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sexta-feira, 30 de abril de 2010

O maior clássico do Cordel em Quadrinhos



O PAVÃO MISTERIOSO EM QUADRINHOS
Coedição: Luzeiro/ Tupynanquim

O leitor tradicional do cordel e os amantes das HQs tem, agora, a oportunidade de guardar para sempre um tesouro tão valioso quanto o retrato da condessinha Creusa, motivo da busca do jovem Evangelista, protagonistas da história. O Pavão Misterioso atemporal, com ecos de As Mil e uma Noites e cheiro de ficção científica, voa para as estantes, movido pelo mesmo combustível que, há séculos impulsiona a criação artística: o sonho.
O livro é quadrinizado por Sérgio Lima, um dos grandes mestres das HQs no Brasil.

AUTOR - José Camelo
ILUSTRAÇÕES - Sérgio Lima
TÍTULO – O Pavão Misterioso em Quadrinhos
ISBN 978-85-7410-019-7
Número de páginas 48
Tamanho 21 x 28
Preço 25,00
Editora Luzeiro
Peça já o seu:
vendas@editoraluzeiro.com.br
Fone: (11) 5585 1800

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Romance baseado em conto dos Irmãos Grimm é relançado pela Tupynanquim



Com direito a belíssima capa de Klévisson Viana, o romance AS TRÊS FOLHAS DA SERPENTE (Marco Haurélio), baseado num conto popular 'dos' Irmãos Grimm, foi relançado pela editora Tupynanquim, de Fortaleza. O conto alemão Die drei Schlangenblätter aparece apenas em duas traduções brasileiras: As três serpentes brancas, presente em Novos contos (Trad. Eugênio Amado. Belo Horizonte: Itatiaia, 2006); e As três folhas da serpente, que integra  a antologia Contos e lendas dos Irmãos Grimm (Trad. Íside M. Bonini. São Paulo: Edigraf, 1961, 8 volumes).

A minha versão em cordel passou por alterações, sem, contudo, interferir no arcabouço mito-poético. Uma delas é a ambientação da história na Irlanda, país onde a cultura celta foi melhor preservada.

O belo conto em que se baseia este romance conserva, em sua essência, a informação de um antigo rito fúnebre que aparece também na quarta viagem de Simbad, o marujo: a obrigatoriedade de, morrendo um dos cônjuges, o vivo ser sepultado ao lado do morto. A serpente, em sua ambivalência, aparece aqui como emblema da imortalidade. Ambientada na Irlanda, a versão em cordel traz algumas sutis modificações, sem alteração do motivo principal, encontrável até na mitologia grega. 



Trecho do romance:

AS TRÊS FOLHAS DA SERPENTE

Eu vou narrar uma história
De inigualável beleza
Sobre um valente soldado
Movido pela nobreza,
Mas que enfrentou neste mundo
A traição e a vileza.

Num casebre miserável
De todo o mundo isolado
Vivia um pobre viúvo,
Pela miséria assolado
E só não era mais triste
Por ter um filho ao seu lado.

Este moço recebeu,
Na pia, o nome de João;
O pai se regozijava
Com sua dedicação,
Só lamentava não dar-lhe
Uma cômoda posição.

Porém, devido à pobreza,
O viúvo adoeceu,
Mesmo João o acompanhando,
A moléstia não cedeu
A alma deixou o corpo,
Deus na glória o recebeu.

João sepultou o seu pai
Perto duma penedia,
Armou-se da velha espada,
Que de herança recebia,
E saiu, sem ter destino,
Na tarde do mesmo dia.

Andou por terras estranhas,
Aprendeu vários ofícios,
Venceu as dificuldades,
À custa de sacrifícios,
Mas nunca se consumiu
Na labareda dos vícios.


Já com vinte e cinco anos,
Era um rapagão decente,
Sua figura chamava
Atenção de toda a gente,
Pois, além do belo porte,
Era por demais valente.

