quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Tambor do Mestre Zizinho



No seu blog, o escitor maranhense Wilson Marques anuncia:

Acaba de ser publicado pela editora Mercuryo Jovem O tambor do Mestre Zizinho, com ilustrações de Dedê Paiva. O livro, ambientado num quilombo em algum lugar do Maranhão, narra a história de um menino sensível e curioso, que sempre está querendo saber das coisas e não para de perguntar. Porém, para sua decepção, a resposta que mais ouve dos adultos, sempre atarefados ou sem paciência, é um sonoro “é a língua do perguntador”.

Decidido a saber o que é quilombola, e depois de ouvir muitos “é a língua do perguntador”, Zizinho procura a professora Joci. Sempre prestativa, ela explica tudo ao garoto. Em contrapartida, propõe-lhe um saudável desafio: preocupada com o desinteresse das pessoas da comunidade pelas tradições locais, sugere que o menino organize uma festa de Tambor de Crioula, expressão popular de raízes africanas típica do Maranhão.

Com a ajuda de Mestre Bié, Zizinho consegue organizar uma bela festa, vira mestre e descobre que pode ganhar uma viagem de sonhos para um país lindo e distante que ele jamais imaginara conhecer.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lançamento: Traquinagens de João Grilo



Acabo de ser comunicado, pela Paulus Editora, da publicação da obra Traquinagens de João Grilo - em Cordel. Como é do conhecimento de muitos, já havia sido feita uma edição especial para o Projeto Livro Vivo.

Traquinagens de João Grilo é baseado num conto popular recolhido por Sílvio Romero.

Abaixo, um trecho da obra ilustrada por Klévisson Viana:

As tradições culturais
Do Brasil são variadas,
Sementes de poesia
No nosso solo plantadas,
Na alma do nosso povo
Totalmente enraizadas.

Dentre estas tradições,
Se inclui a literatura
De folhetos – ou cordel,
Joia da nossa cultura,
Que o Nordeste brasileiro
Elevou a toda altura.

No cordel, um personagem
Inaugurou novo estilo,
No folheto intitulado
As Proezas de João Grilo.
É o esperto amarelinho
Que jamais deu um vacilo.

Quem não conhece João Grilo,
Um menino do sertão,
Personagem que hoje é
Famoso em toda a nação?
Pequeno, amarelo, frágil,
Eis o retrato de João.

Desde muito pequenino
O nosso Grilo era esperto,
Tão esperto que fazia
O errado ficar certo,
O bonito virar feio
E o longe tornar-se perto.

Sua esperteza era tanta
Que outro igual não nasceu.
No sertão da Paraíba,
Onde o menino cresceu,
Coronéis e cangaceiros –
João Grilo a todos venceu.

(...)


Dados técnicos

Título: Traquinagens de João Grilo — em cordel
Catálogo: Infantojuvenil
Assunto: Traquinagens
Ano: 2010
Autor(a): Marco Haurélio
Acabamento: grampeado
Formato: 13,5 cm x 21 cm
Coleção: Biblioteca infantil
Número de páginas: 32
Editora: PAULUS
Edição: 1
Código de barras: 7891210010230
ISBN: 7891210010230

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Na terra de Gonçalves Dias


Com o escritor Wilson Marques

A convite da Casa do Autor Maranhense, ciceroneado pelo escritor e jornalista Wilson Marques, estive, entre os dias 26 e 29 de agosto, no belo estado do Maranhão, onde o Nordeste se encontra com a Amazônia.


Público eclético em Vitória do Mearim

No dia 27, às 10h, passei em Vitória do Mearim, no interior do estado, para uma palestra na Biblioteca Municipal, enfocando o cordel e a cultura popular.
Autoridades locais, professores, brincantes de Bumba Boi e escritores se fizeram presentes.


À mesa, com o chefe de gabinete, José Abas e o Secretário de Cultura, Francisco Eduardo


No mesmo dia, às 17h, já na capital, São Luís, no teatro do Colégio Santa Tereza, houve um bate-papo com os alunos e, em seguida, lançamento dos livros Contos Folclóricos Brasileiros e A Lenda do Saci-Pererê em Cordel, da Paulus Editora.



Com Silvana Gusmão, bibliotecária do Santa Teresa



Agradeço também à prefeita de Vitória do Mearim, Dóris Rios, que envidou esforços para que a atividade obtivesse êxito.



As atividades na terra de Gonçalves Dias foram destacadas no caderno "Alternativo" do Jornal O Estado do Maranhão (reproduzido acima).







