domingo, 3 de abril de 2011

O paraíso de Athayde, Delarme e João José



Estudiosos mais atentos, a exemplo de Bráulio Tavares e Arievaldo Viana, já percebem o que poetas veteranos como João Firmino Cabral não se cansam de afirmar: a influência decisiva do Cinema sobre a obra de João Martins de Athayde.

Além de Athayde, há uma presença marcante da sétima arte na obra de dois outros poetas: João José da Silva, o legítimo sucessor de Athayde, e Delarme Monteiro da Silva, o genial Delarme.

De passagem por Recife, em 2009, ciceroneado pelo amigo José Honório, fiz questão de conhecer o Cine Glória, frequentado pelos três poetas citados, Athayde bem mais do que os outros.

Hoje fechado, o Cine Glória, ao menos em 2009, ainda não havia, graças a Deus!, se transformado numa igreja neopentecostal.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Literatura de Cordel na Praça da Sé



A informação é mérito do Frei Varneci Nascimento. A foto, idem.

A BANCA CENTRAL, situada na Praça da Sé, marco zero de São Paulo, tem vários títulos de cordéis expostos à venda. Os leitores procuram com frequência essa literatura que vem encantando milhares de leitores pelo Brasil inteiro. Portanto, quem quiser ler os principais clássicos do cordel, dê uma passadinha na Banca Central.
(...)

Os grandes clássicos e os lançamentos da Coleção Luzeiro de Literatura de Cordel podem ser encontrados ou encomendados na Banca Central.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Lançamento: O Quilombo do Encantado



Reproduzo, com grande satisfação, o convite feito por meu colega de lira, Marcos Mairton, criador do blog Mundo Cordel, que lançará, em abril, o livro O Quilombo do Encantado.

Caros amigos,

Tenho a alegria de convidar todos vocês para mais uma noite de autógrafos do meu livro "O Quilombo do Encantado".

Será no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza, na Rua Maria Tomásia, 531, perto do Shopping Del Paseo, a partir das 19:30.

Os que já estiveram em eventos anteriores e quiserem comparecer novamente dar-me-ão (ô negócio bonito é uma mesóclise!) alegria em dobro!

Abraços.

Marcos Mairton

Lançamento na Livraria Cortez reunirá grandes representantes do cordel brasileiro



Publicada pela Global Editora, a obra Meus romances de cordel será lançada dia 9 de abril, sábado, a partir das 16h, na Livraria Cortez.

São aguardados no dia, companheiros da lira popular, que atuam na Caravana do Cordel, e autores de outras searas, como os amigos Mustafa Yazbek, Marciano Vasques, Regina Sormani e Roniwalter Jatobá.

Além de Aderaldo Luciano, atuantes em tantas áreas, que dispensa classificações.

Também deverão comparecer os amigos ilustradores Maurício Negro e Luciano Tasso, este último responsável pelas gravuras que enriqueceram sobremaneira a obra.

A novidade maior, no entanto, será a presença de dois amigos da terra de Iracema, aliás, dois nomes maiúsculos da história do cordel: Rouxinol do Rinaré e Klévisson Viana.

Estarão acompanhados do editor Flávio Martins, presidente da Câmara Cearense do Livro e diretor da Conhecimento Editora, de Fortaleza.

Outra presença mais do que confirmada é do repentista e cordelista Sebastião Marinho, que lançará em breve, pela Nova Alexandria, sua versão em cordel do clássico Romeu e Julieta.

Enfim, dia 9, a Livraria Cortez será mais uma vez o palco privilegiado da literatura de cordel brasileira, com a presença de alguns de seus maiores representantes.

