segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Caçador, de Ana Lúcia Merege, reúne personagens de vários contos infantis



Estou lendo, neste momento, o livro O Caçador, da escritora e estudiosa dos contos de fadas, Ana Lúcia Merege. O livro foi estruturado em torno de um personagem secundário do conto Branca de Neve (Snow White), de cujo destino nada se sabe após o temporário ludíbrio da rainha má, que o incubira de dar cabo da enteada. No romance de Ana Lúcia Merege, personagens de vários contos cruzam o caminho do caçador - elevado à condição de protagonista. Mas a autora respeita a inteligência do leitor, deixando, para ele, a tarefa de identificar personagens e referências. Outro triunfo do romance: as personalidades são bem delineadas. Qualidades e defeitos vêm à tona, como, normalmente, não vê nos contos originais.

É melhor, porém, que a autora fale sobre seu livro, no texto abaixo reproduzido do blog A Estante Mágica de Ana.


Pessoas Queridas,

O último post de 2009 tinha que ser especial!

Depois de muitas idas e vindas – mudanças de revisor, de ilustrador, adequação à nova ortografia – meu livro “O Caçador” acaba de sair, republicado pela Editora Franco, de Juiz de Fora (MG). Estou muito feliz com isso, porque, embora o livro tenha tido um êxito razoável em sua versão independente, a nova edição me dará a oportunidade de divulgar, de forma mais ampla, esse meu primeiro trabalho de ficção.

Para quem não sabe, “O Caçador” é um livro de fantasia baseado no universo dos contos de fadas, que acompanha a trajetória de um personagem – injustamente, a meu ver – tratado como secundário: aquele a quem uma rainha invejosa encomendou a morte da bela enteada. Sabe-se o que aconteceu depois com a moça, mas e o caçador? Foi preso pela rainha, para não deixar pistas do crime? Voltou para a floresta? Ou partiu em busca de outros caminhos?

É essa a história que eu conto no livro e que gostaria de partilhar, tanto com o pessoal mais novo – a indicação é a partir dos 12 anos – quanto com adultos que gostem de fantasia e de uma boa narrativa.

“O Caçador” tem 100 páginas e um preço de capa bem acessível: R$ 22,00. Se alguém quiser adquirir a obra, indicar uma escola para receber material informativo ou – uma coisa importante, que desde já agradeço – dar uma força na divulgação, repassando a notícia do livro a quem possa se interessar, é só visitar o site da editora. Ou então contactar diretamente as distribuidoras parceiras, também listadas no site, em vários estados do Brasil.

Conterrâneo do rei Luiz marca presença em São Paulo




Cacá Lopes e Dé Pajeú na casa do poeta Pedro Monteiro

Recebi, enviado por Cacá Lopes, o release do artesão pernambucano Dé Pajeú, recém-chegado a Pauliceia e já integrado à Caravana do Cordel. Dé e Cacá Lopes são parceiros no hit "Cacá" (com Hamilton Catete). Seu trabalho pode ser conferido ainda no recém-criado fotolog Dé Pajeú - poeta e artesão.

DÉ PAJEÚ

José Sales de Freitas – em arte DÉ PAJEÚ, artesão, poeta compositor, nasceu em Exu-Pernambuco, berço do forró pé de serra, terra do rei do baião, Luiz Gonzaga.

Membro da Associação Asa Branca, em Exu, com um trabalho social voltado para crianças e adolescentes sertanejas, Dé Pajeú é também um dos fundadores do grupo de forró “Os Caba de Gonzaga”, formado em 2002, com diversas apresentações nos estados de Pernambuco, Ceará e Bahia. Coordenou, ainda, o grupo infantil Os seguidores do Rei. Ambos os grupos ainda estão em atividades nos rincões nordestinos.


