quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Saga de Beowulf em cordel


Chega em boa hora meu novo livro, A saga de Beowulf (da editora Aquariana), mais uma parceria com o ilustrador Luciano Tasso, com quem trabalhei em Meus romances de cordel (Global) e Os 12 trabalhos de Hércules (Cortez). Composto em sextilhas, a presente obra inaugura a coleção Mitos  em Cordel.

Abaixo, um trecho da apresentação:

Escrito na Inglaterra, entre os séculos VIII e XI, o poema épico Beowulf é muito mais do que a rememoração dos feitos lendários de um herói escandinavo, cujas façanhas, ampliadas pela imaginação, mereceram a imortalidade. A obra é composta por 3.182 versos aliterativos, sem rimas, em Old English (inglês antigo). O único manuscrito que sobreviveu até os dias atuais data do início do século XI. Conhecido também como Cotton Vitelius A. XV, é a reunião de dois códices (manuscritos): Southwick Codex e Nowell Codex. Neste último, cujo nome deriva de seu proprietário à época, Lawrence Nowell, é contada a história de Beowulf. O manuscrito quase sempre era lembrado pelos historiadores e linguistas, até que J.R.R. Tolkien, criador da saga O Senhor dos Anéis, no ensaio Beowulf: the Monsters and the Critics, chamou a atenção para o seu valor literário, numa abordagem inovadora.

De autor desconhecido, o poema narra os grandes feitos de Beowulf, herói dos godos (ou getas), povo que habitava a Gotlândia, região localizada no sul da Suécia. Apesar de situar-se na Escandinávia ainda impregnada pelas tradições pagãs, há, na obra, algumas referências à Bíblia, indicando que o autor ou compilador era um cristão. Entre os grandes feitos do herói estão: a luta com Grendel espécie de ogro que simbolizava a humanidade decaída, e atormentava a corte de Hrothgar, rei dos daneses (ancestrais dos atuais dinamarqueses). O combate se dá no salão de festas do palácio Heorot (ou o Cervo), onde se reuniam os grandes heróis da corte dinamarquesa; o combate à mãe de Grendel, no covil onde ela se esconde com seu demoníaco filho. E, por fim, a última aventura do herói, cinquenta anos depois de haver ascendido ao trono da Gotlândia, quando é obrigado a enfrentar um dragão, que provoca vários danos ao país após ter parte de seu tesouro roubada por um imprudente súdito. 

A história e a lenda

Não há nenhum documento histórico que ateste a existência de Beowulf. Outros personagens da saga, no entanto, aparecem em antigas crônicas, anteriores à composição do poema, que se dá numa Inglaterra parcialmente convertida ao cristianismo. Gregório de Tours, bispo católico que teria vivido entre os anos de 538 e 594, descreve na Historia francorum (História dos francos) como Hygelacc, tio do herói e soberano dos godos no poema, morre em uma batalha com os francos, em 521. No poema, ele morre em luta com os frísios.

Hrothgar é o quinto monarca da dinastia dos Scyldings, por quem Beowulf empenha sua coragem e sua honra, é personagem autenticado pela história. O palácio Hereot, cenário dos ataques de Grendel, localizava-se na ilha de Sjealland, próximo à atual cidade de Roskilde. Hrothgar descende do lendário Scyld Scefing, que chegara à Dinamarca ainda criança, trazido em um navio, do qual era o único tripulante. Depois de notáveis feitos, sobe ao trono e, ao morrer, reverenciado pelo povo, seu corpo é posto num navio e, assim, ele retorna ao mesmo mar de onde saíra, de forma tão misteriosa. É a esta dinastia que Beowulf, ao combater Grendel, deve salvar da aniquilação. Ela será, conforme tradições antigas, o tronco de uma dinastia anglo-saxã, que reinará sobre a Inglaterra.

Uma amostra do conjunto:

Que a poesia dos bardos

Ilumine a minha mente

Para que eu possa falar

Sobre um guerreiro valente,

Numa aventura fantástica

Que emocionou muita gente.


Conduzido pela Musa,

Espero aqui ter a sorte,

Narrando a vida de um bravo,

Dentre todos o mais forte,

Que brilhou intensamente

Até o dia da morte.


Porém, para começar,

Falaremos de um monarca,

O famoso Hrothgar,

Que deixou a sua marca

Na região dos daneses,

A atual Dinamarca.


Com seus valentes guerreiros,

Ele se estabeleceu

Nessa terra hospitaleira

Que tão bem o recebeu,

Onde um palácio soberbo

Com bastante esforço ergueu.


Era chamado de o Cervo

Aquele grande edifício,

Pois em seus salões alegres

Não preponderava o vício

E o bondoso rei cumpria

Com louvor o seu ofício.


As ameias do palácio

Livravam-no dos perigos,

Das tempestades insanas,

Da fúria dos inimigos,

Mas não puderam conter

O pior dentre os castigos.


Este castigo atendia

Pelo nome de Grendel,

Um gigante antropomorfo,

Um assassino cruel.

Cuja malvadez não pode

Ser descrita no papel.


Nas profundezas do pântano

Aquele monstro vivia,

E somente pra caçar

Daquele antro saía.

Onde passava, deixava

A morte, a dor, a agonia.


Ele acompanhou de longe

A construção do castelo,

A imponência do reino

Que se tornara tão belo,

Mas agora enfrentaria

O mais terrível flagelo.


(...)

As ilustrações do meu amigo Luciano Tasso, como se pode confirmar abaixo, são um texto à parte:

O herói chega à corte dinamarquesa
O combate com Grendel

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