P.S.: Na foto, apareço na Bienal de Fortaleza ao lado de lendas do cordel, como Bule-Bule e Azulão, além de Klévisson Viana, com sua companheira Dulce, e Rouxinol do Rinaré.

terça-feira, 29 de março de 2011

O outro lado da moeda



Tem tido ampla repercussão, especialemnte na Internet, a aprovação, pelo Ministério da Cultura, de um projeto da cantora Maria Bethânia. Quase sempre as opiniões são contrárias à decisão do Minc. Republico, então, uma visão destoante, não porque seja destoante, mas porque é sensata. Concordo com ela? Não, mas o saudável hábito de discordar, assim como o direito à crítica, deve ser divulgado. Afinal, a moeda tem três lados. Ou não? - como diria o irmão da artista em questão.

O mundo precisa SIM de poesia

Por Rogério Soares em seu blog Navegantes ao Mar



A cantora Maria Bethânia foi notícia em toda rede esta semana. Tudo por conta da informação de que ela conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captação de R$ 1,3 milhões para criar um blog intitulado “O Mundo Precisa de Poesia”. A iniciativa pretende postar diariamente um vídeo da cantora interpretando os grandes mestres da literatura. Imediatamente uma nuvem de poeira se ergueu, daqueles enfurecidos guardiãs do tesouro público protestando contra a ação da cantora.

Ao contrário destes acredito que 1,3 milhões é pouco, muito pouco mesmo para uma iniciativa que a meu ver é de utilidade publica. Toda e qualquer ação em favor do desenvolvimento da cultura, pelo menos daquela que seja digna de ser chamada assim, e são cada vez mais raras as ações nesse sentido, tem o meu apoio.

Maria Bethânia não receberá dinheiro diretamente do governo, mas via renúncia fiscal. Sei... calma lá esperem, essa é uma forma indireta de captar recursos públicos; não me creia mais tolo do que sou, explico meu ponto de vista.

Maria Bethânia quer dinheiro público para promover a poesia na sociedade, BRAVO! Sua ação provoca escândalo e revolta um grupo de intelectuais - nada mais brasileiro do que isso. Agora, ninguém se pergunta, nem questiona, até onde sei, os milhões de reais que saem dos caixas públicos para financiar os carnavais com músicas e atrações no mínimo duvidosas. Quantos milhões o governo da Bahia gasta com os trios elétricos para um número restrito de foliões festejarem, enquanto outros são espremidos pelas vergonhosas cordas, ironicamente seguradas por CORDEIROS. Quantos? Quanto o governo da Bahia renunciou para instalação da Ford por aqui?

Toda essa celeuma, acredito, vem do fato de que no Brasil dinheiro gasto com cultura, arte e poesia, é dinheiro desperdiçado, afinal poesia não serve para nada, não alimenta estômagos, nem abriga ninguém contra o frio ou as intempéries do tempo, não é mesmo? Esta é uma visão histórica que infelizmente ainda não conseguimos romper, por mais que sobrem esforços de alguns nessa frente.

Um país forte e respeitado é medido, dizia o escritor americano Henry Miller, pelo grau de importância que seu povo dar aos seus poetas. Em A Hora dos Assassinos, um ensaio sobre a obra de Arthur Rimbaud, Miller lembrou que o Egito foi grande enquanto respeitou, promoveu e incentivou os seus artistas, o mesmo ocorreu com a Grécia e a Itália. À medida que os artistas passaram a ser perseguido, estes países deixaram de ter a importância que tinham e declinaram, para nunca mais voltarem o serem o que um dia foram. Se ainda nos resta alguma memória desses povos, isso se deve - vocês hão de convir - aos seus artistas (escultores, pintores, arquitetos, e principalmente escritores) que pagaram, muitos deles, com a vida a ousadia de lembrarem aos homens a sua natureza menos nobre, as suas fraquezas, seus vícios e outras coisas imerecidas de um ser criado por um Deus todo poderoso.

Não me causa espécie está polêmica. Acho-a saudável. Não posso, porém, endossar as opiniões de quem acredita que dinheiro gasto com poesia seja desperdiçável, mesmo que esse dinheiro seja no valor mencionado. Estou consciente das emergências do país, mas também acredito que parte delas poderia ser sim contornada com os esfoços de artistas, intelectuais, educadores bem intencionados. Quem já contribuiu tanto com nossa cultura, pode contribuir ainda mais.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Liz Taylor e Catarina



A imprensa mundial informa: morreu, hoje (quarta, 22 de março), Elizabeth Taylor. A atriz britânica, duas vezes premiada com o Oscar, brilhou em muitos filmes. Um deles, Um lugar ao sol, de George Stevens, é o meu favorito. E de Chaplin também, conforme vim a saber mais tarde.

