizam o panorama do mercado editorial, a projeção do cordel nos meios coletivos de comunicação, sua influência nas áreas de educação, ambiental e sua utilização na era digital.
Confira, agende o passeio, traga a família e participe. É tudo de graça.
Programação

  • Dia 17 (sábado)
  • 17h – Abertura com a banda “Fulô da Chica Boa” (Maceió/AL)
  • 19h – Violeiro “Aldy  Carvalho” (Petrolina/PE)
  • 21h – Contador de causos “Eufra Modesto” (BA)
  • Dia 18 (domingo)
  • 10h – “A Arte de Jorge Mello” – cantor, músico, ator e memorialista
  • 11h – Lançamento do Cordel “Bandinha Fulô da Chica Boa”, de João Gomes de Sá, com a presença da Banda Pífanos “Fulô da Chica Boa”
  • 14h – Grupo “Máscaras de Teatro e Dança” (Guaranésia/MG)
  • 16h – Banda “DonaZé” (Guaranésia/MG)
  • Dia 20 (terça-feira)
  • 15h – Lançamento de Cordéis do poeta João Paulo Resplandes (Caiçara/MA)
  • Dia 21 (quarta-feira)
  • 14h – Palestra “Mulheres Cordelistas”, com Maria Psoa (Natal/RN)
  • Dia 22 (quinta-feira)
  • 10h – Lançamento de Cordéis
  • 14h – Palestra “O Cordel na Escola”, com Varneci Nascimento, Pedro Monteiro e João Gomes de Sá
  • 16h – “A Arte de Ibys Maceioh” – músico e compositor
  • Dia 23 (sexta-feira)
  • 15h – Lançamento do Cordel “O Velho Mágico e o Gato na Cartola”, de Cleusa Santo (cordelista e contadora de história)
  • Dia 24 (sábado)
  • 11h – Encontro com a poeta Socorro Lira (PB)
  • 13h – Lançamento de Cordéis
  • 14h – Oficina “A Técnica da Xilogravura”, com Nireuda Longobardi e Lucélia Pardim
  • 17h – Palestra “O Cordel na Cena Cultura Brasileira”, com Marco Haurélio (BA)
  • 19h – Show de encerramento com a banda “Cuca Monga” (SP)

  • Exposição de Cordéis
  • Abertura: 17 de março, às 10h
  • Em cartaz até 1º de abril de 2018
  • Visitações: todos os dias, das 9h às 18h
  • Entrada gratuita
  • Classificação livre

 Serviço
Feira do Cordel e da Cultura Popular

Data: De 17 a 24 de março de 2018
Local: Memorial da América Latina  – Biblioteca Latino-Americana
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda
Acesso: Portões 1 e 5 (Praça Cívica)
Entrada Gratuita


O REINO DA PEDRA FINA e a HISTÓRIA DA PRINCESA DA PEDRA FINA

Acervo da Casa de Rui Barbosa. 


Pouca gente, mesmo no meio do cordel, conhece estes versos, de Leandro Gomes de Barros:

É esta a real história
Do Reino da Pedra Fina,
Do moço Moysaniel 
E da princesa Angeltrina,
Filha do reino encantado
Da tenebrosa colina.

Havia um grande país
De nação civilizada,
Aonde tinha uma serra
De grandes pedras formada.
Diziam que lá havia
Uma princesa encantada.

A serra era muito alta,
Tinha uma grande colina.
Da serra descia um rio
D’água muito cristalina.
Via-se escrito nas águas:
PRINCESA DA PEDRA FINA. 

NOTAS
1. Circula por aí, ainda hoje, atribuída erroneamente a Leandro Gomes de Barros, a versão mais conhecida dessa história que tem por base um conto maravilhoso. O romance iniciado com estes versos “No reino da Pedra Fina/ Havia uma princesa/ Misteriosa, encantada/ Por obra da natureza,/ Com ela as duas irmãs/ Que eram a flor da beleza.", aqui representada por uma antiga edição da Guajarina, de Belém (PA), nunca foi de Leandro, como dá a entender o famoso rapsodo nos dois primeiros versos acima reproduzidos: “É esta a REAL história/ Do Reino da Pedra Fina (....)”. A versão em que o protagonista é chamado José e o antagonista é um barbeiro, sombra do herói, nas antigas edições, jamais teve, que se saiba, um autor identificado. 
2. O saudoso cordelista João Firmino Cabral (1940-2016) me disse, em conversa informal, que, quando criança, ouvia  dos mais velhos a afirmação de que se tratava de um dos mais antigos romances de Silvino Pirauá. 
3. Na década de 1970, as filhas de José Bernardo da Silva passaram a publicá-la em nome de Leandro, incorrendo num erro que, desde então, vem sendo repisado. 
4. A editora Prelúdio de São Paulo publicou, na década de 1950, uma variante de Manoel Pereira Sobrinho, amparada na versão de Leandro. Por engano, a capa desta edição foi reutilizada, no início dos anos 2000 na versão mais conhecida, aumentando ainda mais a confusão.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Bule-Bule reconta mitologia dos orixás em cordel

