quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Vem aí o Oralidades: Simpósio Nacional de Contadores de Histórias


Texto: Divulgação
A  primeira edição do Oralidades começou a ser desenhada há 2 anos e agora ganha vida. O que é a Arte de Contar Histórias hoje? É teatro? É literatura? É performance? É educação? É Arte? É tudo isso? Não é nada disso? É uma linguagem em si? Quais seus fundamentos?
O mercado para esse profissional continua crescendo, bem como os cursos oferecidos para sua formação (com pós-graduação se instaurando em diversas universidades). Nas últimas décadas é notório o ressurgimento de contadores de histórias nas cidades.
Desvinculados das comunidades e povos tradicionais, os narradores urbanos têm buscado nas linguagens artísticas (literatura, artes cênicas, música, audiovisual, artes visuais) suas balizas formativas e profissionais. Ocupam espaços públicos culturais e educativos, ora mediando assuntos literários, ora aproximando-se dos campos da cena e da performance. Muitas são as facetas desse narrador das cidades.
O Projeto ORALIDADES, conta com mesas de debate, fóruns com contadores de histórias de diversas partes do país, apresentações de narrações de histórias e oficinas relativas à arte da oralidade. Visa responder demandas de instituições culturais, educacionais e de contadores de histórias com vistas a alargar as possibilidades artísticas, educativas, éticas e poéticas da arte de contar histórias nas cidades brasileiras.
Curadoria: Ailton GuedesGiuliano Tierno e Solange Alboreda.
PROGRAMAÇÃO 
Distribuição dos ingressos para as Narrações Artísticas 02 horas antes das atividades. Entrada sujeita à lotação do espaço.
Haverá interprete de libras em todas as apresentações artísticas realizadas.
Inscrições para as Oficinas, Mesas e Fóruns a partir de 06 de agosto.
 

Dia 21/08 (QUARTA)
17h. Abertura do Oralidades
Documentário / Cor / 23min / Dir. Dino Menezes / Prod. Camila Genaro e Atelier About / 2018.
Exibição do documentário História Oral da Gente de Santos. Projeto audiovisual que documenta a tradição da oralidade, dando forma, cor, textura e imagens para o poder da palavra. A produção foi contemplada pelo 6º Concurso de Apoio a Projetos Culturais .
Teatro

17h30 às 19h
Maratona de Narrações
Participação de  Camila Genaro, Alexandre Camilo, Arquimedes e Márcio Barreto, contadores presentes no documentário História Oral da Gente de Santos, e mais três convidados da região: Coletivo Contar é Preciso, Jaci Aragão e Tatiana Félix.

Teatro
20h. Poesia Eletrônica
Recital poético com Lirinha.
Teatro

Dia 22/08 (QUINTA)
11h às 13h. Mesa de Debate 1
A História das Histórias
Com Gislayne Avelar Matos (BH) e Marco Haurélio (BA).
Abertura: Conto com Yohana Ciotti (SP) e Warley Goulart (RJ). Mediador: Giuliano Tierno (SP).
Teatro

15h às 17h. Mesa de Debate 2
A Narração de Histórias como Linguagem
Com Alicce Oliveira (MT), Vinícius Mazzon (PR) e Aretha Sadick (SP).
Abertura: Conto com Giselda Perê (SP) e Luciene Souza (BA). Mediador: Ailton Guedes (Santos).
Teatro

17h30 às 19h. Fórum: Reflexões Coletivas sobre os Temas das Mesas 1 e 2.
Coordenadores: Aline Cantia (BH), Ailton Guedes (Santos) e Giuliano Tierno (SP).
Teatro

20h. Apresentação de Contos
Espetáculo narrativo com Alicce Oliveira (MT), Vinícius Mazzon (PR) e Linete Matias (AL).
Teatro

Dia 23/08 (SEXTA)
11h às 13h. Mesa de Debate 3
A Narração de Histórias na Era da Imagem e seus possíveis Processos de Interdição ou Expansão da Palavra.
Com Giselda Perê (SP), Linete Matias (AL) e Luciene Souza (BA).
Abertura: Conto com Aretha Sadick (SP) e Simone Grande (SP). Mediadora: Aline Cantia (MG).
Teatro

15h às 17h. Fórum: Reflexões Coletivas sobre o Tema da Mesa 3
Coordenadores: Aline Cantia (BH), Ailton Guedes (Santos) e Giuliano Tierno (SP)
Teatro

17h30 às 19h. Oficinas * Vagas Esgotadas*
Carga Horária total (2 dias): 3h30
Vagas: 25 por oficina

O Narrador e as Linguagens da Cena * Vagas Esgotadas*
Com Simone Grande (SP)
Aborda a arte de contar histórias como linguagem específica e como as demais linguagens cênicas, que permeiam as experiências dos narradores, contribuem para a potencialização de suas performances e a criação da poética única de cada artista.
Sala 2