Bem, mas a postagem é por outro motivo. Quando pensei em verter para o cordel um clássico da literatura universal, não pensei muito e cravei A Megera Domada, de Shakespeare. Talvez o motivo principal nem tenha sido a peça em si, mas o filme de 1967, dirigido por Franco Zefirelli e estrelado por Liz Taylor e seu marido à época, Richard Burton.

Nos papéis de Petrucchio e Catarina, eles reviviam cenas muito próximas da realidade, o que rendeu atuações inesquecíveis. A cena do casamento, entre tantas, merece destaque. Foi a imagem desta cena que motivou-me a escrever estes versos para o livro A Megera Domada em Cordel:



















Depois disto, ele agarrou
A noiva pelo gargalo
E deu-lhe um beijo na boca,
Com escandaloso estalo,
Que a nobreza envergonhada
Se recusava a olhá-lo.

Fico, entre tantas, com essa imagem de Liz Taylor.

HOMENAGEM A PAULO NUNES BATISTA


Arievaldo entrevista Paulo Nunes Batista durante evento em Brasília

Autor: ARIEVALDO VIANA

É uma justa homenagem
Para um renomado artista
Escritor de nomeada
Inspirado cordelista
Lenda viva da poesia
O Paulo Nunes Batista.

Filho de Chagas Batista
Um famoso menestrel,
No universo das letras
Desempenha o seu papel
Levando sempre adiante
A bandeira do cordel.

É autor de vários livros
E centenas de folhetos
E compõe, com maestria
Acrósticos, glosas, sonetos
Transborda filosofia
Até mesmo em poemetos.

Um literato de fibra
Sob meu ponto de vista,
Espírito humanitário
Quem tem saber altruísta
Parabéns à Biblioteca
E ao PAULO NUNES BATISTA.

Ficou órfão muito cedo
Mas venceu este empecilho
Estava predestinado
A ser poeta de brilho
Quando criança ajudava
Manoel D’Almeida Filho.

Descende de um velho tronco
Da fina-flor repentista
Do qual brotaram Hugolino
E Agostinho Batista;*
Seu mano, o Sebastião
Também foi bom cordelista.

* Hugolino do Sabugi e Agostinho Nunes da Costa são ancestrais de Paulo Nunes Batista. Do grande poeta Agostinho Nunes da Costa (1797 – 1858), seu bisavô, ficou registrada essa bela estrofe onde fica evidente o desejo de liberdade que sempre alimentou essa família de poetas:

Nasci livre, Deus louvado
E até sem medo fui feito
Porque meu pai, com efeito,
Com minha mãe foi casado;
Também nunca fui pisado
Como terra ou capim
E se alguém pensar assim
É engano verdadeiro:
Olhe para si primeiro
Quem quiser falar de mim.

Voltemos ao Paulo Nunes, nosso homenageado:

Ainda na Era Vargas
Enfrentou a Ditadura
Ingressou no Partidão
Com alma sincera e pura
A arma que mais usou
Foi sua literatura.

Viveu no Rio de Janeiro
Aonde foi estudante
Porém a mão do destino
O lançou na vida errante
Até que chega em Goiás
Do seu Nordeste distante.

Comunista e agnóstico
E nesta louca ciranda
Paulo Nunes vai um dia
Num terreiro de Umbanda
Sua vida, nesse instante,
Recebe outra demanda.

Uma surra dos “caboclos”
Naquele dia levou
E por ver a coisa séria
Naquela seita ingressou
Mais tarde, o Espiritismo
De Allan Kardec abraçou.