Então, o rei da Irlanda
Empregou-o como soldado —
De todos do batalhão
Ele era o mais destacado;
Só não subia de posto
Por não ser dissimulado.

Porém aquela nação
Achou-se em cruenta guerra,
Assim, João foi convocado
Para a defesa da terra
Contra o poderoso exército
Da impiedosa Inglaterra.

Viam navios ingleses
Em todo canto atracados,
E, do seu interior,
Saírem muitos soldados,
Ferozes e sanguinários,
Até os dentes armados.

Do lado dos irlandeses
Boa parte então debanda,
O sangue dos que resistem
Tinge de rubro a Irlanda,
E os ingleses avançando
Com uma fúria nefanda.

O comandante das tropas
Bradou: — Guerreiros, avante!
Mas uma flecha assassina
Atingiu-o num instante,
Deixando as tropas da Irlanda
Privadas do comandante.

Os soldados irlandeses
Fugiam apavorados;
João postou-se em sua frente,
Gritando: — Bravos soldados,
Por que vós estais fugindo
Como coelhos assustados?

Julgais que os brutos ingleses
Seguirão corretas trilhas?
Pois cairão feito cães
Em incontáveis matilhas,
Desonrando nossa Pátria,
Nossas mulheres e filhas!

Dizendo aquilo, avançou
Na direção do inimigo,
Sob uma chuva de flechas,
No mais tremendo perigo,
Chamando os ingleses para
Bater em armas consigo.

Nenhuma flecha o atingiu,
Pois o Céu o protegia,
Cada golpe desferido,
Um inimigo caía,
Outros fugiam com medo,
Vendo tanta valentia.

Quando os seus compatriotas,
Viram a bravura de João,
Enfrentando os inimigos,
Com a fúria de um leão,
Gritaram: — Enquanto vivermos,
Ninguém toma o nosso chão!

E retomaram a batalha,
Com uma ira incontida;
Os ingleses recuaram,
Temendo perder a vida —
Assim, João venceu a guerra,
Que já se achava perdida.

(...)

Para conhecer este texto na íntegra, entre em contato com a Editora Tupynanquim, de Fortaleza:
Telefone: (85) 3217 2891

Atualização: As três folhas da serpente integra a Antologia do Cordel Brasileiro, composta por 15 obras de autores de épocas diversas, lançada pela Global Editora. 


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Bibliografia




Bibliografia em cordel – Marco Haurélio

• Publicados pela Editora Luzeiro:

Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo
Os Três Conselhos Sagrados
História de Belisfronte, o Filho do Pescador
O Herói da Montanha Negra
A Idade do Diabo
História da Moura Torta
Nordeste – Terra de Bravos
Serra do Ramalho – um Brasil que o Brasil Precisa Conhecer
Romance do Príncipe do Reino do Limo Verde
A Briga do Major Ramiro com o Diabo
As Três Folhas da Serpente
O Cordel –  Sua História, Seus Valores (com João Gomes de Sá)
Florentino e Mariquinha no Tribunal do Destino



• Publicados pela Tupynanquim:

Galopando o Cavalo Pensamento
Traquinagens de João Grilo
A Maldição das Sandálias do Pão-Duro Abu Kasem
As Três Folhas da Serpente (reedição)
O Encontro de João Grilo com Pedro Malazarte

• Publicado pela Queima-Bucha:

Cem Anos da Xilogravura na Literatura de Cordel (com Arievaldo Viana)

• Cordéis sobre Raul Seixas
(publicados no livro Raul Seixas Dez Mil Anos à Frente)

O Arauto do Novo Aeon
As Novas Sementes de Sol
O Anel do Nibelungo
As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Todos

• Publicado pela Olho Dágua:

Jesus Brasileiro (com Costa Senna, esgotado)

• Infantis e infantojuvenis:

O Príncipe que Via Defeito em Tudo (Ed. Acatu)
A Lenda do Saci-Pererê (Ed. Paulus)
A Megera Domada (Ed. Nova Alexandria)
Traquinagens de João Grilo (Ed. Paulus)
Contos Folclóricos Brasileiros (Ed. Paulus)
As Babuchas de Abu Kasem (Conhecimento)
Os Três Porquinhos em Cordel (Nova Alexandria)
O Conde de Monte Cristo em Cordel (Nova Alexandria)
Contos e Fábulas do Brasil (Nova Alexandria)
A Roupa Nova do Rei ou O Encontro de João Grilo com Pedro Malazarte (Volta e Meia)
O Príncipe teiú e outros contos brasileiros (Aquariana)
Lá Detrás Daquela Serra (Peirópolis)
Lendas do Folclore Capixaba (Nova Alexandria)
A Saga de Beowulf (Aquariana)
Peripécias da Raposa no Reino da Bicharada (LeYa)
A Lenda do Batatão (SESI-SP Editora)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Mais dois folhetos para a lista


A Editora Tupynanquim, de Fortaleza, lançou mais dois folhetos de minha lavra:
Traquinagens de João Grilo, baseado num conto popular recolhido por Sílvio Romero, e A Maldição das Sandálias do Pão-Duro Abu Kasem, recriado a partir do conto As Babuchas de Abu Kasem, de uma das muitas e variadas edições das Mil e Uma Noites.
.
Eis um trecho do Traquinagens de João Grilo:
.
As tradições culturais
Do Brasil são variadas,
Sementes de poesia
No nosso solo plantadas,
Na alma do nosso povo
Totalmente enraizadas.

Dentre estas tradições,
Se inclui a literatura
De folhetos – ou cordel,
Jóia da nossa cultura,
Que o Nordeste brasileiro
Elevou a toda altura.

No cordel, um personagem
Inaugurou novo estilo,
No folheto intitulado
As Proezas de João Grilo.
É o esperto amarelinho
Que jamais deu um vacilo.

Quem não conhece João Grilo,
Um menino do sertão,
Personagem que hoje é
Famoso em toda a nação?
Pequeno, amarelo, frágil,
Eis o retrato de João.

Desde muito pequenino
O nosso Grilo era esperto,
Tão esperto que fazia
O errado ficar certo,
O bonito virar feio
E o longe tornar-se perto.

Sua esperteza era tanta
Que outro igual não nasceu.
No sertão da Paraíba,
Onde o menino cresceu,
Coronéis e cangaceiros –
João Grilo a todos venceu.
.
(...)
.
E um excerto do Abu Kasem
.
Eu vou contar uma história
Para velhos e meninos,
Que chegou ao nosso tempo
Através dos peregrinos,
Dos guerreiros do Islã,
Pastores e beduínos.

O cenário deste conto
É a velha Bagdá,
A portentosa cidade
Dos seguidores de Allah.
Que o poeta em seu verso
Pra sempre celebrará..

Em Bagdá residia
O sovina Abu Kasem,
Um mercador poderoso,
Mais rico que Pedro Cem.
E em toda vida jamais
Deu uma esmola a ninguém.

Nas ruas por onde andava,
Sempre escutava pilhéria,
Pois as suas vestes eram
O retrato da miséria,
Mas encarava os gracejos
Com expressão sempre séria.

As babuchas que calçava
Estavam tão remendadas,
Que, por onde ele passasse,
Escutava as caçoadas.
Mas cerrava os seus ouvidos
A todas as gargalhadas.

Babucha é uma chinela
De origem oriental.
Até Camões a descreve
Em sua obra colossal,
Mas nesse conto fantástico
Ela é o emblema do mal.

Mas, voltemos a falar
No famoso personagem,
Rico entre os potentados,
Com sua soberba imagem,
Sem perceber que o tesouro
Não passa duma miragem.
.
(...)
.
Os dois folhetos integram o catálogo da Tupynanquim: http://fotolog.terra.com.br/tupynanquimeditora2071 e podem ser aquiridos através do e-mail: tupynanquim_editora@ibest.com.br