Clave e sanfoneiro (arte em madeira)

Como compositor tem músicas gravadas por: Joquinha Gonzaga, Andréa Gonzaga, Cacá Lopes, Grupo Karolinas com K, de Recife, Costa Senna, Adil Santos, Hamilton Catete e Gerson Bruno do Rio de Janeiro.
Como artesão, Dé desenvolve vários tipos de trabalho, utilizando madeira, coco, bambu, couro, sempre reutilizando matéria prima natural, respeitando o meio ambiente.


Esculturas em madeira.

Suas obras de arte correm o mundo, vendidas para pessoas da Europa, Estados Unidos, Argentina, Japão, entre outros.
No momento, Dé está morando, em de Ferraz de Vasconcelos, São Paulo, e participa, como convidado especial, da Caravana do Cordel.

Seu objetivo é difundir, cada vez mais, na grande metrópole, sua carreira de artesão.

CONTATOS: 11-4677-5841
11- 9738-4522


Arte com coco

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cordel e mangá não são água e óleo


Editora Quadrix prepara lançamento de livro do Frei Varneci

Deu no Universo HQ:

Quadrix: nova editora apostará em quadrinhos nacionais
Por Sidney Gusman

Mais uma editora chegará em breve ao mercado de quadrinhos. Trata-se da Quadrix, capitaneada por Alex Magnos, e que publicará apenas trabalhos brasileiros.

A estreia será em outubro, com a revista Quadrix Aventura e Ficção (48 páginas em preto e branco, formato e preço ainda não definidos), que terá HQs de terror, ficção, aventura, sobrenatural e outros temas.

Nesse primeiro número há trabalhos de Wilson Vieira e Fred Macedo, dois autores que têm se destacado na Europa. Evolution é uma ficção científica acerca da debilidade humana ante a mitologia sobre seres superiores; e Kwi-Uktena mistura western e horror numa trama a respeito da ganância desmedida do ser humano.

Além disso, em seu site oficial, a editora já anuncia A graphic novel de terror Lua Negra, com roteiro de Alex Magnos e arte de Anilton Freires; Jonas Solomon - Vingança Vermelha, do mesmo autor, porém ilustrada por Liriano Santiago com arte-final de Anilton Freires, tematizada no cangaço brasileiro; e Miotaka e Tanaka, de Varneci Nascimento, cuja proposta (ousada) é misturar literatura de cordel e mangá.

Nota do blog: já vai bem longe o tempo em que os puristas tinham convulsões por causa das capas em policromia da Editora paulistana Luzeiro, por acreditarem que, para ter legitimidade, o cordel deveria ter cheiro de mofo. Parabéns a Varneci Nascimento - o Frei Varneci - e a Alex Magnos, diretor da Quadrix, por esse lançamento revolucionário.

Nos Braços da Poesia (Assis Coimbra)



Assis Coimbra entre Klévisson Viana e Marco Haurélio

Nos braços da poesia
Sou Vinicius, sou Camões.
Sou Drummond, sou Castro Alves.
Sou conflito e sou paixões.
Sou Marília, sou Dirceu
E os belos cantos de Orfeu
Apascentando corações.

Nos braços da poesia
Sou um canto de ninar.
Sou a doçura do beijo
Na hora de acalentar.
Sou a criança sorrindo,
Pingo de orvalho caindo
Pra semente germinar.

Nos braços da poesia,
Eu me encontro submerso.
Coletando inspiração,
Pra depois fazer um verso.
Vejo a lua todo dia,
Bem junto da estrela guia,
Cintilando no universo.

Nos braços da poesia
Tem riso, lamento e pranto.
Lembrança de Zilda Arns
No céu com sagrado manto.
“Tem Calcutá de Tereza”,
Tem Irmã Dulce e pobreza,
Irrisão pra todo canto.

Nos braços da poesia
Beijo a morena sestrosa.
Beijo Clarice Lispector,
Das musas a mais formosa.
Beijo também Delamar,
Minha sereia do mar,
Com seu perfume de rosa.

Nos braços da poesia
Sou a brisa, sou o vento.
Sou a paz para o planeta
Que falta nesse momento.
Eu sou o trigo, sou o pão.
Que falta para o irmão,
Que vive no sofrimento.