Capa do livro. Ilustrações: Klévisson Viana

Os orixás, ensina-nos Pierre Verger, foram homens excepcionais, cujos feitos garantiram-lhes a imortalidade. Exu, por sua astúcia; Ogum, por sua coragem e ferocidade guerreira; Xangô, por sua valentia; Iansã e Oxum, belas e sensuais, opostas e complementares, protagonistas de lendas, por sua rara beleza. Iemanjá, deusa-mãe, emblema do princípio feminino, senhora digna das maiores reverências, por triunfar sobre as forças da desordem. Humanos e divinos, forças da natureza, símbolos de nossos medos e de nossas esperanças. E é por intermédio de Antônio Ribeiro da Conceição, o mestre Bule-Bule, que vemos, pela primeira vez, a mitologia dos orixás vertida, em uma grande e coesa antologia, para o cordel. É difícil imaginar outro autor, não familiarizado com a vida nos terreiros, esmiuçando, com profundidade e graça, as lendas e os mitos de origem diversa, narrados de forma tão atraente. Por vezes contraditórias, graças à sua origem nem sempre homogênea, enfatizada pelas lendas em que as rivalidades, mormente entre Xangô e Ogum, ganham destaque, pelas mãos e estro de Bule-Bule entramos em contato com os pontos fulcrais da gesta Ioruba. A figura de Iemanjá, divindade cosmogônica, neste particular, tem grande importância, pois ela é a fonte da qual brotam não apenas as outras divindades, mas também as nuvens e as estrelas. Diferentemente de outras cosmogonias (babilônica, grega, nórdica), esta grande deusa não representa as forças do caos, a serem vencidas, mas a ponte entre o nada e o mundo como o conhecemos.  Que o machado de Xangô, o raio de Iansã, a espada de Ogum e, agora, a pena de Bule, sejam armas eficazes contra esse monstro terrível, o preconceito, filho do ódio e da ignorância.

Orgulhosamente assino o texto de orelha, reproduzido acima, e a revisão. O trecho abaixo abre o poema Xangô se torna rei de Oió:

Para o homem triunfar
É preciso estar ciente
De que atrás dum pau tem outro,
Por mais que seja valente.
Um homem sempre encontra outro
Que possa tomar-lhe a frente.


Pedir ajuda a quem pode
No momento lhe ajudar,
Consultar quem sabe mais,
Ser humilde e perguntar,
Seguir o regulamento,
Servir a quem precisar.

A mitologia estuda
Deuses, semideuses, mitos,
Magros, gordos, altos, baixos,
Os horrendos e os bonitos,
Os que convencem na paz
E os que comandam nos gritos. 

Mestre Bule-Bule da Bahia. 




domingo, 4 de março de 2018

Leandro na voz do Mestre Ariano



Mestre Ariano Suassuna recita um poema de Leandro Gomes de Barros que formula, segundo ele, "o problema filosófico mais grave da humanidade". O problema do sofrimento humano. 
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa que a gente
Tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que Ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que Ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

100 ANOS COM LEANDRO

Leandro em linoleogravura de Jô Oliveira 

Há exatos cem anos, num 4 de março como este, morria no Recife, Leandro Gomes de Barros, o mestre maior da literatura de cordel brasileira. E o grande bardo saiu de cena cedo, aos 52 anos. Saiu de cena é modo de dizer, pois o paraibano Leandro, mesmo após a sua morte, continuou a ser o mais lido e reverenciado poeta popular do Brasil. Mais do que isso, forneceu temas para os cantadores da época, fossem eles cegos de feira ou repentistas de nomeada. Era o tempo em que os baiões eram fechados com os romances de Leandro e de contemporâneos seus, como Silvino Pirauá, José Galdino da Silva Duda (o Zé Duda do Zumbi), Francisco das Chagas Batista e João Melchíades, entre outros.