O Narrador e o Audiovisual * Vagas Esgotadas*
Com Yohana Ciotti (SP)
Ateliê de vídeo para contadores de histórias
É um convite para explorar técnicas narrativas e ferramentas audiovisuais que permite pensar o vídeo para além do registro. A partir de técnicas de roteirização, enquadramento, cenografia e finalização.
Comedoria 

O Narrador e as Visualidades * Vagas Esgotadas *
Com Warley Goulart (RJ)
O artista irá abordar intersecções entre texto e têxtil, apontamentos sobre cultura a partir de produções plásticas para infância, considerações sobre o contador de histórias e os recursos externos que produz para uso ou registro de suas narrativas orais.
Sala 1

20h. Apresentação de contos
Espetáculo narrativo com Gislayne Matos (MG).

Dia 24/08 (SÁBADO)

11h às 14h. Finalização das Oficinas
O Narrador e as Linguagens da Cena
Com Simone Grande (SP).
Sala 2

O Narrador e o Audiovisual
Com Yohana Ciotti (SP).
Auditório

O Narrador e as Visualidades
Com Warley Goulart (RJ).
Sala 1

15h às 17h. Painel dos Fóruns
Síntese coletiva das reflexões levantadas durante os fóruns com registro feito pelos mediadores, promovendo um documento com o panorama geral para ser disponibilizado posteriormente.
Coordenadores: Aline Cantia (BH), Ailton Guedes (SP) e Giuliano Tierno (SP)
Teatro

17h30. Encerramento
Sessão de Narração com Giba Pedroza e convidados.
Teatro

Inscrições para as Mesas e Fóruns de Debate abertas. Faça online aqui ou presensialmente na Central de Atendimento.
O certificado de participação será emitido mediante presença de 50% (professores) e 75% (público em geral).

Quando? 
21/08 A 24/08
QUA, QUI, SEX, SAB
10H ÀS 22H
Mais informações: Página do evento (SESC). 

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Praça do Cordel, na Bienal do Livro Ceará, tem ampla programação cultural



Abaixo, programação completa do Espaço do Cordel na Bienal do Livro do Ceará. Estarei, entre os dias 16 e 20 de agosto, prestigiando o evento e, no dia 19, às 15h, proferirei uma palestra "Dos contos tradicionais ao cordel", com mediação do poeta Eduardo Macedo.


XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará -
“As Cidades e os Livros”

De 16 a 25 de agosto de 2019

| PROGRAMAÇÃO PRAÇA DO CORDEL |


“As Cidades e os Livros”
É o tema da Bienal
Do Livro do Ceará,
Evento internacional.
Décima terceira edição
É mesmo sensacional!

E a Praça do Cordel
Já está no coração
Do povo do Ceará,
Isso com toda razão,
Pois em nossa Bienal
Essa Praça é tradição!!!

A nossa programação
Está linda cem por cento.
Tem o verso declamado,
Cantado ao som do instrumento...
Seja bem-vindo, meu povo
Se abanque, fique atento!!!

O IPHAN reconheceu
Nosso folheto de feira
Como um rico patrimônio
Da Cultura brasileira.
Viva a Praça do Cordel,
Viva nossa Bienal inteira!

Poeta-coordenador: Klévisson Viana




16 de agosto (sexta-feira)

Horário: 19h
Atividade: Cortejo de abertura com músicos e poetas da Praça do Cordel até o palco da abertura da Bienal.


17 de agosto (sábado)

Horário: 10h30
Atividade: Lançamento da série "Sítio do Pica-Pau Amarelo em Cordel" de Stélio Torquato(CE) 

Horário: 11h
Atividade: Recital com o mestre Chico Pedrosa(PE) 

Horário: 13h
Palestra "Cordel, Meditação e Cantoria como prevenção do Câncer" com a médica e cordelista Paola Tôrres(CE) e Monja Coen(SP) e lançamento do livro "Vamos falar sobre Câncer? Educação é cura!!!" – Editora IMEPH

Horário: 15h
Atividade: Apresentação musical com Edilson Barros e regional(CE) 

Horário: 16h
Atividade: Lançamento coletivo da Flor da Serra: "Geografia em 100 estrofes de cordel" e "História em 100 estrofes de cordel" de Luís Távora; "Tupanã e o Pavão de Plumagem Reluzente" e "A incrível história de Amira e os Filhos da Escravização" de Godofredo Sólon e "Pedagogia do Oprimido em Cordel" e "Rimando e Aprendendo - Caixa com 10 cordéis "de Paiva Neves(CE)

Horário: 17h
Atividade: Recital com Ivonete Morais e Evaristo Geraldo da Silva(CE)

Horário: 17h30
Atividade: Palestra "A Literatura de Cordel como mídia informativa" com o jornalista e pesquisador Alberto Perdigão(CE)

Horário: 18h30
Atividade: Recital com Aurita Tabajara (SP), Izabel Nascimento (SE) e Julie Oliveira (CE)

