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sábado, 18 de junho de 2011

Entrevista ao portal Resenhando

“Aos seis anos eu já sabia o que queria. Com essa idade, tentei escrever o primeiro cordel” - Marco Haurélio

Por: Imprensa Editora Paulus / Da Redação do Resenhando

Conheça melhor o escritor baiano que contribui grandemente para a divulgação da cultura popular em formato de literatura de cordel. Saiba mais de Marco Haurélio!

O escritor, cordelista, poeta, professor e pesquisador do folclore brasileiro e da literatura de cordel no Brasil, Marco Haurélio Fernandes Farias, mais conhecido pelo nome duplo, Marco Haurélio, revela em entrevista toda a magia da literatura de cordel. O representante do Brasil que contribui significativamente para a divulgação da cultura popular brasileira, é um baiano nascido em Riacho de Santana, no dia 5 de julho de 1974.

Ele que gosta de filmes como Um Lugar ao SolArizona Nunca MaisCidadão KaneO ColecionadorBen-Hur e Mary Poppins, tem em sua bibliografia diversos livros, entre eles: Os Três Porquinhos em Cordel, As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de TodosBreve História da Literatura de CordelAs Três Folhas da SerpenteTraquinagens de João GriloRomance do Príncipe do Reino do Limo Verde, além de seu mais recente lançamento, A Lenda do Saci-Pererê em cordel, publicado pela Editora Paulus. Saiba mais do autor de A Lenda do Saci-Pererê
 em cordel, Marco Haurélio!
RESENHANDO – Como surgiu a ideia de escrever o livro?
O Saci é um personagem que fascina crianças e adultos. Ainda hoje existem relatos de pessoas que o avistaram em alguma localidade rural. Há tempos eu queria escrever algo sobre o personagem, mas não queria ficar apenas na descrição de suas características ou de suas peraltices. Daí, pesquisei em vários livros e ouvi alguns relatos da “aparição” do personagem. Recriei-o a partir de várias fontes, todas elas de tradição popular.

RESENHANDO – O que você espera passar para as crianças com esta obra?
As crianças encontrarão no personagem deste livro uma figura simpática, mas que não foge de sua função de atazanar as pessoas. Não quis fugir às suas características, mas também busquei evitar cair no lugar-comum. É um livro infantil que agradará também outros públicos, pois se preocupa, antes de mais nada, em contar uma história.

RESENHANDO – Na sua opinião, o que as crianças mais gostam na história do Saci?                                                                                                                 O Saci é um personagem que tem DNA africano, indígena e europeu. Entretanto tudo aconteceu espontaneamente, sem interferência consciente. As suas peraltices remetem aos seres do folclore europeu, como duendes e leprechauns. A única perna faz lembrar a lenda do ciápode, um ser mitológico. O gorro também é europeu. A cor e o cachimbo são referências africanas. Em alguns lugares, como no nordeste, ele é retratado como a ave peitica. Acredito que essa mistura facilita a rápida identificação, pois aproxima o personagem de culturas aparentemente tão distintas. Outra coisa a considerar é a peraltice, tão própria das crianças. Embora o Saci exagere em algumas brincadeiras, as crianças acabam se identificando com esse lado traquinas do personagem.

RESENHANDOQual outro personagem do folclore você escreveria um livro e por quê?                                                                                               Acho Cobra Norato uma das mais belas lendas, por misturar as tradições indígenas com as crenças europeias. Também escreveria sobre uma lenda urbana, A Moça do Cemitério, que tem forte apelo junto aos jovens, apesar de sua temática ser muito antiga.

RESENHANDO – Fale um pouco sobre a literatura de cordel no Brasil e seu interesse por esse estilo.

Não há, em nenhum outro país, uma literatura popular com o mesmo vigor daquela praticada no Brasil. E o cordel, gênero da poesia popular, é o maior responsável por essa honraria. Entrei em contato com o cordel ainda criança, na Ponta da Serra, localidade rural do sertão baiano, no município de Riacho de Santana. Quem me apresentou à literatura de cordel foi minha avó paterna, Luzia Josefina. Ela era também grande contadora de histórias. Num armário antigo, na sala, estava o baú do tesouro: uma gaveta na qual ela guardava os folhetos e romances de cordel. Aos seis anos eu já sabia o que queria. Com essa idade, tentei escrever o primeiro cordel. Aos oito eu já fazia ABCs (cordéis mnemônicos que seguem a ordem do alfabeto), poemas diversos e vários romances de cordel, espalhados por muitos cadernos que guardo como um tesouro. 
 
Fonte: Portal Paulus

Nota: em atividades no interior de São Paulo, como integrante do projeto Literatura Viva, do Sesi, vi o quanto as escolas trabalham seriamente no tangente à pesquisa sobre a vida e  a obra dos autores que as visitam. Estou reunindo, portanto, algumas entrevistas, remetendo à fonte, no intuito de facilitar o trabalho de pesquisa.