E eu tive a ventura de conhecê-lo ainda na infância. Aos sete anos já sabia de cabo a rabo, de fio a pavio, a História de Juvenal e o Dragão. Sei-a até hoje e, em 2015, quando por ocasião da celebração dos 150 anos de nascimento do grande poeta, estive em Pombal a convite da professora Ione Severo, juntamente com outros poetas e pesquisadores, declamei mais da metade do poema sobre as ruínas da casa de Leandro, no sitio Melancia, hoje município de Paulista (PB). Minha avó Luzia Josefina batizou de Provedor um de seus cachorros. Provedor, Ventania e Rompe-Ferro eram os cães encantados, auxiliares mágicos do herói Juvenal. Mas sua presença em minha vida deu-se pela leitura de outras obras, como aPeleja de Manoel Riachão com o Diabo, a História da Donzela TeodoraO Cachorro dos MortosBatalha de Oliveiros com FerrabrásOs Sofrimentos de AlziraCancão de Fogo e, principalmente, A Força do Amor. Perdi a conta de quantas vezes li e reli a desventurada história de Alonso e Marina. De quantas lágrimas verti em vários momentos deste que considero o maior monumento da poesia bárdica do Nordeste. Se Alfred Tennyson chamou Victor Hugo de “senhor das lágrimas humanas”, no cordel este título cabe a Leandro.

Depois vieram O Cavalo que Defecava Dinheiro e O Testamento do Cachorro (O Dinheiro), de que Ariano Suassuna se serviu para compor a parte farsesca do Auto da Compadecida; a História de João da Cruz, o mais belo romance em versos sobre o motivo do julgamento celeste, um legado do Antigo Egito que prevaleceu vivo em nosso imaginário; e aHistória do Boi Misterioso, poema síntese, que parte dos romances em versos, espargidos desde o século XVIII, filho legítimo da civilização do couro de que falava Capistrano de Abreu. Pois bem, neste dia 4 de março, eu, ingênuo, esperava encontrar na Internet muitas referências sobre o Gil Vicente brasileiro, poeta-síntese, poeta-ponte, poeta desbravador, razão de ser e de existir da literatura de cordel. Mas, não. Nem o tal jornalismo cultural, que não chamarei de piada, pois piada também é coisa séria, se deu conta da data. Não tem problema. Sem precisar dessa gente, o grosso da obra de Leandro vem sendo reimpresso há mais de 120 anos. Leandro Gomes de Barros vive em nós. E isso basta.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Curso sobre o conto popular na Casa Tombada


"Moura torta". Ilustração de Luciano Tasso. 

VIAGEM DE RETORNO AO PAÍS DA INFÂNCIA


Há algum tempo venho sendo sondado sobre a possibilidade de formação de um grupo de estudos sobre o conto popular. Sempre vi a ideia com muitos bons olhos e agora, a convite de Giuliano Terno, coordenador da Casa Tombada, finalmente, daremos início aos trabalhos. Percursos, sobrevivências mitológicas, teorias do conto, principais coleções, constantes psicológicas, ritos de passagem, o dogma da fraternidade universal, tudo isso fará parte do pacote. Formaremos um grupo de estudos permanente, ou melhor, uma caravana que, a depender na necessidade, também pode ser o navio de Simbad (o aguadeiro e o marujo) ou a corda que levou à Lua o Barão de Münchausen. 

EMENTA
Contar histórias tem sido, ao longo das eras, um assunto sério e também um ameno entretenimento. Ano após ano, histórias são inventadas, escritas, devoradas e esquecidas. Que acontece com elas? As poucas que sobrevivem e que, como sementes dispersas, o vento esparge durante gerações, engendram novos contos e proporcionam alimento espiritual a inúmeros povos. (Cada poeta acrescenta algo da substância de sua própria imaginação e as sementes, nutridas, revivem.”
(Heinrich Zimmer)
O que se propõe para este grupo de estudos é uma viagem de retorno ao país da infância. Tal viagem, segundo o mestre dos estudos etnográficos no Brasil, Luís da Câmara Cascudo, era possível por meio dos contos populares, nosso “primeiro leite intelectual”. Contadas por incontáveis gerações, as velhas histórias guardam informações sobre ritos e mitos de outros tempos. Também guardam informações e denunciam hábitos e costumes que, não fosse a atmosfera mágica que os envolve, pareceriam estranhos aos nossos olhos e à nossa sensibilidade. Boa viagem!



  1. Contar histórias, um costume universal                                                                                
1.2 Por que contamos histórias?