Sobre seu ingresso na Umbanda e suas convicções políticas, assim se expressou o poeta:

Inimigo de tiranos
Tenho horror à hipocrisia
Para festejar a Vida
Troco a noite pelo dia.
O caboclo “Cachoeira”
É – nas Umbandas – meu guia...

O certo é que Paulo Nunes
Não levou a vida a esmo
Nem esqueceu o Nordeste,
Da rapadura e torresmo,
Vejamos umas estrofes
Do ABC para mim mesmo:

“Operário da caneta,
Já vivi só de escrever.
Poeta de profissão
Em Goiás pude viver
Dos folhetos que escrevia
Para nas praças vender.

Trovador: escrevo trovas,
Sonetos, sambas, canções,
Contos rimados, poemas,
Num mar de improvisações,
Tenho setenta folhetos
Com diversas edições.

Versejador, viajante,
Das estrelas do Repente:
Abro a boca, o verso nasce,
Como nasce água corrente,
Tenho feito alexandrinos
Em três minutos somente...”

O certo é que Paulo Nunes
É bamba na poesia
Em 2000 ele ingressou
Na goiana Academia
De Letras e se orgulha
Desse luminoso dia.

FIM

Fortaleza, 13 de março de 2011

Clique AQUI para ler histórica entrevista de Paulo Nunes Batista ao jornal A Nova Democracia.

terça-feira, 22 de março de 2011

Meus romances de cordel no Correio Popular, de Campinas



Vida longa ao cordel, matéria assinada por Bruno Ribeiro, primeira página do caderno Cultura/Variedades, na edição do Correio Popular, desta terça, 22 de março de 2011. Leia a íntegra abaixo:



Literatura de cordel ganha fôlego com novo lançamento



Folclorista baiano Marco Haurélio - que mora em São Paulo - acaba de lançar a obra Meus Romances de Cordel, pela Global Editora


22/03/2011 - 16h58 . Atualizada em 22/03/2011 - 17h36 

Bruno Ribeiro      Compartilhar  



Capa do mais recente livro de Marcos Haurélio, que é uma das principais referências da poesia popular nordestina
(Foto: Divulgação)

















Para a maior parte dos críticos literários e especialistas em cultura popular brasileira, a literatura de cordel vem perdendo sua força desde meados do século 20, quando o País passou por uma rápida industrialização. Eles não deixam de ter razão. Afinal, que sentido teria a poesia oral com a chegada do rádio e do cinema? A quem interessariam os rústicos folhetos regionalistas diante do avanço da imprensa? 


Seria um equívoco, porém, dizer que o cordel morreu. O livrinho artesanal de poesia naïf pode ter perdido a sua função de mídia em cidades antes isoladas, mas seguramente continua sendo uma das mais fortes representações culturais do Nordeste brasileiro e um verdadeiro símbolo da criatividade atribuída ao povo desta região.


O risco de extinção que ameaça certas manifestações artísticas regionais parece passar longe da literatura de cordel. E por uma razão muito simples: novos poetas estão sempre surgindo para tocar a tradição adiante. Um deles é o folclorista Marco Haurélio, de 37 anos, que acaba de lançar Meus Romances de Cordel (Global Editora, 192 págs., R$ 29,90).


Nascido em Ponta da Serra, na época município de Riacho de Santana, no sertão baiano, Marco Haurélio é hoje uma das principais referências da poesia popular nordestina. Em São Paulo, onde mora desde 1997, fundou a Caravana do Cordel — movimento ativo na cena paulista —, e intensificou a produção de folhetos, consumidos principalmente pela comunidade nordestina radicada na cidade.


Em sua nova obra, o autor resgata suas primeiras histórias escritas, muitas influenciadas pelo convívio com a avó paterna, dona de uma fabulosa memória. Ao todo são sete cordéis reunidos e publicados na íntegra. Os textos são acrescidos de xilogravuras do premiado ilustrador Luciano Tasso, responsável pela identidade visual do trabalho.