Fotos: Wilson Marques

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cordel na Cortez começa dia 23



O tradicional Cordel na Cortez, que chega à sua sétima edição, começa dia 23 de agosto e vai até o dia 28.
Sob coordenação do poeta Moreira de Acopiara, ocorrerão palestras, oficinas, recitais, contação de histórias, entre outras atividades, mostrando o vigor do cordel em São Paulo.


Abaixo texto de divulgação:

VII CORDEL NA CORTEZ
de 23 a 28 de agosto de 2010

A Cultura abre caminho,
E a gente estuda. Pois sim!
De Lindolfo a Todorov,
Até Walter Benjamim,
Pensadores de primeira...
Eita, riqueza sem fim!

Falando em literatura
Temos uma dupla forte:
Ednilson e o seu Cortez,
Do Rio Grande do Norte,
Terra de Câmara Cascudo.
Mas que Estado de sorte!

A Livraria Cortez
Quer fazer o povo ler.
Somando isso com história
Fica mais fácil entender.
É como juntar a fome
E a vontade de comer.

Pois veja só: a Cortez,
Que valoriza o cordel,
Entra nessa parceria
E permanece fiel,
Levando história pra rua,
Cumprindo um belo papel.

Pode ser história de
Fazer sorrir ou chorar.
Importante é entender,
Nesse mundo mergulhar,
Depois ir onde quiser,
E sem sair do lugar.


Juntando a fome com a vontade de comer – Artistas e Cortez - Toni Assis


Sendo uma das pioneiras no movimento de levar a literatura de cordel para as mais diversas livrarias, a Cortez promove a 7ª. edição do tradicional "Cordel na Cortez". Um presente para você que ama este gênero literário e nele descobre a voz de um povo que não perdeu a capacidade de se emocionar. Serão horas de encantamento em que você estará em contato com poetas, repentistas, xilógrafos, cantadores, e palestrantes que traduzem, em seu lirismo e oratória, a voz da cultura popular.

OBJETIVO:

Idealizado por Gilmar de Carvalho, professor da Universidade Federal do Ceará e doutor em comunicação e semiótica pela PUC-SP, o principal objetivo do CORDEL NA CORTEZ é o de promover e dar maior visibilidade a literatura de cordel, gênero literário genuinamente brasileiro, que passou para o impresso em forma de folhetos, no final do século XIX.
Estaremos também oferecendo comidas e bebidas típicas do sertão nordestino, além da exposição e venda de clássicos de autores consagrados desta literatura como Marco Haurélio, Moreira de Acopiara,J. Borges, João Gomes de Sá, Varneci Nascimento, Manoel Monteiro, Abraão Batista, Klevisson Viana, César Obeid entre outros renomados estudiosos no assunto.

Clique AQUI para ler a íntegra.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Lançamento: Breve História da Literatura de Cordel



A editora Claridade lançará, ainda em agosto, Breve História da Literatura de Cordel (112p., R$ 17,00), que integra a coleção Saber de Tudo. Escrito por mim, o livro reúne informações históricas e ensaios que, espero, sejam úteis para os que se aventurarem pelo universo fascinante da poesia do povo, do qual faço parte desde sempre.

Breve História da Literatura de Cordel refaz o percurso do mais conhecido ramo da poesia popular brasileira, desde o sertão da Paraíba, onde nasceu Leandro Gomes de Barros (1865-1918), maior expoente do gênero.

O livro traz, ainda, um capítulo sobre a presença do pícaro no romanceiro nordestino — reaproveitado na peça de Ariano Suassuna, Auto da Compadecida —, investiga a origem deste gênero literário, traça perfis de autores, editores e ilustradores e analisa as relações do Nordeste com o imaginário medieval.

A ilustração da capa é do mestre Jô Oliveira. Contribuíram, também, com leituras, sugestões e informações os amigos Aderaldo Luciano, Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Gregório Nicoló, Pedro Monteiro, José Honório, José Paulo Ribeiro e Varneci Nascimento.

Recebam, todos, agora, um “obrigado” coletivo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Flip e a cultura do espetáculo


Diferentes momentos da Caravana do Cordel demonstram que, sem a grana da Flip, é possível fazer história

Saiu na Carta Capital:

A FLIP consagra a cultura do espetáculo
Opera Mundi

9 de agosto de 2010 às 10:49h

Por Breno Altman

A Festa Literária Internacional de Paraty, que realiza sua oitava edição entre 4 e 8 de agosto, transformou-se em acontecimento marcante da vida cultural brasileira. Considerada um dos principais festivais mundiais do gênero, atrai milhares de participantes, atenção da imprensa e convidados ilustres. Nas devidas proporções, é um pequeno Woodstock das letras, que anualmente toma de assalto a aprazível cidade fluminense.