Nos braços da poesia
Sou o fogo de Prometeu.
Sou a caixa de pandora
Com todo segredo seu.
Sou teatro, sou o circo,
Pinacoteca, obelisco,
E a bravura de Teseu.

Nos braços da poesia
Conto hinos de louvor
Lamento perdas de vidas
Exalto o Deus criador.
Respeito todas as crenças
E a pior das sentenças
Pro ser vil e traidor.

Nos braços da poesia
Sou um anjo de candura,
Sou um riso de criança
Que transmite só ternura.
Sou a estrela cadente
Com seu brilho incandescente
Brilhando na noite escura.

Sou histórias de ninar
Para criança dormir.
Sou o pão que alimenta,
Pra com o outro dividir.
Sou o fruto, sou bondade,
Que alimenta a caridade,
Na hora de repartir.

Assis Coimbra
(Direitos reservados)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Marcos Linhares lança livro infantil na Cortez



Nascido da pena sensível de Marcos Linhares, este livro é mais uma releitura do maior clássico da Literatura de Cordel em todos os tempos. O Romance do Pavão Misterioso, criação imortal de José Camelo de Melo Resende (1885-1964), há muito tempo se descolou do papel e impregnou outras manifestações da arte. Virou música com o cearense Ednardo. Transformou-se em crônica pelas mãos do escritor mineiro Roniwalter Jatobá. Ganhou uma adaptação para o teatro assinada por Theotônio de Paiva.
(...)

Uma estrofe que resume o livro, histórico por ser a primeira incursão da Luzeiro pelo universo infantojuvenil:

A leitura, que nos leva
Ao mundo além do papel,
Levou-me em tão genial
Versejar do menestrel,
E assumi o comando
Enquanto ia voando
Pelas rimas do Cordel!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Personagens do Auto da Compadecida em cordel



A Editora Luzeiro lançou o cordel Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo, de minha autoria, ano passado (2009). A história tem como protagonistas João Grilo e Chicó, protagonistas do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

A ilustração da capa é de Arievaldo Viana.

Leia um trecho do cordel:

João Grilo foi um menino
De grande sagacidade,
Aprimorou a esperteza
Devido à necessidade –
Enganava a todo mundo
Com muita facilidade.

Quando João era menino
Sempre ia à beira do rio,
Para poder refrescar-se
Por causa do grande estio.
Um dia, encontrou um padre
Que tinha curto pavio.

O padre vinha num jegue –
Logo que viu o menino,
Pensou: “Eu vou me informar
Com aquele tipo cretino,
Mas se ele me enganar,
Vou e lhe torço o pepino!”

O padre se aproximou
E disse, com voz pausada:
— Me responda, meu menino,
Aonde vai esta estrada?
Você será castigado,
Caso me meta em armada.

João lhe respondeu: - Seu padre,
Eu não gosto de balela;
Respondo à sua pergunta,
Sem temer a esparrela:
A estrada nunca vai,
Somos nós que vamos nela.

O padre disse: — Moleque,
Deixe desta amolação!
Vou celebrar uma missa
Na igreja do Capão –
E lhe peço, por bondade,
Que me ensine a direção.

Disse João: - É muito fácil,
Agora vou lhe ensinar:
Para chegar no Capão,
Basta ao rio atravessar,
Mas tenha muito cuidado
Ou poderá se afogar!

— Não me amole mais, moleque,
Pois já estou em atraso!
O povo me esperando
E você criando caso –
Ande logo, desembuche:
Onde que o rio é mais raso?

— Vá naquela direção,
Já que está muito apressado.
O padre foi com o jegue,
Onde João tinha mostrado,
Mas era o ponto mais fundo,
Quase morreu afogado.

Ao sair na outra margem
O padre pôde gritar:
— Pode esperar, seu moleque,
Que volto pra me vingar!
E, com a batina ensopada,
Desgraçou-se a espirrar.

