quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Krampus e "Seu Dezembro"

Instigado por uma postagem do ilustrador Dane D'Angeli,  no Facebook, fui pesquisar a estranha figura acima reproduzida, o Krampus, ser mitológico que assombra e pune as crianças que não se comportaram bem em países como Alemanha e Áustria. O dito cujo aparece no dia 5 de dezembro, um dia antes da visita de São Nicolau (Sinterklaas ou Santa Claus), personagem que serviu de base para o Papai Noel.
Aí lembrei-me de uma história que minha tia Lili costumava contar sobre a chegada de um andarilho à casa de sua avó (e minha bisavó), que, salvo engano, chamava-se Josefina. A casa ficava numa região rural de Igaporã, próximo ao Barreiro, e a "visita" se deu em circunstâncias peculiares. Josefina havia, há poucos dias, descansado de uma gravidez, e o resguardo a impedia de se levantar. O seu marido, por necessidade, se ausentara justo naquele dia. E as crianças foram obrigadas a servir ao andarilho: primeiro ele exigiu comida, no que foi atendido. Depois, reclamando do frio, fê-los acender uma fogueira na própria varanda em que se instalara. Acabada a lenha, os meninos passaram a queimar sabugos de milho.
Além de reclamar o tempo todo, o "visitante" prometeu, quando a fogueira se extinguisse, dar cabo de cada menino, a quem chamava, indistintamente, "Cu de sabugo". Um deles, escapando pelo fundo da casa, foi chamar os tios, irmãos de Josefina, que moravam perto. Quando estes chegaram, o "visitante" que, a bem da verdade, devia ser um dos escravos "libertos" pela Lei Áurea, sem eira nem beira, fugiu, sem fazer mal a nenhuma das crianças.
O fato é que a sua passagem ficou gravada indelevelmente na memória das crianças. Quando queria assustar os netos, Josefina contava a história da Menina e do Velho do Surrão, aquela mesma dos brincos de ouro esquecidos na fonte, associando-a com o fato testemunhado pela família. E o visitante foi rebatizado como "Seu Dezembro", pois foi neste mês que ele aparecera.
E "Seu Dezembro" se tornou uma espécie de Papão para mais de uma geração. Menos assustador que o Krampus, é verdade, mas, ainda assim, uma boa razão para se comportar bem durante o ano.
PARA SABER MAIS SOBRE O KRAMPUS:

E, para fechar esta postagem, Feliz Natal!


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