Horário: 19h30
Atividade:  Cantoria com os repentistas Guilherme Nobre e Antônio Jocélio e lançamento do CD "Poemas que fiz pra vida" de Francisco Melchíades (CE)


18 de agosto (domingo)

Horário: 10h40 
Atividade:  Recital com Antônio Francisco de Mossoró (RN)

Horário: 11h
Atividade: Recital com Arievaldo Vianna (CE) e Paulo de Tarso, o poeta de Tauá (CE)

Horário: 14h
Atividade: Recital com Jota Batista(CE), Rafael Brito (CE) e Izabel Nascimento(SE)

Horário: 15h
Atividade: Lançamento do livro Macunaíma em Cordel de Stélio Torquato Editora Luz Azul(CE)

Horário: 16h
Atividade: Apresentação com o bonequeiro João Andirá(CE)

Horário: 17h
Atividade:  Poesia com Bia Lopes(CE) e Jovelina Ceará(CE)

Horário: 17h30
Atividade:   Pocket show de "Cordel Vivo" com Aldo Anísio(CE) 

Horário: 18h
Atividade: Mega Lançamento do pesquisador e folclorista Oswald Barroso(CE). Livros: "Ceará Mestiço", "Menino Amarelo", "Risco Vermelho", "Um Certo Contato com a Lua" e "Aproximações".  

Horário: 19h
Atividade: Recital com o mestre Chico Pedrosa(PE)

Horário: 20h
Atividade: Cantoria com os repentistas Gonzaga da Viola(CE) e Guilherme Nobre(CE)


19 de agosto(segunda-feira)

Horário: 11h
Atividade: Performance com o palhaço Teotônio, recital com Antônio Marcos Bandeira(CE) 

Horário: 14h
Atividade: Contação de histórias para crianças com Rejane Nascimento(CE) 

Horário: 15h
Atividade: Abertura do VI Congresso de cordelistas, editores e folheteiros
Palestra "Dos contos tradicionais ao cordel" 
com o pesquisador e poeta Marco Haurélio(SP) 
Mediação: Eduardo Macedo(CE)

17h40
Atividade: Lançamento do cordel "Dicionário Cearensês 2" de Jotabê(CE)

Horário: 18h
Atividade: Recital com Raul Poeta(CE)

Horário: 19h
Atividade: Poemas de humor com o mestre Chico Pedrosa(PE)

Horário: 20h
Atividade: Música com Eugênio Leandro(CE) 


20 de agosto(terça-feira)

Horário: 11h
Atividade: Lançamento dos folhetos: "A história do motorista de caminhão que deu carona a um fantasma”; “O conselho de Lampião aos seus cangaceiros"; "A confusão de João Teimoso com o conceito de identidade" de Guaipuan Vieira(CE)

Horário: 14h
Atividade: Recital do Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste – CECORDEL. Homenagem ao poeta Gerardo Carvalho Frota – Pardal por 40 anos de arte e lançamento do seu kit "Educação de Trânsito".

Horário: 15h
Atividade: VI Congresso de cordelistas, editores e folheteiros 
Palestra "Pelejas Virtuais" e lançamento do livro "Pelejas em Rede: Vamos Ver Quem Pode Mais" com a pesquisadora Maria Alice Amorim(PE) 
Mediação: Eduardo Macedo (CE)

Horário: 17h
Atividade: Lançamento do livro "Viagem ao reino encantado do cordel" de Klévisson Viana e Arlene Holanda  - Tupynaquim Editora(CE)

Horário: 18h
Atividade:  Recital com Daniel Gonçalves da Silva(CE), neto de Patativa do Assaré.

Horário: 18h30
Atividade: Lançamento dos folhetos da Rouxinol do Rinaré Edições(CE): "Lendo com as pontas dos dedos" - Resumo biográfico de Louis Braille;
"Série: Aprendi com a Natureza - Trovas";
"Série: Histórias Bíblicas".

Horário: 19h
Atividade: Lançamento do livro "Anuns e Cordéis", do médico e cordelista Breno de Holanda – Tupynanquim Editora e Edições Karuá(CE)

Horário: 19h40
Atividade: Música com Gilvan Da Silva(CE)

Horário: 20h
Atividade: Forró com Cecília do Acordeon(CE)


21 de agosto(quarta-feira)

Horário: 11h
Atividade: Recital com os poetas Paulo de Tarso(CE), Evaristo Geraldo da Silva(CE) e Rafael Brito(CE)

Horário: 14h
Atividade: Recital da Rede Mnemosine de Cordelistas. 
Coordenação: Julie Oliveira(CE)

Horário: 15h
15h – VI Congresso de cordelistas, editores e folheteiros
Palestra "Cordel na Educação" com Paiva Neves, Stélio Torquato e Luís Távora Furtado Ribeiro
Mediação: Eduardo Macedo

