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Marcus Lucenna, autodenominado Cantador dos Qu4tro Cantos, poeta e forrozeiro, divulgador incansável das tradições populares do Nordeste, nos deixou ontem, 5 de março, vitimado por um ataque cardíaco. Natural de Mossoró, Rio Grande do Norte, tinha no pai, Antônio Lucena, o Majó Lucena, o grande espelho de sua arte e em Luiz Gonzaga a inspiração maior.
Foi Chico
Salles, também de saudosa memória, que me apresentou a Lucenna, em 2006, quando
estive pela primeira vez no Rio de Janeiro, na sede da Academia Brasileira de
Literatura de Cordel. Depois disso, nos encontramos muitas vezes. Estivemos
juntos em vários encontros em Brasília, onde foi lançada a semente para que a
Literatura de Cordel fosse reconhecida como patrimônio cultural e imaterial do
Brasil.
Quando fui “eleito”
para a ABLC, ele e Chico Salles me apoiaram, pregando uma renovação nos quadros
da entidade. E quando me desliguei, em 2008, externou a sua decepção, mas não
deixou de apoiar minha decisão, compreendendo minha postura de autonomia e
independência no tocante às entidades ligadas ao mundo do cordel.
E, toda vez que
eu retornava ao Rio, a cerveja, regada a boa prosa, era obrigatória. Fora
testemunha de muitas histórias envolvendo o rei do Baião, Luiz Gonzaga, e
personagens imortalizados em seu repertório, como o Zé Nabo, do clássico “Forró
de cabo a rabo”. Quando, em 2020, de forma inesperada, perdemos Arievaldo Viana,
ele me contou como conheceu o poeta, ainda jovem, “sem parentes importantes e
vindo do interior”, para fazer história na capital cearense e no restante do
país.
| Homenagem do cordelista e cartunista Klévisson Viana |
O cordel mais
conhecido de Lucenna é A peleja do cérebro com o coração, que ele orgulhava de
ter licenciado dezenas de vezes para livros didáticos, ampliando em muito a
divulgação e alcance da obra. Na peleja da vida com a morte, o coração do poeta
não resistiu, e ele nos deixa aos 68 anos. Sua obra, no entanto, permanece viva
em discos, cordéis e nas trajetórias de inúmeros artistas para os quais abriu
portas e janelas.
Por isso, não surpreende que tenha recebido muitas homenagens, desde políticos a instituições, como o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, além de artistas como Klévisson Viana. O repentista cearense Miguel Bezerra, radicado Em Nova Iguaçu, no Rio, por exemplo, dedicou-lhe estes versos, publicados no Facebook:
Marcus
Lucenna vivia,
Cantando
xote e baião,
Seresta
samba canção,
Glosa,
cordel, cantoria,
Mas
se nós temos um dia,
Pra
perder nossos encantos,
Hoje
tem dores e prantos
Nos
moldes da sua arena:
Perdemos
Marcos Lucenna,
Cantador
dos Quatro Cantos.

Um comentário:
Marco Haurélio, que belo texto, que bela homenagem! Como diz o samba, "Poeta que morre é semente".
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