quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nos Braços da Poesia (Assis Coimbra)



Assis Coimbra entre Klévisson Viana e Marco Haurélio

Nos braços da poesia
Sou Vinicius, sou Camões.
Sou Drummond, sou Castro Alves.
Sou conflito e sou paixões.
Sou Marília, sou Dirceu
E os belos cantos de Orfeu
Apascentando corações.

Nos braços da poesia
Sou um canto de ninar.
Sou a doçura do beijo
Na hora de acalentar.
Sou a criança sorrindo,
Pingo de orvalho caindo
Pra semente germinar.

Nos braços da poesia,
Eu me encontro submerso.
Coletando inspiração,
Pra depois fazer um verso.
Vejo a lua todo dia,
Bem junto da estrela guia,
Cintilando no universo.

Nos braços da poesia
Tem riso, lamento e pranto.
Lembrança de Zilda Arns
No céu com sagrado manto.
“Tem Calcutá de Tereza”,
Tem Irmã Dulce e pobreza,
Irrisão pra todo canto.

Nos braços da poesia
Beijo a morena sestrosa.
Beijo Clarice Lispector,
Das musas a mais formosa.
Beijo também Delamar,
Minha sereia do mar,
Com seu perfume de rosa.

Nos braços da poesia
Sou a brisa, sou o vento.
Sou a paz para o planeta
Que falta nesse momento.
Eu sou o trigo, sou o pão.
Que falta para o irmão,
Que vive no sofrimento.

Nos braços da poesia
Sou o fogo de Prometeu.
Sou a caixa de pandora
Com todo segredo seu.
Sou teatro, sou o circo,
Pinacoteca, obelisco,
E a bravura de Teseu.

Nos braços da poesia
Conto hinos de louvor
Lamento perdas de vidas
Exalto o Deus criador.
Respeito todas as crenças
E a pior das sentenças
Pro ser vil e traidor.

Nos braços da poesia
Sou um anjo de candura,
Sou um riso de criança
Que transmite só ternura.
Sou a estrela cadente
Com seu brilho incandescente
Brilhando na noite escura.

Sou histórias de ninar
Para criança dormir.
Sou o pão que alimenta,
Pra com o outro dividir.
Sou o fruto, sou bondade,
Que alimenta a caridade,
Na hora de repartir.

Assis Coimbra
(Direitos reservados)

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