Apesar dos perrengues, pois a infraestrutura do município-sede costuma sucumbir ao excesso de visitantes, a diversão é garantida. Quem gosta de livros e ideias tem a chance de conviver com uma penca de bons autores e usufruir de opiniões sobre os mais diversos assuntos. Não é todo dia, afinal, que intelectuais renomados descem à planície e transitam entre o distinto público.

Mas há outras abordagens possíveis sobre a FLIP, além do entretenimento. Uma delas, quase irresistível, é comparar atividades nas quais essa intelectualidade antes se envolvia com seu papel atual, na era do avassalador predomínio da indústria cultural. A acareação talvez seja ilustrativa da reviravolta de sua função social após a crise dos projetos-mundo, no poente da Guerra Fria.

Escritores e artistas normalmente se reuniam, até então, para se posicionar diante de situações que alarmavam a sociedade e afetavam o mundo da cultura. Suas ferramentas eram congressos, simpósios e conferências que articulavam os intelectuais como agente coletivo. Os produtos dessas iniciativas – resoluções, manifestos ou declarações – buscavam a comunicação com outros setores sociais. O objetivo era utilizar talento e prestígio para construir vontades públicas.

Os exemplos brasileiros mais conhecidos, nesta lógica, foram o I Congresso Brasileiro de Escritores (1945) e as diversas reuniões da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência durante os anos 70. Mas são inúmeros os eventos que, durante décadas, expressavam o esforço autônomo da intelectualidade para forjar conexões com a sociedade, vertebrados por entidades representativas.

Marketing como ciência

Mesmo movimentos de ordem estética, como a Semana de Arte Moderna (1922), cuja estrutura era semelhante a um festival, faziam parte do reposicionamento político-cultural e procuravam um discurso criativo que se fundisse a determinados programas de país. Esse também foi o caso dos Centros Populares de Cultura, do Cinema Novo e do Tropicalismo, para falarmos de outras experiências notórias.

A intelectualidade e os artistas eram, como hoje, produtores de bens culturais, inseridos no mercado e concentrados em conseguir o ganha-pão através da comercialização de suas obras. Mas a esfera de cidadania, política ou estética, era razoavelmente protegida contra o assédio das razões mercantis, graças a uma rede de instituições estatais, partidárias e associativas que respaldava a cultura orgânica.

No entanto, o predomínio das ideias liberais, chancelado com o colapso do socialismo no Leste Europeu, foi limando essa blindagem e criando as condições para que o mercado estendesse seus tentáculos sobre espaços outrora salvaguardados. Apenas deveriam sobreviver criações que pudessem ser transformadas em mercadoria rentável, submetidas à lógica do espetáculo e regidas pelas normas do marketing, a principal ciência social dos novos tempos.

Darwinismo cultural

Ainda que diversas organizações, ligadas à arte e à ciência, continuem a promover encontros relevantes, essas realizações são cada vez menos divulgadas pela imprensa. O jornalismo cultural, aos poucos, também terminou capturado pelos interesses empresariais, que demandam aval midiático para acelerar a rotação de seus estoques.

O ímpeto dessa mudança mergulhou artistas e intelectuais em uma espécie de darwinismo cultural, marcado pelo medo de sucumbir em um ambiente no qual somente os escolhidos pelo mercado poderiam sobreviver. A competição e o individualismo derivados desse temor acomodatício acabaram por minar formas coletivas de organização e a própria integração da intelectualidade ao processo histórico.

Assim chegamos à FLIP. No lugar de entidades do ramo, o comando cabe a uma organização não-governamental alimentada com recursos de editoras e seus patrocinadores. Os escritores, de protagonistas, viraram atração. Cada autor ou cada patota em seu quadrado, opiniões e inspirações são exibidas à assistência, e acaba por aí a sinergia com os plebeus.

Casamata do liberalismo

Tudo é bem pensado. Não há estandes emporcalhando as ruas de Paraty. O festival é como um showroom a céu aberto: os produtores e suas obras podem ser vistos, ouvidos e tocados, mas não comprados. O mercado toma conta da cultura, porém preserva seu verniz de forma elegante, de tal sorte que os diletos visitantes não se sintam consumidores, mas personagens.