Quando chegou na igreja
Estava muito atrasado.
O povo todo estranhou
Vendo o vigário ensopado
E xingando cada nome
De deixar o Cão corado!

(...)

Nota: Clique AQUI para ler artigo sobre a possível origem do personagem João Grilo.




PEDIDOS:
EDITORA LUZEIRO
Fone: (11) 5585 1800
E-mail: vendas@editoraluzeiro.com.br

COMPRAR

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O principe que via defeito em tudo



A história dO príncipe que via defeito em tudo , recontada por mim em versos de cordel, tem origem num conto tradicional, adaptado para a poesia, sendo mantidos seus elementos essenciais. Este conto é muito conhecido no sertão baiano, onde o nasci. Faz parte do rol de histórias de nossa literatura oral, que garante a riqueza do folclore brasileiro.

O tema predominante é o orgulho, que faz com que o mimado príncipe Ivan, personagem principal, despreze os animais e as pessoas. Ele chega a questionar a necessidade da existência de dois animais que considera completamente inúteis: uma mutuca (espécie de mosca) e uma aranha. O único que ainda o escuta é o seu pajem Jasão, que tenta sempre convencê-lo do contrário, sem sucesso. Ivan é herdeiro do trono de Agadir, país que paga tributos para a poderosa Turquia. O príncipe, num ato de arrogância, questiona esta submissão à Turquia, o que desencadeia uma guerra, movida pelo rei Oscar, soberano turco.

Perseguido pelos soldados do rei inimigo, o príncipe Ivan aprenderá uma lição que mudará para sempre a sua vida. E entenderá que, na natureza, todos os animais, até aqueles que são aparentemente insignificantes, têm o seu valor.
O motivo de o antagonista (rival) do orgulhoso príncipe Ivan ser o rei turco se deve a um fato histórico: a existência do Império Otomano, fundado por Osman I, que existiu entre 1299 e 1922 e englobava a Anatólia (Turquia asiática), o Oriente Médio, parte do norte de África e do sudeste europeu. A ferocidade dos guerreiros otomanos assombrou muitos povos à época de seu apogeu.

Nas cavalhadas, uma das mais belas manifestações da cultura popular brasileira, resta, diluída, a lembrança dos embates entre mouros (turcos e cristãos). Em Serra do Ramalho, na Bahia, na véspera de são João, ocorre uma encenação a céu aberto, que reconta a saga do imperador cristão Carlos Magno (747-814) em guerra com o almirante Balão, rei dos turcos. Esta modalidade é a cavalhada teatral, que mescla a encenação à demostração de habilidades dos cavaleiros, lembrando as justas (torneios medievais). Na literatura de cordel, há um romance clássico A batalha de Oliveiros com Ferrabrás, do grande poeta Leandro Gomes de Barros (1865-1918), extraido do Livro de Carlos Magno, que narra um combate entre um paladino (herói) cristão e um gigante turco.

Luís da Câmara Cascudo (1897-1986) recolheu um conto similar, Como a aranha salvou o Menino Jesus, integrante da antologia Contos tradicionais do Brasil. O motivo é idêntico ao de nosso conto, exceto os personagens. Nele, aprendemos que matar aranha dá infelicidade, pois esse animal salvou o Menino Jesus da perseguição dos soldados do rei Herodes. Há versões árabes, africanas e europeias desta mesma história. Outra versão foi colhida por mim (Contos Folclóricos Brasileiros, Paulus), sob o nome O Príncipe, a Mosca e a Aranha.

A estrutura do cordel

O nosso cordel está estruturada conforme as regras básicas do gênero: 40 estrofes de seis versos (linhas) chamadas sextilhas, de sete sílabas poéticas. Nosso texto segue a linha tradicional do gênero, pois, além de cordelista, sou pesquisador da cultura popular, em especial do conto tradicional. Na estrofe abaixo, cito o processo natural de difusão dos contos e de outras manifestações da literatura oral:

Há um ditado que diz
Que quando alguém conta um conto,
Dependendo de quem seja,
Sempre aumentará um ponto.
Sabendo do desrespeito,
O rei Oscar ficou tonto.