Meus Romances de Cordel celebra a profusão de tipos construídos pelo autor, incluindo desde os tradicionais heróis sertanejos marcados pela bravura até aqueles satirizados por sua ingenuidade. Para construir suas narrativas, Haurélio se inspirou tanto na leitura dos clássicos do gênero como em sua própria biografia de menino criado na caatinga.


Devido à sua intensa produção e sua distribuição limitada, é praticamente impossível acompanhar todos os recentes lançamentos da literatura de cordel, o que faz da coletânea de Marco Haurélio quase uma compilação de textos inéditos. Um dos melhores causos do livro é História de Belisfronte, o Filho do Pescador. “Era o meu conto popular favorito. Conheci-o narrado por minha avó. Escrevi uma versão em cordel, em 2005, mas perdi o manuscrito e reescrevi a mesma história, conservando algumas estrofes já decoradas”, explica o autor.

sábado, 19 de março de 2011

O Soldado que foi para o Céu

Capa da edição portuguesa do folheto de cordel
João Soldado (em prosa)

Ia uma vez um soldado para casa com baixa; quando ao passar por uma ponte encontrou um pobre de pedir, que não tinha dinheiro para pagar a passagem e estava ali parado. Ora o soldado nunca tinha feito bem a ninguém; mas naquele instante teve pena do velhinho e carregou com ele às costas e passou a ponte. O soldado não pagou nada porque ia às costas do soldado. Logo que chegou ao outro lado, pôs o velho no chão, e ia despedir-se dele, quando o pobre lhe disse:

Camarada, peça alguma coisa, que o que eu quero é agradecer-lhe.

Ora o que lhe hei-de eu pedir?

Peça tudo o que quiser.

O soldado pediu: Que todas as vezes que disser: "Salta aqui à minha mochilinha!" nenhuma coisa deixe de obedecer à minha ordem. E que onde quer que eu assente ninguém me possa mandar levantar

O velho disse-lhe que estava concedido. Foi-se o soldado muito contente para casa e nunca mais trabalhou, e viveu bem, sem lhe faltar nada. Se queria pão, carne, vinho, dinheiro, dizia: "Salta aqui à minha mochilinha", e tinha logo tudo o que era preciso. Veio o tempo e o soldado estava para morrer; os Diabos vieram logo para lhe levarem a alma, mas o soldado viu-os e gritou: "Saltem aqui já à minha mochilinha!". Os Diabos não tiveram remédio senão obedecer; ele assim que os apanhou dentro da mochila mandou-a a casa do ferreiro para que lhe malhasse em cima até os deixar em estilhas. Por fim o soldado morreu, e como tinha passado sempre na má vida, foi parar ao Inferno. Os Diabos assim que o lá viram começaram a gritar:

Fecha portas e postigos, senão seremos aqui todos batidos.

E aferrolharam as portas, e o soldado não pôde entrar para lá; foi então bater ás portas do Céu. São Pedro assim que o viu, disse-lhe:

Vens enganado! Não entras cá. Não te lembras da má vida que levaste?

Responde-lhe o soldado:

Ó Senhor São Pedro! no Inferno não me quiseram. Eu agora para onde hei-de ir?

Arranja-te lá como puderes.

O soldado viu meia porta do Céu aberta, e pega no barrete e atira-o lá para dentro, e disse:

Ó Senhor São Pedro, deixe-me ir apanhar o barrete.

São Pedro deixou; mas o soldado assim que o viu dentro do portal, sentou-se logo na cadeira dele. São Pedro quis mandá-lo sair mas não pôde e foi dali à pressa queixar-se a Nosso Senhor, que lhe disse:

Deixa-o entrar Pedro, não tens outro remédio, porque assim lhe estava prometido.

E o soldado sempre ficou no Céu.

BRAGA, Teófilo, (...), Contos tradicionais do Povo Português I

NOTA: O conto do soldado que recebe o dom de prender qualquer coisa em seu bornal frequenta, além das páginas do cordel, a literatura folclórica de vários países. No Brasil é famosa a versão poética de Antônio Teodoro dos Santos, João Soldado, o Valente Praça que Meteu o Diabo num Saco