Horário: 17h
Atividade: Confraternização em versos com os cordelistas da AESTROFE, REDE MNEMOSINE e CECORDEL

Horário 17h40
Atividade: Lançamento dos livros: "Rabiscos em Cordel" e "O pequeno poeta" e "Sementes da Karuá"  – Editora Karuá(CE)

Horário: 18h
Atividade: Recital com os mestres Chico Pedrosa(PE) e Antônio Francisco(RN)

Horário: 19h30
Atividade: Forró com o Grupo Batuta Nordestina(CE)


22 de agosto (quinta-feira)

Horário: 14h
Atividade: Lançamento do folheto "O matuto espertalhão" de Evaristo Geraldo da Silva(CE)

Horário: 15h
Atividade: Espetáculo "Uma rabeca e um divino" com Rafael Brito(CE)


Horário: 16h30
Atividade: Apresentação com o cordelista Lucarocas(CE)

Horário: 17h
Atividade: Recital com os poetas da AESTROFE – Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará. Coordenação: Evaristo Geraldo da Silva.

Horário: 18h
Atividade: Lançamento da Série "Histórias de Dona Baratinha - 10 folhetos com versões de contos clássicos infantis" de Stélio Torquato, Cordelaria Flor da Serra(CE). 

Horário: 18h40
Atividade: Recital com Chico Pedrosa(PE), Paulo de Tarso(CE), Arievaldo Viana(CE) e Francisco Melchíades(CE)

Horário: 19h20 
Atividade: Lançamento do livro "Trovas e Versos, Poesia Popular e as Andanças pela Cultura Ocidental" de Geraldo Amâncio Pereira – Editora Dummar(CE)

Horário: 20h
Atividade: Show de embolada com Marreco e Pinto Branco(CE)


23 de agosto (sexta-feira)

Horário: 10h30 
Atividade: Evaristo Geraldo da Silva(CE), Rafael Brito(CE)  e Ivonete Morais (CE)

Horário: 14h
Atividade: Aula de Cordel com Rouxinol do Rinaré(CE)

Horário: 15h20
Atividade: Lançamento dos cordéis "A Comédia Divina de Belchior", e "Metamorfose de Mário Gomes" de Lucarocas(CE)

Horário: 16h
Atividade: VI Congresso de cordelistas, editores e folheteiros Palestra "A mulher cordelista no Brasil" com Izabel Nascimento(SE) e Gisa Carvalho (MG), Aurita Tabajara(SP)
Mediação: Julie Oliveira(CE)

Horário: 18h
Atividade: Rafael Brito e Trio Arupemba (Guaraciaba do Norte - CE) Participação especial Mestre Bule-Bule(BA)

Horário: 19h30
Atividade: Show com Edmilson Santini(RJ)


24 de agosto(sábado)

Horário: 10h30 
Atividade: Recital com diversos poetas

Horário: 11h
Atividade: Aboio e canções com o vaqueiro Chico Neto(CE)

Horário: 14h
Atividade: Espetáculo "Chico Mamulengo contra cobra caninana" com a CIA. Os Tecelões Teatro com Bonecos(CE)

Horário: 15h
Atividade:  Lançamento do cordel "Mulher de Luta e História" de Julie Oliveira e dos cordéis "As Duas Moedas de Ouro de Bento", "O Índio e a Cunhã dos Cachos de Ouro", "Clara e o Futuro da Terra e o Mundo Encantado dos Animais" de Leila Freitas(CE)

Horário: 16h
Atividade: Lançamento do livro "Os Milagres de Antônio Conselheiro" de Bruno Paulino(CE) e Arievaldo Viana(CE)

Horário: 17h
Atividade: Repente com Guilherme Nobre e Antônio Jocélio(CE)

Horário: 18h
Atividade: Recital com Chico Pedrosa(PE). Participação especial do poeta-mirim Moisés Marinho(RN)

Horário: 20h
Atividade: Cantoria com Geraldo Amâncio(CE) e Ivanildo Vilanova(PE)


25 de agosto (domingo)

Horário: 10h30
Atividade: Lançamentos dos folhetos de Hamurábi Batista(CE)

Horário: 11h
Atividade: Lançamento da Caixa de Cordéis em homenagem a Luiz Gonzaga de Paulo de Tarso(CE) 

Horário: 13h30
Atividade: Recital com Sâmia de Abreu(CE)

Horário: 14h30
Atividade: Show de humor e poesia com Tranquilino Ripuxado(CE)

Horário: 15h20
Atividade: Lançamento do livro "Nirez, o Homem de Cera" de Wilson Seraine(PI) | Editora IMEPH

Horário: 16h
Atividade: Espetáculo Lítero-Musical "20 DIZER CORDEL – A palavra com Som, Cor, Corpo e Alma" – Trigo Limpo Teatro Acert – Com José Rui Martins, Luisa Vieira e Mestre Bule-Bule, participação do músico Zé Rodrigues. 