O simbólico dessa edição da FLIP talvez esteja no convite a Fernando Henrique Cardoso para fazer a palestra de abertura. Um dos maiores intelectuais da história brasileira, antigo cardeal do pensamento crítico, havia antes se convertido em presidente da República para fazer reformas pleiteadas por forças de mercado. Na feira de Paraty, colocou sua biografia e inteligência a serviço da indústria cultural.

O país vive mudanças econômicas, sociais e até políticas de relevância. A duras penas, a soberania pública tenta recuperar o terreno perdido ao espaço privado nos anos 90. Mas o mundo da cultura, cujo centro de gravidade deslocou-se para o eixo formado por empresas e mídia, aparece ironicamente como casamata de um liberalismo agonizante. Ainda que, nas calçadas paratienses, esse conservadorismo moderno transborde de charme, beleza e erudição.

Bienal do Livro?

John Boyne, Azar Nafisi, Benjamin Moser, Beth Goulart, Thalita Rebouças, Ziraldo, Maurício de Sousa, Rubem Alves, Regina Duarte, Paulo Goulart, Nívea Stelmann, Zeca Camargo, Sérgio Marone, Carmo de la Vecchia, Maurren Maggi, Juca Kfouri, Gustavo Borges, Caco Barcellos, Serginho Groisman, Lobão, Claude Troisgrois, Allan Vila Espejo, Chakall, Francisco Lellis, André Boccato, Carla Pernambuco, Marcelo Katisuki e muitos outros já confirmaram presença para este grande evento.



http://www.bienaldolivrosp.com.br/A-Bienal/

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Editora Conhecimento, do Ceará, lança As Babuchas de Abu Kasem (cordel infantil)

Página interna de As Babuchas de Abu Kasem



A clássica história das Mil e Uma Noites, As Babuchas de Abu Kasem, adaptada por mim e lançada no formato folheto pela Tupynanquim, ganha, agora, uma nova edição. Desta vez, as desventuras do avarento Abu Kasem reaparecem como livro infantil, com belíssimas ilustrações de Rafael Limaverde.





Abaixo, a introdução do Abu Kasem

Eu vou contar uma história
Para velhos e meninos,
Que chegou ao nosso tempo
Através dos peregrinos,
Dos guerreiros do Islã,
Pastores e beduínos.

O cenário deste conto
É a velha Bagdá,
A portentosa cidade
Dos seguidores de Allah.
Que o poeta em seu verso
Pra sempre celebrará..

Em Bagdá residia
O sovina Abu Kasem,
Um mercador poderoso,
Mais rico que Pedro Cem.
E em toda vida jamais
Deu uma esmola a ninguém.

Nas ruas por onde andava,
Sempre escutava pilhéria,
Pois as suas vestes eram
O retrato da miséria,
Mas encarava os gracejos
Com expressão sempre séria.

As babuchas que calçava
Estavam tão remendadas,
Que, por onde ele passasse,
Escutava as caçoadas.
Mas cerrava os seus ouvidos
A todas as gargalhadas.

Babucha é uma chinela
De origem oriental.
Até Camões a descreve
Em sua obra colossal,
Mas nesse conto fantástico
Ela é o emblema do mal.

Mas, voltemos a falar
No famoso personagem,
Rico entre os potentados,
Com sua soberba imagem,
Sem perceber que o tesouro
Não passa duma miragem.

(...)



O lançamento será sábado, 14 de agosto, às 17:30, na Biblioteca Belmonte, durante a atividade da Caravana do Cordel.

Endereço:
Rua Paulo Eiró, 525
Santo Amaro - 04752-010
Tel: 11 5687-0408 e 11 5691-0433
Coordenadora: Andrea Regis de Oliveira

A imagem diz tudo



Os Sofrimentos de Alzira, de Leandro Gomes de Barros, clássica história dramática.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Varneci Nascimento lança mais cordéis infantis



No dia 7 de Agosto, membros da Caravana do Cordel, professores, estudantes e admiradores da poesia popular, estarão prestigiando o poeta popular Varneci Nascimento, que lançará na Livraria da Vila, da Fradique Coutinho, 915, dois títulos de sua lavra.

São duas adaptações para o cordel de clássicos da literatura infantil: O pequeno Polegar (de Charles Perrault) e Branca de Neve (dos Irmãos Grimm) são a aposta da editora Panda Books. Os títulos abrem a coleção Contos em Cordel.

Varneci é autor, também, de uma versão de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para o cordel (Nova Alexandria). Além de quase duas centenas de folhetos, que aos poucos estão vindo à tona.

Fica o registro.

E o convite está feito.