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Conheça, clicando aqui, o blog do meu novo livro livro, Contos e Fábulas do Brasil.

sábado, 5 de março de 2011

Reencontro com um mestre da cultura



Entre os meses de dezembro e janeiro, feriei na Bahia. Aproveitei para rever os familiares, amigos e visitar os umbuzeiros, enquanto respirava os ares da terra natal.

Pousei em Serra do Ramalho, onde meus pais residem, e, depois fui à Igaporã, cidade onde passei parte de minha infância. Nesta cidade, revi Jacinto Farias Guedes, o Jacintinho, filho de Gustavo e sobrinho do lendário Major Ramiro José de Faria.

Para quem leu o meu livro Contos Folclóricos Brasileiros, Jacinto Farias Guedes não é um nome estranho. Ele é o narrador de três contos que figuram no livro:

A Onça e o Bode – conto de origem africana, registrado no Brasil desde os tempos de Silvio Romero;

José e Maria – história de encantamento que traz os motivos do célebre Hansel e Gretel, dos Irmãos Grimm acrescidos do episódio mítico da salvação da donzela pelo herói, rememorando o feito do semideus Perseu na mitologia grega;

e Maria Borralheira, a versão brasileira da história da Cinderela, universalmente difundida e merecedora de alentada bibliografia.

Em meu outro livro, Contos e Fábulas do nosso Folclore, que será lançado em agosto deste ano, figuram outros contos narrados por Jacinto no ano de 2005, quando iniciei minha recolha.

Neste ano, fui reencontrá-lo, depois de muito tempo, na mesma casa do Brejinho, escondida atrás de uma cerca de quiabento e com a Serra Geral como paisagem de fundo.
A mesma Serra Geral em que, noutros tempos, acreditou-se existir muito ouro. Hoje, tenho certeza que o verdadeiro tesouro são os seus habitantes, joias lapidadas pelo tempo, representantes de um Brasil que não pode deixar de existir.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Livro Contos Folclóricos Brasileiros é lançado na Cortez




Varneci, João Gomes de Sá, Marco e Maurício Negro

Marco Haurélio e Nireuda

Jakson Alencar, responsável pela edição do livro, O autor e Nireuda




Eliana Márcia e Lucélia

Varneci e Jackson Ricarte: quem é o mais alto?


Moreira de Acopiara e Marco Haurélio

Marco, Rosália, Nireuda, Maurício e Lucélia

Carlinhos, primeiro plano, e Aderaldo Luciano

Parte do público presente

Cacá Lopes, Dé Pajeú, Marco Haurélio e Maurício Negro

Pedro Ivo

Lucélia, narradora da história O rabo do macaco

Quarta, 5 de maio, é uma data a ser lembrada.

Nesse dia, deu-se a culminância de um projeto de vida que começou na Ponta da Serra, no sertão baiano, há muito tempo.

Das histórias contadas por D. Luzia Josefina de Farias, minha avó, às leituras dos clássicos do cordel, passando pelas festas do padroeiro Senhor dos Passos, reisados e queimas de Judas, muita água já passou embaixo e sobre a ponte.

Em 2005, a ideia do livro ganhou força a partir de uma recolha que fiz numa vasta área do sertão baiano.

Pouca gente sabe, mas, sem apoio institucional, percorri algumas léguas a pé em busca de possíveis guardiões da sabença popular.

O registro dos contos foi um exercício de paciência.

A transcrição, que respeita as matrizes, idem.

Desde a aprovação pelo editorial da Paulus, passando pela escolha do ilustrador, Maurício Negro, passaram-se muitos meses.

Agora, à disposição do público, o livro Contos Folclóricos Brasileiros devolve a oralidade as histórias do povo.

Na Cortez, merece menção especial o trabalho do pesquisador argentino Daniel D’Andréa, que coordena um grupo de narradores mirins.

Do grupo, três recontaram histórias do livro: Max, Lara e Carlinhos.

E, diga-se de passagem, aumentaram alguns pontos.

No final, Jackson Ricarte releu em sua viola o clássico “Triste Berrante”, de Adauto Santos.

E fechou com “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, música que tem um significado especial para muitos dos presentes ao lançamento:

“Agora sou cavaleiro, laço firme e braço forte de um reino que não tem rei.”

Aproveito para agradecer a todas as pessoas que se dispuseram a testemunhar esse momento tão especial.

E à Cortez, que mais uma vez mostrou seu compromisso com a divulgação e promoção da cultura popular.

Fotos: Júbilo Jacobino, Simone Maximo e Pedro Monteiro



Jackson Ricarte canta Disparada

Fábio Santos, Marco, Nireuda, Maurício Negro, Lenice Gomes e Rosália

Adriana Ortiz, Costa Senna e Marco Haurélio