Horário: 17h
Atividade: Lançamento do livro "Klévisson – 30 Anos de Arte" – Tupynanquim Editora/ Editora Karuá – Participação especial do violeiro Cayman Moreira  

Horário: 18h
Atividade: Show de encerramento com Renata Arruda(PB), Paola Tôrres(CE) e Banda e lançamento do CD "Nordeste in Natura".

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Vassilissa, de Ivan Bilibin. 


Marco Haurélio volta à Casa Tombada para o segundo módulo do curso Conto Popular: Viagem de Retorno ao País da Infância. Abaixo, um resumo das temáticas que serão abordadas a cada encontro. 

1.      Sobrevivências mitológicas e ritualísticas nos contos populares
O russo Vladímir Propp vislumbrou nos contos maravilhosos informações acerca de ritos e mitos há muito desaparecidos, numa perspectiva histórica que não fecha os olhos às mudanças e aos estágios pelos quais passam as narrativas populares, mesmo as nascidas em tempos arcaicos. Com base no clássico estudo Raízes históricas do conto maravilhoso, revisitaremos alguns ritos de passagem e voaremos ao Reino dos Confins, o reino do Vai-Não-Torna das histórias brasileiras. Passaremos, ainda, alguns dias – e noites! – na cabana da ogra, ou na casa do Bicho de Sete Cabeças, do Rei do Frio, e mergulharemos no poço de Dona Holle, símbolo do rito de passagem da infância para a idade adulta.

2.      Cordel: a poesia bárdica do Brasil
A literatura de cordel do Nordeste, com suas obras mais importantes e sua filiação à poesia épica e às canções de gesta, é o tema deste encontro. Por que o Brasil se tornou o maior celeiro da poesia popular em todo o mundo? A simbologia do Pavão Misterioso, emblema maior do cordel nordestino e o mais universal dos romances rimados. Quais são os livros do povo e por que são assim chamados?  Marco Haurélio, poeta e pesquisador da Literatura de Cordel, apresenta as obras fundamentais, os cordéis fundadores, os autores e autoras que fazem do cordel brasileiro a mais importante expressão da poesia popular em todo o mundo.

3.      Luzia Teresa: muita história pra contar
Definida pelo folclorista Altimar Pimentel como a maior contadora de “estórias” de que se tem notícia, a paraibana de Guarabira, Luzia Teresa dos Santos (1909-1983) era um fenômeno. Dos 242 contos coletados pelo Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular da Universidade Federal da Paraíba, apenas sendo 146 foram registrados em três volumes, intitulados Estórias de Luzia Teresa, e publicados pela Editora Thesaurus, de Brasília.

4.      De Ródope a Maria Borralheira: as metamorfoses da Cinderela
Cinderela (ATU 510A) é, sem dúvidas, o conto popular mais difundido no mundo. Charles Perrault, com sua Cendrillon, e os Grimm, com Auschenputtell, difundiram as versões mais conhecidas da história. É a Gata Borralheira na tradição oral de Portugal, Maria Borralheira nas coletâneas brasileiras, a história se filia a uma antiga lenda registrada pelo grego Heródoto, o Pai da História, cinco séculos antes de Cristo. Maria Borralheira nos contos brasileiros, aparece desde a coletânea de Silvio Romero, no fim do século XIX, e, mais recentemente, em um livro que reúne 20 versões baianas, Cinderela nos entrelaces da tradição, base da dissertação de mestrado da professora Edil Costa.

5.      É o Cão! O motivo do demônio logrado nos contos populares e no cordel
No Índice de motivos dos contos populares, o Sistema ATU, os contos do Ogro (Diabo) estúpido vão do nº 1000 ao 1199, incluindo contratos de trabalho, pactos, apostas improváveis e burlas maldosas. No Brasil, uma estranha convergência transforma o gigante, adversário do herói picaresco, em fazendeiro nas facécias protagonizadas por Pedro Malasartes. Há, entre vários povos, a premissa de que os espíritos podem servir aos seres humanos, por obrigação ou gratidão. Esta é a premissa dos contos em que há um pacto, consciente ou não, com o espírito do submundo. Câmara Cascudo, na introdução ao seu livro Contos Tradicionais do Brasil, assim se refere ao Ciclo do demônio logrado:   Nos contos em que aparece o Diabo este perde infalivelmente. A Morte, ao contrário, vence. Debalde o homem procura enganar, utilizando todos os recursos da inteligência, o pagamento fatal da dívida”.

6.      O medo e o mal nos contos de fadas
Todos nós sentimos medo. Medo da morte, da vida, do diabo, de Deus e dos deuses, de fantasmas, de bruxas. Medo das encruzilhadas, das árvores amaldiçoadas, dos animais predadores. Medo da noite e do que ela oculta. Medo dos outros e de nós mesmos. Em muitos contos e lendas, o medo dá o mote. O medo está ligado ao mal, mas este é mais um problema metafísico, interpretado e reinterpretado ao longo dos tempos. Nos contos de fadas, heróis e heroínas precisam superar o seu medo para iniciar sua jornada, que culmina na derrota do mal (ou de um de seus agentes). 