A estrofe final é uma oitava (estrofe de oito versos) e traz a assinatura poética do autor (HAURELIO), conhecida como acróstico:

Honra é a virtude dos que
Alcançam grande vitória.
Um príncipe que era orgulhoso
Reviu sua trajetória
E escolheu outro caminho,
Lidando com sina inglória.
Isso é o que nos ensina
O fim desta bela história.

O acróstico foi introduzido no cordel por Leandro Gomes de Barros, mas foi usado largamente por outros poetas populares. Naquele tempo, servia para identificar o autor do folheto de cordel, que nem sempre tinha seu nome estampado na capa. Hoje, é mais um motivo enriquecedor, que faz jus à tradição mais que centenária do cordel brasileiro.


Marco Haurélio e Nireuda, autor e ilustradora

O príncipe que via defeito em tudo, ilustrado por Nireuda, pode ser adquirido na editora Acatu ou nas melhores livrarias.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Arquivo Português de Lendas

Recebi, do Prof. Paulo Correia, do Centro de Estudos Ataíde Oliveira, da Uiversidade do Algarve, Portugal, o link para o sítio do Arquivo Português de Lendas.

O Arquivo reúne as lendas sob a seguinte classificação:Lendas Urbanas, Miscelânea, Lendas históricas, Lendas sagradas, Lendas do sobrenatural e Lendas etiológicas.

Abaixo, a aprentação, na primeira página do sítio:


Arquivo Português de Lendas é um projecto liderado pelo CEAO na Universidade do Algarve e procura identificar, recolher, classificar e divulgar narrativas existentes no território português e na literatura portuguesa.

Procurar relacionar, tanto quanto possível, as referidas narrativas com Tipos e/ou Motivos conhecidos de modo a melhor acessibilizar materiais tão localizados
.

Reproduzo, aqui, uma lenda sobrenatural, que, decerto, irá despertar algum interesse, por haver, também, variantes no Brasil:



Santa Compaña. Fonte: www.freewebs.com/duque_ourense/santacompaa.htm


Procissão das almas

Há alguns anos atrás, na ilha de S. Miguel, estava deitada uma rapariga de vinte quatro anos; numa noite da semana santa, quando ouviu tocar a campainha do apregoador das almas. Sentou-se logo na cama para rezar, pois sabia que todo aquele que ouve lembrar as almas deve rezar sentado na cama ou de joelhos. Depois levantou-se e foi para a porta para ver o que se passava.
Olhando para o canto da rua, viu chegar uma procissão de almas e reconheceu uma parente sua que tinha morrido. A alma do familiar disse-lhe:
— O pequena, arrecolhe-te lá para dentro que a esta hora não se está à janela nem à porta. Hás-de dizer que não dêem as coisas por fazer, que aqui não há quem as faça. Aí vai a meada e o ano — e a alma atirou o que dizia.
A rapariga já tinha ouvido a outras pessoas que não era bom aparecer à janela nem à porta enquanto faziam aquela devoção, mas estava tão emocionada que pôs o xaile e saiu atrás da procissão das almas. Quando chegou à esquina da rua, viu a porta da igreja aberta e por lá entravam as almas. Continuou a andar, mas, quando começou a subir os degraus do adro, a porta fechou-se. Voltou para casa no momento em que os apregoadores das almas chegavam, cantando:

Ó almas, que estais aí
No Purgatório ardendo,
Cristão, ajudai as almas
Que elas estão padecendo.
Almas santas de Jesus
Que já fostes como nós,
Pedi por nós a Jesus,
Como pedimos por vós.

A rapariga deitou-se com algum nervosismo e não dormiu tranquila. Ao acordar, de manhã, contou o que tinha visto. No fim de três dias, morreu porque não devia ter dito nada a ninguém do que lhe tinha acontecido.