1.3 A jornada do herói (do mito ao conto de magia)
1.4 A jornada do anti-herói (a sátira reparadora)
1.5 Contos são mitos degradados?
1.6 De Ulisses ao Barão de Munchausen: o mentiroso necessário

  1. Quem conta um conto aumenta o encanto
2.1 Cinderela: do Egito ao sertão
2.2 Eros e Psiquê através dos tempos
2.3 Narrativas pias populares (contos religiosos)
2.4 Recompensa e punição nos contos populares

2.5 O simbolismo do Pavão Misterioso

BIBLIOGRAFIA
ALCOFORADO, Doralice. O conto mítico de Apuleio no imaginário baiano. In: Estudos em literatura popular. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2004.
AMARAL, Amadeu. Tradições populares. São Paulo: Hucitec, 1976. ARAUJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira. 3ª ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2007.
BRANDÃO, Théo. Seis contos populares do Brasil. Maceió: MEC-SEC-Funarte, Instituto Nacional do Folclore, ufal, 1982.
CALVINO, Ítalo. bulas italianas. Tradução de Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
CARDIGOS, Isabel; CORREIA, Paulo. Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses (Com as versões análogas dos países lusófonos). CEAO da Universidade do Algarve / Edições Afrontamento: Portugal, 2015.
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. 13. ed. São Paulo:
Global, 2004.
COELHO, Adolfo. Contos populares portugueses. Portugal: Compendium, 1996.
GOMES, Lindolfo. Contos populares brasileiros. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1965.
GUIMARÃES, Ruth. Lendas e fábulas do Brasil. São Paulo: Cultrix, 1964.
HAURÉLIO, Marco. Contos e fábulas do Brasil. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Nova Alexandria, 2011.
_____________. Contos folclóricos brasileiros. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Paulus, 2010.
_____________. O príncipe Teiú e outros contos brasileiros. São Paulo: Aquariana, 2012.
NASCIMENTO, Bráulio do. Estudos sobre o conto popular. São Paulo: Terceira Margem, 2009.
PIMENTEL, Altimar. Estórias de Luzia Tereza. Brasília: Thesaurus, 1995.
PROPP, Vladimir. As raízes históricas do conto maravilhoso. 2. ed. Tradução de Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
ROMERO, Sílvio. Contos populares do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1985.
XIDIEH, Oswaldo Elias. Narrativas pias populares. São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros – USP, 1967.

Número de participantes: 15.
Valor por encontro: R$ 130,00
Data e horário: Sextas-feiras, das 10h às 13h
23/3, 13/4, 18/5, 22/6, 27/7, 17/8, 21/9, 19/10, 9/11, 7/12

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O JOGO DA AMARELINHA E O YGGDRASIL


 
Os 9 mundos do Yggdrasil (correspondente às 9 casas da Amarelinha) 
Tenho para mim que o popular jogo da Amarelinha (Jogo da Macaca, em algumas regiões de Portugal), com suas 9 casas evocando um rito iniciático, começando no inferno e ascendendo ao céu, é uma representação esquemática da Grande Árvore Cosmogônica dos povos do Norte, o freixo Yggdrasill. Associado às 9 runas, também o Yggdrasill possui 9 casas, ou melhor, 9 mundos, começando no Inferno (Helheimr, a Morada de Hella), onde estão suas mais profundas raízes, terminando em seu topo, Ásgarðr (o céu), governado por Odin, morada dos deuses e dos heróis tombados na batalha.

As demais casas (mundos ou reinos) são:

Miðgarðr: o “Jardim ou Terra do Meio”, tronco do gigante Ymir, de cujo corpo os Aesir fizeram o universo. É onde nós, reles mortais, habitamos.

Svartálfheimr: ou Reino dos Elfos Negros, ligados à metalurgia, construtores do barco de Freyr, do martelo de Thor e da lança de Odin, entre outras armas e objetos mágicos.

Ljósálfheimr: a “Morada dos Elfos Luz”, localizada acima de Miðgarðr. É, também, a casa dos deuses solares Freyr (ligado à colheita) e Sól (deusa que conduz o sol do oriente ao ocidente).

Niflheimr: “o Mundo das Névoas”. Associado às ilusões e enganos que devem ser evitados ou vencidos.

Múspellsheimr, localizado ao sul de Miðgarðr, é o Reino do Fogo primordial. Terra dos temíveis gigantes do fogo.

Vanaheimr: o “Reino dos Vanir ou Vanes”, a oeste de Miðgarðr, corresponde às ilhas bem-aventuradas e às regiões paradisíacas das mitologias mediterrâneas.

Jötunheimr: ou Útgarðr (“Jardins de Cima”) é o “Reino dos Gigantes”, local de incursões aventurosas de Thor e Loki.


Desde sempre, como se vê, o Céu é o limite.