O PROFESSOR

Marco Haurélio teve contato com as tradições orais ainda na infância, passada no sertão baiano, entre os mestres e mestras da narração oral. Sua principal referência é a avó paterna Luzia Josefina de Farias (1910-1983), de quem escutou mais de cem histórias, várias delas hoje publicadas em livros que são referências no assunto, a exemplo de Contos e fábulas do Brasil e Contos folclóricos brasileiros. Escritor, pesquisador da cultura espontânea, cordelista e estudioso da poesia popular, é, ainda, autor de livros para crianças e jovens, vários deles premiados. No campo dos estudos etnográficos, recolheu, divulgou e classificou centenas de contos, dezenas de lendas, além de cantigas e romances, estes últimos ainda inéditos. Autor de Vozes da tradição (IMEPH, 2018), Lá detrás daquela serra (Peirópolis, 2013), O noivo defunto e outros contos de mal-assombro (Nova Alexandria, 2ª edição, 2019), Tristão e Isolda em cordel (SESI-SP Editora, 2018), dentre outros, ministra cursos e oficinas sobre o cordel e a cultura popular brasileira.



SUGESTÕES DE LEITURA

ALCOFORADO, Doralice. Belas e feras baianas: um estudo do conto popular. Salvador: Fundação Pedro Calmon, 2008
AMARAL, Amadeu. Tradições populares. São Paulo: Hucitec, 1976. ARAUJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira. 3ª ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2007.
BRANDÃO, Théo. Seis contos populares do Brasil. Maceió: MEC-SEC-Funarte, Instituto Nacional do Folclore, ufal, 1982.
CALVINO, Ítalo. Fábulas italianas. Tradução de Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
CARDIGOS, Isabel; CORREIA, Paulo. Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses (Com as versões análogas dos países lusófonos). CEAO da Universidade do Algarve / Edições Afrontamento: Portugal, 2015.
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. 13. ed. São Paulo:
Global, 2004.
COELHO, Adolfo. Contos populares portugueses. Portugal: Compendium, 1996.
COSTA, Edil. Cinderela nos entrelaces da tradição. Salvador: Fundação Cultural, EGBA, 1998.
GOMES, Lindolfo. Contos populares brasileiros. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1965.
GUIMARÃES, Ruth. Calidoscópio: a saga de Pedro Malasartes. São José dos Campos: JAC Editora, 2006.
_____________. Os filhos do medo. Porto Alegre: Editora Globo, 1950.
HAURÉLIO, Marco. Contos e fábulas do Brasil. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Nova Alexandria, 2011.
_____________. Contos folclóricos brasileiros. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Paulus, 2010.
_____________. O príncipe Teiú e outros contos brasileiros. São Paulo: Aquariana, 2012.
_____________. Vozes da tradição. Fortaleza: IMEPH, 2018.
HAURÉLIO, Marco, Wilson Marques. Contos e Lendas da Terra do Sol. São Paulo: Paulus, 2019.
NASCIMENTO, Bráulio do. Estudos sobre o conto popular. São Paulo: Terceira Margem, 2009.
2006.
PIMENTEL, Altimar. Estórias de Luzia Teresa (Três volumes). Brasília: Thesaurus, 1995.
_____________. Estórias do Diabo. Brasília: Thesaurus, 1995.
PROPP, Vladimir. As raízes históricas do conto maravilhoso. 2. ed. Tradução de Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
ROMERO, Sílvio. Contos populares do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1985.
XIDIEH, Oswaldo Elias. Narrativas pias populares. São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros – USP, 1967.

sábado, 13 de julho de 2019

Marina Colasanti e a história dos dois sonhadores



Era uma manhã de domingo, 23 de junho, último dia do Festival Literário de Araxá, o Fliaraxá, em sua edição de 2019. Leo Cunha, curador da programação infanto-juvenil, imaginou uma mesa comigo e Marina Colasanti, Conto e reconto: tradição e reinvenção. Leo, que mediou a conversa, foi certeiro na escolha do nome. Encontrou o ponto fulcral. E isso ficou demonstrado quando Marina, instada por Leo, abriu a mesa com uma revelação: está a pesquisar um conto popular, “Os homens que sonharam”, para um novo livro e já coligiu, para o projeto, mais de uma dezena de versões. Quando Leo me passou a palavra, contei (ou recontei) uma versão brasileira do mesmo conto, intitulada “O tesouro do matuto”, que me foi enviada pelo poeta cearense Arievaldo Viana e encontra-se publicada no livro Contos folclóricos brasileiros (Paulus, 2010).