Fonte: Açores, Lendas e outras histórias, FURTADO-BRUM, Ângela, Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.83

Local-(PONTA DELGADA) [ILHA DE SÃO MIGUEL (AÇORES)]

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Poetas que nos deixaram em 2009

2009 foi um ano de conquistas e de consolidação da literatura de cordel, hoje reconhecida como um importante fenômeno cultural dentro do painel amplo que é a cultura brasileira.

O ano em que a Caravana do Cordel abrilhantou escolas, praças e espaços culturais de São Paulo.

Foi, também, o ano do centenário de nascimento do poeta popular - e eventual cordelista - Patativa do Assaré.

Muitos foram responsáveis por esta vitória, inclusive os que semearam e irrigaram a seara, poetas ou não.

Mas 2009 foi, para o cordel, também um ano de perdas.

Grandes nomes do cordel nos deixaram. Sua obra, no entanto, permanece.

Nossa homenagem e nossos aplausos para:

Xilo de Klévisson Viana

Jotabarros, o pernambucano sem meias palavras, poeta e xilógrafo dos bons, que legou aos pósteros o clássico Lampião e Maria Bonita no Paraíso Tentados por Satanás.



Alberto Porfírio, o genial poeta e escultor, que teve seu talento reconhecido pela nova geração de bardos do Ceará e por uns poucos espalhados pelo Brasil.

José Alves, já veterano, com seu auxiliar Manu 
José Alves Pontes, editor e poeta de Guarabira, no passado grande centro de produção de cordéis na Paraíba do Norte.

***

Agradeço a José Paulo Ribeiro, de Guarabira, que enviou a foto de José Alves Pontes.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Onde encontrar cordel em São Paulo



Apesar de São Paulo ser a cidade onde se localiza a Editora Luzeiro, a mais antiga do gênero em atividade no Brasil, ainda há grande dificuldade entre aqueles que buscam adquirir folhetos de cordel.

Parte desta dificuldade foi sanada por um migrante nordestino: o paraibano Severino Silva (foto), que se tornou, há cerca de um ano, agente da editora.

Severino trabalha com um catálogo de clássicos que incluem O Pavão Misterioso, A Chegada de Lampião no Inferno, Coco Verde e Melancia, Os Três Conselhos da Sorte, João Soldado, O Romance da Princesa do Reino do Mar Sem Fim, entre outros. E títulos de minha autoria, como Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo, Os Três Conselhos Sagrados e O Herói da Montanha Negra.

Abaixo, uma relação dos locais onde é possível achar os clássicos e as novidades do catálogo Luzeiro, inclusive por encomenda:

1. Banca Praça Ramos (centro)
2. Banca Pato (Praça da Sé)
3. Banca DPX (Praça Ramos de Azevedo)
4. Banca das Apostilas (Pátio do Colégio, ao lado da Praça da Sé)
5. Banca São Bento (Rua Barão de Itapetininga, Centro)
6. Banca Viaduto do Chá (Centro)
7. Banca Deus é Luz do Meu Caminho (Estação Guilhermina Esperança do Metrô)
8. Banca Corredor Praça Dom José Gaspar, 106
9. Banca São Francisco (Viaduto do Chá)
10. Banca JC (Rua Fortuna de Minas, Jd. Santa Maria)
11. Banca Maktub (Largo da Concórdia, Brás)
12. Banca General Carneiro (altura do nº. 167, Centro)
13. Banca Emília (Praça Dom José Gaspar, Av. São Luís, Centro)
14. Banca Viana (Largo da Concórdia, ao lado da estação de trem do Brás)
15. Banca Dom José Gaspar (Centro)
16. Banca Antônio Prado (Praça Antônio Prado, Centro)
17. Banca Guilhermina Esperança (Metrô Guilhermina Esperança)
18. Banca Barão (Barão de Itapetininga, República)
19. Banca Mário de Andrade (Centro, ao lado da Praça dom José Gaspar)
20. Sebo José de Alencar (Rua Quintino Bocaiuva, 285, Centro)

Pedidos: Severino Silva (11) 98298 8723