"Um matuto do interior do Piauí plantou um roçado e não colheu nada por causa da seca. só lhe restou uma casa de taipa, onde havia um grande lajedo no quintal e um bode velho magro, fedorento e travesso, que passava o dia todinho pulando do chão para o lajedo e do lajedo para o chão...
Um dia, ele sonhou que numa cidadezinha distante havia um sapateiro velho, em cuja boca estaria a sua fortuna. ele sonhou tantas vezes e insistiu tanto nisso com a mulher que ela acabou dizendo:
– Vai, marido, vai logo atrás desse tesouro.
Ele saiu sem destino. Depois de muito andar, chegou a uma cidadezinha idêntica à do sonho. Indagou se por ali havia um sapateiro.
Ninguém sabia informar. Já quase desistindo, descobriu que havia, numa viela, um velho remendão que trabalhava muito mal. Chegando lá, identificou o velho e começou a jogar conversa fora...
Depois de passar duas horas alugando o ouvido do velho, este resolveu interrogá-lo.
– Afinal de contas, o que é mesmo que você quer comigo?
Ele contou o sonho. Disse que a sua fortuna estava na boca do velho. O sapateiro sorriu com prazer, e mostrou-lhe o último dente que lhe restava, ainda por cima cariado. Era a pobreza em pessoa. e depois de mangar do sonho do viajante, concluiu:
– Se eu fosse de lajedo e um bode velho fedorento que passa o dia pinoteando em cima. Debaixo da dita pedra tem um verdadeiro tesouro. Não está vendo que eu não acredito nisso?!
O homem, radiante de felicidade com a revelação, voltou para casa e encontrou seu tesouro justamente debaixo da dita pedra de que falara o sapateiro..

O conto em questão figura no livro das Mil e uma noites, "A história dos dois que sonharam", versão que foi reproduzida por Jorge Luís Borges em sua antologia Libro de sueños e serviu de arcabouço temático para Paulo Coelho na sua obra mais divulgada, O alquimista

Recriei esta versão em um cordel, do qual reproduzo as duas primeiras estrofes:

Peguei caneta e papel
E as Musas me visitaram.
Mesmo sem eu lhes pedir,
No meu ouvido sopraram
A maravilhosa História
Dos dois homens que sonharam.

Meu estro então viajou
Para as terras do Oriente,
Visitou duas nações
Seguidoras do Crescente,
E das Mil e uma noites
Eu narro um drama pungente.




O conto aparece classificado no Sistema Aarne-Thompson-Uther como MT 1645 (The Treasure at Home) e, no Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses, de Isabel Cardigos e Paulo Correia, é assim resumido:

“Um homem sonha que vai a uma cidade distante e encontra um tesouro debaixo de uma ponte. Indo lá e não encontrando tesouro nenhum, o homem conta o seu sonho a outro homem que por sua vez também lhe confessa ter sonhado com um tesouro em determinado lugar. Ao ouvir a descrição, o primeiro homem dá-se conta que se trata da sua casa. Quando regressa, encontra o tesouro.”.

Como intuiu Leo Cunha, eu e Marina estávamos unidos por aquele que talvez seja o mais fascinante dentre os temas literários, presente desde o Épico de Gilgamesh, no alvorecer da Civilização. O sonho, como parece sugerir Joseph Addison na interpretação de Borges, pode ser o mais antigo gênero literário, no qual "a alma, desligada do corpo, é a um só tempo o teatro, os atores e a plateia".  E sem os sonhos, dizem os junguianos, não haveriam os contos de fadas. Sonhemos, pois!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Viva Tião Carreiro, patrimônio vivo de Araxá!

O momento em que seu Tião recebeu o livro Vozes da Tradição


Em 2015, desembarquei em Araxá para participar do Festival Literário da cidade pela primeira vez. O convite de José Santos, então curador da programação infanto-juvenil, generosamente endossado por Afonso Borges, me proporcionou momentos para não deslembrar, encontros com muitos autores e autoras, estabelecimento de amizades sólidas, mas um momento, em especial, sempre faço questão de ressaltar. Durante os cinco dias do evento, com estrutura montada no centro de Araxá, quem mais me chamou a atenção foi um senhor negro, de cerca de 75 anos, que se locomovia com a ajuda de uma bengala. Arrastava um saco plástico enorme, no qual guardava as latinhas coletadas durante o Festival.
Seu Tião, Mirtes (filha), Kellen (neta) e Luísa (bisneta). 

No último dia, durante o Sarau de encerramento, com o versátil grupo Fratello, escapuli por uns minutos, quando o vi encostado a um dos palcos, e puxei uma conversa que quase deu em nada. Depois de me apresentar, ele disse o seu nome, Sebastião José Pereira, e também o apelido, Tião Carreiro, homônimo do grande violeiro e cantor sertanejo. Quando perguntei se sabia contar histórias se esquivou, afirmando que a lida da roça, que consumiu boa parte de seu tempo, não lhe permitia fazer mais nada. Sua vida, até ali, tinha sido apenas para trabalhar. Aproveitei, então, para lhe pedir licença e contar uma história, aprendida com minha avó, Luzia Josefina, sobre Jesus e São Pedro. Ao terminar, ele emendou com uma versão ainda mais elaborada do mesmo conto. E, depois, num só fôlego, contou mais três, todas elas narrativas pias, ou seja, lendas do sagrado, impregnadas da religiosidade popular. Eu não dispunha de um gravador naquele momento, mas registrei todos os contos na memória e os transcrevi, tão logo desembarquei em São Paulo, onde resido.
Depois da palestra, com a família Pereira
e o escritor e editor português Joaquim Marreiros (esq.). 

Em 2016, de volta a Araxá, o reencontrei e descobri que seu Tião era avô de uma moça que fizera a oficina de cordel comigo no ano anterior, Kelen Pereira, e pai de uma professora que conheci no evento, a Mirtes. Ambas haviam lido, emocionadas, uma postagem que fiz no blogue Contos e Fábulas do Brasil. Seu Tião, já totalmente desinibido, contou mais uma história, também do ciclo de Jesus e São Pedro, e assistiu, com a neta, parte da palestra que proferi abrangendo o cordel e a tradição oral. Reuni os quatro contos narrados por seu Tião para um livro que seria lançado em fins de 2018, mas ao qual só tive acesso em 2019, Vozes da Tradição, da Editora IMEPH, de Fortaleza. A ideia era ir a Araxá, este ano, para entregar-lhe o livro. O convite feito por Leo Cunha e Afonso Borges, para participar, mais uma vez, do Fliaraxá, que, há três anos, acontece nas dependências do Grande Hotel Tauá, entre os dias 21 e 23 de junho, encurtou a distância entre o desejo e sua realização. Mas seu Tião, que fora vítima de um mau motorista em 2014 (daí a bengala), talvez não pudesse comparecer, já que não consegue mais se locomover como antes. A participação da família Pereira talvez não fosse possível, era o que eu pensava.

A atividade do dia  22, sobre cordel e imaginação, começou com a presença de Kelen, grávida de cinco meses, sua filha Luísa, Mirtes e outros membros da família. Logo depois, chegou, numa cadeira de rodas, seu Tião. Tão logo chegou, fez questão de pegar o livro, folhear, e, a um pedido meu, generosamente, contou uma das histórias, “Deus lhe pague!”, fazendo com que o riso e os aplausos, generosos, brotassem da plateia. A história é esta:

Ilustração: Luciano Tasso 
São Pedro, cansado de abrir a porta do céu e de ouvir tanta gente pedir chuva, achou que chegara o tempo de descansar. Foi até Deus e pediu, com cuidado, que o liberasse de suas funções. Garantiu, no entanto, que voltaria logo, e só por isso foi liberado. Para matar a saudade, retornou à Terra. Peregrinou por muitos lugares e ficou encabulado com a quantidade de homenagens a ele: Barbearia São Pedro; Farmácia São Pedro; Hospital São Pedro. Mas o melhor de todos, sem dúvida, era o Bar São Pedro. Lá se entreteve e passou a maior parte do tempo, esticando em muito as suas férias.
O Bom Deus, preocupado com a ausência de seu valoroso auxiliar, chamou-o de volta. E quando ele chegou, não esqueceu de puxar-lhe as orelhas:
— Mas, Pedro, cadê você, que disse que voltaria logo?
— Senhor, me perdoe, mas descobri que sou muito benquisto na terra. Daí a razão da demora. Agora, se fosse o Senhor, não pisaria lá de novo.
— E por que não?
— É que sua dívida com o povo está lá, ou melhor, cá nas alturas. E só aumenta a cada dia. Todo mundo, quando não tem dinheiro ou não quer pagar o que deve, sai-se com essa: “Deus lhe pague!”.

Ao final, entreguei o seu exemplar e pude ver a felicidade em seus olhos. Nesse ponto, o riso já se confundia com o pranto.
2015: o ano em que conheci seu Tião. Bastidores do Fliaraxá. 

Seu Tião, que está com 78 anos, vai passar por uma cirurgia. Em sua perna, uma imensa placa de metal provoca muitas dores. Acredita que, depois disso, poderá voltar a andar. E, se já não pode mais caminhar por Araxá, como em outros tempos, jamais deixou de contar histórias. Disse saber muitas outras e fará questão de enviá-las. Gostou de ser citado num livro, um reconhecimento que, segundo ele, jamais imaginou que teria. Disse-me que lhe dei um presente. Eu, claro, o corrigi. Quem me deu um grande presente foi ele. Afinal, mestres como seu Tião, guardiães da fonte da memória, são cada dia mais raros. Assim, fazendo jus à história que me narrou, sou eu quem deve dizer: “Deus lhe pague!”.

Crédito das fotos: Lobo Junior.